Este texto sobre liderança feminina foi escrito por Carolina Oh, estudante de graduação de administração de empresas na FGV e ex-diretora da Liga de Empreendedorismo.

O tema liderança feminina vem ganhando cada vez mais destaque no cenário brasileiro. Questões como representatividade, diversidade e reconhecimento são assuntos cada vez mais abordados. Mas a pergunta que fica é: será que a mulher é reconhecida no mercado brasileiro?

Portanto, antes de abordar esse assunto e falar sobre empreendedorismo e liderança feminina, é importante destacar como as mulheres começaram a ganhar mais autonomia na sociedade. Devemos entender como elas se inseriram no mercado de trabalho e compreender as lutas e vitórias passadas e como estamos nos dias atuais.

Contexto Histórico e as conquistas das mulheres

No final do século XIX e início do XX, começou a primeira onda feminista, onde as mulheres lutavam por igualdade política e jurídica, em uma época em que elas eram oprimidas, submissas e com poucos direitos. A sociedade também estava passando por uma profunda mudança, transformações culturais e no estado, e a ascensão de um novo estágio capitalista que trouxe consigo produção em fábrica e a inserção da mão de obra feminina.

Os principais fatores que motivaram o movimento foram as condições de trabalho extremamente precárias acompanhada por longas jornadas (se para os homens já eram ruins, para as mulheres era pior ainda), salário inferior aos homens e obrigações domésticas, ainda, lutavam pelos direitos de cidadania como educação, posse de bens, divórcio e muito mais.  

Um dos movimentos que surgiu na primeira onda foi pelo sufrágio feminino, ou seja, pelo direito ao voto às mulheres, que teve destaque principalmente na Inglaterra e nos Estados Unidos reunindo milhares de mulheres de todas as classes para a luta pelos seus direitos, e sendo inspiração para o filme “As Sufragistas”. 

Nova perspectiva do papel da mulher

A primeira onda trouxe consigo uma nova perspectiva do papel da mulher e da liderança feminina na sociedade. Assim, a partir dela novos movimentos feministas começaram a surgir e tomar forma. Mas eles nunca deixaram a sua essência: a luta pelo direito das mulheres perante a sociedade. Além disso, a liderança feminina tornou-se uma das principais ferramentas para a igualdade entre os gêneros.

Assim, um dos nossos maiores desafios hoje é aprofundar as conquistas feministas e fomentar cada vez mais a liderança feminina. Por exemplo, atualmente a mulher empresária não está representada na nossa sociedade, quando pensamos em negócios. O primeiro personagem que vem em nossa mente são homens engravatados. Uma consequência de que, somente a partir de 1962 (há menos de 60 anos atrás) as mulheres podiam ter CPF, ou seja, só a partir desse ano as mulheres podiam ter uma conta no banco ou uma empresa em seu nome.

O que os dados dizem sobre a liderança feminina

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Insper em parceria com a Talenses em 2018, “em apenas 15% das empresas a liderança feminina ocupa e tem mulheres na presidência. Além disso, quanto maior o tamanho da companhia, menor é a probabilidade de ter uma mulher no comando”.

Indo além, apenas 0,4% dos US$ 400 bilhões que saíram dos fundos de capital, investidos entre 2009 e 2017, foram destinados a mulheres latino-americanas.

Além da discriminação salarial, as mulheres têm mais dificuldade de assumir os cargos de liderança nas empresas. Ou seja, a liderança feminina ainda caminha a passos pequenos. Ainda, então,a pesquisa mostra que somente 32% das 920 empresas brasileiras entrevistadas possuem políticas de equidade de gênero.

Além disso, de acordo com  artigo publicado pelo Crunchbase, as mulheres recebem apenas 2,2% do financiamento de capital de risco globalmente. Esse número aumenta significativamente para 20% quando o fundador da startup não é uma mulher.

Mas esse é um cenário em que muitas mulheres vêm lutando para mudar. De acordo com uma pesquisa do Global Entrepreneurship Monitor 2017, feito em parceria com o Sebrae, mais de 50% dos empreendedores que iniciaram negócios em 2016 foram mulheres e nos últimos 14 anos a quantidade de empresárias subiu 34%.

Assim, o empreendedorismo e a liderança feminina se tornaram instrumento-chave de visibilidade, reconhecimento e independência das mulheres. Criando, dessa forma, novas oportunidades, relacionamentos e, claro, desafios. É importante destacar também que não devemos limitar o empreendedorismo a grandes empresas, ele também engloba barracas de comida, e-commerce, lojas de rua, startups e etc.

Quantas fundadoras existem no mercado brasileiro?

É interessante também citar e trazer informações mapeadas pelo Distrito Dataminer em seus estudos e análises dos setores brasileiros. Esses relatórios trazem informações detalhadas sobre segmentos específicos. Um desses dados é quantas startups das que são mapeadas têm a liderança feminina no topo da empresa, entre os fundadores. Vamos aos números!

Fintech

O Fintech Mining Report mapeou 553 startups que atuam no setor e desvendou que apenas 12% entre as startups mapeadas têm mulheres entre as sócias.

Varejo

Das 269 startups mapeadas pelo Retailtech Mining Report, apenas 12% delas têm mulheres entre os fundadores.

Rio Grande do Sul

No Gauchotech Mining Report foram mapeadas 422 startups da região e apenas 16,6% delas possuem mulheres entre os sócios.

Liderança Feminina: mulheres que fazem a diferença

O empreendedorismo e a liderança feminina podem trazer uma mudança não só na vida da empreendedora, como também de várias pessoas ao seu redor e na sociedade, se tornando uma inspiração para outras mulheres. Segue, abaixo, algumas que inspiram todos os dias, diversas mulheres a se empoderar a partir do empreendedorismo:

Dani Junco (B2mamy)

Mãe empreendedora, fundadora da B2Mamy, a primeira aceleradora que conecta mães empreendedoras no ecossistema de inovação e startups.

Camila Achutti

Programadora e empreendedora, fundadora e CEO da MasterTech (escola de tecnologia). É também fundadora da Ponte 21 (consultoria de inovação) e do blog “Mulheres na Computação”.

Camila Farani

Empreendedora e investidora-anjo. É fundadora da G2 Capital, butique de investimentos e co-fundadora do grupo Mulheres Investidoras Anjo. Além disso, é também um dos jurados do Shark Tank Brasil.

Cristina Junqueira

VP e Co-founder do Nubank, uma das maiores fintechs da América Latina. De acordo com o site The Information, possui um valuation de US$ 4 bilhões.

Priscila Gama

Arquiteta empreendedora fundadora do aplicativo Malalai, que ajuda às mulheres a enfrentar a insegurança nas ruas através da tecnologia.

Gabryella Corrêa

CEO e Fundadora do LadyDriver, um aplicativo de transporte exclusivo para mulheres passageiras e motoristas.

Por fim, percebe-se que o mercado de trabalho ainda é predominante masculino. No entanto, iniciativas femininas vem crescendo exponencialmente ao longo dos anos. Dessa forma, as mulheres vêm se unindo e se inspirando cada vez mais, esse movimento se tornou algo chave para esse crescimento.

Além disso, é importante destacar também que apesar das conquistas feministas, ainda temos um longo caminho a percorrer. Assim, é de suma importância debates e apoiar iniciativas que dão suporte ao crescimento e visibilidade da mulher.

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