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Conheça a Artemisia e entenda como funciona um negócio de impacto social

Conheça a Artemisia e entenda como funciona um negócio de impacto social

Startups e empresas podem ser lucrativas e ainda assim ter propósitos e modelos de negócio alinhados ao bem-estar social. Cada vez mais a sociedade está cobrando por produtos e serviços cada vez mais alinhados a princípios sociais, éticos e sustentáveis. A prova disso é a Artemisia, pioneira na disseminação e no fomento de negócios de […]

11 de maio de 2021 13 min de leitura
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Artigo atualizado 11 de maio de 2021

Startups e empresas podem ser lucrativas e ainda assim ter propósitos e modelos de negócio alinhados ao bem-estar social. Cada vez mais a sociedade está cobrando por produtos e serviços cada vez mais alinhados a princípios sociais, éticos e sustentáveis. A prova disso é a Artemisia, pioneira na disseminação e no fomento de negócios de impacto social no Brasil. Criada em 2005, já acelerou 180 empreendimentos e conta hoje com mais de 500 iniciativas apoiadas no país.

Não confunda o modelo de negócio da Artemisia com o de uma ONG. Na realidade, o conceito em que a empresa se enquadra é o de uma Oscip, organização de sociedade civil de interesse público. Ou seja, é um título ou qualificação fornecida Ministério da Justiça do Brasil a determinadas entidades privadas atuando que atuam em áreas específicas do setor público com interesse social, que podem ser financiadas pelo Estado ou pela iniciativa privada sem fins lucrativos.

Para entender mais sobre a atuação da Artemisia e como ela se relaciona com diversos conceitos como, por exemplo, ESG, confira a entrevista completa com Maure Pessanha, diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e na disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

#1 | Quando a Artemisia foi criada, havia um recorte claro do que é um negócio de impacto social e ESG? E, hoje, como vocês enxergam e traduzem a evolução desses conceitos e critérios?

Há 15 anos, a Artemisia formulou uma pergunta que pontua a atuação da organização até os dias atuais. Ao aplicar a lógica dos negócios, será que podemos contribuir para a resolução de problemas sociais? Com essa hipótese – e acreditando na possibilidade de uma resposta afirmativa ou em construção –, a reflexão provocada convergiu para a ideia do surgimento de negócios de impacto social. Um novo modelo, pautado pela consciência social unida ao lucro, no qual as empresas não substituem o Estado, pois o objetivo é qualificar e complementar a presença governamental ao garantir acesso a produtos e serviços essenciais à melhoria da qualidade de vida da população em situação de vulnerabilidade econômica e social. No início da nossa jornada, em 2005, essa ideia de integrar negócios ao impacto social, para muitos, parecia utópica. Hoje, é uma realidade. Vemos um ecossistema de empreendedorismo de impacto formado, robusto e em constante ascensão.

Fortalecer e repensar modelos de negócios e o ecossistema de empreendedorismo têm sido a jornada da Artemisia. Ao propagar esse conceito, a organização provoca uma reflexão em empreendedoras e empreendedores profundamente incomodados e inconformados com a situação do Brasil. São cidadãos que, mesmo quando todas as probabilidades se mostram contrárias, insistem em quebrar paradigmas para investir na criação de soluções inovadoras; são humanos que não quiseram ter de escolher entre ganhar dinheiro ou mudar o mundo. Desde o início da operação, a organização defende que entre um e outro, pode-se optar pelos dois. Ao refutar a obrigatoriedade da escolha, abre-se espaço para a inclusão de valores mais humanos, empáticos e sustentáveis. 

Sobre a abordagem ESG (sigla, em inglês, para Environmental, Social and Governance), é uma discussão mais recente, advinda do universo de investimentos a partir da evolução das abordagens de investimentos responsáveis e sustentáveis. Na prática, o termo representa os pilares básicos da sustentabilidade e sintetiza critérios de conduta das empresas em áreas nas quais os investidores e consumidores levam em consideração, ou seja, as esferas ambiental, social e de governança.

O trabalho desenvolvido por empresas de diferentes portes – podendo incluir os negócios de impacto socioambiental – deve prezar pelas boas práticas no tripé da sustentabilidade, tendo em vista a manutenção e a recuperação dos recursos naturais. E, acredito que o Brasil possa liderar essa nova forma de enxergar o potencial da biodiversidade e de trabalhar com respeito e ciência das limitações do planeta, inclusive, ao contribuir com um debate qualificado sobre o ESG

Acho importante ressaltar que as questões climáticas e a desigualdade estão conectadas. Muitas vezes, as pessoas tomam decisões que desrespeitam o meio ambiente por uma questão de sobrevivência ou falta de informação. Por exemplo, o Instituto Ipê (Instituto de Pesquisas Ecológicas) – uma organização sem fins lucrativos dedicada à conservação da biodiversidade em bases científicas – percebeu que, para conquistar sua missão relacionada à preservação de espécies (animais e vegetais) por parte da população local em alguns territórios, precisava oferecer uma alternativa de geração de renda às comunidades e alternativas de envolvimento prático com a causa da biodiversidade e, por isso, criou uma Unidade de Negócios Sustentáveis com projetos que aliam geração de renda a práticas educativas sobre os temas importantes na agenda ambiental. Ou seja, renda, educação e biodiversidade caminhando juntos.

Na minha percepção, o ESG tem sido utilizado pelas empresas dentro da estratégia de evitar decisões de negócios que representem riscos à performance da companhia por meio de gestão de mitigação de impactos negativos nos pilares ambiental, social e de governança das operações. No entanto, a abordagem ESG não deveria ser associada a uma solução para mitigação de riscos – ou a uma iniciativa isolada de curto prazo. Na minha análise, o ESG está mais próximo de uma jornada complexa; um processo que pode nos levar, como sociedade, a um outro patamar rumo a um capitalismo mais consciente. 

Também acho válido reforçar a diferença entre a abordagem ESG e o universo do investimento de impacto e dos negócios de impacto social. Os negócios de impacto têm como diferencial a intencionalidade de gerar impacto positivo pelo seu core business (via produto ou serviço principal), ao mesmo tempo que geram lucro. Quando o tema é investimento de impacto, estamos falando de recursos que apoiam soluções para desafios sociais ou ambientais de forma direta, ao mesmo tempo que buscam o retorno financeiro. Já nas práticas de ESG – que levam em conta os efeitos sociais, ambientais e de governança de um negócio –, a análise recai para a forma de atuação da cultura empresarial que guia as decisões da companhia, um olhar para a forma que o negócio é gerido de A a Z. Em outras palavras, o ESG é o “como” – com indicadores que norteiam a forma como a empresa atua; os negócios de impacto focam no “o que” querem gerar de impacto, sendo esse o objetivo principal.

A recente fama do ESG é positiva, pois quanto mais o conceito é conhecido, mais pessoas pressionam as empresas para boas práticas responsáveis e sustentáveis. Vale reforçar que não podemos tratar de forma superficial o assunto, pois é extremamente complexo. Concluo minha resposta ressaltando que, aqui na Artemisia, em toda a nossa atuação, o que buscamos é mudar a lógica vigente, transformar a sociedade por meio de uma nova forma de fazer negócios. 

#2 | Na seleção de startups para o programa de aceleração da Artemisia, são levados em consideração critérios ESG? Quais outros critérios vocês se apoiam para selecionar as startups?

Os critérios que levamos em consideração nos diferentes programas de aceleração conduzidos pela Artemisia são permeados pelo impacto social. Ou seja, selecionamos empreendedores que têm – como ponto central, diferencial e fortaleza – o entendimento do problema que querem resolver e uma solução (produto ou serviço) que enderece diretamente esse desafio mapeado. Na prática, conhecem, em profundidade e com empatia, a dor e a vulnerabilidade social. E, a partir daí, criam um negócio de impacto social baseado em algumas premissas. Vale ressaltar que o conceito abarca empresas que oferecem, de forma intencional, soluções com potencial de escala (não apenas na acepção literal da palavra, mas no enorme potencial de inspirar o surgimento de outras soluções) para problemas sociais e ambientais. 

Acho importante pontuar quais são as características principais dos negócios de impacto social na visão desenvolvida pela Artemisia, organização pioneira no Brasil no fomento e na aceleração dessas empresas.

  • Foco na população em situação de vulnerabilidade econômica (produtos e serviços desenhados de acordo com as necessidades e características dessa população); 
  • Intencionalidade (possuem a missão explícita de causar impacto social e são geridos por empreendedores éticos e responsáveis); 
  • Potencial de escala (podem ampliar o alcance por meio da expansão do negócio, da replicação em outras regiões por outros atores ou pela disseminação de elementos inerentes ao negócio por outros empreendedores, outras organizações e políticas públicas); 
  • Rentabilidade (possuem um modelo robusto que garante a rentabilidade e não depende de doações ou subsídios); 
  • Impacto social relacionado à atividade principal (o produto ou serviço oferecido diretamente gera impacto social ou se trata de projeto/iniciativa separado do negócio – sim, da atividade principal); e
  • Distribuição ou não de dividendos (um negócio pode distribuir ou não dividendos a acionistas; decisão que não é um critério para definir o impacto social). 

Na Artemisia, estamos a serviço da transformação gerada por negócios de impacto. Ao longo de 15 anos, temos acelerado empreendedores e seus negócios de impacto social alinhados à conduta socialmente responsável, reunindo um pipeline nacional de empresas criadas para a resolução de problemas sociais e ambientais, ou seja, que no DNA carregam a faísca da mudança. 

#3 | A crescente preocupação para se adequar aos critérios ESG está apenas no meio corporativo ou se estende a startups também?

O estudo A onda verde: oportunidades para empreender e investir com impacto ambiental positivo no Brasil – desenvolvido pela Climate Ventures e a Pipe.Labo, com parceria estratégica da Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto, apoio do Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), Instituto Clima e Sociedade (iCS), Instituto Humanize, Fundo Vale e Cargill – revela que a agenda ESG tem mostrado força nos últimos anos, tanto no contexto internacional quanto no mercado nacional. Estimativas do JP Morgan apontam para um montante global de US$ 45 trilhões de investimentos. 

A lógica que rege o ESG remete à estratégia adotada pelas empresas para evitar decisões de negócios que representem riscos à performance da companhia por meio de gestão de mitigação de impactos negativos nos pilares ambiental, social e de governança das operações. Uma parte dessas ações são investimentos de impacto responsáveis por operações e modelos de negócios que intencionalmente contribuem para a solução de desafios socioambientais – como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Levantamento do International Finance Corporation (IFC) aponta que, em 2020, os investimentos de impacto alcançaram o montante de US$ 2 trilhões globalmente.

Embora a integração da sustentabilidade à iniciativa privada – a partir de critérios do ESG – seja uma tendência em forte crescimento, isso representa a ponta do iceberg. No médio prazo, o estudo A onda verde alerta para a necessidade de os modelos de negócio avançarem do olhar para as dimensões do ESG para uma mudança das relações com o meio ambiente e, sobretudo, para os interlocutores-chave. Aliás, isso é crucial para desenvolver modelos capazes de gerar valor enquanto promovem impacto positivo no meio ambiente. Já temos visto empresas que desde a concepção integram a geração de impacto socioambiental positivo ao core business.

Como já citei, na minha percepção, o ESG tem sido utilizado pelas empresas dentro da estratégia de evitar decisões de negócios que representem riscos à performance da companhia por meio de gestão de mitigação de impactos negativos nos pilares ambiental, social e de governança das operações. No entanto, não deve ser associado a uma solução para mitigação de riscos – ou a uma iniciativa isolada de curto prazo. O ESG está mais próximo de uma jornada complexa; um processo que pode nos levar, como sociedade, a um outro patamar. 

#4 | Pela visão de vocês como uma aceleradora de negócios sociais, as startups estão tendendo a inovar qual(is) setor(es)?

Peço licença para abordar o que considero tendência para os negócios de impacto social, sobretudo em um cenário pós-pandemia. Essa reflexão está, de maneira mais detalhada, em um artigo que escrevi a pedido do Estadão PME. Aqui, registro uma versão mais curta do meu artigo.

Análise do Banco Mundial aponta que à medida que o mundo enfrenta a crise sanitária, torna-se essencial auxiliar os países no processo de transição para a recuperação por meio de uma combinação formada para salvar vidas; proteger os pobres; amparar os fundamentos da economia; e fortalecer políticas e instituições para a resiliência. Para além da pandemia, enxergo a saúde, a habitação e a inclusão produtiva como grandes desafios brasileiros do pós-coronavírus. Essas temáticas compõem, na minha percepção, as três tendências para o empreendedorismo social em 2021/2022, porque abrem oportunidades reais para que os negócios de impacto social inovadores colaborem, efetivamente, com a transformação que vamos precisar promover para combater o recrudescimento do abismo social no país, cuja desigualdade endêmica foi agravada pela pandemia. 

Para falar sobre a saúde, trago a visão de que em um futuro próximo teremos um problema enorme para resolver que está associado à falta de cuidados preventivos de várias doenças. Ou seja, teremos um gap gigantesco no atendimento a enfermidades cujos tratamentos foram negligenciados durante a pandemia. Estou falando de doenças como hipertensão, diabetes, dislipidemia e alterações cardiovasculares, além do câncer. Esse cenário demandará soluções desenvolvidas por negócios de impacto social, sobretudo, voltadas à qualificação dos profissionais da saúde. Haverá um mercado enorme e com muitas oportunidades para que os empreendedores sociais colaborem com a melhoria do atendimento da saúde pública. Diante da pandemia, houve uma maior clareza sobre a necessidade de inovar e acelerar as transformações na saúde pública do Brasil. A Atenção Primária à Saúde (APS), por exemplo, é o acesso da população aos cuidados iniciais, sendo responsável por suprir de 80% a 90% das necessidades de atendimento médico de um indivíduo ao longo da vida, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS-Brasil).  

A habitação, que destaco como segunda tendência, é um setor no qual 75% da demanda habitacional, até 2027, será de brasileiros com renda de até cinco salários-mínimos. Então, como desenvolvermos soluções de melhoria habitacional, de crédito, de habitação social que enderecem o desafio desses cidadãos? E, até levando em consideração novos formatos que não são mais centrados na casa própria, mas modelos como compartilhamento, aluguel social, entre outros. Há muito espaço para empreendedores sociais pensarem fora da caixa para endereçar soluções para um problema gravíssimo do nosso país.  

As soluções de inclusão produtiva – que listo como terceira tendência – também serão muito demandadas, porque precisamos de soluções para o aumento da renda e do trabalho para a população mais vulnerável do país. Temos um grande número de pessoas sem empregos; cidadãos que a “revolução digital” jogou para fora do mercado de trabalho. Com isso, vamos precisar de negócios de impacto social que enderecem, por exemplo, o problema do letramento digital; soluções para preparar os jovens para as áreas técnicas do futuro e habilidades interpessoais e socioemocionais (soft skills); ferramentas que ajudem as grandes empresas a conduzirem um processo seletivo mais inclusivo. As tendências que identifico – sobretudo dentro dos estudos que temos conduzido na Artemisia – estão ligadas, profundamente, aos desafios que temos e que teremos como nação. A crise afeta um contingente enorme de pessoas, então, precisamos de soluções que estejam à altura dessa demanda.  

#5 | Nos programas de aceleração da Artemisia vocês dão prioridade para algum setor ou modelo de negócio?

Os programas da Artemisia são bastante diversos e abarcam diferentes fases do negócio, modelos e setores. Um aspecto fundamental – que norteia a nossa atuação nos diferentes programas – é a visão de que devemos selecionar empreendedoras e empreendedores interessados em protagonizar uma transformação positiva dentro do setor de atuação, tendo como foco soluções que apoiem a população em situação de vulnerabilidade econômica. Com essa perspectiva, temos apoiado negócios de impacto social brasileiros que têm gerado melhorias na qualidade de vida da população de menor renda em cinco principais dimensões:

  • diminuição dos custos de transação; 
  • promoção de oportunidades de desenvolvimento; 
  • possibilidade de aumento de renda; 
  • redução de condições de vulnerabilidade; e 
  • fortalecimento da cidadania e dos direitos individuais. 

São negócios em setores estruturantes como saúde, habitação, tecnologia assistiva, serviços financeiros, alimentação, empregabilidade, educação, entre outros. Esse empreendedorismo de impacto trouxe para o ecossistema mais pluralismo e diversidade – elementos essenciais para a construção de uma sociedade mais igualitária, sobretudo, por apoiar potências negras, mulheres, pessoas maduras, periferias e diferentes estratos sociais.  

#6 | Vocês notam que há alguma tendência de corporações buscando parcerias ou investimentos em negócios de impacto?

Não sei se podemos classificar como tendência, mas é fato que grandes empresas, nos últimos anos, passaram a direcionar esforços para temas de impacto social. Companhias que têm um potencial muito grande de transformar a realidade social do Brasil. Pelo capital que movimentam, seus investimentos e suas operações, elas detêm um poder transformacional. Quando a gestão dessas companhias passa a analisar a própria cadeia de valor e as suas políticas de diversidade, quando elas passam a questionar os investimentos realizados, ou seja, a forma de utilizar o capital para causar impacto social e ambiental positivos – garantindo boas práticas de governança –, vemos uma nova forma de atuar dentro da lógica de um capitalismo mais consciente.

Ou seja, existe muito poder dentro do setor privado para ajudar na mudança dos ponteiros das desigualdades sociais que nos impedem, como nação, de ir na direção de um crescimento que coloca o ser humano no centro do processo e que respeita os limites planetários. Fico feliz em ver que cada vez mais os CEOs e executivos têm olhado para investimentos de impacto e boas práticas nas questões social, ambiental e governança dentro do movimento do ESG. Muitos investidores, inclusive, sinalizam claramente que só vão atuar com empresas que estão em conexão com esses fatores socialmente responsáveis. 

A desigualdade da sociedade brasileira é uma escolha, não um fato dado por natureza. Para mudar o mundo para melhor, precisamos repensar e provocar mudanças de narrativas e valores, inclusive das grandes empresas.

Na Artemisia, nos últimos anos, temos auxiliado muitas empresas a apoiarem negócios de impacto social; a organização tem investido, inclusive, para criar mecanismos de aproximação entre grandes empresas e negócios de impacto social. A proposta é identificar e potencializar uma nova geração de empreendedores de negócios de impacto social que seja referência na construção de um Brasil mais ético e justo; dar suporte para que existam mais empresas interessadas em atuar para solucionar problemas ambientais e sociais, que afetam, principalmente, a população de menor renda. Nesse processo, acreditamos que seja possível inspirar grandes corporações a inovar; unir inovação aberta e impacto social. Podemos chamar esse modelo, inclusive, de inovação aberta de impacto.  

Destaco o case da Coalizão pela Habitação. Com a premissa propositiva de mudar o cenário de escassez de dignidade para abundância de soluções, reunimos parceiros do setor de construção e criamos uma coalizão, que tem como foco apoiar negócios de impacto social dispostos a contribuir para a melhoria habitacional de brasileiros e brasileiras em situação de vulnerabilidade econômica. Em parceria com empresas como Gerdau, Tigre, Instituto Vedacit e Votorantim Cimentos – com apoio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU-BR), da CAIXA, do negócio de impacto social Vivenda, da Habitat para a Humanidade Brasil e do Instituto Iguá buscamos construir uma nova narrativa para um antigo problema social.

#7 | Vocês criaram a iniciativa Estação Hack juntamente com o Facebook, isso deu mais visibilidade aos negócios de impacto? Existem outras parcerias assim?

Há muitas parcerias. E podemos afirmar que a realizada com o Facebook, desde 2018, foi um marco para o ecossistema de empreendedorismo de impacto no Brasil. O conceito de negócios de impacto ganhou ainda mais visibilidade, tendo um nome de peso como o do Facebook, que passou a investir no apoio a empreendedores e empreendedoras com soluções que buscam gerar grandes transformações sociais. 

Antes da nossa parceria com o Facebook – dentro da Estação Hack – os negócios de impacto social e a aceleração proprietária da Artemisia já tinham bastante visibilidade por conta de inúmeras parcerias com grandes empresas. Foi um marco importante, claro, mas a temática dos negócios de impacto socioambientais vem de um crescente constante, porque é parte de um processo consistente de evolução que envolve muitos atores: de empresas a organizações e institutos. Nos últimos anos, a Artemisia tem aprimorado os programas de aceleração, customizando para parceiros que vão de grandes indústrias a fundações e institutos, passando por organizações e empresas de tecnologia. Entre as parceiras – históricas e atuais – estão Coca-Cola Brasil, Natura, Caixa, Facebook, Ford Fund, Eletropaulo, AES Tietê, Fundação Cargill, Gerdau, Votorantim Cimentos, Instituto Vedacit, Tigre, Accenture, Umane, Instituto Sabin, Danone Early Life Nutrition, Instituto Alana, entre outras. A experiência tem sido muito rica e mostrado que inovação atrelada ao impacto social traz bons frutos tanto para as empresas quanto para as startups e, principalmente, para a sociedade.

Gostaria de destacar que a Artemisia – com o apoio de muitos parceiros, porque acreditamos na forma do coletivo, via parcerias ou coalizões – inaugurou a possibilidade de convergência entre negócios e soluções de problemas sociais, criando espaços, engajando organizações e pessoas em torno do tema de negócios de impacto; contribuiu para a formação de recursos humanos qualificados, com interesse genuíno em impacto e que disseminam o tema dentro do campo e para além dele; ofereceu suporte aos empreendedores, não apenas pela participação nos programas de aceleração, mas, também, pela criação de uma rede capaz de gerar inúmeras oportunidades – visibilidade, trocas, acesso a investimento, entre outras; publicou diagnósticos sobre problemas sociais estruturais brasileiros que servem para alavancar atuações e oportunidades para outras organizações do campo, setor público/privado e empreendedores; ampliou a discussão sobre impacto para fora do ‘nicho’ do ecossistema, articulando com outros atores relevantes e capazes de implementar soluções que contribuam para melhorias na vida da população brasileira em maior escala.

Entenda mais sobre o movimento ESG

O Inside ESG Tech Report surgiu para guiar executivos, C-levels, empreendedores e investidores em novas oportunidades de negócios. Como visto no artigo, o movimento ESG — Environmental, Social and Governance — está ganhando cada vez mais relevância no Brasil e no mundo. Além de uma pauta social, investidores e consumidores estão pressionando grandes empresas a se adequarem a critérios mais sustentáveis, de menor impacto ambiental e governança mais transparente.

O Inside ESG Report visa facilitar e criar conexões para que o processo de estabelecer uma agenda ESG seja menos complexo dentro de grandes empresas. Preocupação crescente de empresas e investidores em atuar ou investir em negócios que sejam sustentáveis.

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