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Datathon como metodologia de inovação aberta para empresas

Datathon como metodologia de inovação aberta para empresas

O universo das startups já está familiarizado com os conceitos de Hackaton, Datathon, Ideathon e outras maratonas colaborativas, mas como as grandes empresas podem aproveitar esses eventos para impulsionar seus projetos e sua cultura de inovação? Se o desafio da sua organização depende da análise de dados, um Datathon pode ser a oportunidade para gerar […]

13 de abril de 2021 7 min de leitura
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Artigo atualizado 13 de abril de 2021

O universo das startups já está familiarizado com os conceitos de Hackaton, Datathon, Ideathon e outras maratonas colaborativas, mas como as grandes empresas podem aproveitar esses eventos para impulsionar seus projetos e sua cultura de inovação?

Se o desafio da sua organização depende da análise de dados, um Datathon pode ser a oportunidade para gerar insights e trazer novos olhares para um contexto pouco explorado.

Ao promover a conexão de pessoas com diferentes backgrounds para a resolução de desafios ou validar hipóteses existentes, a corporação está fomentando a criação de soluções realmente disruptivas e que podem ser aplicadas ao seu negócio. Além de ser uma excelente ferramenta de aproximação com o ecossistema de inovação, posicionando-a como empresa aberta e atualizada.

Neste artigo, vamos nos aprofundar nesse assunto. Você vai entender o que é um Datathon, descobrir dicas para organizar uma maratona de dados e conferir o case de sucesso da Danone Nutricia

O que é um Datathon?

O termo Datathon vem da união dos termos em inglês data (dados) e marathon (maratona). Ou seja, é uma competição intensa, na qual os participantes buscam desenvolver soluções a partir de um grande volume de dados disponível.

As maratonas de dados podem ocorrer online ou offline, mas o objetivo sempre será solucionar um desafio durante um período determinado de tempo. As equipes precisam contar com pelo menos uma pessoa especialista em dados, considerando que a principal tarefa será analisar bases de dados e extrair insights.

Datathon vs. Hackathon

Outro tipo de maratona muito conhecida é o Hackathon. No Brasil, a Campus Party realiza vários Hackathons com foco em temas sociais para o desenvolvimento de uma solução tecnológica. 

Segundo Paula Marques, facilitadora de jornadas de inovação e Corporate Services Manager no Distrito, apesar da duração desses eventos variar bastante, às vezes por meses, muitos hackathons acontecem no período de um fim de semana. Já os Datathons, que precisam lidar de forma mais aprofundada com a ciência dos dados, precisam de um tempo mínimo um pouco maior, cerca de duas semanas, para que o resultado seja mais consistente.

Em ambos os tipos de maratonas, o objetivo é trazer um resultado materializado para o desafio proposto. No caso do Hackathon, geralmente o output é o protótipo de um programa ou aplicativo; no Datathon, os participantes precisam gerar insights, novos cruzamentos de dados ou criar dashboards a partir de informações já existentes. 

Outra coisa primordial é a diversidade de perfis entre os participantes das equipes. “Toda maratona, seja de desenvolvimento ou de dados, precisa de diversidade. É importante que os participantes tenham visões e experiências diferentes para contribuir com o projeto”, ressalta Paula. 

No entanto, assim como no Datathon é necessário ter a participação de cientistas de dados, em um Hackathon os desenvolvedores são essenciais. Além desses perfis técnicos, os grupos podem contar com profissionais da área de negócios, marketing, designers e diversas outras especialidades correlatas. 

Quais os benefícios de um Datathon para as empresas?

Um Datathon pode agregar de diferentes formas para uma corporação. Entenda alguns benefícios dessa metodologia. 

Mindset de inovação

Para as empresas que estão começando na jornada de transformação digital, entender as dinâmicas de uma maratona ajuda a mudar o mindset dos colaboradores de forma rápida.

A realização de um Datathon é uma ótima oportunidade para os colaboradores vivenciarem um processo de inovação de perto.

Como esse provavelmente será o primeiro contato da maioria das pessoas com esse universo, é importante que a equipe esteja envolvida desde o princípio da realização do projeto e em todas as suas etapas. 

Plano de ação

Caso a empresa já tenha identificado um problema claro, que pode ser resolvido a partir da análise de dados, ela pode embasar o seu plano de ação com os resultados de um Datathon. 

Nesse processo, é importante criar as expectativas certas. Em uma maratona de dados, os entregáveis costumam ser evidências, análises e novos insights, não um projeto pronto. Eventualmente, uma equipe pode chegar à solução para um problema real, mas esse não é um requisito. 

Portanto, o foco deve ser em entender o problema a partir de um novo ponto de vista, para então seguir com o desenvolvimento de uma solução.

Posicionamento

Se a corporação já realiza projetos de inovação, mas ainda não é reconhecida pelo mercado por essa característica, a realização de um Datathon pode mudar essa imagem. Esses eventos costumam atrair profissionais de várias áreas que podem tornar-se promotores da marca. 

Como organizar um Datathon?

Já ficou claro que uma maratona de dados envolve vários fatores e pode ser uma ótima solução para empresas aplicarem a inovação aberta. Saiba agora o que não pode faltar para a realização de um Datathon de sucesso.

1. Identifique a necessidade

Estabelecer o desafio é o primeiro passo para garantir que a maratona caminhe na direção que a empresa deseja. Esse é o momento de priorizar e entender se a expectativa realmente vai de encontro com o que um Datathon pode oferecer.

Durante a definição do desafio, também é importante alinhar quais os entregáveis e o tempo de execução esperado para o projeto, pois isso impacta diretamente na consistência dos resultados. 

2. Defina a base de dados

A definição da base de dados que os participantes irão utilizar é essencial. Será a partir dela que os grupos irão trabalhar em suas análises. 

A base pode ser da própria empresa – e nesse caso os participantes precisam receber acesso direto às informações -, ou uma base pública, como censos, relatórios e índices. Essa indicação precisa estar clara para todos os participantes.

3. Esclareça as regras

Toda maratona de dados necessita de um regulamento. Ele vai servir como manual de instruções para o “jogo” e é fundamental que todos os participantes tenham ciência delas.

O regulamento deve conter alguns tópicos como:

  • Quais o(s) desafio(s);
  • Cronograma;
  • Formato de apresentação dos resultados;
  • Critérios de avaliação;
  • Descrição das Premiações.

4. Prepare uma equipe de apoio

Uma das características das maratonas é o suporte recorrente da organização aos participantes, devido ao contexto de pressão em que os grupos estão executando o projeto.  

Portanto, é essencial garantir a disponibilidade de uma equipe de apoio, que irá circular entre os grupos periodicamente para identificar possíveis pontos de tensão e motivar os integrantes quando necessário.

Além do apoio da organização, os participantes também devem receber mentorias de especialistas que irão cobrir os aspectos de cada etapa.

5. Foque na divulgação

A estratégia de divulgação muitas vezes é a responsável por trazer mais diversidade para a maratona de dados. Uma das formas mais comuns de divulgar eventos como Datathon é por meio de parcerias com universidades e comunidades de profissionais.

Lembre-se: quanto mais diversos os perfis dos participantes, maiores as chances de chegar a insights realmente inovadores.

6. Confie no processo

Realizar um Datathon é ver a inovação acontecer na prática. Portanto, o processo é que irá guiar toda a execução do projeto. 

Os momentos de caos são comuns e até bem-vindos e o importante é lembrar que tudo se encaminhará para um resultado. 

Case Datathon Danone Nutricia

Quer entender como uma empresa de relevância no mercado pode aproveitar um Datathon para acelerar seu processo de inovação? Confira o case da Danone Nutricia, divisão de nutrição especializada da Danone no Brasil, que realizou o 1º Datathon de Nutrição do Brasil, em parceria com o Distrito.

“O Datathon foi uma proposta inovadora de aproximar a cultura de analytics à nutrição, por meio da fomentação de dados clínicos e econômicos do setor, e vai de encontro com a proposta da companhia de investir em inovação e conduzir o negócio de maneira sustentável a médio e longo prazo”, esclarece Camila Abreu, gerente de geração de evidências e pesquisa da Danone Nutricia.

O problema

A preocupação com a população idosa aumentou ainda mais durante a pandemia do Covid-19. Buscando melhorar a qualidade de vida para essa faixa-etária, a Danone Nutricia levantou 3 desafios:

1. O Suplemento Nutricional pode reduzir os custos de saúde relacionados à queda na população idosa?

2. Qual o impacto do Suplemento Nutricional na prevenção de quedas na população idosa?

3. O Suplemento Nutricional impacta diretamente na saúde do sistema músculo-esquelético na população idosa?

“Nós tínhamos um desafio de melhorar a qualidade de vida do público acima de 60 anos no meio de uma pandemia. A expectativa da Danone Nutricia com o Datathon era gerar evidências para sustentar um plano de ação para um investimento em cuidados preventivos para idosos”, conta Giuliana Paro, especialista em inovação do Distrito.

A estratégia

O 1º Datathon de Nutrição de Danone Nutricia aconteceu entre 04 e 18 de dezembro. Os participantes deveriam escolher um dos três desafios e utilizar bases de dados públicas para analisar a correlação entre suplementação nutricional e a queda de idosos.

“As maratonas são uma grande oportunidade para as empresas enxergarem soluções em diferentes lugares e envolver outros stakeholders interessados no assunto”, comenta Giuliana. O público-alvo para participação deste projeto era:

  • Cientistas e analistas de dados;
  • Desenvolvedores;
  • Profissionais da nutrição e da saúde;
  • Profissionais de negócios.

Os inscritos foram divididos em grupos de 3 a 4 pessoas e a Danone Nutricia se preocupou em distribuir os diferentes perfis entre as equipes, para garantir uma avaliação mais abrangente dos problemas. 

Os resultados

A meta original de 60 inscritos foi superada, chegando a 149 participantes de todas as regiões do país. “Os times tiveram 14 dias para completar as atividades e entregar a apresentação e um pitch em vídeo com os resultados obtidos. Todas as entregas foram analisadas por uma banca avaliadora, que levou em consideração os critérios de inovação, originalidade, impacto e domínio técnico dos projetos, para eleger os ganhadores”, explica Camila Abreu. Todas as atividades foram realizadas de forma 100% online.

O 1º lugar foi a equipe NutriSquad, que conseguiu comprovar o impacto de um suplemento nutricional na redução da taxa de quedas e no desenvolvimento de doenças na faixa etária acima de 60 anos.  

O 2º lugar foi a equipe PriUnicorns, que desenvolveu o MVP de um dashboard integrando diferentes bases de dados de forma estratégica e interativa.

Os aprendizados

Para os colaboradores da Danone Nutricia foi uma oportunidade de vivenciar a inovação de perto e descobrir como soluções tecnológicas e de big data podem contribuir para ampliar o impacto da nutrição na sociedade.

“Pessoal e profissionalmente foi uma experiência ímpar, um Test & Learn para aproximar a tecnologia com a saúde, para conhecer a metodologia e também avaliar a aplicabilidade e o potencial do Datathon como ferramenta para explorar o universo de dados em saúde e nutrição. Outro ganho foi a possibilidade de incentivar o público a colaborar com análises de dados e acompanhar o engajamento com o tema, o que foi bem promissor”, revela Camila.

O envolvimento dos profissionais em todas as etapas foi fundamental para cultivar o mindset de inovação dentro da empresa. “A inovação aberta que o Datathon promove é um método que deve crescer ainda mais, pois é uma forma de democratizar a inovação. O que a Danone fez foi puxar para dentro da empresa um novo horizonte de possibilidades”, afirma Giuliana.

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