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Hub de inovação vs. coworking: saiba a diferença entre os dois

Hub de inovação vs. coworking: saiba a diferença entre os dois

Quem lê sobre startups já deve ter cruzado com os termos hub de inovação e coworking por aí. Ambos são espaços voltados para a inovação, mas será que podem ser usados como sinônimos? Descubra neste post! Hub de inovação vs. coworking: o que são, semelhanças e diferenças Primeiro, entenda o que é um coworking Para […]

23 de março de 2020 8 min de leitura
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Artigo atualizado 23 de março de 2020

Quem lê sobre startups já deve ter cruzado com os termos hub de inovação e coworking por aí. Ambos são espaços voltados para a inovação, mas será que podem ser usados como sinônimos? Descubra neste post!

Hub de inovação vs. coworking: o que são, semelhanças e diferenças

Primeiro, entenda o que é um coworking

Para começar pelo mais simples, um coworking é como são chamados comumente os espaços de trabalho compartilhados por diferentes profissionais, startups ou empresas. Esses locais costumam oferecer toda a estrutura de um escritório tradicional, porém de maneira compartilhada. Mesas, cadeiras, internet, cafezinho, sala de reunião, ar condicionado… Tudo fica à disposição dos usuários.

Mas existe um aspecto-chave do coworking que o diferencia de um escritório comum: é a possibilidade de fazer networking com outros clientes do mesmo espaço, como startups, empreendedores e profissionais liberais. Isso pode resultar em bons negócios e parcerias, pois, muitas vezes, essas pessoas possuem outras formações e perfis.

Os usuários, no geral, pagam uma taxa para utilizar esse espaço. Há diversos planos, como semanal, mensal, semestral e anual, que costumam ficar mais baratos na medida que a duração do contrato aumenta. É possível locar o espaço em dias pontuais também, de acordo com a necessidade.

O conceito de coworking também pode se estender, descrevendo um modelo de trabalho que é baseado nesses espaços compartilhados. Além do networking que já mencionamos, esse modelo faz sucesso por outros motivos, como reduzir o isolamento de quem trabalha home office e estimular a privacidade em comparação com o ambiente de casa. Os valores costumam ser mais baixos que um aluguel de um escritório completo também, é claro.

Distrito for Startups

E o hub de inovação, o que é?

Já o hub de inovação é um espaço em que startups podem colocar em prática suas ideias de inovação. Assim como o coworking, consiste em um espaço físico com estrutura similar à de um escritório. Mas vai além disso, inovando em diversas frentes. O hub de inovação é focado em conectar os empreendedores a investidores e empresas interessadas em inovar.

Quando trabalha em um hub de inovação, uma startup tem a oportunidade de ser vista, como se estivesse em uma espécie de vitrine. Pelo hub, circulam investidores e grandes empresas, que podem buscar negócios promissores para investir capital, ou ideias inovadoras para resolver problemas internos. Nesse mix, também podem estar presentes universidades, órgãos de fomentos e outros interessados.

Assim como no coworking, o networking é uma das vantagens do hub de inovação. Lá, as startups não ficam fechadas em si, mas sim trocam conhecimentos com outras startups, empreendedores e empresas. Por conta disso, pode-se dizer que, em um hub de inovação, é comum a prática da inovação aberta, ou open innovation — ela acontece quando negócios colaboram entre si para criar produtos e serviços inovadores.

Nesse contexto, não só as startups saem ganhando. Uma empresa que investe no hub, por exemplo, pode se posicionar no ecossistema de inovação e ficar por dentro de novas oportunidades de negócio — para investimentos ou parcerias. Quando respiram esse “ar de inovação”, empresas mais tradicionais ou consolidadas no mercado podem se inspirar e renovar sua própria cultura.

Como surgiram os dois conceitos?

Agora, vamos entender um pouco como surgiram esses dois conceitos. Confira!

Quando surgiu o coworking?

O conceito de coworking surgiu nos Estados Unidos, em 1999, desenvolvido por Bernie Dekoven, escritor e desginer de games norte-americano. Ele usou o termo para descrever um certo tipo de trabalho colaborativo suportado pelas novas tecnologias.

Um pouco mais tarde, em 2005, o engenheiro de software Brad Neuberg criou uma comunidade de trabalho com seus amigos, a “Hat Factory”, em São Francisco, na Califórnia. Era uma espécie de loft onde residiam três profissionais da área de tecnologia que abriam o local durante o dia para outros profissionais que desejassem trabalhar e interagir com eles usando o espaço como um escritório colaborativo.

Segundo a comunidade Coworking Brasil, atualmente no Brasil já existem mais de 1.497 espaços desse tipo, espalhados por 195 cidades. Em 2019, houve um crescimento de 25% no número de coworkings no país e Roraima atualmente é o único estado que ainda não conta com um espaço desse tipo. Boa parte deles (65%) se concentra em cidades com mais de 1 milhão de habitantes e só na cidade de São Paulo são 397 unidades.

Qual o objetivo do coworking?

O coworking serve a vários propósitos. O avanço tecnológico criou diversas novas possibilidades profissionais, entre elas muitas oportunidades de trabalho remoto ou como autônomo. Uma parte desses profissionais não gosta ou não pode trabalhar de casa.

Muitas vezes em casa tem outras pessoas por perto, incluindo crianças, o que pode tornar mais difícil criar o ambiente necessário para se concentrar no trabalho. Existem muitas pessoas que também não gostam de ficar isoladas em casa, sem outras pessoas por perto trabalhando.

No coworking, apesar de os profissionais serem independentes e cada um trabalhar em uma coisa, existem áreas comunitárias, como o café e a copa, além do próprio ambiente, com mesas coletivas, o que ajuda a promover a troca de ideias. Assim, como dissemos acima, embora essa não seja a intenção principal, podem até surgir negócios e parcerias a partir dessas interações.

Quando surgiu o conceito de hub de inovação?

A origem dos hubs de inovação é mais incerta. Antes de ser um local específico para startups e empresas, começou como uma região fértil para esse tipo de negócio. O exemplo mais conhecido é, claro, o Vale do Silício, na Califórnia.

No formato que conhecemos hoje, um dos hubs de inovação mais antigos que existem é a MaRS, com sede em Toronto e foco na inovação urbana. Criado em 2005, quando esse conceito ainda era bastante inédito, hoje ajuda a remodelar cidades ao redor do mundo. 

Desde 2008, as empresas que tiveram o suporte da MaRS já levantaram mais de US$ 6,3 bilhões e empregaram 17.200 pessoas, gerando uma receita de US$ 4,4 bilhões.

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Exemplos de coworking e de hub de inovação

Se a diferença entre hub de inovação e coworking ainda não ficou bem clara, vamos trazer aqui um exemplo de cada um para ilustrar melhor.

Existem diversos coworkings no mercado, mas sem dúvida um dos mais conhecidos é o WeWork. Criada em 2010, a rede está presente em mais de 30 países com seus espaços de escritório compartilhado. Os espaços têm decoração moderna e o usuário pode escolher entre mesa compartilhada e mesa exclusiva. Há ainda opções de escritório privado, completo, sede ou projeto personalizado.

Como exemplo de hub de inovação, podemos citar o próprio Distrito Community. Com diversas unidades que somam mais de 5 mil metros quadrados, nesses espaços as startups recebem apoio para desenvolverem produtos e serviços inovadores, além de mentoria com grandes nomes do mercado. Há ainda contato com investidores e a possibilidade de fazer testes e expor as inovações desenvolvidas.

Mais do que um espaço físico onde as pessoas se reúnem, o Distrito promove a interação. São priorizadas startups e também as grandes empresas, que podem ser mantenedoras. Os espaços são divididos em verticais, cada uma com um tema. Além disso, fazemos conexões, eventos e investimentos em startups (o que não envolve aceleração).

Conheça as unidades localizadas na cidade de São Paulo. Cada uma é voltada para um setor da tecnologia:

  • Distrito Adtech, focada em marketing;
  • Distrito Healthtech, voltada para a saúde;
  • Distrito Retailtech, com foco no varejo;
  • Distrito Fintech, que tem foco nas startups financeiras.

Além desses, há o Distrito Spark CWB, em Curitiba. A unidade é voltada para inovações relacionadas à indústria e, em 2019, recebeu uma expansão: a capacidade foi elevada de 98 para 222 posições. Hoje, tem 42 empresas, entre startups e corporações. Em 2019, 150 eventos foram realizados no espaço.

No Distrito, o ano de 2019 foi encerrado com um crescimento de 5 vezes. Já são 149 startups associadas, mil residentes e 22 mantenedores nos 5 hubs próprios — são números que nos tornam o maior hub independente de startups e inovação no Brasil.

Veja a seguir mais alguns exemplos interessantes de hubs de inovação no Brasil e em outros países.

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Barcelona Tech City

Em junho de 2016, foi inaugurado o Barcelona Tech City no Pier 01, em um prédio que havia sido um armazém portuário. Com vista para o Mediterrâneo, não poderia ser um lugar mais inspirador para trabalhar.

Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos que representa os ecossistemas digital e de tecnologia da cidade. Eles oferecem aluguéis com preços relativamente mais baixos e o lugar comporta até 1.000 pessoas.

Os residentes são startups, aceleradoras e incubadoras, a maioria dos setores de tecnologia e telefonia móvel. Além disso, também contam com grandes empresas, como o SEAT Metropolis Lab, que é uma divisão do Grupo Volkswagen.

Station F

O Station F abriu as portas em Paris em julho de 2017, financiado pelo bilionário da tecnologia Xavier Niel. Fica em um antigo depósito de trens e almeja ser o maior hub de startups do mundo. Na primeira fase já abriga cerca de 3.000 pessoas trabalhando em tecnologia, incluindo incubadoras para grandes multinacionais como Facebook, Microsoft, Ubisoft, Airbnb e L’Oreal.

Distribuído em 51 mil metros quadrados, conta com mais de 1.000 startups, 30 programas de startup, 40 fundos de Venture Capital, 4 escritórios de mentoria e 600 eventos por ano.

As startups na Station F atuam em diferentes setores, como medicina, alimentação, moda, software, beleza e e-commerce. No local, os vagões dos trens foram transformados em cafés e há espaços para reunião, lazer e eventos.

Distrito Tecnológico

Além do Brasil, a Argentina também tem os seus hubs de inovação. Em Buenos Aires, o ex-presidente Mauricio Macri começou, em 2007, um movimento para revitalizar a região mais pobre no sul da cidade e, ao mesmo tempo, tentar promover uma revolução tecnológica.

Uma das áreas mais efervescentes em termos de tecnologia na cidade é o Parque Patricios, uma área que era industrial e para qual se buscou atrair investimento, infraestrutura, segurança e transporte.

O Banco Ciudad ofereceu crédito aos novos ocupantes do local e a cidade reduziu os impostos. Aos poucos o lugar foi ganhando mais vida e, atualmente, empresas grandes estão instaladas no local, como Telefónica, Deloitte, Accenture, Huawei e Mercado Livre.

Industry City

A Industry City era um complexo industrial construído em 1906 no Brooklyn. Com o tempo, as empresas se mudaram para outras regiões e a ocupação foi caindo. Em 2013, a propriedade foi comprada por um grupo privado, que modernizou os 16 edifícios que a compõem.

Agora conta com mais de 550 negócios, onde trabalham cerca de 6.500 pessoas diariamente, com empresas de tecnologia, design, mídia, cultura e gastronomia. O local também se transformou em uma espécie de polo cultural que atrai a população com eventos e shows, além dos cafés e bares.

NEXTT 49+ 

Separamos este caso de hub de inovação brasileiro porque ele tem uma especificidade interessante: é especializado no público sênior, de onde vem o nome NEXTT 49+. Funcionando em um casarão tombado no bairro de Vila Mariana, em São Paulo, tem como objetivo auxiliar profissionais em transição de carreira e até mesmo aposentados que desejam empreender, investindo em um negócio próprio.

Foi criado por três ex-professores da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), que perceberam que esse é um público grande e desassistido. Seguem o modelo de trabalhar com startups e grandes empresas, indo além apenas do compartilhamento do local de trabalho.

Além disso, também atendem executivos seniores que precisam se adaptar ao mercado de trabalho e às transformações digitais e empresas de qualquer porte que queiram criar produtos ou serviços para o público maduro.

Que tal fazer parte dos nossos hubs de inovação?

Agora que você sabe a diferença entre hub de inovação e coworking, saiba que também pode participar, seja startup ou empresa. Mesmo negócios tradicionais já integram esses espaços, vinculando suas marcas às iniciativas inovadoras que são desenvolvidas nos hubs. É isso que fazem negócios como Johnson&Johnson, Unimed, Bosch, HDI Seguros e KPMG, mantenedores dos centros de inovação do Distrito que você conheceu acima.

Se você é uma empresa e quer estar perto das startups, conectar-se com outros negócios e inovar mais, entre em contato com a gente! O mesmo vale se você for uma startup interessada em se conectar com as empresas que nos apoiam e que fomentam a inovação aberta.

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