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Mateus Goya, CEO da Trybe

CEO da Trybe aposta em capacitar alunos que só pagam curso após empregados

A Trybe, uma startup de educação que auxilia estudantes e profissionais a se formarem em desenvolvimento de software está chamando a atenção com seu modelo de negócio um tanto diferente e arriscado: a startup só receberá de seus alunos quando estes conseguirem um emprego com salário de ao menos R$ 3,5 mil. Mas não é […]

19 de março de 2020 5 min de leitura
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Artigo atualizado 19 de março de 2020

A Trybe, uma startup de educação que auxilia estudantes e profissionais a se formarem em desenvolvimento de software está chamando a atenção com seu modelo de negócio um tanto diferente e arriscado: a startup só receberá de seus alunos quando estes conseguirem um emprego com salário de ao menos R$ 3,5 mil.

Mas não é apenas esse fato que anda atraindo os olhares e, sim, o fato da empresa em apenas seis meses de existência já receber um alto investimento. Em fevereiro, a Trybe captou  US$ 10 milhões, em rodada de investimento liderada pelo Atlantico e composto por outros investidores, entre eles Canary, Global Founders Capital, e.Bricks, Maya e Norte.

Este já é o segundo aporte recebido – nesse curto período de tempo. Em agosto de 2019, a companhia recebeu US$ 3.7 milhões em rodada que contou com a participação de Armínio Fraga e da Joá Investimentos. Tamanha velocidade de captação é algo incomum no mercado. Em nosso estudo mensal Inside Venture Capital Brasil trazemos uma análise completa sobre o investimento e os fatores responsáveis por essas duas captações.



Entrevista com Matheus Goyas, CEO da Trybe

Confira abaixo uma parte da entrevista concedida por Matheus Goyas, CEO da Trybe, para o Inside Venture Capital Brasil – estudo que analisa mensalmente o mercado de Venture Capital e as rodadas, aquisições e fusões que aconteceram nesse período. 

1. Tanto você, como os outros fundadores da Trybe, trabalham com educação há cerca de uma década. Logo quando vocês saíram do ensino médio, vocês criaram a Tire Dúvida, uma escola de aulas particulares e em 2012, decidiram fundar o AppProva. De onde surgiu a paixão por empreender na educação?

Não é nenhuma história romântica. Sou de uma família humilde. Minha mãe é professora da rede estadual de Minas Gerais. Por sempre estarmos com o dinheiro contado no final do mês, comecei a dar aulas particulares de matemática para outros estudantes.

Minha mãe sempre me cobrou muito em relação aos estudos, então sempre fui bom aluno o que me abriu diversas portas e bolsas de estudos.Com isso tive oportunidade de estudar no Colégio Santo Antônio, um dos melhores do Brasil.

No colégio, uma instituição de perfil sócio económico elevado, comecei a dar aulas particulares. Então, ao final do ensino médio, quando eu já possuía uma quantidade boa de estudantes, eu e meu sócio Rafael Luiz decidimos fundar o Tire a Dúvida. 

Basicamente o que a gente fazia era dar aulas de matemática e de outras matérias para estudantes que estavam no ensino fundamental e no ensino médio. Nós ficamos com a empresa até 2012 quando eu, o Rafael Luiz e outros sócios saímos da companhia com o objetivo de montar uma empresa que tivesse a capacidade de impactar mais pessoas.

Por isso, começamos a nos questionar sobre como conseguimos fazer algo que de fato pudesse alcançar milhões de pessoas no Brasil garantindo que elas tivessem mais oportunidades. Foi a partir dessa ideia que criamos a AppProva, uma plataforma de avaliação, totalmente gratuita, que possibilitava estudantes entenderem quais áreas de ensino precisavam aprimorar mais. 

Ao todo, tivemos mais de duas milhões de pessoas que usaram só para a plataforma para estudarem para o ENEM, e mais de centenas de milhares de pessoas usando a AppProva em outros exames.

Quando menor, o que eu conseguia fazer era dar aula de matemática e foi isso que eu fiz, tinha necessidade de ganhar algum dinheiro. 

Claro que depois fiquei apaixonado pelo setor da educação a ponto de hoje não me ver empreendendo em nenhuma outra coisa. Desde a fundação da Tire a Dúvida, são 12 anos empreendendo nessa área. 

E em todos os negócios – Tire a Dúvida, AppProva, Somos e Trybe – geramos muito valor para as pessoas no geral.

Nessa nova empreitada com a Trybe estamos oferecendo um curso de altíssima qualidade para pessoas, que podem nos pagar somente quando começarem a ganhar acima de 3500 no mês. 

2. De onde surgiu a ideia de criar a Trybe?

Em dezembro de 2018, eu e meus sócios fizemos um movimento de sair da Somos Educação, companhia que havia adquirido a AppProva no início de 2017.

Tomamos então a decisão de tirar um período para viajar ao redor do mundo, conhecendo todos os continentes e pesquisando sobre vários problemas sociais que o mundo estava enfrentando. 

Durante nossas viagens acabamos ficando interessados no problema de empregabilidade e, quando analisamos esse tópico aqui no Brasil (e LatAm) enxergamos uma oportunidade gigantesca. 

Ao todo, são mais de 30 milhões de pessoas subempregadas, 12 milhões de desempregados e centenas de milhares de vagas abertas nas empresas e que não são preenchidas pela falta de candidatos com skills específicos. Olha o tamanho da oportunidade. 

Algo errado está acontecendo e por isso resolvemos fundar a Trybe.

3. A Trybe é uma startup de educação que auxilia estudantes e profissionais a se formarem em desenvolvimento de software e apostou em um modelo de negócios bem diferente só sendo remunerada quando estudantes conseguirem um emprego com remuneração de ao menos R$ 3,5 mil. De onde surgiu esta ideia? Quais os riscos envolvidos

Na verdade o modelo de negócios é semelhante ao de outras instituições de ensino. No fundo nós somos uma escola que busca oferecer uma educação de altíssima qualidade para as pessoas que estudam conosco e, por confiarmos tanto na qualidade de formação que estamos propiciando, só iremos cobrar quando conseguirem um trabalho com salário superior a R$3.500.

Estudantes vão ter educação de primeiro nível mas, para entrar na escola terão que passar por um processo seletivo extremamente rigoroso antes.

Esse deveria ser o modelo de negócios mais utilizado pelas instituições e outras prestadores de serviço. Na minha opinião o brasileiro está acostumado a pagar academia e não frequentá-la. Está acostumado a pagar cursos de inglês e não aprender de fato o idioma. Assim como ocorre também com tantos outros serviços. 

Então é melhor que quem presta serviço pense na qualidade e cobre depois. É isso que estamos pensando. Acho que isso é justo.

Os riscos são bem parecidos com outros negócios também. Divido eles aqui em duas frentes.

Primeiro, um risco de execução. Se não conseguirmos executar nosso plano da maneira que planejamos, não conseguindo entregar um serviço de ensino de extrema qualidade para as pessoas que estudam conosco, estas não irão sair da instituição com um ensino de qualidade e com os skills necessários no mercado de trabalho. Se isso acontecer, elas não irão conseguir bons empregos e não irão nos pagar de volta. Isso é uma das coisas que mais nos preocupamos. Dormimos e acordamos sempre pensando em como podemos entregar a melhores experiência para estudantes.

Um segundo ponto seria o risco de mercado, o risco sistêmico. Como nosso modelo de remuneração está atrelado ao sucesso profissional de nossos estudantes, acabamos recebendo no médio/longo prazo. 

A condição que o Brasil se encontra no momento nos ajuda. Com o juros baixo e estável, conseguimos ter bastante previsibilidade e os valores se tornam bem favoráveis.

Mas, se fosse para ponderar, acredito que 95% do nosso risco do nosso negócio está na nossa capacidade de execução e apenas 5% está no mercado. Conseguir executar o que estamos nos propondo a fazer, com extrema qualidade, é o mais importante.

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