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Entenda como a aceleradora B2Mamy ajuda mães a empreenderem

Entenda como a aceleradora B2Mamy ajuda mães a empreenderem

Este conteúdo faz parte do estudo Distrito São Paulo Report e traz a entrevista completa com a fundadora da B2Mamy, Dani Junco. Nos últimos anos a B2mamy se tornou uma das principais referências de fomento ao empreendedorismo feminino. Tendo em sua liderança mulheres que estão dispostas a ajudar e fornecer métodos para mães que querem […]

18 de maio de 2020 7 min de leitura
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Artigo atualizado 18 de maio de 2020

Este conteúdo faz parte do estudo Distrito São Paulo Report e traz a entrevista completa com a fundadora da B2Mamy, Dani Junco.

Nos últimos anos a B2mamy se tornou uma das principais referências de fomento ao empreendedorismo feminino. Tendo em sua liderança mulheres que estão dispostas a ajudar e fornecer métodos para mães que querem empreender e ter o negócio próprio. 

Atualmente, a B2Mamy, conhecida também como aceleradora de negócios de mães empreendedoras, já impactou mais de 10.000 mulheres por meio de seus cursos e programas. O Distrito Dataminer conversou com a CEO da startup, Dani Junco, para entender mais sobre o modelo de negócio, as iniciativas da empresa e o quanto o ecossistema de São Paulo, onde a startup está instalada, influencia nas conexões e estratégias do negócio.



Entrevista completa com Dani Junco, CEO da B2Mamy

Como aconteceu a fundação da B2Mamy?

Em 2010, eu comecei a empreender com uma empresa de marketing. Em 2014, eu engravidei e o Lucas nasceu em janeiro de 2015. Durante essa transição, quando a maternidade veio para a minha vida, eu comecei a questionar propósitos, quem eu era, como seria um mundo melhor, como poderia me organizar com o Lucas e, principalmente, em como equilibrar a maternidade e a vida profissional. Em uma dessas noites de angústia eu publiquei no Facebook que estava me doendo pensar naquilo tudo e perguntei se mais alguém se sentia assim. Eu esperava que 2 ou 3 pessoas se identificassem com aquilo e aceitassem meu convite para um café, mas para a minha surpresa foram 80 mulheres. Nesse dia, eu percebi que, sim, estava doendo em muita gente. Em janeiro de 2015 tivemos nosso primeiro encontro, e ao longo do ano fizemos diversas rodas de conversa. Eu percebi duas coisas: a primeira delas é que as mães falam muito de solidão, e a segunda é que todas sentiram uma transição na carreira após a maternidade. Entre as mulheres que estavam lá, tinham as que queriam voltar para o mercado de trabalho e as que queriam empreender. Como eu já empreendia, decidi atacar primeiro a última. 

Eu percebi que essas mulheres tinham ideias incríveis, mas que não estavam próximas do mundo das startups e não tinham repertório suficiente para se aproximarem, e nem as pontes certas. Eu ia em eventos de tecnologia e inovação, o ambiente era extremamente masculino.

Veio, assim, a ideia de fazer a ponte entre mulheres e o mundo de inovação, até esse ponto eu não tinha pensado em modelo de negócio, nem na criação da B2Mamy. Depois de um ano fazendo esse trabalho, eu recebi um feedback dizendo que era muito improvável que uma mãe se tornasse CEO, que startup e maternidades são complexas demais, porque para ser um “startupero” é preciso se dedicar por completo e que mães não conseguem fazer isso. 

Depois dessa fala eu me dei conta de que falta um ambiente seguro, que reflita o que a gente realmente precisa, a B2Mamy nasceu para preencher essa lacuna. Nós nascemos para desenvolver mais mulheres fundadoras de startups em um ambiente seguro de empreendedorismo. Em 2016,, tivemos o apoio do Google for Startups, ficamos incubadas lá e começamos a rodar nosso programa de aceleração. Já estamos na 7° turma hoje com mais de 10.000 mulheres impactadas. Várias das nossas fundadoras já estão rodando em outros programas, do próprio Google, Founder Institute e ACE. Em 2019 lançamos uma campanha de crowdfunding, que levantou em dois meses R$200 mil que nos deu possibilidade para fundar a casa B2Mamy, espaço de inovação e tecnologia focado no feminino, onde as mulheres podem trabalhar e deixar as crianças. Agora com o coronavírus, em duas semanas tivemos que transformar nossos produtos em digital. Todos os programas foram mantidos de maneira online, já fizemos 17 eventos digitais em 40 dias.

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Qual é o principal papel da B2Mamy? Quais são os outputs que as mulheres têm ao participar do programa?

Um dos principais outputs é a mulher entender que “pode”, que ela dá conta. Isso porque está em um ambiente seguro e cercada por pessoas que estão passando pelas mesmas necessidades. Ela entende que é capaz se tiver suporte e investimento. O segundo ponto é o repertório mesmo, técnico e de negócios. Então nós realizamos conexões e trazemos esse sentimento de pertencimento, além da capacitação.

Quem são essas mães que buscam empreender?

A B2Mamy tem cursos  são pagos, mas também realizamos ações de impacto social. Em nossos cursos, temos mães,  com filhos de até 5 anos em média, que são da classe A e B e estão em transição de carreira, ou estão no mundo corporativo buscando intraempreender (pensar em soluções empreendedoras dentro do ambiente corporativo), que é um movimento que está crescendo muito.

Você acha que estar em São Paulo foi um ponto positivo para o desenvolvimento da B2Mamy?

Estar em São Paulo foi crucial porque o ecossistema daqui ainda é o mais desenvolvido do país, e tomara que isso mude em breve. Estar com o Google e estar em São Paulo ajudou as portas a se abrirem mais rápido, não tenho dúvida. Agora com o nosso trabalho online estamos em 7 estados brasileiros e mais 7 outros países. Percebemos que a dificuldade de conexão nesses outros lugares é bem maior, até mesmo de conhecimento do tema, demorando mais para conseguirmos nos conectar com outros players do ecossistema dessas regiões.

Em diversos estudos nós vimos que a proporção entre mulheres e homens nos quadros societários das startups nos últimos anos se manteve quase constante, como você vê isso?

Essa curva se mexe pouco, devido a  fundações históricas machistas, que influenciam os processos de decisão nas empresas. No poder e nos grandes cases de sucesso, estão homens, brancos e héteros, poucos casos fogem dessa regra. 

Nós estamos ajudando a mudar esse quadro, é normal nos pedirem recomendações de mulheres para cargos altos. O movimento está aqui, mas é muito lento. As mulheres tendem a ter menos acesso a crédito e a investimento, menos espaço sob os holofotes. 

Essa semana mesmo me convidaram para dar aula em um curso que só tinha homens. E um dos outros professores convidados ficou incomodado com essa situação, falou da necessidade de ter um ambiente mais diverso, e esse movimento do He for She é muito importante.

Nós da B2Mamy demoramos para sermos diversos, mas quando os meninos entraram na equipe ganhamos muito aumento de performance porque é necessária essa diversidade de gênero nas discussões. 

 Como você enxerga os projetos de diversidade das grandes empresas e o que ainda precisa ser feito?

Ainda não tem força o suficiente, muitas vezes não são levados com a seriedade necessária. Os estudos são muito importantes para embasar a importância da diversidade, a Mackinsey mesmo lançou uma pesquisa dizendo que empresas com mulheres na liderança são mais rentáveis. Esse tipo de discurso precisa de dados para serem embasados e fortalecer a narrativa.

E o Brasil está com desempenho pior do que outros países do mundo em relação à diversidade?

Estamos muito abaixo, em 79° lugar em relação ao gap de gênero na liderança, de acordo com o Fórum Econômico Mundial . Aliás todos os países latinos estão muito mal, apenas a Nicarágua está em 10° lugar. Os países mais desenvolvidos já preencheram essa lacuna. 

Quais são os conselhos que você dá para mulheres que querem empreender?

Encontre uma comunidade e se conecte rápido, encontre pessoas que dividam os mesmos valores que você e se conecte rapidamente a elas. Fazer isso sozinha é impossível. O segundo ponto é: seja gentil com as pessoas e agressiva com os números. Busque também capacitação.

Conte para a gente de algum case de sucesso que passou pela B2Mamy?

Temos cases de transição de carreira impressionantes, de mulheres que se desenvolveram com a gente, que chegaram aqui sem faturar e alcançaram R$100 mil de receita por mês. Diversas empresas bacanas passaram por nós, a 42 (https://www.42sp.org.br/), da Karen, é um bom exemplo, e a Gabi da Lady Driv (https://www.ladydriver.com.br/), entre outras. E hoje elas são nossas mentoras e estão despontando. Nós damos suporte bem early stage, para dar base a essas mulheres.

Vale dizer que menos de 2% dos investimentos de venture capital vão para empresas fundadas por mulheres. Falta muito investimento para fazer essas companhias crescerem.

O que você espera que vai mudar no mundo pós Covid referente às startups?

A mobilidade está sendo muito transformada, estamos conseguindo produzir mais mesmo estando em casa. Diversidade vai melhorar também, empresas que tinham receio de contratar pessoas que estão distantes, de diferentes estados, mulheres, negros, isso está diminuindo. O home office está ajudando muito isso, as empresas podem ter profissionais do Brasil todo . Nós vamos deixar o cliente mais no centro também e irá existir uma necessidade de criar produtos pensando nos consumidores, que converse com eles. Acredito que este momento está ajudando a humanizar as relações comerciais.

Como está sendo equilibrar a rotina com seu filho e trabalho, tudo dentro de casa?

 Está um “hell office” (risadas). Já consegui me organizar, mas o mais difícil é a escola. Como o meu filho não está indo, tenho que ensiná-lo aqui em casa. Acho que tem uma enorme oportunidade aí para as startups, têm milhares de mães nesse momento fazendo homeschooling, coisa que a gente não sabe fazer e tem muita oportunidade para a tecnologia aí. Tem adolescente questionando a volta para a escola, dizendo que precisa ir só duas vezes por semana para fazer os trabalhos em grupo, mas que já não veem motivo para fazer o colegial presencialmente.Tem muito questionamento sobre o modelo e tem muito espaço.

E como estão as startups ques estão próximas a você nesse momento? Tem muita coisa fechando?

Acho que vai ter muita coisa que vai fechar.  Acredito que as coisas de base como comida e saúde estão se mantendo bem. Mas muitos negócios serão repensados, como o consumo de roupas. Os empreendedores vão começar a pensar em outras oportunidades e possibilidades, como a economia circular e a própria tecnologia.

Acredito também que vão nascer mais empresas como a Enjoei. Estamos vendo que o mundo não aguenta mais tanto capitalismo não consciente. Os negócios não vão quebrar, e sim se transformar. A gente nunca desiste, mulheres nunca desistem.

Eu percebi, por exemplo, durante essa jornada que eu não quero mais ir na academia. As minhas aulas com o personal online estão resolvendo o problema. Com a minha agenda louca, várias viagens e posso levar ele no meu bolso.  Eu já mudei esse hábito e acho que o fenômeno está acontecendo com mais gente também.

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