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Femtechs: Como startups de saúde da mulher estão revolucionando o setor

Femtechs: Como startups de saúde da mulher estão revolucionando o setor

11 de outubro de 2023
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Artigo atualizado em 11 de outubro de 2023

Segundo o último censo demográfico realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres representam 51,1% da população brasileira, porém esse percentual não chega nem perto dos investimentos voltados para startups de saúde da mulher.

Preparamos este artigo para você entender um pouco mais sobre o panorama da saúde da mulher no Brasil e como isso reflete nas femtechs. Boa leitura!

Saúde da mulher: uma agenda urgente

A saúde da mulher é um tema de extrema importância, porém nem sempre recebeu a devida atenção.

Durante muitos anos, questões referentes à saúde feminina eram assuntos tabus ou até mesmo negligenciadas.

Até a década de 1980, por exemplo, a medicina não se preocupava muito em estudar, em mulheres, a manifestação de doenças que não fossem relacionadas à reprodução.

No Brasil, somente na década de 1970 a saúde pública começou a olhar para a desnutrição de bebês e mulheres.

Além disso, apenas em 1983 que o Ministério da Saúde lançou o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), que tinha como proposta descentralizar, hierarquizar e regionalizar os serviços voltados para as mulheres, mas apenas na perspectiva da saúde reprodutiva.

Depois de muita pressão, este programa passou por uma reestruturação e, em 2004, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM) foi criada.

Objetivos da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM)

Os objetivos da PNAISM são:

  • Promover a melhoria das condições de vida e saúde das mulheres brasileiras;
  • Contribuir para a redução da morbidade e mortalidade feminina no Brasil;
  • Ampliar, qualificar e humanizar a atenção integral à saúde da mulher no Sistema Único de Saúde (SUS).

Tais objetivos são diretamente relacionados ao avanço da medicina, que permitiu identificar quais doenças têm mais incidências no público feminino.

Saúde pública e precarização da saúde da mulher

 

Mulheres são as principais vítimas do câncer de mama

O câncer de mama representa 24,5% dos tipos de neoplasias diagnosticadas nas mulheres, seguido pelo câncer de pulmão (11,7%) e colo do útero (10,6%), segundo o Instituto Nacional de Câncer em 2020.

No Brasil, somente em 2023, foram estimados 73.610 casos novos de câncer de mama.

Não só isso: ele também é o câncer mais incidente do mundo, atingindo 2,3 milhões de mulheres em 2020, o equivalente a 24,2% das pacientes oncológicas.

Além do câncer de mama, mulheres e homens transgêneros também são fortemente imapctados pelo câncer de colo de útero, um dos mais fatais para esse público, de acordo com o INCA.

 

Morte de mulheres após o parto ainda é maior que a meta dos ODS

Outro ponto extremamente importante quando o assunto é saúde da mulher está ligado diretamente à saúde sexual e reprodutiva.

De acordo com o SUS, a cada 100 mil bebês nascidos vivos, 64 mulheres morreram, quase o dobro das 35 mortes estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Em um recorte regional, a situação é ainda pior.

Na região Norte do país, 85,5 mulheres morrem durante ou após o parto para cada 100 mil bebês nascidos vivos.

A violência obstétrica também é algo que assola as mulheres. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 30% das mulheres atendidas por hospitais particulares e 45% pelos hospitais públicos sofrem violência obstétrica.

 

Investimento na saúde pública ainda é baixo

Com tantas particularidades associadas à saúde da mulher, era esperado que o investimento neste campo fosse alto.

Porém não é o que acontece: O Brasil ocupa o penúltimo lugar no ranking de gastos públicos com a saúde.

De um lado, a falta de financiamento reflete não só na precarização de serviços voltados para oncologia e reprodução, como também na desinformação acerca de temas importantes para o bem-estar feminino, como a pobreza menstrual e falta de acesso a métodos contraceptivos.

Por outro lado, isso abre espaço para que as femtechs, startups voltadas para o universo femino, proponham soluções inovadoras para este público.

A ascensão das femtechs

Antes de adentrarmos no cenário de investimentos em femtechs no Brasil, é importante entender de onde esse termo surgiu.

O termo “femtech”, cunhado pela empreendedora dinamarquesa Ida Tin, cofundadora e CEO da Clue, representa “startups voltadas para as demandas das mulheres”.

Lançado em 2013, o aplicativo Clue permite o monitoramento não apenas do ciclo menstrual, mas também dos períodos de ovulação, TPM e fertilidade.

Atualmente, o app é usado por cerca de 11 milhões de mulheres em 190 países, incluindo o Brasil.

Com a evolução das discussões em torno de questões sociais, vieram também as startups voltadas para sanar dores específicas de grupos específicos que, até então, eram sub-representados na saúde.

Um exemplo disso são as femtechs, que ganharam mais espaço com o aumento de discussões sobre temas que antes eram vistas como tabu, como menstruação e sexualidade, por exemplo.

Tal popularidade tem fundamento: no Brasil, as mulheres são responsáveis por 90% das decisões e 80% dos gastos em relação à saúde de suas famílias.

Não só isso, elas também são mais antenadas com a tecnologia, sendo 75% mais propensas em utilizar ferramentas digitais para cuidar da sua saúde.

Neste cenário, as startups de saúde da mulher surgem como alternativas para preencher as lacunas deixadas para trás e oferecer soluções inovadoras e acessíveis para este público.

Com o avanço de tecnologias como inteligência artificial, data science, big data e internet das coisas, as femtechs de saúde têm um campo de atuação variado.

Elas vão desde o controle do ciclo menstrual até redes de apoio a vítimas de câncer, de vibradores inteligentes à triagem de pacientes em regiões com menos infraestrutura de saúde.

Como as femtechs estão melhorando a saúde feminina

Munidas de tecnologias emergentes, as startups de saúde da mulher têm sido cruciais ao combater a desinformação, democratizar o acesso à saúde e, principalmente, promover a independência e empoderamento feminino.

Muitas mulheres enfrentam dúvidas e receios em relação à sua saúde e boa parte dessas questões pode ser sanada com a orientação correta.

As femtechs, como a Pode Perguntar, estão desenvolvendo chatbots que usam inteligência artificial para fornecer informações confiáveis sobre saúde feminina, respondendo perguntas comuns e compartilhando conhecimento médico atualizado.

Outra forma de atuação de femtechs está diretamente relacionada ao monitoramento da saúde feminina.

Através de tecnologias, é possível rastrear o ciclo menstrual, identificar períodos férteis e acompanhar sintomas relacionados ao ciclo hormonal.

Startups que atuam na saúde menstrual e reprodutiva

E por falar em saúde menstrual, as femtechs também estão desenvolvendo formas alternativas de lidar com a menstruação.

É o caso da Inciclo, por exemplo, que desenvolveu coletores menstruais e outros produtos voltados para a saúde íntima feminina.

Com isso, startups de saúde da mulher voltadas para acompanhar o ciclo menstrual apoiam as mulheres a terem mais controle sobre sua fertilidade e a tomar decisões informadas sobre o planejamento familiar.

Essa categoria de startup também possui uma atuação extremamente importante quando o assunto é gravidez e saúde reprodutiva.

Com a criação de aplicativos ou de marketplaces de acesso à saúde, startups como a Theia auxiliam na jornada da gestante, apoiando não só no planejamento da gravidez, como também no pré-natal e no pós-parto.

E falando em saúde reprodutiva, femtechs como a Natural Cycles estão virando as queridinhas dos métodos contraceptivos.

Com o apoio de dispositivos vestíveis e inteligência artificial, o aplicativo faz o monitoramento de fertilidade a partir da temperatura corporal da mulher.

Isso permite que as mulheres tenham mais autonomia sobre seu próprio corpo e possam tomar decisões informadas sobre sua saúde.

Startups que atuam na saúde e bem-estar de mulheres

As mulheres que estão passando ou já passaram pela menopausa também são beneficiadas pelas femtechs.

Startups como a Plenapausa têm promovido informações, acolhimento e cuidados médicos para esse público.

Startups que atuam na detecção do câncer de mama

Outras atribuições das femtechs estão relacionadas ao combate e detecção precoce do câncer de mama. Através de inteligência artificial, startups como a Linda fazem a análise de exames de imagem para detectar anomalias.

Startups que atuam na saúde sexual de mulheres

Por fim, a saúde sexual feminina também é um dos focos das femtechs.

A Feel & Lilit, por exemplo, é uma startup da saúde da mulher, desenvolve produtos como vibradores e lubrificantes desenhados especificamente para o prazer feminino.

Com todas essas inovações, as femtechs revolucionam a forma como as mulheres cuidam de sua saúde.

Afinal, fornecer informações e recursos que antes eram escassos ou inacessíveis também é um ato de empoderamento feminino.

O futuro da saúde feminina está sendo moldado pelas femtechs, que continuam a desenvolver soluções inovadoras para melhorar a qualidade de vida das mulheres em todo o mundo.

As femtechs estão conquistando investimentos

As startups voltadas para a saúde da mulher estão se destacando e conquistando investimentos significativos. 

Este mercado é tão promissor que, até 2027, US$ 1,1 trilhão globalmente, de acordo com a Femtech Focus. 

Tal movimento já pode ser observado nos investimentos em femtechs, que segue se destacando e aumentando sua participação no mercado.

Atualmente, são mais de 27 femtechs que trabalham em prol da saúde da mulher.

No Brasil, elas já receberam US$ 14,3 milhões desde 2017.

Só em 2022, US$ 10,2 milhões foram destinados para startups voltadas para a saúde da mulher, um crescimento de 560% em relação ao ano anterior.

Mesmo assim, ainda há muitas oportunidades de crescimento para o setor.

Segundo a Dealroom, mesmo em um período de inverno VC, os investimentos globais em femtechs devem chegar a US$ 694 milhões* ainda este ano, conforme o gráfico abaixo.

Investimento global em startups de saúde da mulher
*A queda no volume de investimento recebido pelas femtechs em 2021 e 2022 está diretamente relacionado com o cenário econômico global de retração nos últimos anos. Não reflete, necessariamente, o menor interesse de investidores por soluções neste mercado. – Dados coletados até 07 de julho de 2023

O mercado brasileiro de femtechs

Apesar disso, o mercado brasileiro de startups de saúde da mulher ainda tem muito potencial de desenvolvimento.

Enquanto nos Estados Unidos e Europa o setor já passa por um processo de consolidação, em terras tupiniquins ainda há um longo caminho a percorrer e um mundo de oportunidades.

Além disso, embora o aumento dos investimentos nas femtechs seja uma boa notícia, ainda há um longo caminho a percorrer para reduzir a desigualdade de gênero no ecossistema de inovação.

No Brasil, apenas 4,7% das empresas são fundadas por mulheres. Em 2020, essas startups receberam apenas 0,04% do total de investimentos, conforme levantamento do Distrito para o Female Founders Report.

Além disso, apenas 4% dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento de produtos e serviços de saúde são direcionados para o sexo feminino, de acordo com o PitchBook.

Enquanto isso, o câncer de próstata, uma doença exclusivamente masculina, recebe 2% dos investimentos.

O trabalho de femtechs na prática

Como vimos anteriormente, o cuidado com a saúde da mulher é urgente e extremamente necessário.

Conheça algumas startups que estão fazendo este movimento acontecer!

Radar com logo de startups de saúde da mulher

Revolucionando a saúde da mulher

As femtechs revolucionam a saúde da mulher ao oferecer soluções acessíveis, personalizadas e baseadas em tecnologia.

Com o apoio de investidores e o avanço da medicina, essas startups mudam a forma como as mulheres cuidam de sua saúde, promovendo uma maior autonomia e bem-estar.

A partir do avanço das femtechs, as mulheres ganham mais representatividade no mundo da inovação e da tecnologia.

Espera-se que os investimentos nessas startups continuem crescendo nos próximos anos, impulsionando a saúde e o bem-estar feminino e contribuindo para uma sociedade mais igualitária.”