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Femtechs podem movimentar US$ 50 bilhões no mundo até 2025

As femtechs podem movimentar até US$ 50 bilhões nos próximos 5 anos ao redor do mundo até 2025, segundo pesquisa da Frost & Sullivan. Mas o que são e como operam essas startups inovadoras? Como elas impactam o setor da saúde e o dia a dia das pessoas? Quando falamos de softwares, diagnósticos, produtos e […]

28 de maio de 2021 4 min de leitura
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Artigo atualizado 28 de maio de 2021

As femtechs podem movimentar até US$ 50 bilhões nos próximos 5 anos ao redor do mundo até 2025, segundo pesquisa da Frost & Sullivan. Mas o que são e como operam essas startups inovadoras? Como elas impactam o setor da saúde e o dia a dia das pessoas?

Quando falamos de softwares, diagnósticos, produtos e serviços que, com o apoio da tecnologia, resolvem alguma questão da saúde da mulher, estamos falando de “Health Femtechs”.

O termo “FemTech” foi criado por Ida Tin, fundadora de um aplicativo chamado Clue, focado em fertilidade e menstruação. A ferramenta auxilia as usuárias a evitar ou a se preparar para um gravidez. O aplicativo tem mais de 8 milhões de usuárias de 180 países diferentes.

De acordo com o jornal britânico ‘The Guardian’, femtech foi uma das principais palavras pesquisadas em todo o mundo no ano de 2019. Uma pesquisa da Frost & Sullivan aponta que, no Brasil, esse mercado já está avaliado em cerca de US$ 5,8 bilhões.

Segundo a última edição do Inside Healthtech Report, hoje já são 23 startups no Brasil focadas na saúde e bem-estar da mulher que oferecem soluções como acompanhamento do ciclo menstrual e fertilidade, menopausa, gravidez e amamentação, entre outros serviços.

Uma das mais conhecidas é a Oya Care, que realiza exames digitais para ajudar as mulheres a entender melhor sua vida fértil e ter mais independência e autonomia. Logo em sua primeira rodada de captação, a startup levantou US$ 800 mil.

Entrevista com Stephanie von Staa Toledo, fundadora da Oya Care

Abaixo você confere uma parte da entrevista com Stephanie von Staa Toledo, fundadora da Oya Care, concedida à última edição do Inside Healthtech Report. Entenda mais da atuação da empresa no Brasil e o quanto as femtechs estão se desenvolvendo no país.

Como você vê a questão da saúde feminina no Brasil? Qual a relação da Oya Care com esse cenário?

Não temos dados sobre o que está acontecendo na saúde feminina e sabemos muito pouco sobre o que precisa ser feito. Ao falar com as mulheres, percebemos que o tema está repleto de lacunas, dúvidas, “dores” e ansiedades. Isso acontece porque, por muito tempo, os corpos femininos foram deixados de fora das referências e pesquisas científicas, gerando falta de representatividade e identificação. 

Não é à toa que vemos os números de casos de ansiedade, já bem altos no Brasil e no mundo, aumentarem ainda mais, especialmente para as mulheres. 

Eu criei a Oya Care para ser a primeira clínica virtual de saúde feminina preventiva no Brasil, com o intuito de ajudar as mulheres a se manterem saudáveis, usando tecnologia e ciência para isso. Esse sempre foi o meu maior objetivo, desde que a primeira ideia surgiu.

Quando você foi fazer a primeira conversa sobre investimento, buscou um investidor brasileiro ou internacional?

Nossos investidores são todos brasileiros. Quem liderou a rodada foi a Canary, mas também tivemos alguns outros investidores-anjo. Sobre isso, tem algo que me deixa muito orgulhosa, que é o fato de termos o mesmo número de homens e mulheres de investidores-anjo no número de cadeiras.

Qual  foi a maior dor até aqui? Onde sentiu mais dificuldade?

A maior dor que senti, e também o maior desafio, foi durante as conversas com os investidores, porque percebi que do outro lado da mesa raramente tinha uma mulher dialogando comigo. Essa dinâmica acaba gerando alguns vieses, como a falta de compreensão, já que o nosso produto é 100% feminino. Adoraria que tivessem mais mulheres investidoras.

Gostou do papo com Stephanie? Ao assinar o estudo exclusivo Inside Fintech Report você confere a entrevista na íntegra e acompanha o que as mais de 700 startups do setor estão desenvolvendo e tem acesso a análises e estatísticas comparativas sobre os investimentos e tendências das healthtechs brasileiras.

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Quais são as categorias mais representativas

Das 23 femtechs mapeadas pelo Inside Healthtech Report a maioria se encaixa na categoria de Fitness & Bem-Estar, seguida por Acesso à Saúde (principalmente dentro da subcategoria de Acesso à Informação) e por Engajamento do Paciente (soluções que aumentam a aderência do tratamento através de aplicativos, SMS e chatbots, especialmente para doenças crônicas e cirurgias).

Dentro da categoria de Diagnóstico, estão startups que trabalham na subcategoria de Exames.

Gráfico que traz quais são as categorias das femtechs que oepram no Brasil.

A maioria se encaixa na categoria de Fitness & Bem-Estar (8 startups), seguida por Acesso à Saúde (6) e por Engajamento do Paciente (4).

Cenário das startups com soluções para a saúde e bem-estar das mulheres

Apesar de ser um nicho que pede uma atenção especial, o Brasil ainda oferece muito espaço para criação e crescimento de femtechs. As primeiras startups voltadas para saúde da mulher no país deram seu pontapé inicial apenas em 2010, ano marcado pela criação das primeiras três femtechs brasileiras.

Quase dez anos após, o país ainda carece de mais soluções (como falado, hoje são 23 femtechs) que atendam áreas pouco exploradas, ainda mais levando-se em consideração o histórico de negligência que essa área recebe dentro do setor científico e acadêmico

Mesmo que deixado de lado, o mercado voltado à saúde feminina possui um público-alvo disposto a investir (e muito) no próprio bem-estar. Segundo pesquisas do PitchBook, mulheres movimentam US$ 500 bilhões por ano em despesas médicas. Esse número se reflete no montante lucrado por empresas da área: US$ 820 milhões só em 2019.

Dia internacional de Ação pela Saúde da Mulher

Cada vez é mais importante falar desses negócios inovadores e o quanto eles são importantes para sociedade, ainda mais em datas comemorativas como o Dia internacional de Ação pela Saúde da Mulher.

A data foi definida no IV Encontro Internacional Mulher e Saúde, que aconteceu em 1984, na Holanda, durante o Tribunal Internacional de Denúncia e Violação dos Direitos Reprodutivos, ocasião em que a morte materna foi tema de discussão pela sua escala na época.

O objetivo da data é chamar atenção da sociedade para conscientizar sobre os diversos problemas de saúde e distúrbios comuns na vida das mulheres. Câncer de mama, endometriose, infecção urinária, câncer no colo do útero são algumas das doenças que afetam o sexo feminino.

As femtechs têm como objetivo olhar para essa realidade e trazer soluções por meio da tecnologia para as mulheres, dando mais conforto, segurança e autonomia para o público feminino.

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