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A visibilidade das healthtechs em meio à pandemia do covid-19

A visibilidade das healthtechs em meio à pandemia do covid-19

A pandemia do coronavírus transformou a sociedade como conhecemos, nesse momento estamos mais conectados – e mais vulneráveis – do que nunca. Nossas expectativas para superarmos essa crise estão depositadas na ciência, tecnologia e nas healthtechs, o que têm gerado diversas oportunidades para o setor de saúde se reinventar. No geral, a curva de amadurecimento […]

3 de junho de 2020 5 min de leitura
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Artigo atualizado 3 de junho de 2020

A pandemia do coronavírus transformou a sociedade como conhecemos, nesse momento estamos mais conectados – e mais vulneráveis – do que nunca. Nossas expectativas para superarmos essa crise estão depositadas na ciência, tecnologia e nas healthtechs, o que têm gerado diversas oportunidades para o setor de saúde se reinventar.

No geral, a curva de amadurecimento das startups voltadas à saúde são mais longas se comparadas aos outros setores, especialmente no Brasil. Isso ocorre devido à exacerbada burocracia e do lento processo de testes e implementação que essas tecnologias passam. Assim, em um momento que demanda maior agilidade no desenvolvimento de soluções, é esperado que as healthtechs finalmente ganhem seu espaço no mercado, impulsionadas, mais do que nunca, pela necessidade.

Com o intuito de acompanhar esse avanço, nós do Distrito Dataminer, reunimos dados do SEMrush de visitas nos sites de 732 healthtechs brasileiras nos últimos meses, para compreendermos como essa revolução está acontecendo. Para as análises, consideramos que um aumento na visibilidade de uma startup, medido através do número de acessos no site, está diretamente relacionada com seu sucesso.



Análise de visitas no setor de Healthtech

No gráfico abaixo podemos observar a curva do número médio de visitas por mês dos últimos 14 meses nos sites das healthtechs mapeadas. Fora os outliers de agosto e setembro, é possível observar uma tendência sutil de crescimento em todo o período, que parece ter se acentuando de março para abril.

Growth score das categorias do setor de saúde

O Distrito Dataminer classifica as healthtechs em 9 categorias de acordo com a solução proposta. Na tabela abaixo apresentamos o score de crescimento médio para cada uma dessas categorias, calculado a partir da análise dos desvios das médias das visitas nos sites (dados de janeiro até abril deste ano). Com esse indicador, é possível compreender como está o comportamento dessas empresas perante à média e quais são os destaques.

Startup Growth Score
Telemedicina3,8
AI & Big Data3,1
Medical Devices2,6
Farmacêutica & Diagnóstico2
Marketplace1,6
Acesso à informação1,3
Gestão & PEP0,8
Relacionamento com Pacientes0
Wearables & IOT-1,9

No topo da lista está a telemedicina, que ganhou aprovação legal do senado apenas em março. Entre as healthtechs, essa foi a categoria que mais se destacou na mídia nos últimos tempos. Afinal oferece soluções que se encaixam perfeitamente ao momento de isolamento social que estamos vivendo. Dessa forma, o atendimento à distância evita que os pacientes precisem sair de suas casas para buscar por serviços de saúde. A categoria representa 8% das startups de saúde.

Em segundo lugar está AI & Big Data, com soluções que utilizam Inteligência Artificial e Big Data para apoio na tomada de decisão de instituições de saúde, na realização de diagnósticos, em soluções robóticas e próteses. Essa categoria representa 5,4% das soluções e têm diversas startups capazes de atender diversos setores e não só o de saúde, como é o caso da Semantix, Kunumi, Laura Networks e Aquarela.

A única com score negativo é Wearables & IOT, composta por dispositivos “vestíveis” inteligentes para a saúde, categoria que já desponta no exterior, mas ainda está dando seus primeiros passos por aqui, com apenas 13 startups brasileiras. Indo na contramão da categoria está a Hi Technologies, que alcançou um crescimento acumulado de 70% no número de visitas em seu site desde janeiro. A startup paranaense desenvolve diversos produtos inteligentes, como o Hilab, aparelho capaz de realizar exames laboratoriais em até 24 horas e que também realiza  testes rápidos de coronavírus.

Crescimento de visitas em cada categoria

Também comparamos o crescimento do número de visitas médio dos sites entres os meses de janeiro e abril, o que acarreta em uma visão clara na diferença da visibilidade dessas startups antes e após a pandemia.

A categoria de Medical Devices, composta por dispositivos utilizados por profissionais da saúde com o objetivo de diagnosticar, prevenir e tratar enfermidades está em primeiro lugar, com crescimento de quase 18% no período. A startup com o maior número de visitas é a Magnamed, focada em atender o mercado de critical care, que tem brilhando durante a pandemia devido à especialização em ventilação pulmonar.  Em segundo lugar, novamente estão as soluções de telemedicina, com 17,3% de crescimento. 

As piores colocadas são Wearables & IOT, Relacionamento com pacientes e Gestão e PEP – composta por plataformas para melhorar o gerenciamento de clínicas e hospitais e representa 23,9% das healthtechs, a maior categoria do setor.

CategoriasCrescimento relativo médio
Medical devices17,8%
Telemedicina17,3%
Acessos à Informação7,1%
Marketplace5,1%
AI & Big Data3,2%
Farmacêutica e diagnóstico0,7%
Gestão e PEP-0,4%
Relacionamento com pacientes -0,5%
Wearables & IOT-5,1%

No gráfico abaixo podemos observar a variação no número de visitas médias dos últimos meses entre todas as categorias.

Categorias predominantes

Por fim, nós observamos entre as 30 startups que mais se popularizaram e entre as 30 com a maior queda no número de vistas no site, quais são as categorias predominantes.

É interessante perceber que Marketplace ocupa os primeiros lugares das duas listas, com 9 soluções entre os melhores colocados e 8 entre os piores. Isso acontece porque na categoria encontramos soluções de vendas digitais, mas também redes de clínicas populares (espaços físicos), que na maioria dos casos tiveram o movimento reduzido devido à quarentena. Telemedicina é a única categoria que tem somente startups entre as primeiras colocadas.

As 30 primeiras colocadas
CategoriaNúmero de startups
Marketplace8
Acesso à informação6
Telemedicina5
Gestão e PEP4
Medical devices3
Farmacêutica & Diagnósticos2
Relacionamento com pacientes1
AI & Big Data1

As 30 últimas colocadas
CategoriaNúmero de startups
Gestão e PEP9
Marketplace8
Acesso à informação6
Medical devices2
Relacionamento com pacientes2
Farmacêutica & Diagnósticos2
Werables & IOT1

Startups que mais cresceram em acessos

Na tabela abaixo, você confere a  lista dos 10 primeiros colocados em relação ao score de crescimento do Distrito Dataminer, o mesmo utilizado acima na comparação das categorias.  

Entre as startups que ganharam mais visibilidade nos últimos meses estão:

  • Cliquefarma, que possui ferramenta gratuita para a comparação de preços de produtos de saúde
  • Dr.Consulta, maior rede de clínicas populares do Brasil, que recentemente criou um canal de telemedicina
  • Vittude, portal de consultas online com psicólogos.

Essas 3 startups, apesar de terem maturidade e propostas, conseguiram se adaptar muito bem ao momento que estamos vivendo. 

Quando comparamos o total de visitas nos sites de janeiro e abril, diversas startups surpreenderam, como é o caso da Jaleko, uma plataforma de ensino para estudantes de medicina, que cresceu quase três vezes entre esses meses, e a Magnamed que cresceu quase 2 vezes.

StartupCategoriaGrowth ScoreTotal de visitas JANTotal de visitas ABRCrescimento JAN-ABR
CliquefarmaAcesso à informação18,81.017.6991.445.48642%
Dr. ConsultaMarketplace18,71.095.0101.524.04239%
VittudeTelemedicina17,9747.6711.020.60237%
TelavitaTelemedicina17,910.00037.462275%
JalekoAcesso à informação1786.215150.69375%
iClinicGestão e PEP16,8423.853566.79434%
MagnamedMedical devices16,710.00029.703197%
Beep SaúdeMarketplace15,563.71997.35553%
DoctormedMarketplace15,487.205126.26745%
Portal TelemedicinaTelemedicina1560.41988.91947%

Healthtechs têm ganhado visibilidade desde o início da pandemia do covid-19

Apesar de não ser uma constante para todas as startups ou categorias do setor, as healthtechs têm ganhado visibilidade desde o início da pandemia. Com soluções digitais capazes de simplificar processos complexos, suas tecnologias cada vez mais ocupam espaço nas rotinas das pessoas, clínicas e hospitais. 

A telemedicina foi uma das grandes vitórias do setor, após um longo período sem ter permissão legal para operar, em março conseguiu aprovação no senado. A expectativa para os próximos meses é que essa tecnologia se popularize ainda mais e consiga até diminuir os custos da saúde no Brasil.

As soluções apresentadas estão alinhadas no combate contra a pandemia, e quanto mais rápido os stakeholders enxergarem isso, melhor conseguiremos superar essa crise.

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