arrow Voltar
Cobli une IOT e dados para solucionar problema logístico no Brasil

Cobli une IOT e dados para solucionar problema logístico no Brasil

28 de janeiro de 2021 6 min de leitura
time

Artigo atualizado 28 de janeiro de 2021

[et_pb_section][et_pb_row][et_pb_column type=”4_4″][et_pb_text]

Em um país de dimensões gigantescas e com uma malha rodoviária enorme, a logística no Brasil é um setor de suma importância, que representa cerca de 12,7% do custo do PIB nacional. Mas a forma como se lida com transportes ainda precisa se modernizar muito. 

Enquanto nos Estados Unidos pelo menos 50% dos veículos comerciais são rastreados, no Brasil esse número está abaixo dos 20%. Isso se reflete em atrasos e insatisfações, gastos desnecessários e o subaproveitamento do tempo de profissionais de logística, que precisam realizar tarefas cansativas manualmente. E é dessa necessidade e problema do setor de logística brasileiro que surgiu a Cobli,  logtech de gestão de frotas, que por meio de seu software leva inovação às operações de campo.

A startup, que despontou entre as Top 10 no ranking do estudo LogTech Report do  Distrito Dataminer, oferece automação para diversos processos, como a roteirização de trajetos de entrega ou realização de serviços. Essa ferramenta, por exemplo, reduz em até 14% a circulação dos veículos, ajudando as empresas a economizar com combustível, manutenção e até multas.

Em 2019, a Cobli recebeu um aporte de US$10 milhões liderado pela Fifth Wall, gestor de Venture Capital americano que já tinha investido em empresas como Loggi e Loft.  O algoritmo de previsão de deals do Dataminer, que cruza dados qualitativos das startups com uma variável de comparação de tempo entre rodadas, já apontava uma chance de 80% da Cobli abrir ou anunciar uma captação em 2021, um fato que Parker Treacy confirmou com exclusividade para o Distrito. 

banner de divulgação LogTech Report

Entrevista completa com Parker Treacy

1.  A Cobli foi fundada há seis anos, em 2015. Nesse período, como foi a evolução do negócio como um todo, desde a própria proposta de valor do serviço até o amadurecimento dos sócios e time? Por ser um sistema que usa sensores para rastrear frotas, com uso de Internet das Coisas, como você vê a evolução do próprio serviço e do mercado nesses últimos anos?

Sempre tivemos uma grande visão de conectar o mundo da logística com a internet.  Esse desafio envolve vários aspectos supercomplexos como hardware, firmware, telecom e data science.  Então, para nós, fazer um MVP e lançar um produto de uma forma enxuta foi complexo (e tivemos bastante erros no caminho).

No começo queríamos simplesmente lançar uma solução de telemetria fácil de se usar no Brasil.  O país tem uma penetração de conectividade logística super baixo (só 14%), então o primeiro desafio foi minimizar as barreiras para novos usuários aderirem ao sistema.  Atraímos demanda online via SEO e mídias pagas e vendemos por meio de um modelo inside sales.  Criar processos de go-to-market funcionais e ao mesmo tempo criar e manter um sistema de IoT no ar foi um grande desafio para um time bootstrapped de 15 pessoas.

Hoje em dia, com um time de 160 pessoas (entre funcionários, conselheiros e investidores) e mais de 2 mil clientes, temos um perfil diferente de pessoas e o nosso produto também mudou. 

Em termos de pessoas, contratamos cada vez mais colaboradores com mais experiência, que possam trazem uma visão e uma cultura que alavanquem o nosso time. Sempre brincamos que, com escala, precisaríamos de mais cabelo branco. 

Já falando em produto, vemos uma aceleração da adoção de tecnologias de conectividade e gestão de frotas no setor.  O mercado percebeu que só as empresas supereficientes vão sobreviver e o sistema da Cobli é um primeiro passo excelente nessa jornada de melhoria.  Além disso, frotas precisam ficar cada vez mais conectadas com os outros players da cadeia de valor, como postos de gasolina, seguradoras e clientes finais.  A Cobli faz integrações com esses parceiros de um jeito muito simples, deixando essa conectividade muito mais fácil e acessível para qualquer frota.

2. Em 2019, vocês receberam investimento de US$ 10 milhões, liderado pelo fundo americano Fifth Wall Ventures, investidor da Loggi e da empresa de reformas de apartamentos Loft. Para você, qual foi o objetivo do fundo americano com esse movimento? Como você avalia e analisa o investimento da Fifth Wall Ventures em três logtechs brasileiras?

O Fifth Wall acredita muito na interação de softwares com processos do mundo físico. E é exatamente isso que fazemos no âmbito logístico: automatizamos fluxos, consolidamos dados e otimizamos os resultados.

Durante essa primeira fase da empresa, crescemos bem rápido mostrando duas coisas.  Primeiro, temos uma escala eficiente e rápida e, segundo, oferecemos uma experiência para o usuário final diferenciada no mercado. 

Esses resultados e o nosso time conseguiram atrair a atenção do Fifth Wall Ventures para liderar o nosso series A em outubro de 2019.  Esse dinheiro acelerou nosso crescimento e viabilizou a contratação de profissionais de alto padrão que uma startup bootstrapped não conseguiria. Trouxemos o Renato Sabato, nosso COO, o Gustavo Stein, nosso CMO, o Fernando Freitas, nosso engineering manager, o Diego Pereira, nosso head de produto, e o José Colmenero, nosso diretor de finanças.  Eu fico feliz e orgulhoso do time de liderança que montamos.

Escolhemos o Fifth Wall por conta da pessoa que liderou o round, o Andriy Mykhaylovskyy.  Ele é uma pessoa com experiência com telemetria nos EUA e entendeu a nossa visão desde o começo. Já na nossa primeira reunião ele me parou no começo da conversa e falou: “deixa eu descrever a sua visão.”  E acertou para caramba! Esse alinhamento é de altíssima importância quando um fundador está escolhendo um investidor.  Se o investidor acredita na visão e também no time, nunca haverá brigas sobre o resultado mês a mês e sempre haverá conversas realmente estratégicas de crescimento.  É aí que o board traz um tremendo valor.

Parker Treacy, fundador da Cobli

Em termos de logtechs no Brasil, há uma oportunidade enorme e talvez perdendo só para fintech, mas com muitos menos startups atacando os problemas principais.  Transporte representa 7% do PIB do país com inovação mínima no setor desde os últimos 5 anos.  Estamos felizes de estar ao lado de outras empresas logtechs inovando nesse setor, e acreditamos que esse movimento só está começando por conta da dimensão do problema de transportes. O Fifth Wall estuda muitas hipóteses dentro de diferentes segmentos, e eles estão apostando nos setores que acreditam que passarão por grandes transformações nos próximos 10 anos.

3. Com o investimento recebido, durante esse período de quase dois anos, quais foram os planos e ações realizados a partir dessa transação? Como ela suportou o crescimento da empresa? 

Nossa escalada pós-series A foi um pouco diferente em alguns aspectos.  Primeiro, estamos abrindo nossa estratégia de go-to-market e nossa estratégia de produto para atender cada vez mais frotas maiores.  Quando uma empresa de B2B SaaS está escalando, a eficiência da venda é de altíssima importância e o movimento upmarket é essencial para atacar clientes com um LTV maior.  Segundo, estamos integrando com com mais players dentro da cadeia de logística como as empresas de cartão combustível, pedágio, seguradoras, locadoras e montadoras.

Então, uma grande parte desse investimento foi para melhorar nossa capacidade de compartilhar dados de telemetria com esses outros players para deixar o produto e a experiência de seus usuários mais robusta e conectada. 

Um exemplo muito legal disso é a nossa parceria com alguns dos players de cartão combustível.  É basicamente um cartão dado para os motoristas abastecerem o carro que digitaliza todo o processo de reembolso e faz um controle de gastos individual.  Agora, com a integração com os dados de telemetria, as frotas conseguem minimizar fraudes e também monitorar se o comportamento do veículo está alinhado com o consumo de combustível para detectar ineficiências ou problemas com os veículos.  É um exemplo muito legal de virada de um processo analógico para um digital (e muito mais eficiente).

4. Quais são os planos futuros da Cobli para 2021 e os próximos anos? Vocês estão se preparando para novas rodadas de investimento, expansão do negócio ou internacionalização?

Este ano vai ser um ano bem interessante para a Cobli.  Em 2021, vamos continuar a expansão acelerada para mais clientes e também desenvolver mais produtos que os tornarão mais eficientes e conectados/integrados com os outros players na cadeia de logística. 

Além disso, precisamos contratar 80 pessoas novas para adicionar ao nosso time.  Muita coisa está acontecendo no nosso mundo e estamos cada vez mais animados nessa jornada com a liderança da Cobli.

imagem da equipe Cobli

[/et_pb_text][/et_pb_column][/et_pb_row][/et_pb_section]

Posts recomendados

Acesse o blog arrow