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Na imagem, Daniel Calonge, CEO da Monetus

Trajetória do empreendedor: adaptando sua startup para os desafios

Usando princípios da economia comportamental, teoria moderna de portifólio e machine learning a Monetus construiu uma carteira de investimentos que orienta os clientes em relação aos passos para atingir a meta. Hoje trabalha com planejamento financeiro e ofereceprodutos para empresas e seus funcionários. A Monetus, inclusive, foi destaque no estudo Distrito Minas Tech Report que […]

27 de julho de 2020 7 min de leitura
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Artigo atualizado 27 de julho de 2020

Usando princípios da economia comportamental, teoria moderna de portifólio e machine learning a Monetus construiu uma carteira de investimentos que orienta os clientes em relação aos passos para atingir a meta. Hoje trabalha com planejamento financeiro e oferece
produtos para empresas e seus funcionários.

A Monetus, inclusive, foi destaque no estudo Distrito Minas Tech Report que mapeou mais de 780 startups mineiras. No levantamento listamos as startups que você deve ficar de olho e a Monetus é uma delas!

Nosso algoritmo para escolher essas startups leva em conta critérios com peso maior para investimentos captados e visibilidade nas redes sociais. Também são instituídos alguns limites: só entram empresas fundadas depois de 2012 e com menos de 200 funcionários. Confira:

Para entender e compreender a trajetória da fintech, entrevistamos o CEO da Monetus, Daniel Calonge. Confira a entrevista completa!

Entrevista completa com Daniel Calonge, CEO da Monetus

Vocês começaram como uma plataforma de investimento, agora estão com planejamento financeiro e benefícios para B2B. Como está essa evolução de novos produtos, ofertas e novos mercados?

A missão continua a mesma, ajudar as pessoas a viver a vida que eles sempre sonharam e que isso nunca vai mudar. O que fomos percebendo é que nossa proposta  inicial de valor que era entregar os melhores investimentos não solucionava 100% por que as pessoas tem dificuldade de fazer a parte delas. Não adiantava eu falar que para você alcançar seu objetivo e ser independente financeiramente daqui vinte anos, você precisa poupar mil reais por mês. Você consegue durante dois, três meses, depois não faz mais. Então fomos entender melhor como funcionava e descobrimos que o grande desafio não é só saber, tem que fazer, colocar em prática. Então vimos algumas ferramentas que funcionavam bem, por exemplo, todo mundo sabe que precisa malhar, mas quem malha? Mas se você tiver um personal treiner tem 95% mais chance de malhar em um dia específico de que quem não malha. E se fizermos o personal trainer das finanças? Lançamos no final de 2018 e isso cresceu muito na Monetus. Em novembro de 2019 queríamos saber como fazer isso para todo mundo, por que temos 60% das famílias brasileiras endividadas, por que isso pode mudar o Brasil. E o caminho para fazer isso era fazer essa proposta via as empresas. A empresa paga um pedaço desse benefício para o funcionário ter isso disponível. 

E quais foram os principais desafios para atingir esse novo mercado?

O primeiro é que tivemos que montar um time voltado a venda B2B, um time diferente de mais a longo prazo, temos que qualificar esse lead, entender da empresa. 

O segundo desafio é saber como vai ser essa gestão e onboarding desse cliente-empresa e depois conseguir escala nos assessores financeiros. 

Mas o principal foi entender quais as dores do cliente B2B, porque a dor é muito específica, é uma percepção de salário do funcionário que não é boa, que gasta muita parte do seu tempo cuidando das finanças pessoais, funcionário pedir demissão para conseguir o fundo de garantia para quitar uma dívida, essa é a dor do RH. Temos que vencer essas dores para a empresa nos comprar e a gente cuidar das dores do cliente. Tivemos que dar um passo atrás e estruturar isso. Estamos realmente em um processo de validação do nosso processo de B2B, hoje vivemos do B2C. Então, colocamos a meta que no primeiro mês que vendermos 10 empresas, provavelmente em Julho, vamos assumir e mudar toda a cara da empresa para planejamento financeiro voltado no B2B e que a plataforma de investimento é para ajudar essas pessoas que já estão se planejando financeiramente, invistam bem.

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Qual o perfil do brasileiro em relação ao investimento?

A gente investe mal. É fácil falar isso, são 60 milhões de brasileiros que investem na poupança e ganham menos que a inflação. A gente poupa muito pouco, e na média o brasileiro não olha juros, olha se a parcela cabe no bolso. Percebemos alguém muito pouco preocupado e quando o tempo passa, ele acaba se arrependendo, por que o tempo é o melhor amigo de alguém que se planeja e a falta de tempo é o maior inimigo. 

Se você investir pelo dobro de tempo, você acumula 6x mais dinheiro. Se você investir o dobro do dinheiro, você só acumulou o dobro do dinheiro. Mas vejo uma evolução, um mundo em que o brasileiro vai investir muito melhor. O grande crescimento da XP que já tirou 7% dos investimentos dentro dos bancos, os agentes autônomos fizeram essa primeira leva. A segunda leva foram as pessoas buscando os canais de finanças, Natalia Arcury com 5 milhões de seguidores, o Primo Rico, Econo Mirna, Tiago Reis da Sumo, então já existe essa busca por investimento. A próxima onda é a pessoa querer um serviço financeiro que já está ocorrendo, muitas vezes quando vamos conversar com a empresa, eles falam que já procuraram um serviço desses e não tinha. Por mais que eu estude sobre doença eu nunca vou ser um médico, então eu posso estudar de finanças mas será que vale a pena fazer por conta própria?

A Monetus começou em 2016, nesses 4 anos, o que mudou no perfil do empreendedor de Minas Gerais?

A gente foi uma das primeira startups de Belo Horizonte B2C que eu tenho notícia. BH tinha uma dificuldade muito grande de captar dinheiro, o que fazia que a maioria das empresas fosse B2B. Às vezes fechava dois, três clientes e chegava no break-even. Quando o ambiente começou a melhorar, de se conseguir captar investimento, começou a ser possível uma empresa B2C ou uma empresa B2B focada em Pequenas e Médias empresa o que antes não tinha. Hoje tem bastante, uma que está crescendo muito é a Metha energia com mais de 5 mil clientes que te da desconto na conta de luz. Isso está começando a ser possível.

Como vocês se relacionam com o ecossistema mineiro?

Somos queridos lá, somos Scale up Endeavor de minas, fomos Seed que foi o maior programa de aceleração de startup do país, na minha opinião, houveram 5 bets, nós fomos o quarto, infelizmente acabou agora por conta de verba. Eu entendo que o governo precisa priorizar as coisas e é difícil mostrar um resultado a longo prazo. Mas quando entramos no Seed tínhamos 4 funcionários, hoje temos 34. Provavelmente só em imposto nós já devolvemos para o Seed mais do que ele gastou com a gente. Somos mentores do Founders Institute, estágios early e participamos de alguns hubs de inovação com Raja Valley, Orbi Conecta. Gostamos de ajudar esse empreendedor no inicio, por que percebemos três coisas: uma hora do nosso dia adianta muito tempo do cara, por que as vezes ele está com uma ideia longe do foco, segundo que vemos muita gente boa, esse perfil empreendedor é super importante, acabamos contratando uma pessoa que veio falar com você e a terceira é que infelizmente não tivemos tanta ajuda no inicio, culpa nossa que não sabíamos onde procurar, mas que se tivéssemos tínhamos andado mais rápido e cometido menos erros. Esse sentimento de ajudar é bem legal. Tem uma história legal, o founder da Metha foi Seed 5 e eu fiz a abertura da rodada, ele disse que eu mudei a vida dele, que ele estava começando a desenvolver a empresa, eu fiz três perguntas sobre o setor de energia e ele não soube responder, e ele disse que eu falei pra ele: “enquanto eu, que sou um generalista, gestor de investimentos souber mais do seu negócio que você, você não vai andar”. Perguntei pra ele se tinha sido duro desse jeito, ele falou que “sim, mas a partir daquele momento tudo mudou, hoje eu sei tudo sobre meu negócio e isso foi super importante” e hoje estamos juntos no Scale Up da Endeavor. As vezes um feedback ajuda bastante.

Quando as startups surgiram, 4 delas, a HotMart, a Sympla, a Samba Tech e a Meliuz eram do bairro de São Pedro. Eles se encontravam nos barzinhos que mais tarde ficou conhecido como San Pedro Valley, hoje é entendido BH como San Pedro Valley por que é tudo muito perto e as pessoas aqui são muito abertas. As vezes vou fazer benchmark em São Paulo, e ligo para alguém por que temos empresas parecidas e eles não entendem, percebo uma desconfiança muito grande. Aqui em BH o melhor time de vendas disparado é o da RockContent, eles são muito feras. Um dia estava com dificuldade, mandei uma mensagem pro Matt Doyon, ele me respondeu em 15 minutos,essa abertura ajuda muito. Alguém muito fera no sucesso do cliente, HotMart. Se eu ligar para o JP da HotMart e peço ajuda em CS, ele me indica alguém. O ecossistema de BH é bacana por que as pessoas se ajudam, é uma competitividade saudável.

Pode dar umas dicas para quem está começando a empreender em 2020?

Não desista, o melhor jeito de aprender algo é empreendendo, é resolvendo aquele problema. Eu empreendo há 15 anos e se eu estivesse no meu primeiro negócio com o conhecimento que eu tenho hoje eu nunca teria montado, e se eu não estivesse montado eu não estaria aqui hoje, então não desista, no final quando a gente lê biografia de gente foda muito mais que inspiração, ideia fantástica, melhor time, tinha lá um cara que não desistia que aprendia sempre e que acreditava naquilo ali. Quando a gente vai ser fundador/CEO de alguma coisa a gente tem que trabalhar todo dia com a certeza que aquilo vai dar certo e sabendo que mesmo difícil a gente continue. A Monetus teve um crescimento no primeiro ano e no segundo estacionou, muita gente duvidou do modelo de negócio agora estamos crescendo novamente. Quando me perguntam o que você fez para construir uma empresa que a gente admira tanto, eu falo que não é 0,1% do que a gente quer fazer ainda, mas no meio dos problemas a gente não desistiu, essa perseverança é muito importante e não adianta ser perseverante se não trabalhar duro rumo ao objetivo, mas sabendo que vai ter muito problema, vai dar muito errado antes de dar certo, faz parte do jogo. A gente tem a ilusão de pensar que as pessoas vão do ponto A para o ponto B, mas isso é uma visão de retrospectiva, na verdade ele foi do A, pro C, D, até que você viu ele naquele momento. Quando estiver muito mal saiba que ele teve momento que não tinha a mínima ideia do que fazer, isso faz parte. Empreenda com algo que faça sentido e que você acredite que você vai ser perseverante e tope tomar porrada na cara por que a jornada vale a pena, e se não desistir o ponto de chegada vai ser o sucesso. Se toda hora que você errar, você vai aprender, se você não parar enquanto você tá errando, você vai ter que encontrar o sucesso alguma hora.

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