
Mulheres em IA: como ampliar a diversidade no setor tecnológico
Artigo atualizado em 31 de março de 2025
Apesar do avanço das tecnologias de inteligência artificial (IA), a igualdade de gênero ainda não é uma realidade nesse setor. A presença feminina na IA é significativamente menor do que deveria ser, considerando que as mulheres representam mais da metade da população brasileira.
Neste artigo, falamos sobre a participação das mulheres em IA. Também discutimos os impactos dessa desigualdade. Por fim, mostramos como a comunidade MIA – Mulheres na Inteligência Artificial está trabalhando para mudar essa situação. Confira!
Um cenário desigual: representatividade feminina em IA do Brasil e do mundo
Uma pesquisa State of Data 2024, mostra que apenas 23,6% dos profissionais de dados no Brasil são mulheres. Além disso, nos cargos de liderança, esse número é ainda menor: 19% das posições de gestão são ocupadas por mulheres.
No cenário global, o panorama não é mais animador. Apenas 22% dos profissionais de inteligência artificial no mundo se identificam com o gênero feminino, e menos de 14% ocupam cargos executivos. Em países como Japão e Singapura, por exemplo, mulheres são autoras de apenas 10% e 16% dos trabalhos em IA, respectivamente.
Os impactos da desigualdade de gênero na IA
A sub-representação feminina afeta diretamente a qualidade das soluções tecnológicas. A falta de diversidade na IA não só limita oportunidades para mulheres. Ela também cria sistemas de IA enviesados.
Por conseguinte, esses sistemas reproduzem estereótipos que resultam em algoritmos que podem não atender às necessidades de toda a população.
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MIA – Mulheres na IA
Desse modo, é essencial iniciativas como a MIA – Mulheres na Inteligência Artificial. A MIA foi criada para aumentar o acesso e fortalecer a presença das mulheres na IA e em dados. Ela é um espaço seguro para troca, aprendizado e visibilidade para mulheres na tecnologia.
O coletivo atua com foco em formação, mentoria e conexão entre mulheres no que já estão ou desejam entrar na área de IA. A missão é clara: combater o sentimento de não pertencimento e abrir caminhos reais para a inclusão.
Como nasceu a MIA?
A MIA teve sua fundação em 2020, durante a pandemia, por embaixadoras brasileiras do Women in Data Science (WiDS). A motivação veio da necessidade de criar uma comunidade.
Hoje, o coletivo se destaca por seu compromisso com a representatividade feminina na IA. Ela oferece apoio contínuo a mulheres em várias fases da carreira.
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Dicas da MIA para mulheres em IA
O coletivo destaca que muitas mulheres enfrentam obstáculos na área da tecnologia, sendo esses problemas ligados à falta de representatividade. Isso gera uma sensação de não pertencimento e abala a confiança, que faz com que elas só se inscrevam em vagas e processos seletivos que dominam totalmente, por exemplo. Já homens costumam se inscrever mesmo sem ter todas as habilidades. Por isso, entre as principais recomendações do grupo estão:
- Buscar redes de apoio e participar de comunidades com outras mulheres;
- Fazer mentoria com profissionais experientes da área;
- Investir no desenvolvimento de soft skills para aumentar a autoconfiança;
- Se candidatar a vagas mesmo sem preencher 100% dos requisitos – prática comum entre homens, mas menos adotada por mulheres.
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Conclusão
A equidade de gênero na inteligência artificial ainda não foi alcançada. No entanto, comunidades como a MIA mostram que é possível avançar por meio de ações, visibilidade e apoio mútuo.
Continuar incluindo mulheres em IA, portanto, é mais do que uma questão de justiça: é uma estratégia de inovação e impacto social. O futuro da tecnologia precisa ser construído com diversidade – e as mulheres têm papel central nessa transformação.