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Healthtechs em 2021

Após os avanços do último ano, quais são os planos das healthtechs para 2021

O setor da saúde foi um dos mais movimentados em 2020. A pandemia de Covid-19 exige que profissionais da área estejam à disposição para atuar na linha de frente do combate ao vírus. Sob o risco de contaminação iminente, médicos, enfermeiros e funcionários de hospitais, postos de saúde e clínicas atuam bravamente na tentativa de […]

18 de fevereiro de 2021 6 min de leitura
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Artigo atualizado 18 de fevereiro de 2021

O setor da saúde foi um dos mais movimentados em 2020. A pandemia de Covid-19 exige que profissionais da área estejam à disposição para atuar na linha de frente do combate ao vírus. Sob o risco de contaminação iminente, médicos, enfermeiros e funcionários de hospitais, postos de saúde e clínicas atuam bravamente na tentativa de minimizar a disseminação do vírus. 

Porém, esse cenário teria sido muito mais desafiador se todo o setor da saúde não tivesse reunido forças para atravessar a pandemia em comunhão. Com o auxílio da tecnologia e análise de dados, as healthtechs tiveram suas atividades ampliadas com o aumento da demanda de novos produtos e serviços que facilitam processos em um momento onde o contato físico deve ser evitado. Com iniciativas que modernizam o que anteriormente era muito mais burocrático e demorado, as startups de saúde foram fundamentais para o enfrentamento da pandemia ao fecharem parcerias com outras organizações.

Pensar em novas maneiras de fazer o que era rotineiro, é uma das mudanças mais expressivas da pandemia.  As startups também se enquadram bem nessa definição, pois inovação e novos jeitos de pensar e ofertar produtos/ serviços com a intenção de facilitar a vida de usuários e clientes é o mote da existência de empresas que têm essas ideias como pilares principais na hora de desenvolverem suas soluções.

Crescimento das healthtechs

Com sua importância acentuada após os desafios enfrentados em 2020, o crescimento das healthtechs não é de se espantar. O Distrito Dataminer, – área de inteligência de mercado do Distrito -, analisa a evolução das heathtechs nos últimos anos e, em 2020, constatou algumas variáveis por consequência da pandemia. O Inside Healthtech Report, publicado em dezembro, traz um panorama do intenso ano que passou e revela que, atualmente, já foram mapeadas mais de 640 startups de saúde em operação no Brasil. 

Entre as categorias que dividem as healthtechs, Gestão Hospitalar e Prontuários Eletrônicos ao Paciente (PEP), se mantém como a principal área de atuação do segmento com 165 startups. Seguido de Acesso à Informação com 106 e Marketplace com 86. Outras categorias do setor são: Telemedicina e Farmacêutica e Diagnóstico.

Assim como acontece em outras verticais do ecossistema, a região Sudeste lidera em número de healthtechs, onde 44,6% estão localizadas só em São Paulo, com 228 startups de saúde. Foram mapeadas healthtechs em 20, dos 26 estados do Brasil, além do Distrito Federal. 

Distrito for Startups

Investimentos 

O mercado de healthtechs está aquecido e os investimentos no setor apontam isso. Com 48 aportes, 2020 se tornou o líder em número de deals, com um crescimento de 6%. A soma dos aportes no ano somam mais de US$ 105 milhões, um aumento de 68% em relação ao valor de 2019. 

Aquisições

Mas o destaque do setor vai para o número de M&As, com 11 aquisições e fusões no total, 2020 se torna o ano mais representativo em relação aos últimos 10 anos somados. Esse número tão expressivo de M&As pode ser explicado pela queda de juros básicos a níveis nunca antes registrados, tornando as negociações mais atrativas para ambos os lados. E a necessidade de digitalização de diversos serviços devido ao distanciamento social. 

Como as healthtechs estão se preparando para 2021?

Diante deste cenário, conversamos com quatro healthtechs que fazem parte do programa Distrito for Startups para entender o que seus fundadores e CEOs estão esperando para 2021 depois de um ano tão árduo.

Caio Guimarães, fundador da Beone

Caio Guimarães, fundador da Beone

Para Caio Guimarães, fundador da Beone, healthtech que se dedica a gerar saúde e bem-estar através de soluções de alta tecnologia, como fotobiomodulação para curar feridas de difícil cicatrização, 2020 foi um ano difícil, mas com um saldo positivo. “Eu sinto como se a pandemia tivesse colocado uma lupa nas lacunas e dificuldades dos hospitais e ficou escancarado quais são os problemas na área, então tiveram muitos investimentos e surgiram boas oportunidades”, opina. 

O plano da Beone em 2021 é lançar um novo produto no mercado, que pretende trazer melhora clínica e uma redução drástica dos custos de tratamento. “O nosso produto não vai só diminuir custo, mas ele também diminui absurdamente o nível de internações por causa de pré-diabéticos. Em uma pandemia onde os leitos de UTI são super concorridos, isso tem um valor gigantesco”, afirma Caio. 

Devido a pandemia, a startup precisou desacelerar alguns processos, o plano para 2021 é dar continuidade ao que ficou parado por causa do lockdown. “Até maio ou junho deste ano, nossa expectativa é que o registro da Anvisa saia e, com isso, a gente já entre no mercado”, explica. A Beone está estudando uma joint venture com uma multinacional que é mantenedora do Distrito.

Gabriel Liguori, fundador da TissueLabs

Gabriel Liguori, fundador da TissueLabs

Em seu primeiro ano no mercado, e mesmo enfrentando alguns desafios no início da pandemia para desenvolver dois novos produtos de forma remota, Gabriel Liguori, fundador da startup de biotecnologia TissueLabs, afirma que o saldo do ano foi bastante positivo. “2020 nos trouxe algo importante, o nosso primeiro investimento privado, o que permitiu crescermos e tornarmos a empresa líder na América Latina em bioimpressão 3D de órgãos e tecidos”.

Pequenas adversidades foram revertidas em oportunidades. “O momento nos levou a voltar nossos olhos para dentro da empresa e aproveitar a baixa procura para desenvolver novas tecnologias, como foi o caso da plataforma MatriWell, especificamente pensada para estudos do coronavírus”, compartilha. Atualmente, 20 grupos de pesquisa no Brasil usam as tecnologias desenvolvidas pela TissueLabs, a consolidando como referência no país, além de instituições internacionais.

Os planos para 2021 são audaciosos, revela o fundador. “Em 2021 o foco da TissueLabs é a internacionalização da empresa. Já em fevereiro transferiremos nossos headquarters para a Suíça. A partir de então, pretendemos aumentar nossa participação no mercado europeu e global, tornando-nos referência também nessas regiões”.

Fernando Pedro, CEO da Naxia Digital

Fernando Pedroso, CEO da Naxia Digital

“O ano de 2020 foi extremamente positivo, tendo em vista que nossas soluções atendem diretamente as necessidades do segmento médico/hospitalar.” É assim que o CEO da Naxia Digital, Fernando Pedroso, define o ano que passou para a startup de clube de benefícios. O Diretor Executivo revela que o negócio conseguiu validar a estratégia comercial definida para o ano e soube adaptar as necessidades que surgiram com a pandemia. 

Segundo ele, a pandemia viabilizou a implantação da solução de teleconsulta e acelerou nos hospitais a busca por novas receitas. “Temos expertise para auxiliar e soluções tecnológicas para essa necessidade, para atender a essa demanda investimos muito nos processos comerciais e de suporte técnico para dar um atendimento de qualidade aos clientes”, explica. A startup aumentou 2300 usuários B2C através de novos contratos e ampliação dos já existentes. 

Como o momento atual é excelente para soluções digitais de saúde, o plano da Naxia Digital é conseguir escalar o atual modelo de negócio. “Queremos incorporar novas soluções para clientes B2B. Também temos o desafio de incrementarmos nossa estratégia de marketing  e implementarmos uma cultura de trabalho clara para as pessoas que estão vindo fazer parte da equipe”, finaliza. 

Paluma Caterina

Paluma Caterina, fundadora e CEO na PlenaVi

Com atuação há 10 anos no mercado de psicologia e saúde corporativa e prestando atendimento online desde 2018, a startup PlenaVi, é uma plataforma de prevenção e tratamento de doenças mentais. Para a fundadora e CEO, Paluma Caterina, com a pandemia, as pessoas perceberam que a terapia online é eficaz e muito mais acessível e sustentável.

Segundo ela, a demanda para atendimentos online aumentou com o isolamento social, mas como já havia estrutura, não foi difícil se adaptar ao momento. “Tivemos um crescimento de 400% em nosso faturamento além de entrar para o mercado B2B, percebemos que as empresas estão buscando o benefício de saúde mental, então conseguimos entregar um serviço especializado e assertivo com análise de dados,”

Nas metas para 2021 está conseguir o tão sonhado primeiro investimento anjo e continuar crescendo no mercado B2B. “Nós estamos colocando todas as nossas apostas no B2B, viemos percebendo ao decorrer do ano de 2020 o quanto as empresas estão carentes dos nossos serviços e o quanto é de extrema importância cuidar da saúde mental de seus colaboradores. Por isso estamos aumentando a nossa equipe de vendas e buscando investimento para colocar no marketing.” finaliza.

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