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Se sua startup está esperando a crise passar, será que ela está preparada para o futuro?

Este texto foi enviado por Viviane Palladino, Founder da startup “Mais Vivida” e apresenta suas reflexões pessoais Sempre considerei a habilidade de antever problemas como uma das mais importantes em um empreendedor. Eu fazia isso dentro das corporações e era considerada inovadora. Me rendeu reconhecimento e prêmios e uma fama de boa executora também. Ao […]

7 de abril de 2020 4 min de leitura
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Artigo atualizado 7 de abril de 2020

Este texto foi enviado por Viviane Palladino, Founder da startup “Mais Vivida” e apresenta suas reflexões pessoais

Sempre considerei a habilidade de antever problemas como uma das mais importantes em um empreendedor. Eu fazia isso dentro das corporações e era considerada inovadora. Me rendeu reconhecimento e prêmios e uma fama de boa executora também. Ao antever, eu vendia a ideia internamente e movimentava a equipe para fazer rodar.

Até hoje continuo achando isso. E quanto mais rápido muda o mundo em que vivemos, mais interessante fica essa habilidade.   

Hoje estamos tendo uma boa prova de como o novo, inesperado e desconhecido muda a sua vida de verdade. 

Me tornei fã de Steve Jobs quando notei o quanto a Apple resolvia dores que nem sabíamos ter. Devorei todos os livros sobre este genioso e indomável líder, extremamente persistente em suas ideias quando via algo a sua frente. 

Mas o mundo não é feito apenas de inovadores ou visionários. Os followers são muitas vezes responsáveis por fazer aquela ideia, projeto ou negócio se tornar viável ou amadurecer. São eles que seguem adiante – enquanto os inovadores já estão olhando para a próxima onda.

Com a chegada do COVID-19 ao Brasil recentemente, poucos negócios pareciam preparados para lidar com a situação. Os que estão conseguindo aparentam ser aqueles que já estavam bem posicionados. 

É como se as empresas estivessem apostando uma corrida, e os mais na dianteira pudessem ter tido vantagem. Não por serem grandes ou pequenos demais, mas por serem flexíveis e já estarem olhando para os mercados mais vulneráveis. 

Refiro-me às empresas que realmente vêm pensando em impacto social, mesmo que visando lucro. Negócio social é aquele cujo objetivo é gerar impacto e os lucros são reinvestidos no próprio negócio. E existem também os negócios de impacto, nome parecido, porém são aqueles em que o impacto é prioridade, porém é possível haver repasse de lucro também a seus colaboradores. 

Quem se posicionou nessa dianteira entendeu, antes da crise, que há um ecossistema completo que se retroalimenta, e o lucro há muito tempo não é unicamente o objetivo de uma organização. Porque o mundo e as relações de trabalho já sofrem pelo excesso de foco em dinheiro e o olhar individualista esquece que a empatia é a habilidade mais importante para se conquistar sucesso e aprendizado hoje em dia. 

O nome do jogo mudou há algum tempo, mas só com essa crise imensa, aflorou para valer. As pessoas e empresas estão se unindo, como exércitos lutando para salvar a humanidade. O novo vírus se chama: colaboração. 

Há alguns meses, semanas, dias, o mundo parou em função de algo praticamente invisível, um vírus. O cenário mudou drasticamente, e não há planejamento que salve a empresa cujo negócio foi fechado ou “pausado” pela falta de clientes. O que é salva é o timing, como você se posiciona perante as mudanças e com que agilidade. 

Lojas físicas forçadamente têm de entrar na era digital, empresas de consumo que resistiam a transformação, agora sentirão na pele a queda nas vendas do Varejo, levando rapidamente a participação de e-commerce para 2 dígitos em seu faturamento. Quem não entender a nova ordem que se instaura, ficará para trás. 

Quem aí já viu esse meme?

Na vida, em geral, acontece isso em outras situações também. Quando nós resistimos a terminar um relacionamento que não está nos fazendo bem, vem a vida e mostra para a gente que já deveríamos ter nos despedido há tempos daquela pessoa. Quando queremos sair de uma empresa pois algo dentro de nós já não combina com o discurso dos líderes dela, ficamos esperando alguém decidir por nós, ou na esperança de sermos reconhecidos ou na esperança de sair com toda a grana do processo rescisório. Quando abusamos da nossa saúde…, bem, nosso corpo nos joga na cama e nos faz parar nem que seja na marra! 

Quando estamos olhando apenas para o material e não percebemos a força maior invisível que rege muitos dos nossos caminhos, vem alguma força invisível na natureza e mostra para nós que 2 + 2 nem sempre são 4.

Se sua startup acha que os problemas vão se resolver quando essa crise passar, de fato ela não entendeu que quem escolhe a música que vai tocar não somos nós, empreendedores, e sim o ambiente externo, os consumidores e as circunstâncias econômicas, ambientais, políticas… Esperar a crise passar é estar na zona de conforto. 

Se você é uma startup, tem de ser ágil para transformar diante de qualquer adversidade – e que nunca percamos essa agilidade e o mindset para aceitar as transformações inimagináveis que teremos.

Nada de apego ao que você criou, o foco é na solução do problema – se os problemas mudaram… acho que não preciso completar a frase.

Se você é owner de uma startup ou empresa de impacto social, assuma seu papel de líder, mesmo que para isso no curto prazo você possa colocar seu faturamento em risco. Abra-se para testar novas ideias, esteja aberto, abuse do novo que está aí como forma de enxergar o que mais sua empresa poderia ser. 

E tire do seu vocabulário a frase “Quando tudo voltar ao normal…”. Tente descobrir qual o novo normal.

Se você tem a habilidade de ditar tendências ou criar soluções para os problemas que criados, tem de ser rápido, pois tem também a responsabilidade de puxar os outros players com você – corre que tem gente na fila! 

De um modo ou de outro, velocidade e open mindset são fundamentais. Construa o futuro da sua empresa e da vertical em que você atua. Abra a mente para novas possibilidades, teste-as – mesmo que sinta não estar preparado. Afinal, nenhum de nós está.

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