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Síndrome da Impostora: desafios das mulheres que trabalham com inovação

Vários fatores contribuem com a falta de representatividade feminina no mercado de inovação atualmente. Além dos baixos investimentos feitos em startups lideradas por mulheres e a diferença de salário entre gêneros, um problema que assombra profissionais autônomos e do mundo corporativo é a chamada síndrome da impostora. Baixa autoestima, autossabotagem e perfeccionismo excessivo são alguns […]

16 de março de 2021 4 min de leitura
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Artigo atualizado 16 de março de 2021

Vários fatores contribuem com a falta de representatividade feminina no mercado de inovação atualmente. Além dos baixos investimentos feitos em startups lideradas por mulheres e a diferença de salário entre gêneros, um problema que assombra profissionais autônomos e do mundo corporativo é a chamada síndrome da impostora. Baixa autoestima, autossabotagem e perfeccionismo excessivo são alguns dos sintomas desse mal, que afeta homens e mulheres, mas é mais comum entre o gênero feminino.

A síndrome da impostora pode afetar diversos âmbitos da vida profissional. Um exemplo que parece trivial, mas que ilustra bem essa situação, é o título usado por profissionais no perfil do LinkedIn. A partir do mapeamento de diversas páginas, o estudo inédito Female Founders Report 2021, produzido pelo Distrito Dataminer, em parceria com a B2Mamy e Endeavor, identificou que grande parte das fundadoras de startups no Brasil não se autodenominam dessa forma em seu perfil. Muitas optam por divulgar apenas as atribuições e atividades desempenhadas na iniciativa em questão. No caso dos homens, os termos “Fundador” ou “Empreendedor” são amplamente utilizados, deixando clara a informação de que compõem o quadro de fundação de uma empresa.

Apesar de não ser o único aspecto que causa a desigualdade de gênero no mercado de tecnologia, a síndrome da impostora pode impactar diretamente o desenvolvimento das profissionais, visto que o reconhecimento entre pares fomenta o networking e abre portas para o mercado. 

O que é a Síndrome da Impostora?

O termo síndrome da impostora foi apresentado pela primeira vez em 1978, pelas psicólogas norte-americanas Pauline Clance e Suzanne Imes, em um estudo sobre sua manifestação em mulheres bem-sucedidas. Na pesquisa, feita com mais de 150 profissionais de destaque em diversas áreas, muitas afirmaram não reconhecerem internamente seu próprio sucesso. É comum que essas mulheres se sintam como fraudes em suas posições e atribuam suas conquistas a fatores externos, como sorte ou acaso.

Segundo o estudo, a síndrome de impostora não é classificada como um distúrbio, mas como um fenômeno psicológico provocado pela cultura social e histórica, que não apoia o empoderamento feminino. “Não é surpreendente que as mulheres da nossa pesquisa necessitem encontrar explicações além da sua própria inteligência para justificar suas realizações profissionais”, afirmam as pesquisadoras.

Educação é o caminho

Se no mercado de trabalho, o índice de mulheres trabalhando com tecnologia é baixo, a mudança pode começar na formação dessas profissionais. Em seu depoimento para o Female Founders Report 2021, Karen Kanaan, Sócia-Fundadora da 42 São Paulo, defende a educação como forma de empoderar mulheres e prepará-las para serem protagonistas no mundo digital, diminuindo o sentimento de síndrome de impostora. 

Confira o depoimento da Karen Kanaan, Sócia-Fundadora da 42 São Paulo, para o Female Founders Report 2021:

Um dos meus propósitos pessoais, sobretudo na 42 São Paulo, é criar mecanismos para trazer diversidade à tecnologia. Somente com essa inclusão teremos o combate aos vieses inconscientes que nos prejudicam como seres humanos. O que eu quero dizer é que a diversidade de gênero é o verdadeiro motor da inovação e da inclusão social. A presença feminina traz códigos diferentes que imprimem visões de mundo que hoje não têm espaço dentro do setor da tecnologia. Criatividade é apenas um dos ganhos! 

Sei que a diversidade de gênero está em alta e permeia o debate dos gestores de pessoas das grandes empresas. Entretanto, enxergo um enorme desafio para incluir mulheres não apenas no ambiente corporativo, mas em setores como os de tecnologia. No entanto, gostaria de lembrar que somos a maioria da população no Brasil: 51,8%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD, 2019).

Como vamos construir uma sociedade equânime se deixarmos de fora de atividades profissionais que apontam para o futuro mais da metade da população brasileira? Pois é, a engenharia de software, programação, ciências exatas têm determinado o que chamamos de profissões do futuro, que na verdade já têm uma alta demanda no presente. 

“Precisamos incentivar e incluir as meninas em se aventurar em games e lógica; criar espaços para as garotas fortalecerem a autoestima (combater, claramente, a Síndrome de Impostora) e entenderem que a tecnologia é para as mulheres, sim.” – Karen Kanaan, Sócia-Fundadora da 42.

Na 42 São Paulo, oferecemos uma alternativa educacional gratuita que pode formar pessoas com escala e alta qualidade, de maneira a estarem preparadas para serem protagonistas no mundo digital. Durante o processo seletivo garantimos que, pelo menos, 30% das vagas sejam ocupadas por mulheres (cisgênero, transgênero e não binárias); O sonho é chegar à equidade de gênero com 50% de alunas, como já acontece na própria rede da 42 Network, a exemplo da CODAM, nossa filial em Amsterdã, que já atingiu esse percentual. 

Para isso acontecer, precisamos incentivar e incluir as meninas em se aventurar em games e lógica; criar espaços para as garotas fortalecerem a autoestima (combater, claramente, a Síndrome de Impostora) e entenderem que a tecnologia é para as mulheres, sim. A tecnologia é uma transversal poderosa em todas as áreas; ao apoiar uma mulher a se tornar engenheira de software podemos construir uma carreira incrível não apenas em setores como moda, arte ou saúde, mas também finanças, mobilidade e exploração espacial, por exemplo.

Empreender não é tarefa fácil, independente do gênero ou setor. Mas entendo que empreender é uma jornada de autoconhecimento e mais do que saber escrever uma linha do código, escolho conhecer os meus próprios códigos e me reprogramar. Que os nossos relatos inspirem outras mulheres a seguir sua verdade, seja ela qual for. Sonho meu, e de muitas outras iniciativas e mulheres desse ecossistema.

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