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O desafio cultural da inovação aberta por meio das startups

Artigo escrito por Marcus Prianti, que foi executivo de multinacionais e depois tornou-se empreendedor, fundando e vendendo sua startup, a CMV Solutions, que hoje faz parte do portfólio de exits realizados pelo empreendedor e pelo Distrito. É cada vez mais comum grandes empresas anunciarem que adquiriram, investiram, ou desejam investir em startups com o objetivo […]

27 de outubro de 2020 3 min de leitura
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Artigo atualizado 27 de outubro de 2020

Artigo escrito por Marcus Prianti, que foi executivo de multinacionais e depois tornou-se empreendedor, fundando e vendendo sua startup, a CMV Solutions, que hoje faz parte do portfólio de exits realizados pelo empreendedor e pelo Distrito.

É cada vez mais comum grandes empresas anunciarem que adquiriram, investiram, ou desejam investir em startups com o objetivo de buscar inovação – principalmente em tecnologia.

Parece um caminho lógico, uma vez que a dinâmica do dia a dia consome todo o tempo cuidando de vendas, margem, equipe, políticas, governança, prestação de contas, e inúmeras outras frentes que são inerentes à gestão de qualquer grande empresa, tornando difícil mapear possíveis oportunidades de inovação que estão presentes no ecossistema das startups.

Inovação sempre foi um tema tratado nas empresas, mesmo antes da revolução tecnológica que estamos vivendo. Porém, muitas vezes a solução passava pela simples criação de um cargo ou “área de inovação”, quase que mística aos olhos do restante da empresa, e com resultados práticos limitados. Lembro, por exemplo, que havia um “centro de inovação” na empresa em que tive meu primeiro emprego. Anos mais tarde em outra, acompanhei pessoas assumindo a “função de inovar”, como gerentes e diretores de Inovação. Analisando friamente, é fácil verificar a pouca eficiência prática deste caminho, uma vez que se tratava de atribuir a algumas pessoas, totalmente inseridas na cultura e rotina existentes, o papel de inovar. Não bastasse isso, acabava funcionando como uma senha para que o restante da organização tocasse o dia a dia sem ter que pensar no assunto.

Por isso, o principal desafio das grandes empresas com relação a inovação por meio das startups é também cultural. Se a busca por inovação feita da maneira “tradicional” já esbarrava em desafios culturais, imagine quando realizada através de uma nova – e bem pequena – empresa. Sem uma liderança capaz de compreender que startups possuem dinâmicas muito distintas, uma startup atrapalhará a empresa, e a empresa atrapalhará a startup. Além de recurso e tempo desperdiçados, grandes são as chances da startup ser sufocada até a morte. Mesmo as empresas que optam por contratar serviços de startups passam pelo desafio de implementação – que envolve aspectos culturais de prontidão para mudanças – tema que tratarei no próximo artigo.

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Sem uma liderança realmente capaz de compreender que a startup possui uma dinâmica muito específica, a startup atrapalhará a empresa, e a empresa sufocará a startup.

Com o recente advento das startups, diversas empresas grandes querem beber na fonte da inovação trazida elas, mas muitas vezes não sabem como. As grandes consultorias, como por exemplo Accenture e KPMG, dentre tantas outras, por conhecerem bastante os negócios de seus clientes, procuram estar inseridas neste ecossistema, e até se conectam com hubs de inovação, ajudando a encurtar esta distância.

Aderência

O gap que as consultorias tentam preencher é valioso. Digo isso por experiência própria. Após mais de 15 anos trabalhando em cargos executivos de multinacionais, e mais de 5 anos empreendendo, tendo inclusive vendido minha startup para uma grande empresa, é nítido que, por diversas vezes, os dois lados não falam o mesmo idioma. Do lado das grandes empresas, existe uma miopia em relação a como uma startup opera, como sua tecnologia pode realmente ajudar, e quais os desafios de manutenção e crescimento do filhote recém investido ou adquirido. Já do lado das startups, empreendedores jovens por vezes nunca vivenciaram o ambiente de grandes corporações, e acabam enfrentando resistências internas, além de dificuldade para transitar e abrir caminhos para acelerar a adoção de sua solução. Ambos criam uma visão inicialmente romântica de que o casamento será um sucesso, porém, logo após a lua de mel, assim como em qualquer relacionamento entre pessoas tão diferentes (por mais complementares que sejam), começam a surgir as dificuldades.

A aderência de uma solução tecnológica de uma startup em uma grande empresa muitas vezes é grande. Porém, sem considerar o aspecto da cultura organizacional, preparar o ambiente, entender como conduzir adequadamente o processo de mudanças, e por fim, ter expectativas claras, o resultado pode ser frustrante – para ambos. Aderência não quer dizer somente se a solução serve, mas se existe a real capacidade de fazê-la funcionar.

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