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Venture Capital: o que é e como funciona?

Venture Capital: o que é e como funciona?

Venture capital, ou capital de risco, é uma modalidade de investimento com expectativa de crescimento rápido e rentabilidade alta. Existem diversas maneiras de uma startup arrecadar dinheiro para financiar o seu crescimento. A decisão sobre qual delas escolher depende de vários fatores, como as atuais condições do mercado e o estágio de desenvolvimento da empresa. […]

8 de agosto de 2022 5 min de leitura
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Artigo atualizado 8 de agosto de 2022

Venture capital, ou capital de risco, é uma modalidade de investimento com expectativa de crescimento rápido e rentabilidade alta.

Existem diversas maneiras de uma startup arrecadar dinheiro para financiar o seu crescimento. A decisão sobre qual delas escolher depende de vários fatores, como as atuais condições do mercado e o estágio de desenvolvimento da empresa.

Neste texto, nós iremos entender o que é e como funciona o venture capital, a modalidade de financiamento tradicional das startups. Também iremos apresentar um breve panorama do cenário de investimentos de risco no Brasil nos últimos dois anos.

O que é venture capital, ou “capital de risco”?

Venture capital, ou capital de risco, é uma modalidade de investimento em que o dinheiro é aplicado em empresas jovens com expectativa de crescimento rápido e rentabilidade alta

No Brasil, os fundos de venture capital são regulados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e são constituídos como Fundos de Investimento em Participações (FIP), ou Fundos Mútuos de Investimento em Empresas Emergentes (FMIEE). 

Por se tratar de uma modalidade de investimento em empresas iniciais, o venture capital é considerado um investimento de risco elevado. 

Como funciona o Venture Capital?

Quando um investidor de risco aposta em uma startup, ele mantém uma parceria bastante próxima com os empreendedores, inclusive indicando executivos para ocupar cargos estratégicos na empresa investida.

Esse é um dos pontos que as empresas precisam avaliar antes de buscar financiamento de capital de risco: os empreendedores estão dispostos a receber orientação e a lidar com outros sócios apontados pelo fundo?

Como dissemos, a ideia é que esse negócio cresça rápido e tenha rentabilidade alta. 

Quando isso acontece, a empresa passa a valer mais e o fundo pode se retirar do negócio, permitindo que os cotistas resgatem sua participação com lucro. 

Esse é o chamado evento de liquidez, ou “exit”.

As rodadas de investimento

A rodada de investimento é o processo pelo qual uma empresa capta recursos para promover o seu crescimento contínuo. Trata-se de um modelo usado pela maior parte das startups para se financiar.

Nas rodadas de investimento, os investidores oferecem dinheiro em troca de uma participação acionária (equity share) no negócio. 

As rodadas são divididas em séries, e a classificação que as acompanha tem a ver com o estágio de maturidade da startup. Seus nomes seguem a ordem alfabética: a primeira rodada é a de série A, a segunda é a de série B e assim por diante. 

Antes disso, pode haver um investimento anjo ou um investimento semente. 

Investimento anjo

Normalmente, é a primeira rodada de investimentos de uma startup. A tese é testada, o time inicial é organizado e o MVP é desenvolvido. 

O investidor anjo é geralmente uma pessoa física, muitas vezes familiares ou amigos. Nessa fase, o volume de investimentos, no Brasil, costuma ser de até R$ 700 mil.

Investimento semente (seed)

O intuito é fornecer aporte para apoiar o trabalho inicial de pesquisa, desenvolvimento e validação de mercado da empresa.

O montante também vem para ajudar a startup a empregar uma equipe mais profissional. Nessa fase, os empreendedores estão trabalhando com poucos funcionários ou somente os sócios estão atuando na empresa.

Quem aplica são investidores anjo e fundos de venture capital. O aporte de capital varia, mas costuma ficar entre R$ 700 mil e R$ 2 milhões.

Série A

Tem como foco otimizar a base de usuários e criar novas ofertas de produtos e serviços. É uma oportunidade para dimensionar o produto em diferentes mercados.

É importante que a startup tenha um plano para desenvolver um modelo de negócios que gere lucro a longo prazo.

Os valores envolvidos podem ir de R$ 2 milhões a R$ 20 milhões.

Série B

Na Série B, o aporte é maior e tem como função contribuir para escalar o negócio e ajudar a startup a expandir o alcance do mercado. 

Isso pode acontecer por meio do aprimoramento de processos, novas contratações e até mesmo na compra de outras empresas.

Assim, os valores investidos podem chegar a dezenas de milhões.

Série C, D, E…

O investimento tem como objetivo acelerar a empresa em todos os aspectos, lançando-a no mercado internacional e/ou adquirindo outras companhias. 
Depois da série C, o crescimento da startup desacelera e o risco dos investimentos diminui. É aí que entram os fundos de private equity.

Eventos de liquidez (exits)

Quem aposta em uma startup espera obter lucros por meio dos chamados eventos de liquidez, ou exits. Neles, o investidor irá vender a sua participação no negócio e obterá retornos de acordo com a valorização da startup investida.

Essas “saídas” estratégicas do investimento podem ocorrer de quatro maneiras:

  • quando a startup investida é adquirida por uma empresa ou mesmo outra startup;
  • no momento em que a startup realiza uma oferta pública inicial (IPO); 
  • caso os próprios empreendedores à frente da startup comprem de novo a participação que eles haviam vendido para os investidores;
  • em uma nova rodada de captação da startup, o investidor pode optar por vender a sua participação para outros investidores.

Nesse último caso, se o investidor decidir manter a sua participação na startup, ele deverá realizar um investimento adicional proporcional ao valor que está sendo aplicado na nova rodada, de modo que o seu equity não seja diluído com a entrada de novos investidores.

Esse é o chamado “follow-on”.

Panorama do mercado de venture capital no Brasil

No primeiro semestre de 2022, foram investidos quase US$ 2,9 bilhões em startups brasileiras através de 326 rodadas de negociação.

Em comparação com o mesmo período do último ano, esses números representam uma diminuição de 47% no valor total dos investimentos e de 25% na quantidade de deals.

Porém, vale ressaltar que 2021 foi de longe o melhor ano para o ecossistema de inovação brasileiro em termos de investimentos. Sendo assim, não surpreende que os aportes de risco tenham desacelerado no país depois de uma temporada de vacas gordas.

Com relação ao primeiro semestre de 2020, ano que também foi bastante forte para o venture capital nacional, os primeiros seis meses de 2022 tiveram um crescimento de 126% no volume de investimentos e de 18% no número de aportes.

Valores investidos em startups brasileiras (2020-2022).

Fonte: Distrito

Qual tipo de investimento buscar e como consegui-lo?

O objetivo de muitos fundos, como por exemplo do próprio Distrito Ventures, é ir além de alocar recursos e esperar o retorno. O intuito dos VCs é monitorar o investimento ativamente, influenciando diretamente na gestão e andamento das investidas.

Afinal, muitas startups querem mais do que apenas um aporte financeiro. Elas buscam também ganhar com a expertise dos investidores, ter suporte e mentoria deles, assim como direcionamento.

Portanto, além da injeção de capital, os fundos de Venture Capital têm como objetivo contribuir com smart money. Explicamos esse termo no nosso glossário. Veja a nossa definição: 

“o investimento não é apenas o financeiro, mas também intelectual. É quando o interesse está em ter aquele investidor como um mentor, como sócio, e parte da equipe para orientar e contribuir com insights importantes para o negócio.”

É claro que conseguir um investidor é uma necessidade para que a startup consiga sobreviver até chegar a um modelo de negócios escalável, mas a verdade é que a busca por recursos sem critérios previamente estabelecidos pode ser prejudicial e até mesmo fatal para o negócio.

Por isso, o smart money deve ser o alvo de todo empreendedor que busca um aporte. Assim, o dinheiro vai vir com a experiência de quem já atua ou conhece bem o seu mercado, contribuindo com insights importantes sobre o modelo de negócio. Além disso, pode complementar o time com conhecimento em uma área crucial para a empresa, trazer um histórico de investimento na área e seu networking com potenciais clientes.

Trata-se, portanto, de uma dobradinha investimento e mentoria, que deveria ser o sonho de toda startup que quer crescer (e quem não quer?). Para encontrar o smart money, o empresário precisa circular no seu meio, procurando encontros com outros empreendedores, participando de associações e até mesmo frequentando coworkings.

Para saber tudo sobre os principais movimentos do mercado de venture capital com informações que podem mudar o rumo dos seus negócios, assine a Venture Capital News!


Venture Capital News

Fonte: Distrito

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