Conheça a startup de impacto social que ajuda pequenos empreendedores a resolver burocracias e acessar serviços financeiros

Quem escolhe ou se vê obrigado a trilhar o caminho do empreendedorismo sabe que vai enfrentar uma série de desafios pela frente. Serão muitos e complexos, mas talvez não imagine que o primeiro deles vá aparecer tão cedo, logo na formalização. Todos os dias milhares de brasileiros tentam se registrar como microempreendedores individuais (MEI), fazer seu cadastro na prefeitura, emitir nota fiscal ou um boleto de cobrança. E lidar com essas burocracias pode ser paralisante.

É nessa etapa que entra a MEI Fácil, uma plataforma de inclusão financeira para pequenos empreendedores, que já ultrapassou a marca de 1 milhão de downloads e tem mais de 700 mil usuários ativos –  a expectativa é chegar a 1,2 milhão até dezembro. Atualmente com 45 funcionários, a empresa planeja dobrar de tamanho em cinco meses. No momento, há 20 vagas abertas.

Os sócios da startup, que está sediada no hub de inovação Distrito Fintech, em São Paulo, enxergaram um mercado em potencial: 30 milhões de brasileiros que trabalham por conta própria, dos quais apenas 4% têm acesso a serviços financeiros, como empréstimo ou conta digital. Os que já são formalizados como Microempreendedores Individuais (MEIs) somam 8,5 milhões no país, segundo o Sebrae. “Esse público enfrenta muita burocracia, não dispõe de informação e tem dificuldade de se relacionar com grandes bancos”, explica Marcelo Moraes, CEO e um dos fundadores da MEI Fácil

Engenheiro, com uma carreira no mercado financeiro, Moraes, de 39 anos, se uniu a outros três sócios para criar a empresa em 2017. Não foi sua primeira startup. Ao deixar o banco em que trabalhava, dois anos antes, ele desenvolveu um negócio na área de saúde, voltado para pacientes com dores crônicas. “Cometemos todos os erros que marinheiros de primeira viagem cometem”, lembra. Ao mesmo tempo, seu amigo e parceiro na empreitada, Rodrigo Salem, com experiência no setor industrial, se desafiava com uma startup recém-criada na área de contabilidade. 

Foi observando o mercado e a demanda de microempreendedores individuais por serviços financeiros que eles decidiram interromper os dois negócios para criar a MEI Fácil. “Parei o que estava fazendo e fui ouvir mais de 400 empreendedores no País inteiro para identificar suas dores e necessidades”, conta Marcelo. “Costumo dizer que nosso público é o pequeno empreendedor que se vira nos 30, que faz um pouco de tudo”.

Relação de confiança

A estratégia da MEI Fácil é criar uma relação de confiança com esse empresário desde o primeiro momento, tirando suas dúvidas no processo de formalização e em toda jornada como microempreendedor. Na plataforma é possível, por exemplo, criar um CNPJ em cinco minutos, gratuitamente. O acesso à informação também é gratuito, com programas de YouTube, textos educativos no site e grupos interativos no Whatsapp – são mais de 500 hoje, que tratam de assuntos escolhidos pelos próprios empreendedores. 

Mas se tudo isso é de graça, como a MEI Fácil ganha dinheiro? Com serviços financeiros. Ela facilita o acesso de microempreendedores a maquininhas de cartão, por exemplo. Faz isso, em parceria com empresas como PagSeguro e SumUp. Também permite a emissão de boletos de cobrança dentro da própria plataforma a um custo de R$ 3 por boleto pago. 

Desde sua criação em 2017, a startup já recebeu duas rodadas de investimento do fundo Yellow Ventures, do fundador do iFood Patrick Sigrist, e tem entre seus investidores o Distrito Ventures, braço de Venture Capital do Distrito. 

Agora, a empresa se prepara  para se tornar  uma instituição financeira completa, com conta digital para os microempreendedores e concessão de crédito. O objetivo é criar o maior programa de inclusão financeira do país. Com essa missão, a MEI Fácil se enquadra claramente no conceito de negócio de impacto social – em que o objetivo não é só lucrar, mas criar soluções escaláveis para problemas da população, especialmente a de baixa renda.