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Fintechs: o que são e como impactam o mercado financeiro

Julho 2026
Pedro Assis
7 min de leitura
Fintechs: o que são e como impactam o mercado financeiro
Sumário

1. O que são fintechs?

2. Como o conceito surgiu e evoluiu até virar mercado

3. Por que as fintechs crescem tão rápido na América Latina

4. Quais empresas lideram o mercado financeiro brasileiro

5. O que é a fintechização das empresas?

6. Conclusão

O setor global de fintechs faturou aproximadamente US$ 650 bilhões em 2025, um crescimento de 21% em relação ao ano anterior, segundo relatório da McKinsey (2026). O ritmo é quase quatro vezes mais rápido que o do setor financeiro tradicional, que cresce a 6% ao ano. Nenhuma outra região do mundo, porém, avança tão rápido quanto a América Latina.

Esse crescimento acelerado explica por que o termo fintech, usado para descrever startups de tecnologia financeira, deixou de ser jargão de mercado e passou a fazer parte do vocabulário de qualquer gestor que acompanha o setor bancário. Entender o que são essas empresas, como surgiram e por que ganharam tanto espaço ajuda a interpretar boa parte das mudanças recentes no sistema financeiro brasileiro.

Neste artigo, explicaremos o conceito de fintech, sua origem histórica, os números que sustentam o crescimento do setor na América Latina e os principais nomes que lideram o mercado brasileiro hoje. Continue lendo para saber mais!

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O que são fintechs?

Fintech é o termo usado para descrever empresas que aplicam tecnologia para oferecer produtos e serviços financeiros de forma mais rápida, barata ou acessível do que as instituições tradicionais. A palavra nasce da junção de financial e technology, em inglês, e cobre negócios como bancos digitais, meios de pagamento, plataformas de crédito, seguros digitais e corretoras online.

Diferente dos bancos convencionais, que carregam décadas de estrutura física e processos manuais, essas empresas nascem com operação digital, o que reduz custo fixo e permite preços mais competitivos. Essa diferença estrutural explica produtos como cartão de crédito sem anuidade ou conta digital gratuita, hoje comuns no mercado brasileiro.

Bancos tradicionais têm agências, sistemas legados e processos regulatórios acumulados ao longo de décadas. Elas constroem a operação do zero, sobre infraestrutura em nuvem, o que reduz o custo de servir cada cliente e sustenta margens menores por transação.

Como o conceito surgiu e evoluiu até virar mercado

O termo fintech remonta à década de 1980. O jornalista britânico Peter Knight, do The Sunday Times, uniu financial e technology para nomear uma coluna sobre a informatização das operações bancárias, então restrita a processos administrativos de bancos tradicionais.

Só nos anos 2000, com a popularização da internet, surgiram as fintechs como o mercado as conhece hoje: empresas nascidas fora do sistema bancário tradicional, com produtos pensados para o ambiente digital desde a concepção. O PayPal, fundado em 1998 na Califórnia, costuma ser citado como a primeira fintech relevante em escala global.

Passadas quase três décadas, o setor amadureceu o suficiente para atrair capital em volume comparável ao de bancos consolidados. O valor de mercado combinado das fintechs listadas em bolsa atingiu US$ 850 bilhões em 2025, o maior patamar da história, segundo a McKinsey (2026).

Por que as fintechs crescem tão rápido na América Latina

A América Latina é hoje a região de crescimento mais acelerado do setor fintech no mundo. A receita das fintechs latino-americanas cresce em média 40% ao ano nos últimos cinco anos, puxada por uma expansão de cerca de 50% ao ano no crédito digital desde 2021. O ritmo supera o de mercados mais maduros, como a América do Norte, maior em volume absoluto, mas com crescimento mais lento.

O levantamento da BCG (2026) confirma essa tendência: a América Latina teve a maior taxa composta de crescimento anual do mundo desde 2021, de 44%, mesmo após uma desaceleração pontual, com expansão de 15% em 2025. O Nubank, maior fintech da região, é citado pela consultoria como exemplo ao expandir crédito na América Latina e lançar novos serviços móveis no Brasil.

O Fintech Report 2025 do Distrito mapeou mais de 3.700 fintechs ativas na América Latina, o equivalente a 14% de todas as startups da região. O Brasil concentra 56% desse total, seguido por México, com 18,7%, e Colômbia, com 7,7%. Entre 2015 e 2023, o número médio de contas bancárias por pessoa saltou de 2,1 para 5,5, reflexo direto da bancarização digital puxada por essas empresas.

A inteligência artificial já aparece como fator de eficiência dentro do próprio setor: 74% dessas empresas na América Latina relatam aumento de rentabilidade e 75% registram redução de custos atribuída a projetos de IA, segundo o Distrito (2025). O padrão é coerente com o que a McKinsey (2026) chama de principal acelerador do setor: a IA permite lançar produtos em semanas em vez de anos e comprimir estrutura de custo a um nível que operações legadas não acompanham.

Leia também: Conheça as 100 maiores fintechs brasileiras do mercado!

Quais empresas lideram o mercado financeiro brasileiro

O mercado brasileiro concentra a maior parte dessas empresas na América Latina e também os nomes mais conhecidos do setor. A lista abaixo reúne alguns dos players mais relevantes, com o tipo de serviço que cada um consolidou.

  • Nubank: maior fintech do Brasil, fundada em 2013 com um cartão de crédito sem anuidade. Alcançou valor de mercado próximo de US$ 90 bilhões no início de 2026 e segue entre as empresas mais valiosas do setor no mundo, mesmo após oscilações no valor de suas ações ao longo do ano, segundo a Forbes Brasil (2026). A empresa também formalizou pedido de licença bancária nos Estados Unidos, parte de uma onda mais ampla: 21 fintechs solicitaram esse tipo de licença ao regulador americano só em 2025, mais do que nos quatro anos anteriores somados, segundo a McKinsey (2026).
  • PagBank: fundado em 2006, atende pequenas e médias empresas e microempreendedores com conta digital, maquininhas e sistemas antifraude.
  • Creditas: criada em 2012, tornou-se a maior plataforma online de crédito com garantia do Brasil, com milhões de solicitações de empréstimo processadas ao longo de sua operação.
  • Stone: fundada em 2012, concentra soluções de pagamento como maquininhas, Pix, boletos e conta digital voltadas a pequenos e médios negócios.
  • Ebanx: fundada em 2012 para viabilizar pagamentos internacionais de empresas como AliExpress e Spotify no mercado brasileiro.

A lista completa, com critérios de maturidade e pontuação próprios, está no levantamento das 100 maiores fintechs brasileiras do mercado, mantido pelo Distrito.

O que é a fintechização das empresas?

Nem toda empresa que oferece cartão de crédito ou conta digital é um banco ou uma fintech. Grandes varejistas, marketplaces e fabricantes de eletrônicos passaram a embutir produtos financeiros dentro da própria operação, prática chamada de embedded finance, ou finanças embutidas.

Esses produtos usam a infraestrutura dessas empresas por trás da marca do varejista, sem que o cliente perceba a diferença. É esse movimento que explica carteiras digitais como Google Pay e Apple Pay, além do cartão de loja oferecido no caixa de grandes redes de varejo.

No Brasil, a Lei 12.865/13 permitiu a criação de instituições de pagamento fora da estrutura bancária tradicional, movimento que ganhou força em 2018, quando o Banco Central dispensou a exigência de autorização prévia para esse tipo de operação. A chegada do open banking ampliou ainda mais essa abertura, ao permitir que instituições financeiras e não financeiras compartilhem dados de clientes, mediante autorização, para oferecer produtos mais personalizados.

Esse ambiente de infraestrutura aberta também explica o ritmo de fusões e aquisições no setor: mais da metade das aquisições do setor no mundo em 2025 foi realizada por empresas já consolidadas, o que aponta esse movimento como parte da concentração de capital em empresas com economia unitária comprovada.

Conclusão

Em suma, fintech deixou de ser um conceito de nicho para se tornar uma categoria consolidada dentro do sistema financeiro, com receita global de US$ 650 bilhões em 2025 e crescimento superior ao de qualquer segmento bancário tradicional. Na América Latina, esse padrão é ainda mais evidente: a região lidera o ritmo de expansão do setor no mundo, com o Brasil concentrando a maior parte das mais de 3.700 fintechs mapeadas pelo Distrito.

Para empresas que acompanham esse movimento de fora, a pergunta relevante deixou de ser se essas empresas vão continuar crescendo. O que está em aberto é como bancos tradicionais, varejistas e empresas de outros setores vão competir ou colaborar com uma indústria que aprendeu a operar com estrutura de custo mais baixa e produtos desenhados para o ambiente digital desde a origem.

Iniciativas de embedded finance, parcerias com startups financeiras e programas de inovação aberta surgem como resposta direta a essa pressão competitiva.

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