Você provavelmente já ouviu o termo unicórnio muitas vezes, certo? Ele foi criado em 2013, pela fundadora da Cowboy Ventures, Aileen Lee, para se referir a 39 startups que tiveram uma valorização de mais de US$ 1 bilhão.

Além de dar nome ao termo, que foi usado para enfatizar tal raridade, ela escreveu um relatório sobre as startups, que foram fundadas entre 2003 e 2013.

A definição startups unicórnios, quando surgiu o termo, ficava mais restrita a empresas de software fundadas após 2003, de capital privado e de valor de mais de US$1bi. Hoje não há tanto essa delimitação de campo nem setor.

De acordo com o relatório da CBInsights, há um total de 325 unicórnios no mundo, sendo os 5 principais:

  • Toutiao (Bytedance) – US $ 75 bilhões
  • Uber – US $ 72 bilhões
  • Didi Chuxing – US $56 bilhões
  • WeWork – US $47 bilhões
  • Airbnb – US $29.3 bilhões

Características das startups unicórnios

As startups unicórnios já não são tão raras assim. Como levantado no report Corrida dos Unicórnios, pela central de inteligência do Distrito, o Dataminer, nasceram apenas em 2018 mais de 118 startups unicórnios.

Além disso, na última década as startups bilionárias tiveram um grande boom, sendo que, dos 314 Unicórnios mapeados pelo CBInsights, três quartos estão nos EUA (154) e China (83).

Mas, o que as torna diferentes de outras startups? Ou, o que elas têm em comum?

Na imagem, o report Corrida dos Unicórnios.
Report Corrida dos Unicórnios

Inovação disruptiva

Quase todas as startups unicórnios quebram barreiras no segmento a que pertencem. Por exemplo, o Uber mudou a forma como as pessoas pegam táxi e o Airbnb monetizou a economia compartilhada.

Vantagem de ser o primeiro

O rompimento de barreiras e a vantagem de ser o primeiro andam juntos. Os unicórnios não apenas aproveitam essa vantagem, mas mantém seu posicionamento inovando e melhorando seu produto ou serviço constantemente.

Paradigma tecnológico

87% dos produtos de startups unicórnios são software, 7% são hardware e os 6% restantes são outros produtos e serviços. Quase todos os unicórnios até agora capitalizaram no mercado passando por uma mudança de paradigma tecnológico.

O Uber possibilitou solicitar um táxi ao simples toque da tela do smartphone, o Airbnb possibilitou o compartilhamento via internet e o Dropbox aproveitou a tecnologia baseada na nuvem.

Foco no consumidor

62% dos unicórnios são B2C e seus modelos de negócio estão focados em tornar as coisas mais fáceis e acessíveis para os consumidores. O Spotify possibilita ouvirmos praticamente todas as músicas do mundo e o Instacart permite encomendar mantimentos através de um aplicativo.

Mais de um fundador

A cultura popular retrata os fundadores de startups como excêntricos, introvertidos e trabalhando sozinhos, mas isso não é a realidade na maioria dos casos.

Das 39 startups unicórnios da lista de Lee, 35 tinham mais de um fundador, com três co-fundadores, em média. A maioria deles tinha outra coisa em comum, uma longa história de trabalho juntos, 90% se conheciam há anos.

Acessar Corrida dos Unicórnios Report


Por que essa explosão de startups unicórnios?

A explosão de firmas de tecnologia de capital privado com avaliações bilionárias
depende, evidentemente, da disponibilidade desse capital.

Segundo o Prof. William H. Janeway, economista da Universidade de Princeton e venture capitalist, a maior disposição de investidores em injetar capital em empreendimentos arriscados, apostando em grandes retornos, vem da crise financeira global de 2008.

As taxas de juros baixas ou quase nulas em bancos centrais da América do Norte e Europa incentivaram a tomada de riscos, o que explica a confiança dos investidores. Mas não é só isso.

O crescimento desproporcional das startups passa também por dois fatores:

Escalabilidade: empresas de tecnologia como Google e Facebook mostraram que é possível atingir bilhões de clientes com bem menos atrito e custo, e com mais velocidade que outros setores.


Necessidade maior de crescer rapidamente: no tipo de mercado conhecido como winner takes all, a empresa que cresce mais rápido geralmente elimina ou absorve as outras e reina sozinha. Isso exige quantidades enormes de capital, capazes de alimentar a expansão acelerada mesmo enquanto a empresa não lucra – o que pode demorar anos, ou
até mesmo nunca acontecer. A Uber, por exemplo, avaliada em US$72 bilhões, ainda não dá lucros e continua buscando capital de expansão.7

E as startups unicórnios brasileiras?

Muitas startups brasileiras estão se estruturando dentro de uma comunidade e um ecossistema propício para a captação de investimento nos mais diversos estágios do negócio.

O ano de 2018 entrega isso, seis entraram para o clube dos unicórnios. Dentre os fatores que levam essas e outras startups a serem tão promissoras está o amadurecimento do modelo de negócios e a capacidade de oferecer soluções inovadoras que suprem as demandas do mercado.

Quem são elas?

99

Fundada por Ariel Lambrecht, Renato Freitas e Paulo Vera em 2012, a antiga 99Taxi tinha como objetivo ser um aplicativo para facilitar o serviços de táxis no país. Com a chegada da Uber ao mercado, a 99 evoluiu seus serviços para a linha Pop.

Foi a primeira brasileira a se tornar uma startup unicórnio, em janeiro de 2018. A DiDi Chuxing, empresa chinesa de mobilidade urbana, já havia investido US$ 100 milhões nela, um ano antes, comprando fatias detidas por fundos como Qualcomm Ventures, SoftBank, Tiger Global, Riverwood Capital e Monashees.

Após a aquisição, a 99 investiu na integração das equipes, com aulas de mandarim aos seus funcionários brasileiros e aulas de português para a equipe que veio da China.

Nubank

Tudo começou em 2013, quando Cristina Junqueira, David Vélez e Edward Wible receberam um investimento de US$ 2 milhões da Sequoia Capital e Kaszek Ventures para criar a fintech.

O modelo de negócios foi se firmando como exemplo para instituições financeiras tradicionais, que se aventuraram no lançamento de cartões e contas digitais, mas sem a mesma penetração no mercado que o Nubank conseguiu.

Em março de 2018 anunciou ter se tornado unicórnio após um aporte, liderado pelo fundo DST Global, do investidor russo Yuri Milner, de US$ 150 milhões na série E. Foi a sexta rodada de investimentos da fintech desde sua fundação.

Ainda no mesmo ano, em outubro, houve a notícia que a gigante chinesa Tencent colocou US$ 180 milhões na conta da Nubank, fazendo com que o seu valor de mercado chegasse aos US$ 4 bilhões, tornando-a o maior banco digital do mundo.

Com 5 milhões de clientes ativos e já expandindo seus serviços da NuConta, a expectativa é que a fintech traga inovações da Ásia para o Ocidente, por meio da parceria com a Tencent e a expertise asiática em inovações.

Arco Educação

Foi fundada em 2004 pela família de Sá, mas somente 10 anos depois alavancou de vez, com a chegada da General Atlantic como sócia, detendo 25% do capital.

Nasceu com a missão de transformar a forma como os estudantes aprendem, promovendo e escalando a educação de excelência. Com um crescimento superior a 40% ao ano, a empresa continua expandindo seu portfólio e sua abrangência territorial.

Registrando lucro líquido de R$ 54,3 milhões no primeiro semestre de 2018 e com receita líquida de R$ 195,1 milhões, a ideia inicial dos executivos sempre foi abrir o caminho para lançar sua oferta nas bolsas estadunidenses.

E assim foi feito, se lançou na Nasdaq em setembro de 2018, captando US$ 220 milhões, com preço inicial de US$ 17,5 por ação.

O valor da empresa chegou aos US$ 850 milhões e os papéis subiram para US$ 24,4, conferindo à Arco o título de startup unicórnio após as avaliações marcarem valor de mercado de US$ 1,18 bilhão.

Stone

A empresa de pagamentos foi fundada em 2013 e contou com acionistas como o Fundo Arpex Capital, de Jorge Paulo Lemann, a estadunidense Madrone Capital Partners, o fundo britânico Actis, a gestora Gávea Investimentos, entre outros nomes de peso.

Nasceu de um sonho antigo dos sócios-fundadores, de construir um negócio próspero em um mercado arcaico e, naturalmente, ineficiente. De 2015 a 2017, cresceu 15 vezes a equipe e quase 1.500 vezes o portfólio de clientes.

Em outubro de 2018 a startup fez sua oferta pública inicial na Nasdaq, superando as expectativas iniciais e precificando seus papéis em US$ 24. Como resultado disso, a empresa captou US$ 1,2 bilhão e passou a ter seu valor de mercado na ordem dos US$ 6,7 bilhões.

A demanda pela pré-reserva das ações foi tão alta que a Stone acabou antecipando o início das negociações. Entre os investidores estiverem grandes nomes, como Warren Buffett, mega empreendedor, e Ant Financial, braço do chinês Alibaba e dono do Alipay, uma das maiores plataformas na área de pagamentos de todo o mundo.

Movile

Nasceu em Campinas, em uma sala com dois funcionários, e desde o início o plano era ser uma empresa global. Hoje está presente em mais de 100 países e cresce cerca de 80% ao ano.

Os serviços contam com aplicativos na área de alimentação, como o Ifood, a Sympla, plataforma líder em venda de tickets para eventos, educação (Playkids e Leiturinha, por exemplo), entre outros.

A startup bateu US$ 1 bilhão em faturamento em março de 2017, mas optou por anunciar os valores somente depois de receber uma rodada de investimento de US$ 500 milhões, em novembro de 2018, para expandir sua atuação no exterior e no Brasil.

Além do 1 bilhão de usuários para 2020, outra meta da Movile é se tornar uma grande holding de tecnologia, com valor de mercado de US$ 10 bilhões, se tornando um decacorn.

  • Decacorn – Super Unicorn – Super Unicórnio: é um unicórnio que cruza a valorização de US$ 10 bilhões. Uber, Dropbox, SpaceX, Pinterest e WeWork são alguns decacorns famosos.

Sobre a classificação do PagSeguro, que também faria parte desse time de startups unicórnios, há um conflito. Segundo a StartSe, o problema vem do fato de que até pouco tempo atrás, o PagSeguro não era uma organização independente, tendo boa parte do seu crescimento sob o comando da UOL.

Então, apesar de ter sido o segundo empreendimento nacional a ter atingido a marca, o PagSeguro teoricamente não é uma startup. Se esse é um critério, ele não entra na lista.

Gympass

A ideia da Gympass é permitir o uso de milhares academias diferentes pagando uma única assinatura. O conceito, que já era atrativo para consumidores finais, tomou proporções maiores quando a startup se voltou para clientes corporativos.

Agora, empresas podem oferecer o serviço como um benefício. Para, assim, aumentar a retenção e possivelmente até mesmo a produtividade de seus funcionários. Hoje são 19.600 academias acessíveis pelo serviço no Brasil, e o número continua a aumentar.

Com a mudança da sede para Nova Iorque e mais de 6.000 academias disponíveis no país, conseguiram uma rodada de investimentos do Softbank. O aporte inicial foi de US$ 190 mi e, eventualmente, pode chegar a US$500mi, segundo o jornal Valor Econômico.

Saiba como participar do processo de investimento do Distrito. Saiba Mais.

E como se tornar um unicórnio?

Para muitos fundadores, alcançar o status de unicórnio ainda é uma fantasia. Na verdade, menos de 1% das startups alcançarão a avaliação de bilhões de dólares.

Não há uma receita de bolo para isso, é fato. O que podemos colocar na mesa são algumas dicas para os primeiros passos que podem, inclusive, auxiliar a equipe a alcançar a máxima produtividade nessa jornada.

Comprometa-se com o crescimento

Construir um unicórnio não é como construir uma startup típica. Para alcançar a posição de criatura mitológica, primeiramente, você deve:

  • Ser altamente motivado para criar algo disruptivo;
  • Priorizar a missão principal, os valores e a cultura da empresa;
  • Acreditar fortemente que seu produto ou serviço irá melhorar a vida dos usuários;
  • Ter um modelo de negócios baseado em escalabilidade e expansão do negócio

Depois de ter essa visão e um modelo de negócios voltado para o lucro, descubra o que é preciso para atingir os principais indicadores de sucesso.

Construa o produto certo

Provavelmente, você tem ideias de negócios que parecem uma boa o tempo todo. Os melhores empreendedores criam startups que resolvem problemas, e as melhores ideias nascem dos problemas e obstáculos diários.

No entanto, se o objetivo é construir uma empresa unicórnio, uma boa ideia não é o suficiente. Seu produto ou serviço também deve ser altamente desejado por um enorme segmento de mercado. De acordo com a CB Insights, 42% das startups falham porque não há necessidade de mercado.

Como saber se sua ideia tem potencial? Antes de colocar a ideia em prática, uma pesquisa de mercado é essencial. Os unicórnios testam suas suposições, pesquisam, segmentam grandes mercados e buscam indicadores.

Garanta o investimento certo

Os grandes investidores apostam apenas nas principais startups. Na maioria dos casos, eles estão procurando as que já provaram sua capacidade de escalar.

Depois de alcançar a tração inicial com os primeiros clientes pagantes, a chave para escalar rapidamente é garantir uma base fiel de usuários, que defendam sua marca.

Concentrar-se nisso, acompanhar as métricas financeiras e fornecer documentação que prove que você tem tudo para replicar os resultados anteriores em uma escala maior é essencial para fechar uma boa rodada de investimento.

Unicórnios são consequência, não objetivo

No texto abaixo, produzido por Gustavo Gierun, sócio do Distrito, e publicado no report Corrida dos Unicórnios você entende melhor a nossa visão sobre o setor e mudanças de mercado.

O investimento em empresas em estado inicial por meio de capital de risco, ou venture capital, é um dos principais fatores que permite que Unicórnios surjam.


Mais que isso, no entanto, é uma forma de possibilitar toda uma nova classe de empreendimentos, cujo modelo de negócios não necessariamente funciona em todas as escalas e níveis de desenvolvimento. Por meio de injeções estratégicas de capital, uma startup pode introduzir tecnologia que só faz sentido, financeiramente, quando usada por uma massa enorme de usuários – sem se preocupar em como vai sobreviver o
período em que essa massa ainda não é atingida.


No entanto, esse objetivo final – uma empresa autosustentável e saudável, com um produto ou serviço atraente para o mercado – deve estar claro desde o princípio. Sem isso, o investimento se torna puramente especulativo. E, assim, a injeção de capital serve apenas como uma forma de fazer com que a empresa cresça em valor antes de ser comprada pelo próximo especulador.

Assim, quando tratamos de Unicórnios, vemos o título como uma consequência de um sucesso e um reconhecimento. Porém sem ser necessariamente um objetivo a ser mirado.

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