Quando o assunto é tendência todos ficam animados para saber o que está vindo por aí. A ponto de ganhar força e relevância para modificar a atual estrutura do mercado. Isso é normal. O SXSW é o maior evento de inovação do mundo, que acontece em Austin, Estados Unidos, com o intuito de trazer reflexões importantes para o cenário econômico e de tecnologia.

Milhares de pessoas (mais de 70 mil) se reuniram para saber o que vem por aí e quais as principais tendências, principalmente tecnológicas.

Um dos destaques do SXSW 2019 foi a futurista e pesquisadora Amy Webb, diretora do Instituto Future Today. Em sua palestra, a executiva apresentou os dados do Tech Trends. O relatório tem o objetivo de trazer uma previsão detalhada do impacto na sociedade de tecnologias emergentes a curto e longo prazo. O estudo já está em sua 12ª edição e traz mais de 300 tendências e 48 cenários possíveis para o futuro. Além disso, 17 destas perspectivas são otimistas, outras 20 são categorizadas como neutras e 11 como catastróficas.

“Qualquer empresa ou pessoa que queira entender o futuro de sua área tem de estar muito atenta às tendências adjacentes. Não se trata de prever o futuro, mas de fazer conexões entre áreas que parecem não ter nada a ver”, disse Amy.



SXSW Experience: além das palestras


Big Nine: empresas que vão dominar o mercado e suas tendências

A futurista também lançou, neste mês, o livro “Big Nine” que analisa o movimento dos principais players globais de tecnologia a fim de dominar diversos setores produtivos nos próximos 50 anos. No livro, ela entra a fundo na questão e analisa cada uma das empresas como Google, IBM, Microsoft, Amazon, Facebook, Apple, Alibaba, Baidu e Tencent. Afinal, elas controlam os principais ativos de dados, pesquisa e computação do mundo.
“Qualquer empresa ou pessoa que queira entender o futuro de sua área tem de estar muito atenta às tendências adjacentes. Não se trata de prever o futuro, mas de fazer conexões entre áreas que parecem não ter nada a ver”, disse Amy.

Insights valiosos

O estudo mapeou as palavras-chaves que apareceram com força quando o assunto é tendências, algumas delas são:

  • Automação.
  • Biotech.
  • China.
  • Colaboração.
  • Data (referindo-se a dados).
  • Infraestrutura.
  • Regulação.

Principais Descobertas

A privacidade está morta

Um dos temas mais discutidos neste ano foi a vigilância e a privacidade. A todo momento estamos sendo monitorados, seja com câmeras ou na produção de dados, intencionais ou não. Estamos gerando dados e informações que são mineradas, refinadas, produzidas e monetizadas. Além disso, as empresas que lidam com nossos dados têm um desafio grande pela frente: como armazenar a vasta quantidade de dados que estamos gerando e mensurar isso? Sem contar em garantir a segurança dessas informações.

Reconhecimento por voz

De acordo com o relatório, metade das interações que você fizer com computadores estarão sendo realizadas por comandos de voz até o fim de 2020. Pode ser um com o “dashboard” do seu carro ou com a assistente virtual do seu celular, mas é provável que você estará usando mais a sua voz do que escrevendo.

Criadores de conteúdo, agências e empresas estarão focadas cada vez mais no que chamamos de Voice Search Optimization (VSO). É algo paralelo ao SEO (Search Engine Optimization) que é focado em estratégias escaláveis para artigos se destacarem em buscadores como o Google ou Yahoo.

O VSO irá impactar diversos setores e mercados, tais como: hospitalidade, turismo, mercado financeiro e bancos, varejo, notícias e entretenimento. Ou seja, isso representa uma oportunidade: há todo um ecossistema esperando por soluções de VSO surgirem e dominarem o mercado.

China continua a sua ascensão e não apenas na Inteligência Artificial

China está crescendo em diferentes mercados. O país lançou uma corrida espacial com
ambição não apenas para levar os humanos à Lua, mas para construir fazendas internas e habitáveis. Além disso, os chineses estão construindo infraestrutura e redes de network entre Ásia e América Latina, por exemplo.

Celulares e telas touch perdem força

O enfraquecimento dos celulares com interfaces digitais, apontado inclusive no relatório de 2018, continua como uma tendência para os próximos anos. A taxa de crescimento nas vendas dos aparelhos móveis está caindo progressivamente. Além disso, o que acontece é que, como falado anteriormente, novos devices estão ganhando força com reconhecimento facial e de voz entre os consumidores.  “Até 2021, é estimado que metade das interações das pessoas com máquinas, em países desenvolvidos, será mediada por voz”, disse Amy Webb.

Por exemplo, nos Estados Unidos, em 2018, durante as festividades de final de ano, pelo menos 8% dos consumidores compraram devices que são ativados por voz.

O carro chinês Byton Car é um exemplo de um veículo totalmente isento de botões e telas. O automóvel não possui chaves e botões. Foi programado para ser operado apenas por meio de reconhecimento facial, sensores e smart cameras.

Automação doméstica

A Internet das Coisas está ganhando cada vez mais força na automação da “vida doméstica” ou dos lares. Embora isso parece ainda distante do Brasil, grandes empresas de tecnologia estão investindo nesse tipo de tecnologia.

Por exemplo, a Samsung quer embarcar sua assistente pessoal Bixby em todos os seus produtos até 2020. Além disso, no início deste ano, a Amazon apresentou um microondas inteligente. A empresa fez, inclusive, parceria com a construtora Lenner para colocar em prática o “Amazon Homes”. A iniciativa traz casas equipadas com devices integrados.

Como afirma Amy, os devices domésticos serão responsáveis por rastrear dados de interação sobre sua família. Além de responder a comandos e usar análises preditivas para otimizar a dinâmica da casa.

Manipulação e reconhecimento genético

A tecnologia e estudos estão sendo importantes para a evolução e desenvolvimento da manipulação genética. Afinal é por meio dela que é possível testar e encontrar melhorias em produtos naturais, de saúde de animais e até humanos. Isso já é uma realidade. Como divulgado mundialmente, em novembro de 2018,  He Jiankui, cientista chinês, revelou ter utilizado a técnica de manipulação genética. Chamada de Crispr , ela foi responsável por dar vida a dois bebês imunes ao vírus do HIV.

Scanner biométricos

Já pensou em máquinas que “sentem” o seu estado de espírito e tentam responder ao que você está sentindo. O MIT e a KIA desenharam um modelo de carro com tecnologia que é capaz de realizar o reconhecimento emocional. Dessa forma, ela é capaz de responder ao humor do passageiro ao alterar painéis de sons e esquemas de cores.

Tecnologia verde

“Na China e no Japão, algumas empresas já possuem fazendas subterrâneas. Elas produzem vegetais em laboratório em maior volume, gastando 40% menos energia e até 99% menos água”, disse Amy.

Ela comentou que é provável que mudanças climáticas dificultem, nas próximas três décadas, a produção e entrega de alimentos. E aí que entra novos métodos de plantio e tecnologias aprimoradas e pensadas para isso.

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