Atualmente quando falamos em aceleração ou investimento, percebemos que há uma certa centralização em algumas regiões. Como é o caso, por exemplo, do sudeste brasileiro. Porém o universo das startups vai muito além dessa região e cenário. Por exemplo, o Rio Grande do Sul é uma região com muito potencial e com startups já em estágio avançado.

“O estado tem uma quantidade de startups muito relevante. Elas estão em um estágio bem avançado, com maturidade para resolver problemas”, afirma Tiago Ávila, um dos responsáveis pelo Distrito Dataminer, que mapeou todo o estado gaúcho dando origem ao estudo GauchoTech Mining Report.

No estudo foram mapeadas 422 startups e analisado todo o ecossistema local. O objetivo foi entender qual é o contexto da região e a relação com as startups, aceleradoras e investidores.

Antes de nos aprofundarmos mais no assunto, devemos compreender a dimensão do Rio Grande do Sul. É essencial uma abordagem contextualizada de alguns fatores que o constituem.

Economia

Com o 5º maior PIB do país, o Rio Grande do Sul tem participação com 6,3% do PIB nacional, com um mercado participativo no setor de exportações. Nos últimos anos, o setor de serviços vem se fortalecido na economia gaúcha, com a evolução de micro e médio empreendimentos e novas demandas. Entretanto, a base do estado continua sendo o setor agropecuário e industrial. Afinal, eles impactam não somente no PIB como no fomento e desenvolvimento tecnológico regional.

Tecnologia

O Rio Grande do Sul possui uma das melhores infraestruturas tecnológicas do país. Além disso, a região concentra mais de 27 polos tecnológicos, 21 parques tecnológicos credenciados e mais de 30 incubadoras.

Contexto empresarial

Assim, o Rio Grande do Sul apresenta o terceiro maior número de pedidos de patentes. Por exemplo, a região possui cerca de 10,3% do total dos depósitos do Brasil. Além disso, pesquisa realizada pela GEM em 2016 aponta que cerca de 26% da população gaúcha empreende, sendo motivada com a busca de novas oportunidades.

Educação

Em 2017, o estado possuía cerca de 21 Universidades, sete Centros Universitários, 103 Faculdades e 3 Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Dessa forma, o número de matrículas ao ensino superior é crescente, assim como a produção científica.

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Compreendendo todo o contexto do Rio Grande do Sul

Com base no relatório GauchoTech, podemos perceber algumas especificidades regionais do Rio Grande do Sul.

Dessa forma, as 422 startups que foram mapeadas procuram atender as demandas locais oferecendo produtos e serviços de qualidade. No mapeamento realizado pelo Distrito Dataminer, destacam-se os setores de atuação como AdTech e T.I. Isso reforça o atual crescimento do setor de serviços e sua busca por modernização. Além disso, áreas como a Indústria 4.0 também são destaque, o que fortalece o tecido produtivo do setor fabril.

“Outro ponto importante é a característica do ecossistema gaúcho com a presença de parques tecnológicos, normalmente vinculados às universidades. TECNOPUC, TECNOSINOS e FEEVALE TECHPARK estão entre os maiores e melhores Parques Tecnológicos do país. O sucesso desses ambientes vem motivando a disseminação em diversas regiões do Estado”, afirma Sandro Cortezia, fundador e CEO na aceleradora VENTIUR.

Para ele, os programas de aceleração regional são positivos para o ecossistema de inovação local. Isso acontece justamente por conectar investidores, empresas e startups das regiões próximas. “O contato próximo facilita o acesso a novas tecnologias e modelos de negócio, refletindo na mudança do mindset e na capacidade de inovação dos próprios investidores e suas empresas”, comenta.

Vale a pena a aceleração regional?

A aceleração regional é interessante para todas as regiões brasileiras porque traz o benefício de potencializar e estimular o desenvolvimento de startups locais, pensadas também para a solução de problemas, que em muitos casos, são regionais.

Além disso, cada região tem características próprias e ter aceleradoras que entendam dessa complexidade ajuda. Por exemplo, o Rio Grande do Sul é conhecido por sua característica agropecuária e por ter forte presença de empresas de tecnologia. Essas características impactam no desenvolvimento de uma startup focada, por exemplo, em trazer soluções tecnológicas para a agricultura local.

Para o investidor José Augusto Albino, sócio da CRP, a maior vantagem de se investir em empresas do Rio Grande do Sul é “a mão de obra altamente qualificada, fruto da boa disponibilidade de universidades, além do histórico que vem desde os 90 de grandes empresas de tecnologia (Digitel, Terra, Dell, HP, Getnet e etc)”. Para ele, há um ecossistema de investidores-anjo bastante ativo, gerando oportunidades de investimento, além de fomentar aceleradoras locais.

No entanto, devemos também nos atentar como há também no próprio Rio Grande do Sul certa centralização e monopólio de concentração de startups em Porto Alegre. Das 422 startups mapeadas, 56,8% estão alocadas na região. E em segundo lugar, vem São Leopoldo com 7,6%. Percebe-se a diferença gritante entre os dois.