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Adalberto Generoso, da Yapoli, conta sua trajetória e fala sobre o mercado para os profissionais de tecnologia

O Distrito também tem a missão de munir as startups de informação sobre quem já trilhou esse caminho com sucesso. Neste artigo, trazemos para você um pouco da nossa conversa com Adalberto Generoso, founder & CEO da Yapoli.  Adalberto foi um dos idealizadores do GuiaBolso, fintech pioneira no Brasil na área de controle financeiro. Hoje […]

28 de maio de 2020 4 min de leitura
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Artigo atualizado 28 de maio de 2020

O Distrito também tem a missão de munir as startups de informação sobre quem já trilhou esse caminho com sucesso. Neste artigo, trazemos para você um pouco da nossa conversa com Adalberto Generoso, founder & CEO da Yapoli. 

Adalberto foi um dos idealizadores do GuiaBolso, fintech pioneira no Brasil na área de controle financeiro. Hoje está à frente da Yapoli, uma plataforma inteligente que otimiza a gestão e distribuição de arquivos digitais para a indústria.

Aqui ele conta um pouco da sua trajetória e como está vendo o mercado de tecnologia hoje. Confira!

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Trajetória

Assim como muitos profissionais da área, Adalberto começou a se interessar por tecnologia ainda adolescente, quando os pais compraram o primeiro computador para a família, na década de 1990, e ele teve que aprender a formatá-lo para que funcionasse.

Um vizinho que era desenvolvedor de jogos e autodidata lhe deu um primeiro livro de Java. Naquela época, porém, ainda sonhava ser jogador de basquete e nem imaginava seguir na área de tecnologia.

Quando percebeu que não seria o próximo Michael Jordan, optou pelo ensino médio técnico. Começou a ter contato com Visual Basic e Clipper e, por fora, continuava estudando Java.

“Nesse período, para poder me manter, comecei a trabalhar numa escola de tênis, como gandula. Eu pegava as bolinhas para uma pessoa que hoje é CEO do St. Marché e foi meu mentor na Endeavor quase 20 anos depois”, conta.

Depois disso, fez também alguns cursos no Senac, inclusive de HTML e Flash, que estava no auge na época. O primeiro emprego na área de tecnologia foi em uma empresa chamada Agência Web, que trabalhava mais com intranet e websites tradicionais. “A gente usava mais asp e SQL. Isso formou muito do que eu vim a ser como programador”, afirma.

Dali, foi para uma ONG chamada Alfabetização Solidária, onde consolidou sua formação como programador. “Acontece que a ONG ficava nos Jardins, uma região cara de São Paulo. Como eu tive que me mudar de Diadema para a Paulista, minhas finanças pessoais desandaram”, lembra.

“Vale lembrar ainda que esse momento de entrada no mercado de trabalho foi logo após o estouro da bolha das empresas ponto com, no começo dos anos 2000, então não era nada ‘glamouroso’ ser programador”, lembra.

Para dar um jeito nas finanças, fez um sistema no computador, que permitia controlar o que ganhava e o que gastava e gerava um gráfico em flash. Mostrou para os colegas de trabalho, que também se interessaram e queriam usar. Por isso, comprou um domínio, que era o Controle Financeiro.

Foi um sucesso. Entre 2007 e 2011, a plataforma teve 1,2 milhão de usuários cadastrados. “O Google indexou o site porque o termo ‘controle financeiro’ era muito buscado. Nem existia SEO ainda, mas eu já estava aplicando esse conceito sem saber”, diz.

Uma das pessoas com quem Adalberto dividia moradia naquela época era Thiago Alvarez, CEO do GuiaBolso. Foi daí que surgiu a ideia de ter um sistema de controle de finanças pessoais, que foi o início do GuiaBolso.

“Não existiam fintechs, ninguém falava em open banking e esse mercado era monopólio dos bancos. Era difícil a gente acreditar que conseguiríamos fazer o Guia Bolso usar todo o potencial dele, mas já havia esse movimento nos EUA, com o Mint, que era uma plataforma que conseguia se conectar à conta do cliente. Era uma questão de acreditar que isso chegaria aqui em algum momento e de ter paciência”, lembra.

Depois disso, Adalberto passou cerca de oito anos trabalhando com marketing digital, o que possibilitou entender como a tecnologia pode gerar números e insights para o negócio. Ali ele viu que as empresas tinham muita dificuldade em lidar com os arquivos digitais e entendeu que era uma oportunidade. “A indústria gerava conteúdos volumosos, mas tinha dificuldade de entender por que cada coisa estava dando certo ou errado”, explica.

Mercado de tecnologia

Para os profissionais de tecnologia, Adalberto diz que o mercado mudou muito e hoje já diferencia diversas funções. Havia mais escassez de programador, mas a gama de programadores e de engenheiros de software era mais bem-definida. “O engenheiro de software Sênior tinha passado por grandes bancos ou por grandes empresas de tecnologia”, afirma.

Com o tempo, as linguagens de programação começaram a ser muito mais componentizadas. “Hoje em dia você tem java script para tudo”, afirma. Isso tem um lado muito bom, porque dá dinamismo na programação, o que aumenta a produtividade. Por outro lado, tira a oportunidade do profissional se desenvolver como engenheiro de software. “O profissional começa a se deparar com desafios que ele não sabe resolver”, diz.

Para Adalberto, o mercado está inflacionado, com profissionais menos experientes ganhando altos salários, no mesmo patamar de engenheiros de softwares com mais background. O problema, na visão dele, é que essa bolha pode passar e, se isso acontecer, esse profissional pode ter que descer a régua.

“Na Yapoli fomos atrás de desenvolvedores com potencial, e não necessariamente de desenvolvedores muito experientes. Para isso, tive que trazer uma pessoa inspiradora, que é o nosso CTO, e que servisse de modelo para esses profissionais mais jovens na carreira. Estamos dando consciência para essas pessoas”, explica. 

Segundo ele, o piso salarial da profissão subiu, mas isso não quer dizer que o teto subiu na mesma proporção. Além disso, parte do trabalho que hoje é feito pelos desenvolvedores também vai desaparecer, pelo mesmo efeito de “componentização” que já vemos hoje. 

Por isso, é preciso que esse profissional realmente adquira outras competências. “Conforme ele vai subindo, outras questões passam a ser mais importantes, como atitude e a forma de passar o aprendizado” destaca. “Li no [livro] Sapiens que não existe empresa, o que existe são pessoas que acreditam na mesma coisa. A missão é criar um ambiente em que as pessoas se sintam inspiradas por elas mesmas.”

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