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Conheça o Cietec e a sua incubadora, a maior da América Latina

Conheça o Cietec e a sua incubadora, a maior da América Latina

Este conteúdo faz parte do Distrito São Paulo Report e apresenta entrevista exclusiva com Sergio Risola, CEO do Cietec. Quando olhamos para o cenário brasileiro é comum ouvirmos dos empreendedores reclamações do tipo: “falta apoio e investimento nos empreendimentos brasileiros” ou “em comparação com outros países, há pouco suporte ao empresariado no país”. Por mais […]

28 de abril de 2020 7 min de leitura
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Artigo atualizado 28 de abril de 2020

Este conteúdo faz parte do Distrito São Paulo Report e apresenta entrevista exclusiva com Sergio Risola, CEO do Cietec.

Quando olhamos para o cenário brasileiro é comum ouvirmos dos empreendedores reclamações do tipo: “falta apoio e investimento nos empreendimentos brasileiros” ou “em comparação com outros países, há pouco suporte ao empresariado no país”.

Por mais que abrir uma empresa ou startup no Brasil seja extremamente desafiador, nos últimos anos diversas iniciativas têm surgido e, inclusive, o mercado de Venture Capital cresceu significamente. Por exemplo, o ano de 2019 foi 80% maior em investimento desse tipo do que o de 2018 e 198% maior do que em 2017 (fonte: Distrito Dataminer).

Além disso, outras iniciativas como aceleradoras, hubs de inovação (como o caso do distrito) e incubadoras também se tornam cada vez mais presentes na realidade do empreendedor. O Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) fundador em 1998 é um dos players que tem como missão incentivar o empreendedorismo e a inovação tecnológica por meio da criação, fortalecimento e a consolidação de empresas e empreendimentos.

Entre as atividades do CIetec está a gestão de uma incubadora, que nada mais é do que um local que fornece aconselhamento, orientação, mentoria, ou qualquer outro apoio técnico que a startup precisa para estruturar um plano de negócio robusto e se lançar no mercado sem medo. O que diferencia uma incubadora de uma aceleradora é justamente o seu vínculo com o ambiente acadêmico, sendo vinculada a uma Universidade.

Além disso, a incubadora não busca lucro e, sim, dar apoio e fazer com que projetos da faculdade se desenvolvam a ponto de sair do contexto universitário e se tornarem comercialmente viáveis. No caso, a incubadora do Cietec tem vínculo à USP e está instalada no campus Ipen, na Cidade Universitária.

Para entender mais sobre a trajetória do centro, o Distrito Dataminer conversou com Sergio Risola, CEO do Cietec.

Entrevista completa com Sergio Risola, CEO do Cietec

Você está no CIETEC desde a fundação, certo?

Estou anos antes dele existir, nesses dois anos fiquei trabalhando junto com a pessoa que teve a ideia e fundou, Claudio Rodrigues, que era Superintendente do IPEN ( Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) que fica localizado na USP e também onde reside o Cietec. Ele tomou a dianteira há 24 anos atrás, com uma visão bem visionária. Na época ninguém sabia o que era uma incubadora e o termo startup existe somente há pouco tempo.

O Cietec nasceu inteirinho público, em parceria com o Ministério de Ciência e Tecnologia, IPEN, Secretaria de Tecnologia, Universidade de São Paulo e Sebrae, totalmente chapa branca, termo que na época nós utilizávamos para o que não pertencia à iniciativa privada, em conjunto com o público. E ao longo do tempo, o Cietec foi se transformando e ficando híbrido trazendo parceiros da iniciativa privada e veio crescendo. 

Éramos chamados de “incubadora de empresas inovadoras” e o termo utilizado para as empresas era “microempresas inovadoras” ao invés da termologia startup, que é bastante recente.

Assim o Cietec nasceu em abril de 1998, com 7 “microempresas inovadoras” no cantinho de um prédio “todo ferrado” ajudando a montar  toda estrutura, documentação até o próprio conselho, sempre olhando para o futuro e o Cietec e está de pé até hoje.

Na prática, qual é o papel de uma incubadora e qual é a importância dela para o ecossistema?

O Cietec foi por 17 anos uma incubadora que nasceu em um formato chapa branca como havia falado. Depois foi se tornando híbrido e de 5 anos para cá se tornou a incubadora da USP e do IPEN, onde nós estamos dentro.

Tem a missão muito importante que é apoiar as iniciativas de alunos, professores e pesquisadores que ingressam no caminho da inovação. O Cietec,  dentro da USP, é um canal incrível de apoio a todas iniciativas que surgem dentro da universidade, esse é o eixo de desenvolvimento de apoio à universidade, como outras faculdades também tem – como é o caso da Unicamp, Unesp entre outras.

Porém o Cietec não é só as iniciativas que nascem l.,Historicamente ⅓ do que temos no veio da USP e do IPEN , mas ⅔ vêm do mercado nacional e internacional. Nós temos hoje grandes empresas que desenvolvem dentro do Cietec um grande braço de P&D. Dessa forma, desenvolvem uma nova pesquisa, um novo produto ou serviço fora do laboratório da corporação. Então o CIETEC se tornou um lugar também para grandes empresas.

Historicamente, desde 2004, passamos a ter mais de 100 startups e já chegamos a ter 140. Somos um agente de desenvolvimento que reúne as agências de fomento, os fundos de investimento e os investidores-anjos. Aaté costumo brincar que é um desfile de investidores prospectando negócios por lá.

Cada mês recebemos de 2 a 3 grandes empresas e também vamos até essas companhias oferecendo startups que trazem inovação ao negócio. Esse é o nosso dia a dia, que faz o Cietec ser um agente de desenvolvimento como outras incubadoras também de relevância. 



Como você enxerga a relação “universidade/startup”?

Esse é um capítulo que vem crescendo , mas poderia já estar evoluindo em um ritmo maior. A USP como um todo está bem avançada, mas pode dar mais passos, mas as universidades de maneira geral poderiam. A Unicamp está bem avançada com a sua incubadora e o parque tecnológico que ela possui lá dentro, mas precisamos muito mais para que a universidade enxergue a startup e a geração de conhecimento que nasce dentro do ambiente acadêmico se transformar em produto para a sociedade.

Precisamos de mais professores engajados com a inovação. Uma coisa é você ter professores com uma visão bem professoral e acadêmica, mas eles passam a ter a necessidade de enxergar a relação desse ramo com a matéria, seja qual for e ter uma resposta para o mercado.

O professor precisa às vezes continuar sendo um pesquisador de bancada, orientando seus alunos, desde a graduação, a desenvolver o TCC já alinhado com as necessidades da inovação. Assim essa relação vai começar a ser mais encaminhada.

Eu cada vez vejo mais as escolas de negócio, sou professor na FIA e já dei aula na Fundação Getúlio Vargas, que são escolas de negócio. Elas estão mundo bem alinhadas com o mundo de startups e inovação.

As universidades ainda precisam de um chacoalhão para que mais professores abracem a causa sem perder o DNA, mas trazendo bons aspectos dos ramos da inovação. 

Como é receber esse título de maior incubadora da América Latina, no que vocês vêm trabalhando para que ele ainda seja mantido? 

Então, esse título de maior eu até implico um pouco com ele quandose refere a maior número de startups. Eu gosto quando esse título de maior reflete aquelas quase 170 startups que passaram por lá e as 80 à 90 que ainda estão vivas.

Como é o caso da empresa mais importante desse país no momento atual, que o Mandetta está lá correndo atrás de apoio e investimentos para ela, que se chama Magnamed. É a maior empresa nacional que produz respiradores artificiais. Falta respirador , falta ventilador pulmonar e a Magnamed está cobrindo essa demanda. Ela nasceu do zero no Cietec, com um trio maravilhoso de empreendedores e que estão neste momento multiplicando por dez a produção deles para tornar os próximos dias menos difíceis para todos nós. Eu fico muito feliz quando o Cietec é denominado como o maior quando a empresa que está colocando exigências para o SUS e dando orientações de gestão de saúde é uma linda startup que nasceu no Cietec.

O Cietec e a Superá, da USP de Ribeirão Preto, são muito diferentes das outras incubadoras. Nós somos muito lifescience e hard science, que hoje em dia a palavra no mundo é DeepTech que trabalha com ciência pesada. Você vai lá e 90% das empresas são de saúde, Biotech, NanoTech entre outras áreas do ramo são tecnologias de maturação longa.

Nós trabalhamos com ciência de longa maturação, uma empresa pode ficar no Cietec até 4 anos e quando falta tempo extra nós damos um jeito de dar mais tempo para ela. É prazeroso participar de uma incubadora assim e transformar essas ideias em protótipos e você vai moldando aquilo até virar produtos e serviços para a sociedade. O Cietec alavanca muito esses negócios com o primeiro investimento público, depois vem o investimento privado ajudando essas startups.

Como milhares de empreendedores irão ver esse report, qual conselho você daria em relação à gestão de pessoas?

Quando você formar equipes, não adianta querer todo mundo igualzinho. É necessário lidar com pessoas, perfis, competências e diplomas diferentes. É duro trabalhar com o “cara chato”, mas que é também aquele que faz diferença na sua equipe. Saber lidar uma startup quando se passa a ter 10, 20, 30 pessoas é o grande segredo. Você deve aprender a buscar o equilíbrio entre gênios e manias tão diferentes, mas quem consegue isso vai tirar o máximo ao se colocar profissionais tão distintos na mesa.

Como você vê o futuro do empreendedorismo dado o momento que estamos vivendo hoje (os impactos causados pelo coronavírus)?

Então, apesar de tudo que eu já vivi, acho que a característica que vai ficar acentuada nesse momento ruim que estamos passando é essa palavra humanidade, cooperativismo. Ninguém é uma ilha, por mais ilhados, estamos conectados mais do que nunca.

As tecnologias mobile vêm nos aproximando tanto que neste momento difícil nós vamos sair diferentes. Vamos sair muito mais cooperativos, com espírito de solidariedade com aquele que está mais sufocado

Acho que a grande lição é solidariedade e parceria, desde os pequenos negócios que estão na esquina até algumas grandes empresas que estão mudando as relações com os concorrentes e colabores. O que vamos levar desse momento é essa linha de relacionamento colaborativo.

O que você enxerga como indicador comum das startups de sucesso que já passaram no CIETEC?

Tem bastante subjetividade quando se fala de sucesso, nós temos empresas que saíram de lá que são sucesso mas até hoje você nunca escutou sobre elas. Mas é aquela “empresinha” que domina uma tecnologia no Brasil, por exemplo, uma odontológica que em radiografia mede se houve alguma radioatividade além do aceitável. Ela domina o mercado brasileiro com um negócio relativamente pequeno, que dependia de empresas do exterior. Quis ficar pequena, não aceitou investimentos e é um enorme sucesso naquele nicho que escolheu.

Agora um ponto de sucesso chave de qualquer empresa é a montagem de um time e a competência daquele líder em conduzir o time. A competência em montar um time e conduzir gente, esse é o segredo de toda startup nascente em ter um CEO, um CTO seja o nome que der para ele, que tem uma boa competência de relacionamento humano, é o que caracteriza o sucesso de uma startup.

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