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Panorama Founders Report: estudo mostra a resiliência e os principais desafios para as startups

Panorama Founders Report: estudo mostra a resiliência e os principais desafios para as startups

O ecossistema de inovação brasileiro de acordo com 223 fundadores de startups, no Panorama Founders Report.

8 de junho de 2022 4 min de leitura
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Artigo atualizado 8 de junho de 2022

O ecossistema de inovação brasileiro de acordo com 223 fundadores de startups, no Panorama Founders Report.

Entre maio e junho de 2021, o Distrito realizou o Panorama Founders Report, uma pesquisa com 223 fundadores de startups, em parceria com a MAYA Capital, fundo de capital de risco criado em 2018 por Monica Saggioro Leal e Lara Lemann (filha do empresário Jorge Paulo Lemann).

O objetivo do estudo é mapear o mercado de tecnologia brasileiro sob o ponto de vista dos próprios empreendedores, a fim de descobrir o que eles e elas pensam a respeito de pontos fundamentais das suas empresas.
A Pesquisa Panorama Founders foi inspirada no State of Startups, projeto conduzido durante alguns anos pelo fundo norte-americano First Round Capital, especializado em rodadas de investimento seed.

Quem é a Maya Capital

A Maya Capital, que investe em negócios em estágio de desenvolvimento inicial no Brasil e em outros países da América Latina, atualmente conta com 31 startups no portfólio, de mais de dez setores diferentes. Entre elas, a NotCo, chilena que produz alimentos à base de plantas e que ganhou status de unicórnio em 2021 após um aporte de US$ 235 milhões.

Segundo Lara Lemann, em entrevista ao InfoMoney, a Maya Capital nasceu para suprir uma lacuna de veículos dispostos a serem os primeiros a investir nos momentos iniciais de uma startup – investimento semente, ou seed. 

Não é apenas a lacuna em número de fundos, mas em qualidade. Faltam investidores profissionais no ecossistema, fazendo um trabalho para além do capital”, completa Lara.

Principais destaques do Panorama Founders Report 

Um dos dados que mais chamaram a atenção na Pesquisa foi sobre o nível de escolaridade dos empreendedores. O estudo mostrou que quase todos os founders (95%) possuem pelo menos o ensino superior completo. Pouco mais da metade tem pós-graduação ou MBA.

O levantamento também apontou que a grande maioria dos fundadores tem idade entre 25 e 44 anos. Empresários abaixo dos 25 ou acima dos cinquenta são minoria.

Quanto à experiência profissional prévia, 66,8% dos respondentes já atuavam de alguma forma dentro do ecossistema de inovação antes de fundar sua startup atual, e 29,1% já havia participado da criação de uma empresa de tecnologia anteriormente.

Perfil das startups mapeado pelo Panorama Founders Report

Dentre as companhias com sede no Brasil, 63,7% delas estão localizadas no Estado de São Paulo. Levando em consideração somente aquelas sediadas fora do país, 33,3% se encontram em outras regiões da América do Sul e 66,7% na América do Norte.

Quase 80% das startups estão em operação há menos de três anos. Pouco menos de 4% atua há mais de dez.

Também vale notar que 49,8% dos negócios têm como público-alvo outras empresas, isto é, operam no modelo B2B (Business to Business).

Investimentos

Dos 223 founders entrevistados, 58% não haviam captado nenhum tipo de investimento para suas startups. Dos que captaram, somente 5% haviam atingido os estágios de desenvolvimento de série A ou B. A grande maioria tinha recebido aportes de investidores anjo ou em rodadas pré-seed e seed. 

É interessante notar que o bom relacionamento e o alinhamento cultural foram apontados como o principal critério para a escolha de um investidor por 123 fundadores, demonstrando a importância que eles dão para a cultura das suas startups desde o início da jornada.

Logo em seguida, aparecem o apoio em discussões estratégicas e conexões comerciais como pontos fundamentais na hora de captar dinheiro junto a uma gestora.

Dentre os que já receberam financiamento, 31,4% se sentem inseguros em relação ao atual momento do mercado de venture capital e acreditam que enfrentarão dificuldades para captar novos investimentos no futuro. 

No entanto, para Monica Saggioro e Lara Lemann, fundadoras da Maya Capital, o presente cenário é excelente para investir em startups. Elas citam o crescimento na quantidade de jovens brasileiros formados em áreas de tecnologia nos últimos anos e o recente aumento no número de IPOs das nossas startups como fatores que confirmam sua visão otimista sobre o ecossistema.

Perfil das equipes e modelos de contratação

Pelo fato de a maioria das startups analisadas no Panorama Founders ser bastante jovem, não surpreende que 42,3% dos empreendedores contratem colaboradores exclusivamente através do modelo PJ (pessoa jurídica). Isso porque as contratações CLT são mais custosas e demandam maior organização por parte da empresa.

Muito poucas utilizam headhunters para recrutar, e quando utilizam o fazem apenas para preencher posições de liderança ou profissionais de tecnologia da informação (TI). O LinkedIn aparece como o principal canal de divulgação de vagas abertas pelas empresas.

Os founders também foram questionados sobre quais os principais fatores, na opinião deles, convenciam os candidatos a se juntarem às suas startups. O potencial de crescimento da empresa foi o fator indicado por 76% deles.

Cultura e hábitos de trabalho

O trabalho remoto durante a pandemia também esteve em pauta na pesquisa. Para 44,6% dos fundadores, seus funcionários são tão produtivos em casa quanto no escritório. Somente 14,1% que os seus colaboradores são menos produtivos em casa.

Quanto ao assunto etnia, o estudo revelou que 41,4% das startups possuíam apenas brancos na liderança. Em termos de representatividade de gênero, 6,4% delas eram lideradas totalmente por mulheres.

Um exemplo é a SafeSpace, plataforma criada por quatro amigas que funciona como um canal de denúncias em tempo real. Em entrevista concedida para o Panorama Founders, elas disseram que as startups estão à frente das iniciativas de diversidade e inclusão, investindo de verdade na construção de uma cultura de trabalho saudável.

Uma nova perspectiva do ecossistema

Diferentemente de outros estudos sobre o ecossistema de inovação no Brasil, a Pesquisa Panorama Founders revela as perspectivas dos próprios fundadores a respeito do mercado.

Sendo assim, o material lançou luz sobre aspectos que muitas vezes passam despercebidos aos cientistas de dados, como as prioridades dos fundadores na hora de captar um investimento.

Por meio do ponto de vista dos próprios empreendedores, fomos capazes de entender um pouco melhor quais os desafios atuais das startups, e a direção que o mercado de tecnologia está tomando em nosso país.

Não deixe de conferir o material na íntegra e compartilhar este texto com quem você acha que também possa se interessar sobre o assunto!

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