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Emily Ewell e a ideia por trás dos produtos da Pantys

Emily Ewell e a ideia por trás dos produtos da Pantys

Conversamos com Emily Ewell, cofundadora e CEO da Pantys.

17 de agosto de 2022 5 min de leitura
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Artigo atualizado 17 de agosto de 2022

Conversamos com Emily Ewell, cofundadora e CEO da Pantys.

A Pantys é uma marca brasileira de calcinhas absorventes. 

A ideia por trás de seus produtos é combinar tecnologia, inovação, sustentabilidade e design em prol do conforto e da saúde da mulher durante os ciclos menstruais. 

As peças da startup possuem tecido biodegradável e antimicrobiano com bloqueador de odores, alta capacidade de absorção e durabilidade de até dois anos.

A empresa ainda é reconhecida por sua consciência ecológica, combate à pobreza menstrual através do programa de doação de calcinhas e, recentemente, lançou modelos para PcDs, com tecnologia que atende a diversos corpos.

Conversamos com Emily Ewell, cofundadora e CEO da Pantys, empresa de tecnologia focada na produção de calcinhas absorventes. Confira!

Início da Pantys

Nos conte um pouco sobre o começo da Pantys. Quais foram as maiores dificuldades encontradas e como foram solucionadas?

Em 2016, junto a minha sócia Duda, fundamos a Pantys, primeira marca de calcinhas absorventes da América Latina. A calcinha, nosso principal produto, possui uma tecnologia de absorção e eliminação de bactérias e a nossa visão desde o começo é trazer produtos que substituam os produtos descartáveis para menstruação.

Os produtos que surgiram no mercado americano e europeu eram muito focados em evitar vazamentos, enquanto nós pensamos em focar na absorvição de fato e esse foi nosso primeiro desafio. Depois do lançamento ficamos focados em inovação do produto e assim surgiram variações utilizando nossa base tecnológica como a primeira linha de sutiãs para a amamentação do mercado global, linha focada em praia, atividades físicas, foco em líquidos com menos viscosidade como urina, entre outros. 

Além disso, desde o início focamos na expansão da marca buscando ser bastante próximos dos consumidores. Hoje temos 2 lojas físicas em São Paulo, e-commerce e considerando tanto canais mais ligados à saúde como farmácias e ligados à moda temos mais de 3 mil pontos de venda em todo Brasil. 

Temos muito prazer em trazer impacto junto aos parceiros para as pessoas e o meio ambiente. 

No Brasil a cada ano são descartados por volta de 15 bilhões de absorventes e eu acredito que em mais ou menos 10 anos haverá uma redução brusca dos produtos descartáveis para menstruação com um movimento similar ao que aconteceu de canudos descartáveis, queremos ser parte dessa transformação levando boas alternativas que sejam mais funcionais e econômicas que os produtos descartáveis.

Processo de ideação das calcinhas absorventes

Os produtos da Pantys são soluções inovadoras que além de serem uma ótima escolha para as pessoas que menstruam, também são opções sustentáveis. De onde surgiu essa ideia? Como foi o processo de criação das primeiras versões da Pantys? Como funciona a tecnologia usada?

Apesar dos consumidores enxergarem um produto de vestuário que é o resultado no final da cadeia o qual está em um contexto de moda, somos uma empresa de tecnologia da saúde. Em resumo, nossa tecnologia é mais física do que digital, temos patentes do processo de combinação de tecidos com fios, malhas e acabamentos diferentes e uma para o processo de costura o que evita os vazamentos promovendo maior conforto para a mulher, rápida absorção, segurança e sensação de estar seco.

Nunca fizemos licenciamento da nossa tecnologia, mas dentro do nosso modelo de negócio ajudamos outras marcas a construírem seus produtos absorventes sendo o fornecedor de tecnologia para essas empresas. 

No que tange a sustentabilidade fomos a primeira marca de moda no Brasil a fazer as métricas de carbono gerando nossa linha “carbono neutro”, o desafio em reduzir ou zerar o impacto do carbono é justamente analisar todo o ciclo do seu produto aliado a transparência e educação do mercado, também usamos bastante energia solar nos escritórios e processos de produção. No lado social nosso maior foco é a “pobreza menstrual”, buscamos fazer doações de maneira recorrente em vista de acreditarmos que nosso produto tem um papel fundamental para redução e solução deste problema, se você entrega 1 absorvente para alguém em vulnerabilidade social você dá acesso para ela por 1 mês enquanto se você der uma Pantys você entrega acesso por anos.

Mesmo sendo um produto com inúmeras vantagens, os absorventes descartáveis ainda são a primeira opção para grande parte do público que menstrua. Como foi a aceitação inicial da Pantys? Quais os próximos passos para atingir um público maior?

Ao meu ver tivemos um excelente início já realizando um forte lançamento, nossos parceiros ficaram meio receosos com a quantidade inicial que produzimos, mas vendemos tudo em 3 semanas, porém com o tempo foi preciso ir entendendo a demanda pelo produto. No início, muitas pessoas estavam curiosas, principalmente pessoas que já possuíam interesse prévio em sustentabilidade e/ou gostavam de tecnologia e inovação sendo nossos early adopters. Logo em seguida, enfrentamos a dificuldade de convencer também as pessoas mais receosas em usar nossos produtos, já tínhamos no radar as principais indagações que giravam em torno de algumas perguntas: “Como vou me sentir?”, “Será que é higiênico?”, ” Vai ter cheiro?” e outras correlatas. Como estratégia, buscamos responder a essas perguntas desde o início através de uma comunicação direta desmistificando essas questões.

Cerca de 4 meses depois do lançamento abrimos nosso primeiro espaço físico na Oscar Freire, foi tudo muito rápido, fomos de uma marca totalmente digital para algo mais Omnichannel, um espaço físico em uma rua de destaque na cidade foi importante para trazer visibilidade ao nosso produto e foi uma estratégia de experiência para o cliente, não queremos que as lojas sejam exclusivamente para a venda, mas sim que a pessoa goste da experiência, do produto e que compre depois seja online ou na própria loja física.

Também nos preocupamos em entregar um produto muito bom desde o início, pois quando você tem uma marca de um produto que é o primeiro em algo se você não entrega um produto e experiência muito boas você acaba com o mercado. As pessoas arriscam para testar, se não der certo dificilmente voltam a testar a solução seja com a sua marca ou uma concorrente. Portanto, dando certo o consumidor pode até testar uma marca diferente depois, mas dando errado nenhuma das empresas ganha.

Por fim, aqui na Pantys também gostamos muito de fazer co-criação com a comunidade, estarmos abertos para escutar o que eles entendem como valor e isso possibilita que façamos produtos que entregam o que as pessoas esperam e sejam úteis, usamos isso como estratégia tanto para os públicos que já captamos como para novos que visamos atingir.

Para a criação do produto, foi realizado benchmarking? Qual foi a inspiração de vocês?

Olhamos várias marcas já disponíveis fora do Brasil e incorporamos elementos que gostamos e evitamos elementos que não nos agradou muito, de uma forma geral tivemos várias referências incluindo algumas que não tinham relação com o mercado de calcinhas e nem absorventes. Investimos muito tempo e energia na criação da marca, não apenas em ter um produto muito bom, mas uma marca e comunicação fortes, inclusive, principalmente no começo, investimos mais na criação da marca do que no produto em si criando e expondo a nossa identidade.

Desbravando mercado de NFTs

Recentemente vocês começaram a explorar o mercado de NFTs e o metaverso. Como vocês chegaram a essa iniciativa?

Somos uma marca que gosta muito de inovação, experimentação de modo geral e não temos medo de errar. Fizemos o portal da menstruação, portal da independência financeira e outros projetos que são muito mais ligados ao “lifestyle” dos nossos Pantys lovers. 

Com relação aos NFTs vimos a oportunidade de os consumidores terem uma parte da marca e enxergamos 2 caminhos principais para os NFTs serem executados aqui na empresa, poderíamos fazer um produto “vestido” para ser usado no metaverso, mas seria um pouco estranho vestir calcinhas no mundo virtual e por isso optamos pelo segundo caminho de usar mais a parte artística da marca com elementos mais institucionais. 

Entretanto, no meu entendimento tivemos um problema de timing, o mercado dos EUA por exemplo está muito mais maduro na questão dos NFTs do que o Brasil. Na minha visão aqui no país é um público muito nichado que está engajado com os NFTs e no momento optamos por esse projeto em pausa para entender o melhor momento de entrar novamente. 

Estamos analisando iniciativas de alguns “Clubes Pantys” com NFT por exemplo, nesse caso não é o token que será importante e sim os direitos que vem com ele de acesso a esse grupo.

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