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Como funciona a Inovação Disruptiva

Como funciona a Inovação Disruptiva

A inovação disruptiva tem força para mudar totalmente o mercado. 

13 de abril de 2022 6 min de leitura
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Artigo atualizado 13 de abril de 2022

A inovação disruptiva tem força para mudar totalmente o mercado. 

Quando comparamos a nossa forma de realizar tarefas diárias hoje com a forma que fazíamos essas mesmas tarefas há 10 ou 20 anos, é possível perceber que houveram mudanças profundas. Nossa maneira de se comunicar, preparar refeições, assistir televisão, ouvir música e até a forma de nos relacionarmos mudou. 

É fácil identificar exatamente quais empresas, produtos e serviços foram os responsáveis por essas mudanças. Esse tipo de transformação que, além de entregar um produto inovador, mais barato e simples para o mercado, é capaz também de tornar aqueles que já existiam obsoletos, é chamada de inovação disruptiva.

Nesse artigos você vai encontrar os seguintes tópicos sobre o tema:

O que é inovação disruptiva

O conceito de inovação disruptiva surgiu em 1997, com a obra “O dilema da Inovação”, escrita por Clayton M. Christensen, professor na Harvard Business School. Em seu livro, ele trabalha diferentes formas de inovação, sendo a disruptiva uma delas. 

Sobretudo, o autor define que esse tipo de inovação tem força de ultrapassar o mercado existente, mudando completamente seus processos ou até mesmo criando novos mercados. 

Por mais que a inovação disruptiva possa mudar completamente o cenário do mercado, isso não é uma obrigatoriedade. Um novo produto pode ser considerado disruptivo, porém ainda não ter atingido os resultados esperados – ou até mesmo nunca atingir. 

Para que a inovação seja, de fato, considerada disruptiva ela precisa cumprir alguns critérios. São eles:

  • o novo produto precisa ser mais inclusivo e atender aquele público que, antes, era deixado de lado e/ou negligenciado;
  • seu uso precisa ser simplificado quando comparado aos demais players disponíveis no mercado. Ser simplificado significa possuir uma proposta de valor clara, que ataque uma dor de mercado específica. Alguns exemplos que trazem isso são a Sallve, no mercado de cosméticos, e o NuBank, no setor de fintechs.
  • é necessário agregar um novo valor aos clientes, disponibilizando uma solução/concepção nunca antes considerada;
  • ser escalável a fim de atender alta demanda.

É importante ter em mente que para realizar esse tipo de transformação é necessário um alto investimento, uma vez que uma pesquisa minuciosa sobre o mercado no qual a empresa deseja atuar será necessária, além do desenvolvimento da nova solução. Vale ressaltar ainda que o alto investimento inicial não deve afetar o custo final do produto.

Além disso, é fundamental estar preparado para um retorno incerto, já que implementar a inovação disruptiva é um movimento ousado e arriscado e, por isso, envolve riscos que também precisam ser mapeados e calculados.

Inovação disruptiva versus inovação tradicional

A inovação tradicional é utilizada no mercado para expandir o ciclo de vida de determinado produto, serviço ou setor no geral. Assim, ela ocorre em relação a um modelo de negócio já consolidado no mercado, promovendo melhorias pontuais que podem reacender o interesse na empresa, produto ou serviço.

Muitas vezes, a inovação tradicional também pode ser chamada de incremental, já que não há mudanças profundas na essência do produto ou serviço, mas sim em detalhes de operação e funções realizadas.

Enquanto isso, a inovação disruptiva é radical, uma vez que as mudanças promovidas vão além de características do produto ou serviço, impactando diretamente a lógica de consumo.

Outro exemplo de inovação disruptiva é a Netflix, que modificou completamente a maneira como consumimos filmes e séries e resultou na obsolescência de todo um mercado de locação de produtos audiovisuais físicos.

Inovação Incremental ou tradicional

A inovação incremental visa implementar melhorias e upgrades em produtos/serviços já existentes. Esse modelo de inovação é um dos mais comuns no mercado, basta pensarmos nos produtos já existentes, como o celular, e nas diversas atualizações de um modelo para o outro. 

Isso acontece, pois além de ser uma transformação que não exige grandes investimentos, o seu retorno é mais garantido, uma vez que o produto já existe e sua aceitação já foi comprovada no mercado. Por isso, a inovação incremental é mais segura e garante que o produto esteja sempre de acordo com as expectativas do cliente.

Assim, é natural que grande parte dos investimentos de uma empresa sejam alocados para esse processo de inovação. Tanto que, conforme divulgado por Eric Schmidt, ex-presidente da Google, 70% dos gastos e investimentos da empresa é destinado a melhorias em seu próprio core business. 

Inovação Radical 

Muitas vezes confundida com a própria inovação disruptiva, porém tão complexa quanto, a inovação radical visa ir além do core business de uma empresa, explorando novos setores e possibilidades. 

O que torna essa inovação, de fato, radical, é que ela quebra com a concepção antiga de uma empresa, propondo a total transformação de um produto e/ou serviço, da própria organização e mesmo de todo o mercado.

A inovação radical, por apostar em algo totalmente novo para a corporação e lidar com uma fatia e/ou dores do mercado ainda não exploradas, acaba sendo uma estratégia arriscada. Por isso, estudos e planejamentos estratégicos são extremamente importantes, antes de colocar a inovação em ação. 

Como comentamos anteriormente, a Netflix é um exemplo de transformação disruptiva – pois rompeu com um modelo de negócios tradicional -, mas também radical – por promover mudanças estruturais na forma como consumimos produtos audiovisuais.

Por ambas se tratarem de uma completa transformação, há muita comparação e até confusão entre a inovação radical com a inovação disruptiva, mas vale ter em mente que toda inovação disruptiva pode ser considerada radical, mas o contrário não. A inovação radical tem como objetivo novos modelos de negócio, porém, não necessariamente rompe com um mercado anterior.

Impactos da Inovação Disruptiva

Como já mencionado, a inovação disruptiva consegue mudar totalmente o mercado, desbancando produtos/serviços já existentes e apresentando uma outra forma, mais simples, prática e barata, de realizar determinada atividade, serviço ou produto.

As novas soluções têm o objetivo de atingir um público mais amplo e solucionar dores de mercado que são ignoradas por players tradicionais. Dessa forma, um dos maiores impactos da inovação disruptiva é a quebra de barreiras sociais e muitas vezes a popularização de um produto ou serviço que antes era reservado a uma determinada classe social. 

Não só isso, mas ao criar um novo mercado junto com a nova solução, a geração de novos postos de trabalho, bem como novas oportunidades de negócios é uma consequência natural. Portanto, pode-se dizer que os impactos dessa inovação não apenas favorecem a empresa responsável, que tem a chance de agregar novos valores ao mercado, mas também aos consumidores e a sociedade em geral.

Exemplos de Inovação Disruptiva

Quando pensamos em produtos e serviços que impactaram tanto que foi possível mudar um mercado inteiro, várias empresas nos vêm à cabeça. Durante anos, presenciamos novas ideias e soluções, cada vez mais simples e menos complexas, que nossos hábitos foram mudando sem nem percebermos. 

Vamos dar uma olhada em algumas empresas que tiveram tamanho impacto na nossas vidas através da inovação disruptiva:

Netflix

Quem viveu a época das locadoras sabe que quando batia a vontade de assistir um filme em um domingo à tarde não era tão simples quanto é hoje. 

Por muito tempo, quem quisesse assistir algum filme, série ou documentário que não estivesse passando na TV ou não tinha em casa, a única saída era alugar aquele filme em uma locadora. E a Netflix, já começou lá atrás, oferecendo uma opção para aqueles que não queriam sair de casa para isso. 

Não é todo mundo que sabe que a Netflix começou como uma empresa que alugava DVDs via correspondência, sendo uma opção às locadoras. 

Já tendo obtido sucesso nesse setor e entendendo que seria uma necessidade digitalizar o serviço oferecido, a empresa então passou de serviço de correspondência para streaming, o que acabou sem dó com o mercado de locação de filmes. 

Hoje, várias outras empresas já adotaram esse mesmo modelo de negócio e várias outras plataformas de streaming já dominam o mercado junto com a Netflix.

Nubank

Um dos setores que por muito tempo não fugia do que já era tradicional e não oferecia tanta novidade aos clientes era o bancário. Além disso, a dificuldade que algumas pessoas enfrentavam para serem bancarizadas ou adquirir algum serviço financeiro excluia uma grande fatia de possíveis clientes. 

Nesse contexto, a Nubank, um banco totalmente digital e sem taxas, veio para mudar essa realidade. 

Uma nova forma de se relacionar com o banco foi apresentada, onde o cliente conseguia ter mais controle sobre seus limites, cartões e serviços, além de conseguir resolver qualquer tipo de problema na palma da mão, sem a necessidade de enfrentar longas filas nas agências. 

É claro que, nesse caso, os bancos tradicionais não perderam totalmente sua força no mercado, porém muitos entenderam o poder que um banco digital tem, tanto que muitos já criaram seu próprio serviço digital, como é o caso do Banco Next, do Bradesco e do Banco Iti, do Itaú.

Uber

Outro exemplo que tomou conta das ruas, foi a Uber. Que chegou no mercado para oferecer uma possibilidade de locomoção mais acessível e prática para os consumidores, mas que causou muita polêmica e conflito com as associações de taxistas, exatamente por oferecer um perigo a esse serviço.

Além de ser uma opção mais barata e simples para os consumidores, a Uber também iniciou com uma nova forma de renda extra para os trabalhadores. Claro que há muito a ser discutido sobre esse assunto, mas não se pode negar o enorme impacto que o aplicativo teve e ainda tem. 

Além do serviço principal oferecido, a Uber continuou inovando e oferecendo outras opções de serviços, como por exemplo, Uber Black, Uber X, Uber Comfort, entre outros. Seu produto deu tão certo, que outras empresas também surgiram para aproveitar desse novo mercado criado.

Conclusão

Esses são apenas alguns exemplos entre vários que existem de como a inovação disruptiva funciona e impacta a nossa vida completamente. Mesmo hoje em dia tudo mudando com tanta rapidez, ainda é possível identificar exatamente aqueles produtos/serviços que estão transformando nossa forma de executar atividades diárias. 

Por mais que não seja uma inovação tão barata e simples de realizar na empresa, é sempre importante destinar um parcela de tempo e dinheiro para a pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, pois ao identificar necessidades do mercado e com ideias inovadoras um mercado inteiro pode ser transformado, ou até mesmo, criado. 


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