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Como os fundos de venture capital incorporam critérios de ESG em suas decisões de investimento?

Como os fundos de venture capital incorporam critérios de ESG em suas decisões de investimento?

A preocupação com a sustentabilidade das empresas vem ganhando espaço nas decisões dos fundos de venture capital. O tema deixou de ser apenas uma questão periférica para se tornar critério decisivo para a escolha das empresas-alvo das gestoras. Pesquisa da consultoria e auditoria EY mostrou que fatores não financeiros se tornaram parte fundamental do processo […]

22 de outubro de 2020 4 min de leitura
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Artigo atualizado 22 de outubro de 2020

A preocupação com a sustentabilidade das empresas vem ganhando espaço nas decisões dos fundos de venture capital. O tema deixou de ser apenas uma questão periférica para se tornar critério decisivo para a escolha das empresas-alvo das gestoras.

Pesquisa da consultoria e auditoria EY mostrou que fatores não financeiros se tornaram parte fundamental do processo de tomada de decisão de investimento. Em um levantamento com investidores institucionais, 97% afirmaram que realizam algum tipo de avaliação não financeira nas empresas candidatas a receber investimentos.

Neste artigo, vamos entender melhor o que é investimento sustentável — ou ESG (Environmental, Social and Governance), em inglês — e como os fundos de venture capital estão incorporando essas questões em suas decisões de investimento. Acompanhe!

O que é investimento sustentável?

Para entendermos o que é investimento sustentável, vamos recorrer ao termo usado em inglês: ESG, que significa Environmental, Social & Governance, ou seja, Ambiental, Social e Governança. 

Assim, investir em ESG significa fazer investimentos sustentáveis e socialmente responsáveis em empresas que contemplam, atreladas à sua missão e operação, a transformação do mundo em um lugar melhor, respeitando normas ambientais e administrativas.

Um exemplo da relevância crescente desse tema vem da BlackRock, a maior gestora de investimentos do planeta com mais de US$ 7 trilhões sob gestão. Em sua carta anual para CEOs, a empresa anunciou uma série de iniciativas para colocar a prática de investimentos sustentáveis no centro da construção de carteiras e da gestão de risco. 

O documento deixa clara a mensagem de que empresas com alto risco ambiental seriam removidas de sua carteira. Entre as iniciativas para posicionar a sustentabilidade no coração da sua estratégia de investimento, a gestora cita o desinvestimento de negócios com alto risco de sustentabilidade, como os produtores de carvão para termoelétricas.

Como os fundos de Venture Capital aplicam o conceito de investimento sustentável?

Para mostrar como os fundos VC vêm usando o conceito de ESG em suas decisões de investimento, vamos ver três exemplos. Confira a seguir.

Crescera

Entre os casos citados no relatório está o da Crescera Investimentos (antiga Bozano Investimentos), uma gestora de recursos com aproximadamente R$ 2,3 bi sob gestão e foco em Private Equity e Venture Capital. Ela incorpora os critérios ESG ao processo de investimento na fase de due diligence, com a participação de escritórios de advocacia especializados e consultorias que avaliam os impactos da empresa sobre a comunidade e principais stakeholders (empregados, administradores e acionistas).

Foi assim com a decisão de investir no Hortifruti Hortigil. Em 2010, a gestora fez um aporte de R $85 milhões na empresa. Naquele momento, tratava-se de um negócio familiar do Espírito Santo, com 15 lojas em 3 cidades do estado, que comercializava frutas e vegetais frescos. Em 2016, quando ocorreu o desinvestimento, sua atuação havia se ampliado para 40 lojas em 7 cidades do Rio de Janeiro e Espírito Santo, 6.600 funcionários, com um volume de vendas de 20mil ton/mês e crescimento da receita de R$ 400 milhões em 2010 para R$ 1 bilhão em 2015.

A Crescera Investimentos teve papel ativo na governança da empresa, por meio de participação no Conselho de Administração, provendo e alocando capital, negociando contratos com partes relacionadas e profissionalizando a empresa. 

Com isso, promoveu mudanças nas práticas de governança da companhia, com a profissionalização da gestão. O desenvolvimento de Comitês e a contratação de executivos para os cargos de CFO, e posteriormente de CEO, trouxeram sólida experiência à empresa. As práticas ajudaram a aumentar satisfação de colaboradores — e consequentemente reduzir a rotatividade, além de aprimorar o monitoramento e gestão de fornecedores, dado que 80% das vendas e 50% da receita eram oriundos de produtos perecíveis. 

A Hortifruti estabeleceu uma série de soluções para melhorar a qualidade dos insumos, otimizar a colheita, o armazenamento da produção, o sistema de irrigação e a drenagem do solo e, em última instância, os lucros dos produtores. Além disso, melhorou a eficiência energética nas lojas, o que reduziu o custo operacional, e conseguiu diminuir resíduos de desperdício de alimentos. As práticas apoiaram a mudança de cultura da empresa, aumento do desempenho e redução de custos recorrentes.

Rise Ventures

Esse tipo de preocupação está longe de se restringir à Crescera Investimentos. A Rise Ventures, um fundo de Private Equity Early-Growth, seleciona empresas que apresentam retorno financeiro e impacto positivo, seja ele social e/ou ambiental.

Ela estabeleceu três princípios que guiam a sua atuação, e todos estão centrados em questões de sustentabilidade. Veja abaixo:

  1. a preservação da vida e a inclusão social são temas urgentes e demandam solução;
  2. é papel dos líderes da nova economia fazer essa transformação acontecer;
  3. o “futuro melhor” já começou, e só será status quo com um dia de trabalho após o outro.

No seu portfólio, constam empresas como a Beleaf, de alimentação plant-based; a Alba, de energia solar; e a Okana, de coleta, tratamento e destinação de efluentes industriais perigosos.

Os assinantes do Inside Venture Capital Brasil já têm acesso exclusivo à entrevista que realizamos com o CEO e co-fundador da Rise Ventures Pedro Vilela. Está imperdível!

Barn Investimentos

Outro exemplo nesse sentido é o do Barn Investmentos, que afirma, em seu relatório de impacto, que “todos os investimentos têm impacto sobre o planeta. Esses impactos podem ser positivos, como criação de empregos e desenvolvimento de tecnologias limpas, ou negativos, como desmatamento, poluição e exploração de populações vulneráveis”.

Nesse sentido, o fundo entende que o crescimento populacional e as necessidades da sociedade moderna, combinado com as mudanças climáticas, impõem desafios que demandam modelos de negócios inovadores e tecnologias que possam oferecer bens e serviços para um número crescentes de pessoas usando menos recursos.

Por isso, vem investindo em empresas que tenham impacto positivo no meio ambiente e/ou na sociedade moderna.

Para medir esse impacto, a Barn criou uma metodologia própria e estabeleceu alguns KPIs ESG. O BOIS (Barn Overall Impact Score, ou índice de impacto geral Barn) leva em consideração seis critérios:

  • meio ambiente: recurso, ecossistema e clima;
  • sociedade moderna: economia, bem-estar e trabalho.

Depois de determinar o BOIS, o fundo seleciona pelo menos dois indicadores de objetivos de desenvolvimento sustentável para medir e acompanhar anualmente. O portfólio de cada companhia investida conta com um conjunto de indicadores, de acordo com o setor em que atua.Assim, vimos que o investimento sustentável está ganhando espaço também nas decisões dos fundos de venture capital. A urgência de cuidar da preservação do planeta e da vida fez com que os temas de ESG passassem a ocupar um papel central no mundo dos negócios. Vale destacar que os exemplos citados neste artigo estão longe de esgotar o assunto. Diversos outros fundos de Venture Capital também adotam práticas semelhantes, como o Positive Ventures, Barn Investimentos e a Vox Capital.

No vídeo abaixo, você pode conferir a live com Fabio Carrara da Solfácil Fintech, investida do Distrito Ventures, sobre ESG (Environmental, Social and Governance) ao lado de grandes nomes como Guilherme Benchimol, Marcos Sterenkrantz e Marta Pinheiro da XP, Franklin Luzes Junior da Microsoft e Gabriela Chagas Chodakiewitz da VOX.

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