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A importância da governança para a inovação aberta

A importância da governança para a inovação aberta

Este artigo foi escrito por Claudinei Elias, CEO e fundador da Bravo GRC A importância das iniciativas de inovação aberta em empresas e organizações de todos os portes somente tem aumentado. A era da cooperação, colaboração e cocriação chegou. E ainda temos muitas vezes a estratégia de “coopetição”, baseada na teoria dos jogos, onde vemos […]

18 de novembro de 2021 4 min de leitura
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Artigo atualizado 18 de novembro de 2021

Este artigo foi escrito por Claudinei Elias, CEO e fundador da Bravo GRC

A importância das iniciativas de inovação aberta em empresas e organizações de todos os portes somente tem aumentado. A era da cooperação, colaboração e cocriação chegou. E ainda temos muitas vezes a estratégia de “coopetição”, baseada na teoria dos jogos, onde vemos características de cooperação e competição.

O autor que cunhou o conceito de “Inovação Aberta” foi Henry Chesbrough em 2003 no livro “Open Innovation: The New Imperative for Creating and Profiting from Technology” (Harvard Business School Press). No livro, ele propõe que no antigo paradigma, o “fechado”, o fluxo de ideias e estratégias de inovação externas às empresas era constrangido, tendo predominado, nos EUA, desde o final da segunda grande guerra até a década de 80 quando, ainda segundo ele, quatro fatores de “erosão” contribuíram para o declínio do “paradigma fechado”. Um desses fatores seria exatamente a eclosão do mercado de venture capital e das startups, nascendo assim um novo ecossistema de inovação mais colaborativo e cocriativo com o externo. No Brasil, este mercado ganha força com o Marco Legal das Startups, tendo aumentado substancialmente os investimentos neste segmento.

Usando o recurso analítico sob a lógica do interno/externo, ou seja, sobre as interações dos agentes externos e internos das organizações, Chesbrough (2003) definiu os conceitos de “Inovação Fechada” e “Aberta” a partir da identificação de um modelo que toma o externo como estratégia de inovação. Este modelo enfatiza que as ideias que se propõem inovadoras não precisam, exclusivamente, ser originadas internamente aos “castelos empresariais”, podendo ser parte de um ecossistema que une investimentos/mercado financeiro (e inclusive outras empresas), conhecimento (e como este será inovador para a sociedade) e startups, formando uma espécie de tripé: investimento/conhecimento/startups, e não podemos deixar de observar o forte movimento de corporate ventures, que vem ocorrendo com expressiva aceleração.

Se temos investimentos, conhecimento, desenvolvimento e estruturação de novos negócios, precisamos ter governança. A nova abordagem de governança de stakeholder tem seu lugar em 1984 com a teoria trazida por Edward Freeman, que se utilizou do mesmo parâmetro interno/externo e trouxe consigo a definição de Governança Multistakeholder como sendo uma fusão entre o interno e externo. Embora ainda não estivéssemos olhando para a multilateralidade e dinamismo dos movimentos plurais, percebemos aqui como o movimento da inovação aberta necessita e, mais do que isso, é beneficiado por uma boa governança. Afinal, temos relações cada vez mais amplas e desafiadoras, além de direitos e deveres.

Na Governança Multistakeholder, os interesses/impactos de grupos ou indivíduos que não estão diretamente vinculados à empresa – como governo, grupos sociais, entidades civis e agentes financeiros -, podem ser considerados na governança para um melhor posicionamento estratégico da empresa, podendo inclusive gerar uma postura ativa com resultados positivos às pessoas, à sociedade e ao meio ambiente, logo, ao externo. Além disso, na governança multistakeholder, o interno passa a ser mais amplo, e não apenas restrito ao shareholder, estendendo-se para colaboradores e clientes, por exemplo.

A cooperação, colaboração e cocriação têm por fundamento a fusão entre interno/externo, assim como a inclusão, a diversidade, a equidade e o propósito ético aliados à capacidade da tecnologia de revolucionar o mercado e a sociedade.

No conceito de “Inovação Aberta”, o papel das startups é chave. Com o objetivo de gerenciar, com princípios as relações internas e externas, a Governança vem trazer relevância a essas iniciativas que podem ser complexas, porém são cada vez mais imprescindíveis. As startups são chave pela sua própria natureza, uma vez que se propõem a ser inovadoras (sendo este um de seus principais propósitos: solucionar dores mal resolvidas ou se quer resolvidas no mercado e sociedade), apesar de serem alavancadas/financiadas externamente por todo um sistema e uma lógica de investimentos; cada vez mais, um grande diferencial competitivo das startups será a capacidade de governança no gerenciamento de seus riscos e, logo, na prestação de contas aos investidores.

Não podemos deixar de olhar aspectos que têm papéis fundamentais neste cenário de startups ou de projetos de inovação, a exemplo do Privacy by design (levantando a questão da privacidade de dados, olha a LGPD aí!), Cyber by design (vamos esquecer de ramsoware?), entre outros aspectos como o altamente relevante ESG by design (pensar e levar aspectos com olhar sensível ao ecoambiental, social e à governança).

Grandes problemas do planeta e da humanidade precisam de soluções inovadoras, exigem que tenhamos outras formas de pensar e agir e de fazer negócios, seja para o alcance da consciência individual, ou mesmo empresarial, organizacional e coletivo. A exemplo, podemos citar o desenvolvimento de software de códigos abertos, que tem demonstrado um conjunto diversificado de motivações entre os participantes do desenvolvimento, os quais compartilham livremente seu código por uma sinalização do mercado de liberdade e abertura. Em contrapartida, outros desenvolvedores são movidos por preocupações éticas, opondo-se vigorosamente a qualquer movimento para desenvolver softwares que não possam ser inspecionados, modificados e compartilhados abertamente.

Mas como saber qual direção está correta? Neste momento, buscamos resposta na governança e no compliance, na cultura e na forma de se fazer as coisas dentro das empresas.

Os parceiros

Um desafio comum na inovação aberta é assumir novos parceiros. Novos parceiros sempre acarretam custos em termos de busca, validação e conformidade, bem como a formação de novas relações sociais entre as pessoas. 

Neste contexto, a alta gerência precisa decidir por assumir o risco associado aos novos parceiros, enviando mensagens fortes de que a inovação aberta é o caminho a percorrer.

A urgência lidera a transformação

Os passos iniciais para a inovação aberta em “tempos normais” têm sua volta ao conceito inicial. Procure unir o externo com o interno. Trazer visão e recurso externo refresca os pensamentos e organiza o caos interno, clareando a direção que deve ser seguida. O artifício de se ter conselheiros em startups mostra um caminho para trazer uma visão externa à organização. Para colher totalmente as recompensas da inovação aberta, as empresas precisam reconhecer o desafio da transformação. A inovação aberta bem-sucedida geralmente requer mudanças operacionais e estruturais na forma como os negócios são feitos e geridos. Há sempre a necessidade de se abrir para fora e trazer novas experiências e capacidades, testar seu modelo de negócio e colher feedbacks.

A governança tem um papel-chave de trazer clareza e orquestração das diversas iniciativas, de validar, por exemplo, a necessidade regulatória, olhar para as questões legais, dentre outras como avaliar o risco de portfólio ou mesmo do desenvolvimento de produtos.

Claudinei Elias é CEO e fundador da Bravo GRC, uma empresa de consultoria em GRC e ESG que, por meio da tecnologia, integra pessoas e processos com mais de quinze anos de atuação no mercado de Governança, Riscos e Compliance.

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