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HRTechs brasileiras receberam US$ 3,4 bilhões em duas décadas

Em tempos de transformações tecnológicas cada vez mais velozes, muitos temem que as pessoas sejam substituídas pelas máquinas no trabalho. Mas o que tem acontecido, para além de certos cargos específicos que foram automatizados, é uma valorização cada vez maior de características humanas como criatividade, resiliência e pensamento crítico, atributos que compõem o valor do […]

7 de outubro de 2021 4 min de leitura
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Artigo atualizado 7 de outubro de 2021

Em tempos de transformações tecnológicas cada vez mais velozes, muitos temem que as pessoas sejam substituídas pelas máquinas no trabalho. Mas o que tem acontecido, para além de certos cargos específicos que foram automatizados, é uma valorização cada vez maior de características humanas como criatividade, resiliência e pensamento crítico, atributos que compõem o valor do Capital Humano.  Afinal, somente pessoas possuem as competências necessárias para lidar com as atuais demandas de um mundo marcado por um cenário de tantas mudanças e incertezas.

Prova disso é o constante crescimento de investimentos nas startups que lidam com o tema: desde o ano 2000, as HRTechs brasileiras, ou seja, as startups voltadas para soluções de recursos humanos, já receberam US$ 3,4 bilhões em investimentos, ao longo de 310 deals feitos por fundos de venture capital nacionais ou estrangeiros, além de CVCs. É o que mostra o Distrito HRTech Report 2021 -, relatório que acabamos de lançar. 

Outra evidência de que cenários complexos e mudanças aceleradas exigem mais do capital humano, foi o impressionante crescimento deste mesmo tipo de startup durante a pandemia. Cinco dos dez maiores investimentos foram feitos de 2020 a 2021. Só neste ano R$1,5 bilhão foi aportado – faltando ainda um trimestre para encerrá-lo, o volume já está muito próximo ao valor total de aporte de 2019. 

Destrinchando os investimentos por categorias, percebe-se que eles são destinados majoritariamente para as startups voltadas a Aprimoramento e Cuidados, que agrupa soluções de Qualidade de Vida (US$ 2,4 bilhões), Benefícios, Desenvolvimento de Skills e D&I (diversidade e inclusão).  

Tendência de crescimento contínuo das HRTechs

Essa aceleração nos últimos anos é mais um indício de que o capital humano é um campo pleno de oportunidades e que deve se manter em ascensão nos próximos“, diz Gustavo Araujo, CEO do Distrito. Segundo ele, a busca por esses serviços aumentou durante a pandemia devido às condições criadas pelo trabalho remoto, a necessidade de desenvolvimento de novas habilidades e a busca pela qualidade de vida e saúde mental dos brasileiros. “Com as alterações provocadas pela Covid-19 no mundo do trabalho, e que muitos especialistas consideram permanentes, e a maior ênfase em saúde mental dos colaboradores, enxergamos um cenário próspero para o empreendedorismo de tecnologia.” 

É o que também apontam os números: a tendência é que tenhamos investimentos cada vez maiores nos próximos anos, uma vez que houve um grande aumento das Series A e B. Isso indica que quando essas startups voltarem a captar seus tickets serão ainda mais altos.

O que são as startups de capital humano

As HRTechs usam métodos como análise de métricas de desempenho, integração de dados, automação e acompanhamento de resultados para desburocratizar os processos de recursos humanos e otimizar a capacidade de decisão dos gestores. Com isso, os processos são facilitados, melhorando a jornada de quem procura emprego e de quem busca por talentos. Também utilizam da tecnologia para aprimorar a qualidade de vida e o desenvolvimento contínuo de habilidades dos colaboradores. 

Segundo o levantamento feito pelo Distrito, há hoje 356 startups fornecendo soluções para o desenvolvimento do capital humano no Brasil, que foram separadas em três categorias: aprimoramento e cuidados (140), contratação (116) e gestão (100). 

Entrevista AmbevOn

Um exemplo de como as corporações estão investindo no capital humano, especialmente no setor de skills, é o caso da Ambev, que lançou a AmbevOn, plataforma de aprendizagem que pretende ressignificar o conceito de educação corporativa nas organizações.

Veja abaixo, parte da entrevista que fizemos com Rebeca Guenka, Head of Learning na empresa. 

Como surgiu e o que motivou a criação da AmbevOn?

 Ela nasceu da reformulação da Universidade Ambev (UA), programa de treinamento e capacitação que existe há mais de 20 anos na empresa. Percebemos que o comportamento das pessoas mudou, assim como a forma de consumo de informação, disponibilidade de plataformas de conhecimento (streamings, podcasts, sites de busca), e

nós ainda estávamos com uma universidade corporativa que remetia a tempos antigos de ensino. Com isso, queríamos tornar a aprendizagem mais democrática e engajadora, trazendo diversidade de conteúdo, formatos e também levar protagonismo para nosso time. 

Hoje, a AmbevOn é uma plataforma de aprendizagem única e colaborativa, onde é possível compartilhar conteúdos de educação corporativa em diferentes formatos, muitas vezes a partir de exemplos da própria empresa, para fomentar o debate e construir, em conjunto, uma fonte para a aprendizagem contínua. O termo “ON”, inclusive, é utilizado porque demonstra as ideias de evolução, crescimento, continuidade e desenvolvimento, trazendo luz à ideia de modernidade, inovação e tecnologia. Até o momento, ela já atinge aproximadamente 16 mil funcionários e soma cerca de 180 mil acessos. 

De que forma a empresa engaja seus colaboradores a participarem da plataforma de aprendizagem? 

Procuramos estimular a busca do aprendizado contínuo de forma autônoma e autodirigida por meio da promoção de experiências transformadoras – de impacto e que estimule a curiosidade das pessoas – e ferramentas de uso intuitivo e que facilitem a procura por desenvolvimento. Para isso, buscamos constantemente adaptar a plataforma para que isso aconteça. Inclusive, reduzimos o número de iniciativas obrigatórias para dar essa autonomia aos nossos colaboradores. Os únicos treinamentos obrigatórios hoje são os de segurança e compliance.

Com as ferramentas que temos, conseguimos medir o número de acessos aos treinamentos e consultas à curadoria de conteúdo, sejam eles via podcasts, lives, livros, artigos, etc. Também utilizamos dados para compreender o quanto os colaboradores estão acessando determinado conteúdo, em que momento param o vídeo, qual tópico têm mais dificuldade, para, assim, conseguirmos desenhar as próximas experiências de cada um, de forma personalizada. A usabilidade das ferramentas e o retorno dos nossos participantes em cada treinamento, por exemplo, são dados que utilizamos para melhorar continuamente nossas experiências e ferramentas de aprendizagem.

Para ver a entrevista completa, assim como os dados do relatório, baixe gratuitamente o  Distrito HRTech Report 2021: Inovação por meio do Capital Humano, um estudo completo que revela como a inovação aberta está fomentando o desenvolvimento de profissionais para geração de resultados melhores.

O estudo apresenta as HRTechs que estão revolucionando o mercado com soluções pensadas para desenvolver competências, conhecimentos e habilidades que um profissional precisa para realizar suas funções na nova realidade de trabalho. 

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