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Qual a participação dos investidores internacionais no Brasil?

Qual a participação dos investidores internacionais no Brasil?

Há pouco mais de uma década surgiam no Brasil os primeiros fundos voltados para o investimentos em Venture Capital, que passaram a institucionalizar – de forma mais consistente – um um tipo de investimento até então muito ligado com fundos de private equity e investidores anjos. O ecossistema de inovação brasileiro ainda era incipiente, com […]

16 de julho de 2020 4 min de leitura
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Artigo atualizado 16 de julho de 2020

Há pouco mais de uma década surgiam no Brasil os primeiros fundos voltados para o investimentos em Venture Capital, que passaram a institucionalizar – de forma mais consistente – um um tipo de investimento até então muito ligado com fundos de private equity e investidores anjos. O ecossistema de inovação brasileiro ainda era incipiente, com muita vontade, mas com poucas ferramentas que auxiliassem os empreendedores a seguirem sua jornada. 

Com o surgimento de mais capital para founders o ecossistema de startups floresceu e vimos um boom na fundação de startups. O processo foi se aprimorando tanto do lado dos investidores quanto do lado dos e hoje já somos mais de 9.000 startups e mais de 120 investidores locais. 

As startups passaram a ter mais acesso a capital para financiar seu crescimento exponencial, dando em troca (quando bem sucedidas) volumosos retornos para seus investidores. Durante esses quase doze anos, o mercado foi ocupando diversos gaps existentes no setor de investimentos, além disso, surgiram diversas aceleradoras, hubs e gestores voltados para os estágios iniciais dos empreendimentos.

Com o surgimento de cada vez mais startups e fundos, era de se esperar que o mercado de Venture Capital movimentasse mais recursos. E foi justamente o que aconteceu. Em 2019 aproximadamente US$ 3.1 bilhões foram investidos em startups brasileiras.. Volume 121% maior do que 2018 e 342% superior a 2017.

Quanto ao volume movimentado a esse ano, mais de US$ 668 milhões foram investidos nas startups por aqui nos primeiros seis meses. Para destrinchar todos esses números iremos lançar não só um, mas dois estudos neste mês. Fique tranquilo que iremos manter você por dentro dos lançamentos. 

A pandemia, entretanto pode transformar a dinâmica do mercado de Venture Capital no Brasil, onde a maioria dos deals em estágios mais altos é altamente dependente da atuação de investidores estrangeiros.

Isso porque hoje o setor é bem atendido nas séries iniciais por gestores e fundos brasileiros, que conseguem suprir a necessidade das startups por cheques menores. Conforme a startup vai crescendo, entretanto, a necessidade e os valores de captação vão aumentando e, historicamente, quem dita o rumo nesse mercado late stage, são os investidores internacionais.

Atuação dos fundos estrangeiros

O mercado brasileiro de startups apresenta diversas oportunidades para venture capitalists do mundo inteiro. Somos atualmente o sexto país mais populoso do mundo, com diversas mazelas sociais e de infraestrutura, apresentando características muito diferentes de outros mercados de atuação dos VCs.

Estados Unidos e Europa se consolidaram como formadores de grandes startups que utilizam tecnologia de ponta para alavancar seu modelo de negócio e expandir sua disrupção em economias evoluídas, com alta renda per capta e elevada disponibilidade de capital. 

Mercados como a China e o sudeste asiático atraem fortemente os gestores de VC com atuação global, ávidos por surfar na onda de bilhões de pessoas que se integrarão às economias asiáticas nos próximos anos e pelo alto número de engenheiros e desenvolvedores, formados principalmente na China, altamente engajados em tecnologia e inovação.

O Brasil possui nuances um um pouco diferentes dos mercados emergentes asiáticos. Atualmente, desenvolvemos soluções inovadoras e disruptivas para sanar as dores da desigualdade, da burocracia e da concentração de renda do país, um grande exemplo é o boom das fintechs que lutam para romper com a concentração de 85% do setor bancário em seis bancos.

Evoluímos muito em soluções bancárias, de mobilidade, de saúde tentando reduzir problemas sociais da realidade brasileira e da América Latina, com tantos problemas por aqui, é possível entender que os investidores estrangeiros enxergam igualmente uma oportunidade igualmente grande.

Avançar no desenvolvimento de mão de obra qualificada é essencial para ampliar o potencial de impacto das startups e atrair cada vez mais a atenção de investidores internacionais. Criar tecnologia só é possível com capacitação e educação em massa, e nesse ponto o Brasil fica para trás em comparação com o mercado asiático.

Formamos atualmente no Brasil cerca de 20 mil novos engenheiros por ano, um número que vem crescendo na última década, entretanto ainda ficamos muito atrás quando comparamos com os quase 450 mil engenheiros formados anualmente pela Rússia e os quase 500 mil pela China.

Investir em formação é essencial para o desenvolvimento de novas tecnologias que impulsionarão inovações e disrupções em mercados, atraindo assim investimentos do capital estrangeiro

Estratégias para captação

Entender como chegar nos fundos estrangeiros é essencial para montar estratégias que permitam a constante evolução ao longo do funil de captação. O Distrito Dataminer apurou que apenas 10% das startups brasileiras conseguem levantar um Series B com sucesso.

Desenvolver um relacionamento com um investidor estrangeiro é essencial nessa fase onde quase 70% dos deals realizados possuem a participação de um investidor internacional.

A partir do Series A, onde os investidores internacionais já participam da metade dos deals, é muito raro encontrar uma rodada de investimento onde não haja a participação de um investidor estrangeiro.

Grande parte das conversas com fundos internacionais começam com pontes realizadas pelos próprios fundos que já aportaram no Seed ou Series A da startup. Assim, um gestor nacional que já tenha contato com investidores ou outros fundos internacionais facilita consideravelmente a jornada do founder pelo funil de captações.

Participar de congressos internacionais, apresentando sua startup e fazendo pitchs é outra boa forma de encontrar um investidor. Vale sempre a pena olhar para o seus investidores e buscar contatos mais próximos, com certeza eles conhecem alguém para abrir uma porta internacional.

Segundo levantado pelo Distrito Dataminer, a partir do Series D, 100% das rodadas possuem um investidor estrangeiro, onde, na média, 50% delas não possuem a participação de um investidor nacional.

Assim, para viabilizar uma captação nesses estágios é crucial que o empreendedor desenvolva um relacionamento com fundos estrangeiros, um passo essencial para continuar evoluindo na sua jornada empreendedora.

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