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M&A na prática: cases de empresas que compraram outras empresas

M&A na prática: cases de empresas que compraram outras empresas

Dentre as inúmeras estratégias para as empresas se inserirem na transformação digital, as fusões e aquisições, também conhecidas como M&A (do inglês, Mergers and Acquisitions) têm sido umas das mais bem sucedidas. Tanto que  o cenário de M&A’s passa por um momento de grande expansão, tanto no Brasil quanto no mundo: após uma leve queda […]

23 de março de 2022 5 min de leitura
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Artigo atualizado 23 de março de 2022

Dentre as inúmeras estratégias para as empresas se inserirem na transformação digital, as fusões e aquisições, também conhecidas como M&A (do inglês, Mergers and Acquisitions) têm sido umas das mais bem sucedidas. Tanto que  o cenário de M&A’s passa por um momento de grande expansão, tanto no Brasil quanto no mundo: após uma leve queda do volume de transações durante a crise econômica gerada pela pandemia, no Q2 de 2020, o número total de negócios gerados pelas fusões e aquisições alcançou o recorde de 9550 no Q1 de 2021, segundo relatório do Global Data. 

Leia mais: Panorama do mercado de fusões e aquisições de 2021

No cenário nacional, os volumes de transações de M&A no Brasil começaram a se destacar a partir de 2019, sendo os anos seguintes os mais movimentados no ecossistema de Venture Capital. Conforme dados de nossa base, em 2020, ocorreram 170 dessas transações no período, um crescimento de 160% superior a todo o ano de 2019, para logo em seguida, em 2021, vir um novo recorde: 247 transações do tipo M&A, um número quase 50% maior que a do ano.

Quer saber quais são as principais razões pelas quais as empresas realizam M&As e qual a trajetória de empresas que passaram por esse processo? Continue a leitura!

O que é o processo de M&A?

O processo de fusões e aquisições nada mais é do que a consolidação de um negócio por meio de diferentes transações financeiras, que permitem que empresas sejam compradas, vendidas ou concentradas.

Tais processos têm sido de grande importância para ajudarem grandes empresas a realizarem a transformação digital e serem mais competitivas. Já para as startups vendidas, têm sido oportunidade de crescimento e retorno de investimentos. Outro movimento cada vez mais comum, é as startups usarem parte do dinheiro das rodadas de captação justamente para adquirir outras empresas que aceleram seu crescimento. 

Quais as principais razões para se realizar um M&A?

Existem diversas razões para uma empresa realizar um M&A dentro de sua estratégia de crescimento e inovação, mas dentre as principais delas, estão:

Sinergias : Combinando atividades de negócios para aumentar a eficiência geral do desempenho e baixar os custos, devido ao fato de que cada empresa aproveita os pontos fortes da outra. 

Crescimento: Os adquirentes podem simplesmente comprar o negócio de um concorrente e aumentar seu mercado.

Aumentar o poder de preços da cadeia de fornecimento: Ao comprar um de seus fornecedores ou distribuidores, uma empresa pode eliminar toda uma camada de custos. 

Eliminar a concorrência: Muitos negócios de M&A permitem que o adquirente elimine a concorrência futura e ganhe uma participação de mercado maior.

Empresas que compraram outras empresas

Locaweb

Ao longo de 9 anos, a Locaweb, empresa brasileira de hospedagem de sites, serviços de internet e computação em nuvem, já adquiriu 20 startups. Cada uma dessas  aquisições complementam a estratégia geral que é formar um grande ecossistema, capaz de suprir as necessidades dos clientes, ao mesmo tempo que era criada a sinergia de custos entre as empresas da holding.

A primeira aquisição da empresa aconteceu em 2012. Na época, ela se encontrava em um dilema comum das grandes corporações: desenvolver uma solução dentro de casa, ou ir ao mercado e comprar uma solução já madura. O resultado foi a segunda opção, resultando na aquisição da Tray, uma plataforma de e-commerce.

Outro exemplo de suas aquisições bem sucedidas foi a King Host é uma das principais empresas de webhosting do Brasil, amplamente utilizada por desenvolvedores e web designers para oferecer soluções customizadas aos seus clientes. Na época, a King Host já contava com cerca de 60 mil clientes e hospedava 300 mil sites em seu sistema. A aquisição foi feita visando o plano da Locaweb de se tornar grande referência em hospedagem de sites. O movimento teve foco também em trazer soluções de varejo, como revenda, computação em nuvem, além de hospedagem de sites e outros serviços

Magazine Luiza

O Magazine Luiza (MGLU3) é a empresa que mais comprou negócios escaláveis na América Latina: ao todo foram 25 empresas adquiridas, reforçando os planos de se tornar um super aplicativo nos moldes das gigantes chinesas do comércio digital.

A estratégia da empresa por trás de tantas aquisições é se tornar um ecossistema completo para seus clientes – tanto os consumidores finais quanto outros varejistas que queiram vender seus produtos utilizando o marketplace do Magalu. Para isso, o Magazine Luiza visa ter “tentáculos” em diversos segmentos da cadeia.

Diversificando a cartela de produtos Uma das aquisições mais estratégicas neste sentido foi a compra da plataforma de comércio eletrônico de produtos de tecnologia Kabum!, adquirida por 3,5 bilhões de reais. Com a aquisição, o Magalu reforça o pilar estratégico de aumentar a presença em novos produtos, com um sortimento extremamente complementar ao atual e com enorme potencial de crescimento. 

Em agosto de 2020, o Magazine Luiza anunciou duas aquisições numa única tacada: o site de conteúdo sobre tecnologia Canaltech e a plataforma de mídia online Inloco. O Canaltech conta com uma audiência de 24 milhões de visitantes únicos, 2,5 milhões no canal do Youtube e 792 mil seguidores em suas redes sociais. A ideia da varejista é monetizar essa audiência oferecendo aos vendedores do marketplace do Magalu a oportunidade de anunciar no site. 

Com essas aquisições, a empresa ganha mais pontos de contato ao longo da jornada dos clientes, que passam a confiar em propriedades do Magalu para atividades que vão da descoberta de novos produtos e tendências às transações financeiras do dia a dia, mesmo que não relacionadas com a compra e venda de produtos na plataforma. 

Disney, Pixar e Marvel: exemplo de sucesso internacional

A Walt Disney Co. adquiriu a Pixar em 2006 por US$ 7,4 bilhões e, desde então, obteve um tremendo sucesso com filmes como WALL-E, Procurando Dory e Toy Story 3 – cada um dos quais gerou bilhões de dólares em receita para a empresa.

Uma das principais razões para o sucesso desta aquisição foi o acesso que a Disney passou a ter a avançada tecnologia de animação da Pixar. Ao manter a cultura da Pixar distinta, a Disney conseguiu gerar valor significativo sem destruir o que tornava a Pixar única ou bem-sucedida.

Pouco depois, a Disney adquiriu a Marvel Entertainment, pagando US$ 4 bilhões pela empresa de entretenimento em 2009. Com uma série altamente lucrativa de filmes da Marvel estreando nas bilheterias desde então, eles já recuperaram o dinheiro investido. 

Casos de M&A que fracassaram

Não existem apenas casos bem sucedidos de M&A. Quando os objetivos da aquisição não são claros ou quando certos cuidados não são tomados, como os exemplos a seguir, a estratégia pode ser mal sucedida

Um dos piores (e maiores) desastres de fusões e aquisições da história foi a fusão da AOL e da Time Warner.  O acordo entre os gigantes das comunicações e da mídia foi assinado em 2000 por um valor de US$ 350 bilhões, mas apenas dois anos depois a empresa incorporada estava relatando uma perda de US$ 99 bilhões. 

Segundo fontes, a integração de duas culturas empresariais muito diferentes foi um dos grandes desafios. A AOL era vista como “mais agressiva” pela Time Warner, uma cultura mais séria e tradicionalmente corporativa. As duas empresas passaram a se ressentir e sinergias valiosas nunca foram realizadas. Seus problemas foram exacerbados pela bolha pontocom e pela recessão econômica, levando à dissolução da fusão em 2009.

Outro caso de fracasso foi o da eBay e Skype. A gigante do comércio eletrônico eBay comprou o Skype por US$ 2,6 bilhões em 2005, pensando que compradores e vendedores poderiam se conectar melhor com suas ferramentas de comunicação por vídeo. A aquisição foi um grande fracasso, com os usuários continuando a preferir o e-mail para organizar e executar suas transações.


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