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Questão climática: Os elefantes nas salas do SXSW 2022

Questão climática: Os elefantes nas salas do SXSW 2022

6 de abril de 2022
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Artigo atualizado em 6 de abril de 2022

No período de realização da COP26 (26ª conferência da ONU sobre mudanças climáticas), em novembro de 202,1 um vídeo divulgado pela própria ONU próximo do início do evento chamou a atenção. Nele um dinossauro aparece entrando em uma famosa sala da ONU sediada em Nova York espantando os presentes, mas a quebra de expectativa surge quando o dinossauro dirige-se ao microfone e faz um discurso em inglês alertando que o uso desenfreado dos combustíveis fósseis está levando a nossa e as demais espécies do planeta à extinção.

Durante a SXSW 2022 uma simbologia semelhante esteve presente. Em diversos painéis, dinossauros infláveis foram colocados próximos aos palestrantes, como “elefantes na sala”. Os objetos foram colocados para representar questões problemáticas que todas as pessoas e, sobretudo, empresas, evitam discutir.

Lembrando que o “elefante na sala” é uma expressão metafórica utilizada para nomear realidade ou problemas que, de tão evidentes, não podem ser ignorados e precisam ser discutidos.

SXSW: conheça o maior evento de inovação do mundo!

Por que dinossauros infláveis apareceram durante a SXSW 2022?

Diversos painéis, abordando ou não questões climáticas, receberam os dinossauros. Porém, qual a relação dos problemas ambientais com a tecnologia e a inovação?

As novas tecnologias e diferentes formas de produção, além de trazer vantagens competitivas para as empresas, ocupam um papel central para mudar o cenário de esgotamento dos recursos naturais, possibilitando novos combustíveis e usos mais eficientes dos recursos já existentes. Por isso, a inovação pode ser a chave para nossa sobrevivência.

Resumo dos painéis sobre sustentabilidade

Separamos algumas sessões interessantes sobre a temática das mudanças climáticas que aconteceram no festival.

Descarbonização da tecnologia Blockchain

NFTs e criptomoedas foram assuntos quentes nos últimos anos. A blockchain é a tecnologia que sustenta ambos, e a relação deste tema com as mudanças climáticas vai um pouco além das críticas do gasto energético necessário para manter o sistema em funcionamento.

A Blockchain pode ser uma importante aliada no combate às mudanças climáticas, com cadeias de suprimento mais eficientes que evitam desperdícios, criação de certificados de rastreabilidade para garantir que a energia é proveniente de fontes renováveis, entre outros.

Escutar a floresta tropical pode salvar o clima

Com a ajuda de dados e inteligência artificial pode-se detectar tanto onde está acontecendo desmatamento ilegal quanto prever onde ele pode acontecer no futuro reduzindo e prevenindo o desmatamento. Em resumo, os sinais dados através dos próprios animais podem ser capturados para indicar esses locais fazendo a própria natureza dizer onde é preciso intervir.

ESG. Prontos para pagar a conta?

O painelESG. Ready to pay the bill?” (“ESG. Pronto para pagar a conta?”, em tradução livre) contou com as brasileiras Patricia Ellen da Silva, secretária de desenvolvimento social e econômico do Estado de São Paulo, e Wal Flor, fundadora e CEO da Flow.Ers.

O objetivo foi discutir a responsabilização das empresas frente aos seus impactos ambientais e entender a relevância dos governos para o estabelecimento de novas regras e incentivos para acelerar as agendas de sustentabilidade. Também participaram do painel Adam Gromis, líder global de sustentabilidade na Uber, que conversou sobre os planos da empresa para a transição para o uso de carros elétricos. 

Limpando a moda através da política

A indústria da moda é uma das mais poluentes do mundo, com isso intervenções mais sustentáveis são urgentes para o setor. O painel “limpando a moda através da política” contou com líderes de lojas de segunda mão e acadêmicos que estudam os impactos da moda no meio ambiente e a circularidade. Na discussão, também foi incluída uma pauta a respeito das regulações promovidas pelo setor público para reduzir o impacto ambiental da indústria da moda.

Pegadas de carbono e o futuro do consumo de marcas

Tudo que fazemos e consumimos deixa um impacto de carbono, o que caracterizaria a expressão “pegadas de carbono”. Saber os impactos das nossas escolhas através dos rótulos de produtos, principalmente, em relação a emissão de carbono envolvida, poderá estimular a consciência em relação às nossas ações no mundo e demandar de grandes empresas mudanças sistemáticas. 

Afinal, as corporações estão cada vez mais atentas ao comportamento dos seus consumidores e ao que eles esperam na hora de escolher uma marca. A responsabilidade ambiental precisa se tornar uma demanda na hora da criação e desenvolvimento de novos produtos para o mercado.

Proteínas alternativas podem ser as “energias limpas” dos alimentos

Espera-se que alimentos com base em proteínas que não tenham origem animal possam ser umas das frentes de solução mais importantes para a redução da emissão de carbono. Além disso, cada vez mais, o público engajado em como resolver um dos principais problemas da humanidade, a segurança alimentar, aumenta.

Quando falamos sobre segurança alimentar, vamos um pouco além de uma “produção segura”, passando também pela garantia de que não falte comida para ninguém, pela questão da saudabilidade dos alimentos e o impacto da produção.

Ao todo, foram cerca de 150 palestras e 12 eventos dos mais diversos que abordam a discussão no maior evento de inovação do mundo, destacando, mais uma vez, que a inovação estão de mãos dadas com a sustentabilidade e envolve a qualidade de vida de todas as pessoas do planeta.

Nos próximos dias serão publicados outros materiais que irão abordar aspectos do evento com mais detalhes, fique de olho!


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