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Como é empreender em Minas Gerais

Nascida em 2004, a startup mineira Samba Tech atualmente é uma das maiores plataformas de vídeo da América Latina. Quando foi fundada, o cenário de startups no Brasil ainda era pouco conhecido e estava em início, pouco se falava de investimento anjo, venture capital, fintech entre outros termos. De lá para cá, a startup se […]

22 de julho de 2020 4 min de leitura
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Artigo atualizado 22 de julho de 2020

Nascida em 2004, a startup mineira Samba Tech atualmente é uma das maiores plataformas de vídeo da América Latina. Quando foi fundada, o cenário de startups no Brasil ainda era pouco conhecido e estava em início, pouco se falava de investimento anjo, venture capital, fintech entre outros termos.

De lá para cá, a startup se tornou referência entre o estado de Minas Gerais, como também foi precursora de um movimento que mais tarde seria conhecido como o Vale do Silício mineiro ou o San Pedro Valley. Nome que representa a concentração de startups e empresas de tecnologia no centro de Belo Horizonte próximos ao bairro de São Pedro, Savassi e Santo Antônio.

A Samba Tech, inclusive, foi destaque no estudo Distrito Minas Tech Report que mapeou mais de 780 startups mineiras. No levantamento foram analisados os maiores empreendimentos da região e com maior representatividade formando assim uma lista das Top 10 startups mineiras.

Para entender mais sobre a trajetória da empresa, evolução e representatividade no cenário nacional, conversamos com Pedro Filizzola, CMO na Samba Tech. Confira a entrevista completa!

Entrevista completa com Pedro Filizzola, CMO da Samba Tech

Há 13 anos quando a Samba surgiu o perfil de empreendedores era diferente, o que podemos esperar dos novos profissionais?

Quando o Gustavo montou a primeira operação da Samba há uma década, pouco se falava em startups e muito menos em investimento. O modelo que as pessoas seguiam era “estude numa boa faculdade para conseguir um bom emprego numa multinacional e ter estabilidade e segurança financeira”. Essa era o sonho dos nossos pais. O conceito de startup começou a ser difundido depois que essas empresas começaram a ter mais relevância no mercado e junto com elas foram surgindo aceleradoras, fundos de investimento, co-workings. A imprensa começou a dar mais espaço para as histórias e negócios desse tipo de empresa, a Associação Brasileira de Startups surgiu e começamos a ver mais pessoas se interessando por esse tema.

O comportamento das pessoas e dos estudantes mudou bastante ao longo desses anos, principalmente porque elas passaram a ter uma coisa que as outras gerações não tinham: acesso fácil e rápido à informação. E a partir do momento que consumir conhecimento se torna um hábito eles passam a expandir o leque de opções, passam a questionar o modelo tradicional, a correr mais riscos, a querer liberdade, autonomia e principalmente trabalhar por propósito. É uma geração autodidata, de nativos digitais que se acostumou a resolver os problemas de forma mais dinâmica e simples. 

Eu já entrevistei mais de 100 pessoas para vagas diversas no marketing da Samba, e é impressionante o quanto muitos se destacaram pela maturidade, mesmo sendo jovens. Desde a faculdade já desenvolvem uma mentalidade empreendedora (ou intraempreendedora), são naturalmente curiosos, já sabem como funciona um negócio. Quisera eu ter a mesma desenvoltura que eles tem com 18-19 anos. Isso, sem dúvidas, abre portas, contribui para que as oportunidades apareçam – e consequentemente para o crescimento como profissional e como pessoa.

O grande desafio é casar os objetivos pessoais desses profissionais com os da companhia. A média de tempo que as pessoas ficam nas startups mais quentes dos EUA, como Instagram, Uber, AirBnB, Amazon, etc. é de menos de 2 anos. Hoje vivemos um jogo diferente de alguns anos atrás: o jogo da retenção dos talentos. O mercado está cada vez mais aquecido e os negócios capitalizados vão acabar brigando por pessoas boas. Cabe aos líderes e às startups entenderem esse cenário e agir para equilibrar o anseio desse profissional em novos desafios (e melhores salários) com a jornada que ele precisa percorrer para tal (e o momento da empresa). 

Quando a Samba surgiu eram meia dúzia de startups em BH. Hoje são cerca de 500 no estado. É muito bacana ver em Minas Gerais o San Pedro Valley, esse ecossistema que surgiu por aqui. Ver esse espírito empreendedor, startups líderes nos seus segmentos, resolvendo problemas reais, gerando emprego e contribuindo com a sociedade – e com a economia.

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Onde estão sendo formados os programadores que vocês contratam?

Temos a federal da UFMG que é referência nacional, isso acaba sendo um ponto positivo. BH tem algumas características que são qualidade de vida boa, clima legal, custo de vida bem menor, custo de salário menor que grandes capitais e tem a presença das faculdades, a PUC que é forte na parte de negócios e UFMG muito forte em tecnologia, mas formam 200 programadores por ano e as startups só de San Pedro Valley estão precisando de 1000. Tem movimentos de trazer pessoas de fora, e eu vejo iniciativas públicas para que as startups não evadam, e não aconteça o êxodo dessas startups levando dinheiro para outro estado, mas a premissa é essa se não tem talento para continuar operando e a demanda existe no mercado, eu vou para onde está indo.

Dicas para quem está começando a empreender:

É clichê, é óbvio, mas o óbvio é que é difícil, que é tirar a ideia do papel o quanto antes. Tem várias pessoas que falam: tive a ideia da Samba antes da Samba ou tive a ideia de app de táxi antes do Tallis, mas essa galera foi lá e executou. A parte de execução é fundamental.

Outro ponto é sempre ir atrás do cliente para entender se está resolvendo um problema real, a partir do momento em que você coloca as ideias em prática, você vai conseguir saber se aquilo deu certo ou não, tem gente que valida a ideia e já põe o pé no acelerador, calma, você tem cliente? Tá conseguindo lapidar o seu diferencial? Isso faz sentido? É must to have? No final vai ter gastado tempo demais que não dá para recuperar. 

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