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Entenda por que as startups SaaS estão na mira dos investidores

Embora seja novidade no Brasil, o cenário de juros baixos já se mantém faz alguns anos no mercado internacional. Com isso, cresceu o apetite dos investidores pelo financiamento produtivo. E muitas empresas de tecnologia têm chamado atenção pelo bom retorno que apresentam.  Conforme artigo do especialista em Venture Capital Daniel Li (em inglês), do Madrona […]

28 de fevereiro de 2020 3 min de leitura
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Artigo atualizado 28 de fevereiro de 2020

Embora seja novidade no Brasil, o cenário de juros baixos já se mantém faz alguns anos no mercado internacional. Com isso, cresceu o apetite dos investidores pelo financiamento produtivo. E muitas empresas de tecnologia têm chamado atenção pelo bom retorno que apresentam. 

Conforme artigo do especialista em Venture Capital Daniel Li (em inglês), do Madrona Venture Group, um nicho entre as startups têm gerado entusiasmo ainda maior: as chamadas Saas (software as a service).

Características de negócio atraentes

Se você ainda não está familiarizado com esse acrônimo, ele se refere a empresas cuja solução oferecida está na forma de aplicativos ou softwares baseados em nuvem.

Exemplos bastante conhecidos de Saas são Netflix, RD Station, ContaAzul e Dropbox, em que o cliente paga para ter acesso ao serviço que fica baseado em nuvem e pode ser utilizado de qualquer lugar. Em vários modelos, a cobrança é proporcional ao consumo ou conforme planos customizados para cada necessidade. 

Nesse contexto, existem desafios específicos como boa usabilidade, atualizações frequentes, segurança dos dados e disponibilidade, mas também há particularidades muito convenientes. 

Vantagens do modelo Saas

A recorrência, por exemplo, é predominante no modelo Saas. Dessa forma os usuários aderem ao serviço pelo modelo de assinatura, constituindo receita costumaz. 

Justamente por causa disso, métricas como MRR (Receita Recorrente Mensal) e ARR (Receita Recorrente Anual) fazem mais sentido para esse modelo de negócio. Como também monitorar as taxas de CHURN (abandono)  e retenção. 

Esse diferencial faz brilharem os olhos dos investidores no chamado Venture Capital, que envolve maior exposição a risco, comparando a ativos como Renda Fixa. 

Afinal, já dizia o renomado especialista de marketing norte-americano Philip Kotler: “conquistar um novo cliente custa até 5 vezes mais do que reter um atual”. Aliado a isso, existe o fator previsibilidade, muito bem vindo em qualquer estratégia de crescimento. 

Outras vantagens do modelo SaaS: 

  • não é necessário instalar; 
  • usuário paga pelo que usar; 
  • acessível por qualquer computador;
  • personalização; 
  • integração com outros softwares; 
  • escalabilidade. 

Comparativo de faturamento

Daniel Li fez um comparativo entre o valuation das startups que fizeram IPO (oferta de ações na Bolsa) e o ARR que elas entregaram. Pelo gráfico é visível que a razão entre os valores se apresenta mais vantajosa no modelo SaaS. Na análise do especialista em Venture Capital, as companhias SaaS precisam de menos do que US$1 para gerar US$1 de ARR. 

Outros fatores precisam ser levados em consideração, como as taxas de lucratividade de cada negócio, mas, de forma mais abrangente, o modelo de recorrência é um forte diferencial competitivo, já que contribui para a retenção e aumento do faturamento ano após ano.

“Para obter os mesmos retornos com uma empresa não SaaS, os investidores precisam (1) ver um crescimento significativamente mais rápido com o mesmo investimento e / ou (2) investir em múltiplos de avaliação que levam em consideração margens mais baixas e qualidade da receita.”, elabora Li.

Essa tendência leva a crer que em termos de capital, as startups SaaS são, em média, mais eficientes e rentáveis. Isso ajuda a explicar seu maior apelo junto aos investidores. Lembrando que ao tratar de Venture Capital (VC), risco é um fator sempre presente. 

Existem negócios que aparentam ser promissores e acabam enfrentando dificuldades em sua jornada de crescimento. Um exemplo brasileiro é a startup Grow (fusão da Grin com a Yellow), que enfrenta uma crise possivelmente envolvendo conflitos na alta gestão, custos operacionais e problemas críticos que parecem difíceis de resolver. 

Conclusões e indícios

Para arrematar sua análise, Daniel enfatiza que ARR é diferente de receita, já que nesta última não está implícita a recorrência. Em sua visão, no comparativo, as startups Saas entregam maior “receita de qualidade”.  

Uma ponderação importante é que muitas das empresas que não são SaaS podem crescer mais rapidamente do que as empresas SaaS e têm como alvo mercados significativamente maiores (por exemplo, transporte VS visualização de dados). Atentando-se a esse conjunto de indícios, Li encerra: “Então, o que isso tudo significa? Os VCs procuram obter o melhor retorno pelo seu dinheiro. Se eles investem em startups de SaaS, existe a oportunidade de atingir um retorno maior em ARR”, por outro lado, conjectura: “Esperamos ver avaliações mais racionais para startups não SaaS nos próximos anos”.

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