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Conheça a Ualá, primeira startup argentina investida pelo SoftBank

O ano de 2019 foi mesmo movimentado para o SoftBank. Depois de salvar o WeWork e fazer investimentos em uma série de startups (especialmente fintechs) brasileiras, como 99, Loggi, Creditas, VTEX e Olist, a multinacional japonesa anunciou um aporte de US$ 150mi, destinados à startup argentina Ualá. O investimento foi feito também por meio do […]

6 de dezembro de 2019 4 min de leitura
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Artigo atualizado 6 de dezembro de 2019

O ano de 2019 foi mesmo movimentado para o SoftBank. Depois de salvar o WeWork e fazer investimentos em uma série de startups (especialmente fintechs) brasileiras, como 99, Loggi, Creditas, VTEX e Olist, a multinacional japonesa anunciou um aporte de US$ 150mi, destinados à startup argentina Ualá.

O investimento foi feito também por meio do Innovation Fund, que direciona US$ 5 bilhões a negócios latino-americanos, e contou ainda com a participação da empresa chinesa Tencent e de outros investidores.

Mas o que é e como funciona a Ualá? E o que isso pode dizer sobre o interesse dos asiáticos nas empresas da América Latina? É sobre isso que vamos falar neste artigo!

Por dentro da Ualá

A startup argentina Ualá foi fundada em 2016 pelo empreendedor Pierpaolo Barbieri com o objetivo de oferecer transferências e cartão de crédito por meio de aplicativo. Sim, o formato, voltado para o digital e para facilitar a vida financeira, lembra mesmo o Nubank. No entanto, ao contrário da fintech brasileira, a empresa argentina não busca se tornar um banco.

O cartão oferecido pela Ualá tem a bandeira MasterCard e, pelo app, é possível receber e fazer transferências gratuitas para outros usuários do serviço. O cliente também pode pedir o bloqueio do cartão, pagar faturas e controlar os gastos, uma funcionalidade similar ao aplicativo brasileiro GuiaBolso.

Atualmente, a Ualá conta com 1,3 milhão de usuários. Mas ainda há muito espaço para crescer, considerando que a população da Argentina é de 45 milhões — menos da metade possui uma conta bancária, ou seja, são os famosos desbancarizados.

Por isso, antes de mirar uma expansão internacional, por exemplo, parte dos planos da fintech para o investimento recebido é destiná-lo a atingir mais argentinos. Para tal, a Ualá deve contratar mais 400 colaboradores e intensificar parcerias que já faz com outros negócios, como Netflix, Rappi e Spotify.

O papel da Tencent

Além do SoftBank, o fundo de capital de risco da empresa chinesa Tencent — maior e mais usado portal de serviços de internet do país asiático, detentor do aplicativo WeChat — e outros investidores participaram da rodada. 

A Tencent, aliás, já tinha investido na fintech uma quantia não divulgada em março de 2019, e também já beneficiou o Nubank com um aporte em 2018. Na China, a Tencent criou o app WeChat, que conta com 1 bilhão de usuários. Também é listada como uma das empresas mais valiosas da Ásia. 

Isso leva à questão: o que investidores asiáticos ganham ao investir em fintechs de atuação local, como é o caso da Ualá? Para o site TechCrunch, a aproximação pode ser uma forma de entender o mercado e o comportamento dos consumidores latino-americanos.

O interesse, pelo menos da parte da Ualá, é recíproco. De acordo com o fundador da startup, a ideia da parceria com a Tencent é ter um aplicativo melhor, que estimule o engajamento diário dos usuários. 

Pierpaolo Barbieri elogiou a maneira como o WeChat é usado como ecossistema de pagamento, e diz querer aprender com os chineses. O super app — como são chamados os aplicativos que reúnem diversos serviços num só lugar — inclui, além de pagamentos, jogos, marcação de consultas, pedido de táxi, encomenda de comida e outros serviços necessários no dia a dia. 

Além disso, de acordo com o The New York Times, a Tencent anunciou em 2018 que iria aumentar investimentos em áreas-chave, incluindo pagamentos digitais, segmento em que a gigante chinesa compete com a Alipay, da Alibaba.

O interesse do SoftBank na região

Somado ao interesse da Tecent, há também o SoftBank, que, como já falamos aqui no blog do Distrito, tem mirado na América Latina. O Innovation Fund, anunciado em março de 2019, dá prioridade ao Brasil, mas, a exemplo do que aconteceu com a Ualá, tem interesse também em outros países da região. 

O suntuoso valor do fundo, 5 bilhões de dólares, chama a atenção, pois equivale a quatro vezes o total de investimentos de risco feitos na região em 2017, de acordo com a a LAVCA, a Associação Latino-Americana de Private Equity & Venture Capital. No Brasil, o SoftBank liderou 6 das 10 maiores negociações da história.

E não parou por aí: o SoftBank também anunciou por aqui o Latin America Tech Hub, incubadora focada em startups, joint ventures e parcerias. A ideia é fomentar o desenvolvimento dessas empresas e criar parcerias estratégicas por aqui, conectando as empresas locais com outras nas quais o fundo já tenha investido. Um movimento para ficar de olho!

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