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Whatsapp Pay: ameaça ao sistema, concorrência ou inovação?

Whatsapp Pay: ameaça ao sistema, concorrência ou inovação?

O PIX, sistema para pagamentos instantâneos do Bacen, é um dos maiores projetos do regulador para este ano, com previsão de entrar em vigor ainda em novembro. A iniciativa conseguiu a adesão de quase mil instituições financeiras em junho, sendo que 120 destas solicitando participação direta. Mas, recentemente, uma outra opção para pagamentos vem dando […]

28 de julho de 2020 4 min de leitura
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Artigo atualizado 28 de julho de 2020

O PIX, sistema para pagamentos instantâneos do Bacen, é um dos maiores projetos do regulador para este ano, com previsão de entrar em vigor ainda em novembro. A iniciativa conseguiu a adesão de quase mil instituições financeiras em junho, sendo que 120 destas solicitando participação direta. Mas, recentemente, uma outra opção para pagamentos vem dando o que falar: o WhatsApp Pay, serviços de transferências de valores realizado dentro do aplicativo de mensagens por meio do Facebook Pay. Os usuários podem enviar ou receber dinheiro de família e amigos e pagar produtos ou serviços vendidos em contas empresariais. 

Inaugurado no dia 15 de junho no Brasil, o serviço acabou suspenso após alguns dias pelo Banco Central com a justificativa de que poderia afetar a competição, eficiência e privacidade de dados dos usuários. Além disso, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) analisou, na época, que a Cielo era a única credenciadora contratada pelo WhatsApp, representando um risco pois excluiria concorrentes e reduziria as escolhas para o usuário. Mas, voltou atrás, dando sinal verde para o seu funcionamento no dia 30 de junho após esclarecimentos das duas empresas. 

De qualquer forma, a solução continua suspensa pelo Bacen que declarou nunca ter recebido um pedido formal para autorização do funcionamento do serviço e que há deliberações no momento sobre a necessidade do WhatsApp operar como parte integrante de um arranjo de pagamento. 

O diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Bacen, João Manoel Pinho de Mello, afirmou que a medida não chega a ser uma proibição e, sim, uma ação para evitar que uma ou mais empresas dominem o setor. Porém, “todas as soluções que forem pró-competitivas e, que a gente tiver garantido que todo mundo pode competir, nós vamos autorizar”, disse Mello. 

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Funcionamento, taxa alta e potencial de usuários

Para fazer compras, enviar ou receber dinheiro no WhatsApp Pay é necessário cadastrar um cartão de crédito ou débito de bancos parceiros do app, que possua a bandeira Visa ou Mastercard. A transferência de valores entre pessoas é gratuita, mas a taxa aplicada por transação às empresas será de 3,99%, bem maior do que a praticamente pelos concorrentes no mercado, que fica em torno de 0,9% no débito e 1,7% no crédito. 

A disponibilização do dinheiro entre pessoas físicas é praticamente imediata, já que os valores transitam direto entre contas bancárias, já os pagamentos feitos no WhatsApp Business (versão para perfis comerciais) são transferidos em até dois dias úteis. 

A alta taxa é um dos pontos polêmicos do serviço por ser pouco competitiva. Além disso, o WhatsApp atualmente conta com cerca de 130 milhões de usuários no país, uma base assustadoramente alta com potencial para rápido crescimento. “Você tem uma mídia social com 130 milhões de usuários e vira um iniciador de pagamento. Já nasce grande. É possível que o lojista não tenha capacidade de negar o pagamento por esse meio. Aí temos um problema”, alerta Mello.

Em conversa com o TecMundo, o WhatsApp afirmou que o valor da taxa não se refere apenas ao custo das transações, mas também ao serviço oferecido às empresas em comparação com a maquininha tradicional de pagamento. “As processadoras de pagamentos já cobram pelo uso de cartões de crédito para cobrir taxas de processamento, proteção de estorno, pré-financiamento para pagamento em 2 dias úteis e suporte ao comerciante. Essa cobrança já inclui tudo isso. A taxa de 3,99% foi definida em conjunto com a Cielo, considerando a taxa de processamento em uma máquina convencional.”

Haverá integração do WhatsApp Pay com o PIX?

Atualmente, há uma preocupação com o Facebook, dono do aplicativo de mensagens, construir um serviço fechado de pagamentos instantâneos, gerando fragmentação de mercado ou concentração em agentes específicos. Mas segundo o Banco Central, há grande potencial de integração ao PIX e a instituição está aberta a essa possibilidade, apesar de ainda achar a iniciativa um pouco prematura. A intenção do regulador não é favorecer o PIX e, sim, “garantir uma infraestrutura de pagamentos isonômica, interoperável e neutra”, afirma Mello. 

Já o WhatsApp afirma não estar interessado em dividir o mercado de pagamentos nacional e nem se tornar banco ou carteira digital. A intenção é apenas se limitar em levar dinheiro de um lado para o outro, porém este pode ser o primeiro passo para entrada no sistema financeiro brasileiro, evoluindo com outras soluções no futuro. 

Privacidade de dados

Uma outra questão é a da privacidade de dados. Este é um assunto sensível já que o dono do aplicativo (Mark Zuckerberg) enfrentou diversas acusações de violação nos últimos anos, e um dos motivos pelo qual o Bacen decidiu suspender o serviço, que afirmou não ter recebido detalhes. 

O WhatsApp declarou estar profundamente preocupado com o assunto e “que os dados financeiros seriam armazenados em uma rede apartada segura, com contratos de segurança de dados de todos seus parceiros”.


Este texto foi escrito e produzido pelo time da RTM, parceira do Distrito.

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