O Distrito inaugurou na quinta-feira, dia 21/02, a mais nova casa e espaço dedicado a fintechs. O intuito é fomentar a inovação e conectar startups, corporações e investidores do mercado financeiro.

Como comentado na matéria da Época Negócios, que trouxe detalhes da inauguração do Distrito Fintech, não faltam indícios de que as fintechs estão com força total. Afinal, temos, como notícias recentes, Nubank figurando como unicórnio brasileiro e Stone realizando IPO na bolsa de valores.

Além disso, entre 2016 e 2018, o Brasil viu o número de fintechs crescer em 126%, angariando R$ 1 bilhão em investimentos só no primeiro semestre de 2018. Isso permitiu que, no último ano, três empresas brasileiras figurassem na lista das 100 Fintechs mais inovadoras do mundo, lançada anualmente pela empresa de consultoria KPMG.

Como comenta Gustavo Gierun, sócio do Distrito, o espaço nasceu com o objetivo de ser uma plataforma aberta de inovação aplicada para, assim, liderar discussões e iniciativas relacionadas ao mercado financeiro.

HDI Seguros e KPMG Brasil apostaram no espaço e, hoje, são co-fundadoras do Distrito Fintech. Além disso, outras companhias podem se associar ao centro de inovação, que tem também, como parceiros de negócio, empresas como Mercado Bitcoin, Neon Pagamentos e o escritório de advocacia Pinheiro Neto.

Os quatro andares do Distrito Fintech têm lugar para todo tipo de startup e empreendedor. São salas exclusivas e de reunião, espaços compartilhados, locais próprios para vídeoconferências e muito mais. Algumas das startups residentes são a AliCrédito, Fisher e MEI Fácil.

A importância do espaço

De acordo com André Coutinho, sócio da KPMG Brasil, a empresa tem uma abordagem de estratégia setorial. “O assunto fintech tem sido extremamente importante em nossa agenda do setor financeiro e de seguros. Como companhia, esperamos nos transformar, por meio do Distrito Fintech, nas nossas ofertas para os clientes do mercado”, ressalta Coutinho.

Já para Murilo Riedel, CEO da HDI Seguros no Brasil, o intuito é criar um ambiente de fomento à tecnologia, com a intenção de desenvolver todo um ecossistema. “A HDI deixou de ser uma seguradora dedicada a automóvel para ser dedicada à mobilidade. Ao nos aliarmos com o Distrito, o desafio que trazemos é entender quais são os parceiros, modelos de negócio e ferramentas que vão, efetivamente, ajudar a HDI a transpor essa mudança de perspectiva do automóvel”,afirma Riedel.

Principais ensinamentos e insights

Confira abaixo os principais ensinamentos e insights da programação que rolou durante o dia todo, que contou com cases de sucesso, palestras e debates.

Salvamos a live do evento e você pode conferir tudo o que rolou:

Confira também as imagens do evento:

Inovação no Brasil e tendências

Mauricio Ruiz, Country Manager da Intel Brasil, iniciou a série de palestras e se dedicou a falar sobre o que está acontecendo no panorama nacional e internacional que está afetando mundialmente toda a indústria e mercado.

De acordo com Ruiz, estamos apenas no começo da mudança. “Se você acha que a vida está atribulada, acostume-se. Boa parte das tecnologias que estão sendo desenvolvidas estão na infância. Já ouviram falar de computador quântico? Só para te dar uma ideia, um computador quântico teria capacidade de processamento total instalada no planeta e poderia ter a capacidade computacional de todos os PCs do mundo”, reflete.

Para ele, atualmente, as tecnologias estão se cruzando e conversam entre si. Tudo está relacionado e faz com que a tecnologia cresça exponencialmente. “Você entra num ciclo e looping infinito de inovação”, conta.

Além disso, Ruiz ressalta que a Inteligência Artificial (IA) não se resume, apenas, a chatbots (que são as conversas realizadas por robôs, principalmente para realizar o primeiro atendimento). Para ele, IA é quando os sistemas possuem inteligência a ponto de analisar os dados, definir padrões e tomar decisões.

Se você quer mais informações sobre todas essas tendências, não deixe de conferir os conteúdos exclusivos da Intel sobre Inteligência Artificial e Serviços Financeiros (todos em inglês).

Mobile Payment irá dominar o Brasil?

Para debater se o mobile payment dominará o Brasil, nada melhor do que trazer grandes referências do setor de pagamentos para discutir o assunto, como Fernando Matias, COO da Payly; Marcelo Moraes, CEO da MEI Fácil; e Thiago Chueiri.

Um dos pontos discutidos foi a dificuldade de movimentar dinheiro no Brasil. A situação se agrava quando falamos do pequeno empresário que, muitas vezes, vê seu lucro cair bastante para os diversos intermediários que estão no meio do processo.

Além disso, ao observar o mercado de pagamentos, em países como China e Índia, há uma luz para qual caminho o Brasil pode seguir. Estes dois países são exemplos quando o assunto é mobile payment.

Afinal, pela falta de infraestrutura e soluções de pagamento tradicionais, que não conseguiam atender grande parte da população chinesa e indiana, fizeram surgir soluções e aplicativos de celular que supriram as necessidades das pessoas dando acesso rápido e fácil ao mobile payment.

Hoje, o desafio no Brasil é que o país já é bem desenvolvido em soluções tradicionais. Ou seja, é fácil abrir uma conta, sacar dinheiro ou ter acesso a um cartão de crédito. Essa infraestrutura, que por um lado é boa, também dificulta novos entrantes e fintechs a competirem com as grandes empresas e, principalmente, conquistarem a grande massa dos brasileiros.

Inteligência Artificial e dados aplicados a serviços financeiros

Na palestra, grandes nomes do mercado debateram e discutiram como a Inteligência Artificial pode influenciar todo o sistema financeiro e melhorar processos.

Participaram do debate Bruno Reis, CEO da AliCrédito; Fábio Ullmann, COO da Microsoft Participações; e Paulo de Tarso, partner da Blu365.

Tarso detalhou como funciona a proposta da Blu365 e como a Inteligência Artificial pode ajudar no desenvolvimento da companhia, Afinal, a empresa oferece uma plataforma de negociação de dívidas dando oportunidade das pessoas renegociarem suas dívidas.

Tarso comenta que começou a levantar hipóteses de como a Blu365 pode chegar a uma proposta ideal, tanto para credor quanto devedor, por meio do uso de Inteligência Artificial. “Começamos a fazer testes iniciais bem básicos e a cruzar hipóteses. Percebemos que tínhamos uma chance de otimizar a recuperação de crédito. Com certeza algoritmos erram, mas acertam mais. Conseguimos gerar valor a partir de hipóteses que não são sofisticadas”, reflete.

Outro assunto discutido e abordado pelos palestrantes foi como vender os produtos à medida que a tecnologia evolui cada vez mais. “O Grande desafio daqui 5 anos é vender para devices. Como eu vendo para uma máquina? Não adianta brigar contra o device, as empresas têm que saber saber vender de forma personalizada para pessoas e devices. Os dois sistemas têm que se conversar”, comenta Ullmann.

Portanto, o que podemos tirar de lição é que as empresas precisam olhar para a forma como seus produtos conversam, integram-se e comunicam-se com outros aparelhos tecnológicos.

Além disso, os vendedores devem saber como funcionam essas integrações tanto para vender ao cliente final quanto para tirar dúvidas.

O que faz uma fintech vencedora

O questionamento “o que faz uma fintech vencedora?” é aquele do tipo que a resposta vale um milhão de reais.

Como você já deve saber, não há uma resposta correta ou que seja “branco no preto” que irá trazer a você a solução perfeita para uma fintech ser vencedora.

Porém, três grandes especialistas do mercado financeiro se juntaram para discutir sobre o assunto e trazer insights valiosos a você, eles são: Fábio Dutra, Managing Partner da Parallax Ventures; Franklin Luzes, COO da Microsoft Participações e Rodrigo Borges, Managing Partner da Domo Investimentos.

Algo que é essencial para toda fintech é pensar em uma proposta de negócio escalável. A solução deve ser expansível e a tecnologia ajuda no processo, mas clareza de objetivo, direcionamento irão definir o caminho correto.

Os palestrantes, inclusive, deram, como exemplo, o caso de Israel e do Waze. Foi uma empresa que nasceu no país, mas que foi pensada para impactar milhares de pessoas e nações. Hoje, a companhia opera mundialmente, é líder e referência de serviço prestado.

Eles comentam também do fato das startups de Israel serem projetadas para formularem soluções de impacto mundial.

Transformação de realidade nas corporações

Para debater a transformação da realidade nas corporações, o time escalado foi composto por Fernando Miranda, Diretor de Novos Negócios do Santander; Hamilton Berteli, CIO da ELO; e Robson Del Fiol, Partner Transformation Architect da KPMG.

Um dos temas discutidos foi a Inovação Corporativa e como incentivar isso. Berteli explicou como funciona dentro da ELO e quais são as trilhas de estímulo a práticas inovadoras. Uma delas é a de incentivo ao intraempreendedorismo. “As pessoas têm ideias e caminhos para resolver problemas do cliente ou entraves internos. Mas o que pode acontecer é que elas não têm voz ou sentem que não têm recursos ou não possuem as parcerias ideais”, comenta Berteli.

O executivo explica que a Elo incentivou um processo, semelhante com o que é feito com a seleção de startups, para escolher projetos e ideias de colaboradores do negócio. “Foi estimulado um processo de Pitch A, B, apresentação para diretoria e, no fim, as melhores colocadas se apresentavam, no espaço de convivência, para um grupo maior. Os acionistas foram lá. Foi impressionante porque tivemos envolvimento de mais de 50% da organização que participou de algum grupo. Tivemos uma ideia vencedora e outras quatro acharam patrocinadores dentro da companhia”, explica Berteli.

Case “Do zero a um milhão de clientes: como a Neon chegou lá”

Alexandre Alvares, CMO da Neon, apresentou como a companhia cresceu drasticamente e como foi todo o processo. Algo interessante é que a empresa já foi uma das investidas do Distrito e, hoje, é parceira do espaço de inovação. Na matéria Como investir em startups detalhamos todo o processo de investimento.

A empresa começou como Controly e, posteriormente, mudou de nome para Neon. Atualmente, possui uma equipe de mais de 200 pessoas.

Alvares conta detalhes do momento em que a fintech lançou a conta 100% digital. “A atração foi alta, com atendimento 24 horas desde o começo, colocando o cliente no centro do processo. Na época, o resultado foi da abertura de cinco mil contas em 48 horas”, relata.

Em 2018, foi lançado o cartão de crédito da Neon, como também a empresa diversificou para a conta focada no público empreendedor, a conta PJ. Na live você confere, em detalhes, todo o case e história de sucesso da Neon.

Existe disrupção iminente na indústria de seguros

Fabio Leme, Vice-Presidente da HDI Seguros, fez uma palestra focada em como inovar e ser disruptivo dentro de um mercado como o de seguros.

O executivo explica que a empresa enfrentou, em 2016, um período de dificuldades em que se percebeu que seria necessário mudar e pensar em estratégias para reverter a situação.

A empresa precisou se reestruturar e para isso lançou o projeto “Go Digital” com o objetivo de implementar um processo de digitalização completa na empresa. Iniciou-se iniciativas para a criação das carteiras digitais do seguro, como a apólice também.

Atualmente, a empresa busca a diversificação de produtos, focando em outros segmentos, como por exemplo, o residencial. Dentro do segmento de automóveis, há também o intuito de seguir outras linhas, como o seguro para motocicletas ou uma opção de seguro mais simplificada para um público que procura um serviço mais em conta.

Regulação e Open Banking

Para finalizar o dia de palestras e muito conteúdo, foram chamados três especialistas no assunto. Eles são: Bruno Balduccini, sócio da Pinheiro Neto Advogados; Pietro Bonfiglioli, co-fundador da Fisher; e Rafael Pereira, CEO da ABCD.

Para Balduccini, o mapa regulatório nos últimos cinco anos teve uma mudança radical. Em 2013, o Banco Central resolveu regular os cartões de crédito, por ser um mercado totalmente verticalizado e com certa monopolização, em que havia restrição de emissores e credenciadores. Esta era a realidade do mercado com base nas regras que existiam.

Dessa forma, na época, foi criada uma série de regras que mudavam o mercado e o resultado disso gerou novos emissores, que surgiram e ganharam espaço – como por exemplo, Nubank e Neon.

Além disso, como explica o especialista, novas regulamentações vão surgindo e vão indicando as direções a serem seguidas, como também colocando em risco novas operações ou propostas de valor de algumas fintechs.

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