
1. O que é buy now, pay later (BNPL)?
2. Como funciona o modelo de compra agora, pague depois?
3. De onde surgiu a tendência do BNPL?
4. Quem são os principais players do mercado de BNPL?
5. Quais os riscos do buy now, pay later para o consumidor?
6. Qual o futuro do BNPL no Brasil e no mundo?
O Banco Central do Brasil colocou em teste, a partir de 2025, uma funcionalidade batizada de Pix Parcelado: o comprador contrata o crédito no mesmo instante em que paga por Pix, e o lojista recebe o valor total à vista, sem esperar pelas parcelas. Na prática, o país que popularizou o crediário nas lojas físicas nos anos 1950 está formalizando, dentro do próprio sistema de pagamentos instantâneos, um modelo que o mundo passou a chamar de buy now, pay later, ou simplesmente BNPL.
O movimento não é isolado. Esse crédito digital já está no radar das principais fintechs do país e do mundo, e o volume que ele movimenta cresce todos os anos: segundo o relatório Buy Now Pay Later Global Business Report (2025), o mercado global de BNPL somou cerca de US$ 560 bilhões em volume de transações em 2025, crescimento de 13,7% em relação ao ano anterior.
Apesar da adesão em massa, o crédito parcelado sem cartão ainda gera dúvidas concretas: quem oferece, como o lojista ganha com isso e o que acontece quando o consumidor atrasa uma parcela. Entender essas peças é o que separa uma boa decisão de compra de uma dívida que escala rápido.
Buy now, pay later, ou BNPL, é um modelo de crédito de curto prazo em que o consumidor compra um produto ou serviço e paga o valor em parcelas nos meses seguintes, geralmente sem consultar um banco ou usar um cartão de crédito. A aprovação costuma ser rápida, feita no momento da compra, e o parcelamento pode ser sem juros, quando concentrado em poucas vezes, ou com juros fixos definidos antes da contratação.
No Brasil, o conceito não é novo: é uma versão digital do crediário, criado nas lojas de rua desde a década de 1950 para vender a prazo sem depender de bancos. A diferença é que o BNPL de hoje roda inteiramente online, integrado ao checkout de e-commerces e aplicativos, e é oferecido por fintechs em vez de pela própria loja.
Quando alguém pergunta o que é BNPL, a resposta direta é essa: uma fintech ou provedor de crédito paga o lojista à vista, assume o risco da parcela e cobra o consumidor diretamente, em vez de o próprio comércio financiar a venda como fazia o carnê tradicional.
O fluxo do BNPL se divide em três etapas, que acontecem em poucos segundos dentro do checkout de uma loja online ou no caixa de uma loja física.
O cliente escolhe a opção de BNPL, informa alguns dados básicos, como CPF e data de nascimento, e recebe uma resposta de crédito quase instantânea, baseada em uma análise simplificada, e não na consulta tradicional que os bancos fazem para liberar um cartão.
Uma vez aprovado, o valor total da compra é pago ao lojista de imediato pelo provedor do BNPL, que assume o risco de inadimplência da operação. Em troca, o lojista paga uma taxa ao provedor por cada venda intermediada, semelhante à taxa de uma maquininha de cartão.
O consumidor paga o valor da compra em parcelas fixas, no cartão vinculado, boleto ou débito automático, dentro do prazo combinado no momento da compra. Para o lojista, o modelo reduz o abandono de carrinho e tende a aumentar o ticket médio, já que o cliente vê o valor dividido em vez do preço total.
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O crediário nasceu no Brasil nos anos 1950, quando o sistema bancário ainda era limitado e o comércio criou uma forma própria de vender a prazo, direto na loja, sem intermediar um banco. A prática se popularizou em redes como Casas Bahia e se tornou parte da cultura de consumo do país.
Nos Estados Unidos e na Europa, esse tipo de parcelamento sem cartão praticamente não existia até o final da década passada. A pandemia de Covid-19 acelerou a adoção: com o consumo migrando para o online, fintechs como Klarna, Afterpay e Affirm ofereceram uma alternativa ao cartão de crédito, com aprovação mais simples e parcelas sem juros.
O crescimento chamou a atenção de empresas maiores. A Block, dona da Square, pagou US$ 29 bilhões pela Afterpay em 2021, e a Amazon fechou parceria com a Affirm para oferecer BNPL direto no checkout, movimentos que ajudaram a consolidar o modelo como parte permanente do varejo digital global.
No Brasil, fintechs de crediário digital como a Provu captaram rodadas de investimento com fundos internacionais para expandir o parcelamento via boleto, sinalizando que investidores já enxergavam no crediário digital um mercado maduro para crescer, e não apenas uma novidade importada dos Estados Unidos.
O mercado de BNPL reúne fintechs internacionais, startups brasileiras de crediário digital e, mais recentemente, bancos digitais que passaram a embutir a opção dentro dos próprios aplicativos. Entre os principais players estão:
Um estudo de 2023 já anunciava: o potencial do mercado de BNPL no Brasil chega a R$ 200 bilhões por ano, o que explica por que bancos digitais e fintechs especializadas disputam esse espaço ao mesmo tempo. Com o avanço das tecnologias contemporâneas, a tendência é que esse valor se consolide e aumente.
O crescimento acelerado do BNPL levanta uma pergunta recorrente entre reguladores: até que ponto esse crédito, mais fácil de obter que um cartão, empurra o consumidor para uma dívida que ele não consegue quitar. Segundo o Federal Reserve Bank of Richmond (2026), o volume de crédito via BNPL nos Estados Unidos cresceu cerca de 20% ao ano desde 2021, atingindo US$ 70 bilhões em 2025, o equivalente a 1,1% do total gasto em cartões de crédito no país.
O mesmo estudo aponta que, até o momento, o impacto do BNPL na estabilidade financeira geral parece limitado, dado o volume ainda pequeno na comparação com o mercado de crédito total e as taxas de inadimplência observadas. Ainda assim, o levantamento identifica que usuários de BNPL tendem a manter saldos mais altos em outras linhas de crédito não garantido, o que exige atenção de quem soma parcelas de diferentes fornecedores ao mesmo tempo.
Na prática, o risco concreto para o consumidor está em tratar o BNPL como dinheiro disponível em vez de dívida: parcelas de compras diferentes, feitas em fintechs diferentes, não aparecem consolidadas em um único extrato, o que dificulta o controle de quanto já foi comprometido do orçamento do mês.
No Brasil, o avanço do Pix Parcelado, em teste pelo Banco Central desde 2025, aponta para uma direção clara: o crédito de curto prazo deixa de depender de cartão ou de uma fintech específica e passa a ser uma funcionalidade nativa do sistema de pagamentos, disponível a qualquer instituição conectada ao Pix.
Esse movimento tende a intensificar a concorrência entre bancos digitais, fintechs de crédito e grandes varejistas, que já disputam o consumidor no ponto de venda. Quem oferecer a aprovação mais rápida e a melhor experiência de checkout deve capturar a maior parte desse volume, hoje ainda fragmentado entre dezenas de provedores.
Para empresas que avaliam entrar ou investir nesse mercado, a lição do histórico recente do BNPL é clara: crescimento acelerado de volume não elimina o risco de crédito, e reguladores em diferentes países já sinalizam que esse tipo de operação deve entrar sob supervisão mais rígida nos próximos anos.
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O buy now, pay later formalizou, em escala global, um hábito que o Brasil já praticava havia décadas: comprar agora e pagar em parcelas sem depender de um banco. A diferença é que hoje esse crédito roda em segundos, dentro do checkout, e é oferecido por fintechs e bancos digitais que competem diretamente com o cartão de crédito tradicional.
Para quem decide sobre produto, crédito ou parcerias comerciais, o avanço do Pix Parcelado e a entrada de bancos digitais nesse mercado tornam o BNPL menos uma novidade e mais uma peça permanente da infraestrutura de pagamentos do país. Entender como esse crédito é precificado, quem assume o risco de inadimplência e como ele se conecta ao histórico do consumidor deixou de ser opcional para quem opera no varejo digital.
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