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Buy Now, Pay Later: o que é e como funciona o BNPL

Julho 2026
Pedro Assis
7 min de leitura
Buy Now, Pay Later: o que é e como funciona o BNPL
Sumário

1. O que é buy now, pay later (BNPL)?

2. Como funciona o modelo de compra agora, pague depois?

3. De onde surgiu a tendência do BNPL?

4. Quem são os principais players do mercado de BNPL?

5. Quais os riscos do buy now, pay later para o consumidor?

6. Qual o futuro do BNPL no Brasil e no mundo?

O Banco Central do Brasil colocou em teste, a partir de 2025, uma funcionalidade batizada de Pix Parcelado: o comprador contrata o crédito no mesmo instante em que paga por Pix, e o lojista recebe o valor total à vista, sem esperar pelas parcelas. Na prática, o país que popularizou o crediário nas lojas físicas nos anos 1950 está formalizando, dentro do próprio sistema de pagamentos instantâneos, um modelo que o mundo passou a chamar de buy now, pay later, ou simplesmente BNPL.

O movimento não é isolado. Esse crédito digital já está no radar das principais fintechs do país e do mundo, e o volume que ele movimenta cresce todos os anos: segundo o relatório Buy Now Pay Later Global Business Report (2025), o mercado global de BNPL somou cerca de US$ 560 bilhões em volume de transações em 2025, crescimento de 13,7% em relação ao ano anterior.

Apesar da adesão em massa, o crédito parcelado sem cartão ainda gera dúvidas concretas: quem oferece, como o lojista ganha com isso e o que acontece quando o consumidor atrasa uma parcela. Entender essas peças é o que separa uma boa decisão de compra de uma dívida que escala rápido.

O que é buy now, pay later (BNPL)?

Buy now, pay later, ou BNPL, é um modelo de crédito de curto prazo em que o consumidor compra um produto ou serviço e paga o valor em parcelas nos meses seguintes, geralmente sem consultar um banco ou usar um cartão de crédito. A aprovação costuma ser rápida, feita no momento da compra, e o parcelamento pode ser sem juros, quando concentrado em poucas vezes, ou com juros fixos definidos antes da contratação.

No Brasil, o conceito não é novo: é uma versão digital do crediário, criado nas lojas de rua desde a década de 1950 para vender a prazo sem depender de bancos. A diferença é que o BNPL de hoje roda inteiramente online, integrado ao checkout de e-commerces e aplicativos, e é oferecido por fintechs em vez de pela própria loja.

Quando alguém pergunta o que é BNPL, a resposta direta é essa: uma fintech ou provedor de crédito paga o lojista à vista, assume o risco da parcela e cobra o consumidor diretamente, em vez de o próprio comércio financiar a venda como fazia o carnê tradicional.

Como funciona o modelo de compra agora, pague depois?

O fluxo do BNPL se divide em três etapas, que acontecem em poucos segundos dentro do checkout de uma loja online ou no caixa de uma loja física.

Aprovação de crédito no checkout

O cliente escolhe a opção de BNPL, informa alguns dados básicos, como CPF e data de nascimento, e recebe uma resposta de crédito quase instantânea, baseada em uma análise simplificada, e não na consulta tradicional que os bancos fazem para liberar um cartão.

Pagamento imediato ao lojista

Uma vez aprovado, o valor total da compra é pago ao lojista de imediato pelo provedor do BNPL, que assume o risco de inadimplência da operação. Em troca, o lojista paga uma taxa ao provedor por cada venda intermediada, semelhante à taxa de uma maquininha de cartão.

Parcelamento do consumidor

O consumidor paga o valor da compra em parcelas fixas, no cartão vinculado, boleto ou débito automático, dentro do prazo combinado no momento da compra. Para o lojista, o modelo reduz o abandono de carrinho e tende a aumentar o ticket médio, já que o cliente vê o valor dividido em vez do preço total.

Leia também: Conheça as 100 maiores fintechs brasileiras do mercado!

De onde surgiu a tendência do BNPL?

O crediário nasceu no Brasil nos anos 1950, quando o sistema bancário ainda era limitado e o comércio criou uma forma própria de vender a prazo, direto na loja, sem intermediar um banco. A prática se popularizou em redes como Casas Bahia e se tornou parte da cultura de consumo do país.

Nos Estados Unidos e na Europa, esse tipo de parcelamento sem cartão praticamente não existia até o final da década passada. A pandemia de Covid-19 acelerou a adoção: com o consumo migrando para o online, fintechs como Klarna, Afterpay e Affirm ofereceram uma alternativa ao cartão de crédito, com aprovação mais simples e parcelas sem juros.

O crescimento chamou a atenção de empresas maiores. A Block, dona da Square, pagou US$ 29 bilhões pela Afterpay em 2021, e a Amazon fechou parceria com a Affirm para oferecer BNPL direto no checkout, movimentos que ajudaram a consolidar o modelo como parte permanente do varejo digital global.

No Brasil, fintechs de crediário digital como a Provu captaram rodadas de investimento com fundos internacionais para expandir o parcelamento via boleto, sinalizando que investidores já enxergavam no crediário digital um mercado maduro para crescer, e não apenas uma novidade importada dos Estados Unidos.

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Quem são os principais players do mercado de BNPL?

O mercado de BNPL reúne fintechs internacionais, startups brasileiras de crediário digital e, mais recentemente, bancos digitais que passaram a embutir a opção dentro dos próprios aplicativos. Entre os principais players estão:

  • Klarna: fintech sueca fundada em 2005, uma das mais valiosas da Europa, oferece parcelamento sem juros em dezenas de países e é a principal referência global do setor de BNPL.
  • Affirm e Afterpay: startups americana e australiana que ajudaram a popularizar o BNPL nos Estados Unidos, hoje integradas a grandes varejistas como Amazon e Shopify.
  • Provu, Addi, Koin e Capim: fintechs brasileiras que oferecem BNPL via boleto ou carnê digital para e-commerces e lojas físicas, voltadas principalmente a consumidores sem acesso a cartão de crédito.
  • Mercado Pago, Nubank e C6 Bank: bancos digitais e plataformas de pagamento que passaram a embutir opções de crédito parcelado dentro dos próprios apps, disputando espaço com as fintechs especializadas em BNPL.

Um estudo de 2023 já anunciava: o potencial do mercado de BNPL no Brasil chega a R$ 200 bilhões por ano, o que explica por que bancos digitais e fintechs especializadas disputam esse espaço ao mesmo tempo. Com o avanço das tecnologias contemporâneas, a tendência é que esse valor se consolide e aumente.

Quais os riscos do buy now, pay later para o consumidor?

O crescimento acelerado do BNPL levanta uma pergunta recorrente entre reguladores: até que ponto esse crédito, mais fácil de obter que um cartão, empurra o consumidor para uma dívida que ele não consegue quitar. Segundo o Federal Reserve Bank of Richmond (2026), o volume de crédito via BNPL nos Estados Unidos cresceu cerca de 20% ao ano desde 2021, atingindo US$ 70 bilhões em 2025, o equivalente a 1,1% do total gasto em cartões de crédito no país.

O mesmo estudo aponta que, até o momento, o impacto do BNPL na estabilidade financeira geral parece limitado, dado o volume ainda pequeno na comparação com o mercado de crédito total e as taxas de inadimplência observadas. Ainda assim, o levantamento identifica que usuários de BNPL tendem a manter saldos mais altos em outras linhas de crédito não garantido, o que exige atenção de quem soma parcelas de diferentes fornecedores ao mesmo tempo.

Na prática, o risco concreto para o consumidor está em tratar o BNPL como dinheiro disponível em vez de dívida: parcelas de compras diferentes, feitas em fintechs diferentes, não aparecem consolidadas em um único extrato, o que dificulta o controle de quanto já foi comprometido do orçamento do mês.

Qual o futuro do BNPL no Brasil e no mundo?

No Brasil, o avanço do Pix Parcelado, em teste pelo Banco Central desde 2025, aponta para uma direção clara: o crédito de curto prazo deixa de depender de cartão ou de uma fintech específica e passa a ser uma funcionalidade nativa do sistema de pagamentos, disponível a qualquer instituição conectada ao Pix.

Esse movimento tende a intensificar a concorrência entre bancos digitais, fintechs de crédito e grandes varejistas, que já disputam o consumidor no ponto de venda. Quem oferecer a aprovação mais rápida e a melhor experiência de checkout deve capturar a maior parte desse volume, hoje ainda fragmentado entre dezenas de provedores.

Para empresas que avaliam entrar ou investir nesse mercado, a lição do histórico recente do BNPL é clara: crescimento acelerado de volume não elimina o risco de crédito, e reguladores em diferentes países já sinalizam que esse tipo de operação deve entrar sob supervisão mais rígida nos próximos anos.

Leia também: Autonomous Banking: guia completo para bancos de varejo no Brasil

Conclusão

O buy now, pay later formalizou, em escala global, um hábito que o Brasil já praticava havia décadas: comprar agora e pagar em parcelas sem depender de um banco. A diferença é que hoje esse crédito roda em segundos, dentro do checkout, e é oferecido por fintechs e bancos digitais que competem diretamente com o cartão de crédito tradicional.

Para quem decide sobre produto, crédito ou parcerias comerciais, o avanço do Pix Parcelado e a entrada de bancos digitais nesse mercado tornam o BNPL menos uma novidade e mais uma peça permanente da infraestrutura de pagamentos do país. Entender como esse crédito é precificado, quem assume o risco de inadimplência e como ele se conecta ao histórico do consumidor deixou de ser opcional para quem opera no varejo digital.

Acompanhar de perto as fintechs e startups que estão redesenhando o crédito ao consumidor é parte do trabalho de quem decide onde investir ou com quem se associar nesse mercado. Conheça o GenAI Lab, inciativa do Distrito que conecta empresas ao ecossistema de startups e inovação aberta, e identifique oportunidades no setor de crédito digital antes da concorrência.