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CGO da Cortex, Daniel Pires fala sobre novo aporte liderado pela Softbank

“Temos clareza da oportunidade de mercado a ser explorada, mas os desafios são muitos e vão muito além de capital para investir. Precisamos de uma parceiro capaz de aportar know-how, apoio operacional e conexão com outros mercados. Um parceiro que tenha experiência em escalar negócios rapidamente na região. E isso o Softbank tem de sobra”, […]

10 de junho de 2020 5 min de leitura
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Artigo atualizado 10 de junho de 2020

“Temos clareza da oportunidade de mercado a ser explorada, mas os desafios são muitos e vão muito além de capital para investir. Precisamos de uma parceiro capaz de aportar know-how, apoio operacional e conexão com outros mercados. Um parceiro que tenha experiência em escalar negócios rapidamente na região. E isso o Softbank tem de sobra”, conta Daniel Pires,  Chief of Customer Growth e cofundador da Cortex.

A empresa, empresa líder em soluções de inteligência de dados para as áreas de Marketing e Vendas acaba de anunciar uma nova rodada de investimento (série B) liderada pelo Softbank. Participaram também da rodada os fundos de venture capital Redpoint eventures e Endeavor Catalyst, totalizando um investimento de 120 milhões de reais. 

Leia a seguir a entrevista completa.

 1. A Cortex é a primeira empresa de inteligência de dados / Inteligência Artificial a receber um aporte do Softbank na América Latina. O que isso representa para vocês?

O Softbank tem Inteligência Artificial como um dos pilares de sua estratégia de investimento global. Ser a primeira empresa escolhida na América Latina é uma confirmação que estamos no caminho certo.

Ainda mais sabendo que o fundo estudou as mais diversas empresas da região nessa área e nos escolheu. Isso mostra que estamos muito bem posicionados para nos consolidarmos como uma liderança na região.

2. Qual é a importância de contar com um fundo tão importante como o Softbank? Como vocês conseguiram conquistá-lo?

É fundamental, é o parceiro ideal para o tamanho do nosso projeto. Temos clareza da oportunidade de mercado a ser explorada, mas os desafios são muitos e vão muito além de capital para investir. Precisamos de uma parceiro capaz de aportar know-how, apoio operacional e conexão com outros mercados. Um parceiro que tenha experiência em escalar negócios rapidamente na região. E isso o Softbank tem de sobra, é o fundo mais atuante na América Latina e apoiou as principais empresas de tecnologia do país.

O processo de conquista foi longo e complexo, levamos quase um ano. Mas, apesar de difícil, foi uma experiência muito enriquecedora. Primeiro durante as reuniões iniciais no EUA, onde tivemos discussões de negócios no mais alto nível. Vários insights interessantes que incorporamos a nossa forma de enxergar o negócio já surgiram ali. Depois pelo rigoroso processo de due diligence, onde fomos auditados por diferentes empresas, de escritórios de advocacia e auditorias topo de linha a empresas de consultoria e avaliação de softwares do Vale do Silício. Em todos esses momentos, tivemos insights e aprendizados que já estamos levando para o negócio.

Por fim, passar por todo esse processo sem red flags é uma confirmação de que tem um negócio sólido e está na direção certa.

Daniel Pires, CGO da Cortex

3. Como esse investimento muda o trabalho que a Cortex vem desenvolvendo até aqui?  

Em linhas gerais não muda muito, já vínhamos em um ritmo de crescimento acelerado e com uma estratégia definida. O aporte foi planejado para acelerar essa máquina de crescimento e evoluir nosso produto.

Na ótica da máquina de crescimento, o investimento vem para reforçar o time das áreas de Customer Growth. Já em produto, com o aumento de nossa capacidade de investimento o trabalho muda um pouco. Nos possibilita evoluir mais rápido e atacar outros casos de usos relevantes para nossas clientes.

A maior mudança então nesse sentido é nas áreas de engenharia e produto, onde pretendemos investir bastante trazendo gente de ponta para o time.

4. A Cortex já é uma empresa experiente, em fase de crescimento acelerado, o que costumamos chamar de Scale-up. Quais você considera que foram os principais marcos que trouxeram a empresa até este momento?

Nascemos há alguns anos atrás como uma empresa de serviços, tivemos um bom resultado e esse modelo de negócio nos levou até um determinado porte. Essa foi uma fase onde crescemos organicamente e sem nenhuma captação de investimentos. Nela aprendemos a ser muito responsáveis com custos e alocar bem os investimentos. Era uma fase onde a empresa era extremamente lucrativa.

Em determinado momento entendemos que esse modelo de serviço não era adequado ao sonho grande de empresa que queríamos construir, precisávamos de uma modelo mais escalável e capaz de crescermos rapidamente o negócio. Assim, pivotamos para o modelo de produto e captamos uma primeira rodada de capital semente. Essa rodada foi utilizada quase que 100% no desenvolvimento do nosso produto atual.

Algum tempo depois, levantamos nosso series A com a Redpoint eVentures para intensificar o desenvolvimento do produto e acelerar nosso go to market. Foi nesse período onde consolidamos e escalamos nossa máquina de crescimento, trazendo-nos para o estágio atual.

Agora é um novo ciclo que se inicia com essa nova fase de grande investimento. Vamos buscar as melhores mentes para reforçar nosso time e nos ajudar nessa nova etapa da jornada.

5. Como a Cortex está lidando com a crise da Covid-19? 

É um momento muito ruim para todos, não apenas no âmbito da saúde como também da economia. Todas as empresas estão tendo que se adaptar muito rapidamente e encarar de frente diversos desafios. 

Contudo, as empresas e indústrias são afetadas de formas e intensidades diferentes. Costumo dizer que existem 3 grandes grupos de empresas nessa crise, as que foram afetadas positivamente, como as empresas de ecommerce que estão experimentando um pico de demanda, as de impacto neutro e as que estão sendo impactadas negativamente, como os setores de turismos, aviação, etc.

A Cortex está no grupo de impacto neutro. Apesar de alguns de nossos clientes terem sido severamente impactados pela pandemia, temos conseguido servi-los de forma adequada, entregando valor e ajudando-os a navegar neste período de crise.

Fomos inclusive muito ágeis em termos de produto e adaptamos algumas ofertas para entregar ainda mais valor nesse momento. Em períodos de crise, onde há grande incerteza e volatilidade, um bom monitoramento do ambiente externo, que muda a cada dia, é essencial para se tomar as decisões corretas. E isso está no cerne de nossas propostas de valor.

6. Mesmo na crise, startups e scale-ups brasileiras continuam recebendo investimento. O que você acha que isso diz sobre o ecossistema de inovação no país?

Mesmo antes da pandemia, já vínhamos enxergando um certo descolamento da indústria de tecnologia das demais indústrias da economia do país. Nossa economia já estava em crise antes e a indústria de software já vinha apresentando crescimento e recordes de investimento.

O Brasil é um país com um mercado interno grande, com indústrias tradicionais, em grande parte pouco digitalizadas e cheias de de ineficiências. Isso é um oásis para empresas de software inovadoras, que são as startups e scales-ups. Muitos problemas a serem melhor resolvidos, muitas oportunidades de disrupção. É um ambiente estruturalmente fértil para o surgimento e crescimento desse tipo de empresas. 

Em um primeiro momento dessa crise, é normal vermos alguma desaceleração. Faz parte do processo reduzir um pouco a marcha para reavaliar o ambiente e definir os melhores caminhos e com qual velocidade trilharmos. Mas as oportunidades e ineficiências continuarão lá para serem atacadas. Em alguns casos essas oportunidades ficarão ainda maiores e mais latentes.

É inegável que essa crise está acelerando brutalmente a transformação digital nas empresas, o home office é a face mais visível desse processo. Isso também vem favorecer as startups e scales-ups, tanto por serem nativas digitais quanto por oferecerem produtos e serviços que apoiam esse processo de transformação digital. Isso faz com que elas se adaptem mais facilmente a dinâmica da crise e que, muitas vezes, consigam continuar crescendo.

E os investidores enxergam isso. Mesmo que agora estejam mais avessos a riscos e mais preocupados em dar apoio ao portfólio atual, pois algumas empresas podem ter sido muito impactadas, eles sabem que essa crise vai passar e provavelmente vai expor ainda mais oportunidades para as empresas de software. Por isso, na minha visão, mesmo com esse “congelamento” recente esse fluxo de investimento ainda vai continuar.

residente virtual

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