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Por que o SoftBank é tão importante para as startups brasileiras?

Por que o SoftBank é tão importante para as startups brasileiras?

Se você costuma se informar sobre o mundo da tecnologia e das startups, certamente cruzou com o nome SoftBank nas suas leituras nos últimos dias. Mas por que essa empresa japonesa é tão importante para o mercado de Venture Capital? Apesar do que o nome pode sugerir, o SoftBank não é um banco, mas sim […]

13 de junho de 2022 7 min de leitura
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Artigo atualizado 13 de junho de 2022

Se você costuma se informar sobre o mundo da tecnologia e das startups, certamente cruzou com o nome SoftBank nas suas leituras nos últimos dias. Mas por que essa empresa japonesa é tão importante para o mercado de Venture Capital?

Apesar do que o nome pode sugerir, o SoftBank não é um banco, mas sim uma multinacional dos ramos de telecomunicações e de internet fundada no ano de 1981, em Tóquio, no Japão. 

Além disso, o SoftBank é também é o player mais poderoso da atualidade quando se fala em investimentos em tecnologia.

Atualmente, o SoftBank investe em empresas do mundo todo que criam novas soluções com base na inteligência artificial. A companhia é bastante conhecida por administrar o Vision Fund, considerado o maior fundo de venture capital do mundo.

Na edição de 2022 da Forbes Global 2000, ranking anual com as 2 mil maiores empresas de capital aberto do mundo, o SoftBank foi classificado na 44ª posição, com valor de mercado de US$ 71,69 bilhões.

Neste artigo, entenda a importância desse fundo de investimento para as startups brasileiras — o SoftBank chegou à América Latina em 2019 — e o impacto que exerce sobre o ecossistema de startups brasileiras. Saiba mais também sobre a história e seu fundador. Confira!

Quem é Masayoshi Son

Com uma fortuna de 21 bilhões de dólares, Masayoshi Son ocupa hoje o posto de terceiro homem mais rico do Japão, de acordo com um ranking de 2022 da Forbes.

Quando adolescente, Son tinha como ídolo Den Fujita, então presidente e fundador da filial japonesa do McDonald’s. Na época, Fujita o aconselhou a prestar atenção à emergente indústria dos computadores se quisesse ter sucesso nos negócios.

Mais tarde, o futuro bilionário estudou economia e ciência da computação na Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos. Começou a empreender quando ainda era estudante. No início da década de 1980, retornou ao Japão e fundou o SoftBank.

SoftBank: de software a investimentos

O SoftBank foi fundado em 1981 como uma empresa distribuidora de software. Curiosamente, logo no ano seguinte à sua fundação, a empresa entrou no ramo editorial e começou a publicar revistas sobre computadores. Uma delas, a Oh! PC, chegou a alcançar uma circulação de 140 mil cópias em 1989. Nessa época, o SoftBank se tornou a maior editora de revistas de informática e tecnologia do Japão.

Foi apenas na década de 1990 que Masayoshi Son passou a realizar investimentos em serviços de internet e o SoftBank se transformou em uma operadora de telefonia móvel. 

Em 1994, a organização fez uma oferta pública inicial e foi avaliada em US$ 3 bilhões. Em 1999, tornou-se uma holding.

Em 2000, o SoftBank realizou um investimento de US$ 20 milhões na chinesa Alibaba, então um empreendimento em fase inicial. Quando a companhia de Jack Ma abriu o capital para o público, em 2014, a participação do SoftBank valia US$ 60 bilhões. Foi o aporte de risco mais bem-sucedido de Masayoshi Son.

Também em 2000, foi fundado o SoftBank Ventures Asia, voltado para empresas de internet com base na Coreia do Sul. Aliás, durante todos os anos 2000, a multinacional japonesa se concentrou em adquirir fatias de empresas na Ásia e se estabelecer como uma potência do mercado mobile de telecomunicações.

O SoftBank esteve ainda entre os negócios que mais crescem no mundo — entre os anos de 2009 e 2014, a capitalização de mercado da empresa teve o quarto maior aumento relativo do mundo, crescendo 557%.

O SoftBank e a América Latina

Em 2019, o SoftBank passou a mirar, também, a América Latina. Isso porque, em março de 2019, a empresa anunciou a criação de um fundo de 5 bilhões de dólares para investimentos em startups da latino-americanas, chamado de Innovation Fund, com prioridade para o Brasil. 

O valor chama atenção, pois equivale a quatro vezes o total de aportes de Venture Capital feitos na região em 2017, de acordo com dados da LAVCA, a Associação Latino-Americana de Private Equity & Venture Capital. Até o momento, o SoftBank liderou 6 das 10 maiores negociações da história do Brasil.

Segundo o diretor de operações e líder do Innovation Fund, o boliviano Marcelo Claure, o interesse principal é em empresas com habilidade de usar inteligência artificial e dados para desafiar indústrias tradicionais. 

Além disso, também faz parte dos planos trazer as empresas de seu portfólio mundial para o mercado da América Latina, inclusive conectando-as a startups daqui. Uma relação em que ambas as partes saem ganhando.

Em São Paulo, o conglomerado do Softbank lançou ainda o Data Science for All, um programa de treinamento, capacitação e contratação de talentos das áreas de dados e inteligência artificial.

Aquisições

Na esteira da expansão dos investimentos, na década de 2010 o SoftBank iniciou uma fase de aquisições estratégicas de outras companhias.

Uma delas foi a da sua concorrente eAccess, comprada em 2012.

Na metade de 2015, a empresa anunciou uma mudança de nome: de SoftBank Corp para SoftBank Group Corp.

Em 2016, Masayoshi Son fechou um mega acordo para comprar a designer de chips britânica ARM Holdings pelo valor de US$ 32 bilhões. A transação foi concluída em setembro daquele ano.

Projetos de investimento

Atualmente, o SoftBank possui três projetos de investimento: o Vision Fund, o Latin America Fund e o SB Opportunity Fund

Ao todo, os três fundos possuem participação em aproximadamente seiscentas empresas ao redor do mundo, dos mais variados setores.

Vision Fund

Em 2017, o SoftBank lançou o Vision Fund, o maior fundo de capital de risco do mundo, com US$ 93 bilhões em caixa. O principal parceiro da iniciativa é a Arábia Saudita, que concordou em investir US$ 45 bilhões no Vision por meio do seu Fundo de Investimento Público (PIF) ao longo de cinco anos.

Em 2019, foi anunciado o Vision Fund II, de US$ 108 bilhões, com o qual contribuíram gigantes como Apple, Foxconn e Microsoft.

Segundo Masayoshi Son, o objetivo dos Vision Funds é investir em novas tecnologias baseadas em inteligência artificial no mundo todo. O projeto conta com cerca de 475 empresas no portfólio, das indústrias de logística, finanças, saúde, educação, propriedades imobiliárias, entre outras. 

Em março de 2021, o SoftBank obteve lucro recorde de US$ 37 bilhões com a unidade Vision Fund. No ano, o lucro líquido do SoftBank Group foi de US$ 45 bilhões, o maior lucro anual registrado por uma companhia japonesa em toda a história.

Recentes perdas do Vision Fund

Em maio, o Vision Fund registrou perda de US$ 26 bilhões por causa do aumento nas taxas de juros e da instabilidade política globais, fatores que ameaçaram as ações de tecnologia de alto crescimento.

A perda levou a uma queda de mais da metade das ações do SoftBank em relação a um ano atrás, e o prejuízo líquido anual do Grupo superou os US$ 13 bilhões.

O impacto da pandemia do coronavírus no SoftBank

A pandemia do coronavírus trouxe problemas econômicos que os investidores não previam. 

Por conta disso, Masayoshi Son previu que 15 das 88 empresas apoiadas pelo SoftBank devem ir à falência por conta dos efeitos da crise. Por outro lado, ele também espera que outros 15 negócios sejam bem-sucedidas. 

Em uma entrevista à Forbes, o CEO disse que o fundo deve reter futuros investimentos para salvar apostas fundamentais. 

Outra ação do SoftBank será vender parte de seus ativos para liberar caixa para um programa de recompra de ações, conforme anunciado em março de 2020.

O objetivo é levantar cerca de 41 bilhões de dólares para recomprar 18 bilhões em ações. Quando empresas fazem recompra das próprias ações, o objetivo costuma ser estimular seu próprio valor de mercado, além de evitar quedas. Negócios também tomam essa ação quando veem uma oportunidade, observando que suas ações valem mais que o preço que apresentam no momento.

Antes, a agência Bloomberg já tinha informado que o SoftBank pretendia levantar 10 bilhões de dólares para financiar negócios impactados pelo coronavírus — 5 bilhões de outros investidores e outros 5 do próprio SoftBank. A empresa não especificou se a recompra de ações seria, também, destinada a esse fim.

Em paralelo ao coronavírus, problemas com a startup WeWork também contribuíram para a crise na empresa.

No início de abril de 2020, o SoftBank desistiu de comprar 3 bilhões de dólares em ações da empresa de escritórios compartilhados, alegando “múltiplas, novas e significativas” investigações, tanto civis quanto criminais, na empresa de escritórios compartilhados. 

Em 2019, o fundo de investimentos já tinha precisado salvar a empresa investindo 8 bilhões de dólares após um IPO fracassado

Latin America Fund

Lançado em 2019 com US$ 5 bilhões em caixa, o Latin America Fund se tornou um dos principais responsáveis pelo “boom” de investimentos em empresas de tecnologia na América Latina nos últimos anos.

Em 2021, o SoftBank introduziu o Latin America Fund II para investir outros US$ 3 bilhões no continente. De acordo com fontes próximas à companhia japonesa, mais US$ 2 bilhões deverão ser adicionados a esse segundo fundo, completando um total de US$ 10 bilhões destinados a techs LatAm.

Juntos, o Latin America Fund I e II possuem participação em oitenta empresas e detêm 60% dos unicórnios latino-americanos, tendo liderado diversos investimentos que conferiram precificação bilionária a essas startups.

SB Opportunity Fund

O SB Opportunity Fund foi lançado com US$ 100 milhões em caixa para apoiar a comunidade de empreendedores negros, latinos e indígenas nos Estados Unidos.

O fundo surgiu em meados de 2020 e já conta com quase sessenta empresas no portfólio, que, além do suporte financeiro, também ganham acesso à rede de contatos do SoftBank.

O Softbank no Brasil

O SoftBank investe em startups no Brasil desde 2010 e é a segunda gestora estrangeira mais ativa em nosso país em termos de número de aportes, atrás apenas do Global Founders Capital. Historicamente, o Brasil também concentra 65% dos investimentos da multinacional em toda a América Latina.

Quase um terço (28%) dos US$ 9,8 bilhões aplicados em startups brasileiras em 2021 veio dos fundos Latin America I e II. Das 25 rodadas que o SoftBank participou ano passado, cinco deram origem a unicórnios. São eles: 2TM (Mercado Bitcoin), Unico, MadeiraMadeira, Merama e Frete.com.

O futuro do SoftBank

Com o mundo em desordem, o SoftBank deve jogar na defesa“, declarou Masayoshi Son depois do anúncio do prejuízo de US$ 26 bilhões no Vision Fund, sua principal unidade de investimentos. 

O executivo também informou que o SoftBank iria diminuir o ritmo dos aportes. Sendo assim, neste ano a companhia deverá investir apenas metade, ou até mesmo um quarto, do que investiu em 2021.

Por fim, Son ainda prometeu reforçar a posição de caixa da empresa através da monetização de ativos e apertar os critérios de investimento.


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