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Inovação Incremental: o que é, como e quando aplicar na sua empresa

Inovação Incremental: o que é, como e quando aplicar na sua empresa

Quando falamos em inovação incremental nos referimos a um conjunto de ações que buscam melhorar ou agregar valor aos processos, produtos e serviços que já existem dentro de uma organização. Ao falarmos sobre inovação, muitas vezes tratamos sobre o assunto de forma geral, como se fosse algo único. Mas na prática, existem diferentes tipos e […]

14 de junho de 2022 6 min de leitura
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Artigo atualizado 14 de junho de 2022

Quando falamos em inovação incremental nos referimos a um conjunto de ações que buscam melhorar ou agregar valor aos processos, produtos e serviços que já existem dentro de uma organização.

Ao falarmos sobre inovação, muitas vezes tratamos sobre o assunto de forma geral, como se fosse algo único. Mas na prática, existem diferentes tipos e abordagens de inovação, são elas: inovação radical, disruptiva, aberta e, a qual trataremos neste artigo, a inovação incremental. 

Segundo um relatório da KPMG, publicado em 2020, cerca de 48% das empresas do mundo alocam maior foco e recursos em inovação incremental. Como veremos a seguir, isso se deve devido ao fato dessa abordagem exigir menos capital e ser de baixo risco

Porém, é importante lembrar que todos os tipos de inovações tem seu valor, importância e contexto ideal para implementação. Por isso, possuir um time especializado – como uma gestão de inovação – para que os investimentos sejam divididos de forma planejada e estruturada é o mais recomendado. 

Neste artigo, veremos mais profundamente o que é a inovação incremental, também como ela funciona e quando investir nesse tipo de inovação. 

O que é inovação incremental

Por definição, a inovação incremental são as melhorias e atualizações feitas em produtos e/ou serviços já existentes no mercado. Essa abordagem tem como objetivo aprimorar a experiência do consumidor, assim como garantir que sua solução não perca relevância.  

Por mais moderno e tecnológico que um produto/serviço possa ser no momento de seu lançamento, é natural que conforme o tempo passe ele vá tornando-se ultrapassado, por isso investir em inovação incremental é uma estratégia de grande importância para manter-se  competitivo. 

A inovação incremental, por se tratar de melhorias em um produto que já existe, não exige um grande volume de investimento e oferece menor risco, uma vez que o produto/serviço já está validado pelo mercado. Implementar este tipo de inovação envolve um processo de aperfeiçoamento contínuo em um produto, serviço ou processo.

Em contrapartida, ao comparar com os outros tipos de inovação, que têm potencial de mexer com todo um mercado, seu impacto é mais gradual. Isso não a torna menos importante, afinal, não tem nada melhor do que utilizar um produto que está sempre oferecendo melhor experiência de uso e melhorias. 

Todas as inovações possuem sua relevância, e apostar na inovação incremental é a melhor forma de garantir que determinado produto está caminhando junto com os avanços tecnológicos do mercado. 

Quando surgiu a inovação incremental

Esse termo surgiu em 1939, criado pelo economista austríaco Joseph Schumpeter. O conceito foi apresentado em seu livro Business Cycles, no qual ele define inovação incremental, assim como a principal diferença entre ela e os outros tipos de inovação. 

Desde então, a inovação incremental tem sido colocada em prática por diferentes empresas que desejam oferecer produtos e serviços cada vez melhores aos seus clientes.Vale destacar que trata-se te um tipo de inovação que propõe colocar em prática uma série de melhorias constantes e pontuais em diversas áreas de uma empresa e, desta forma, potencializar diferentes frentes, fazendo-as avançar de forma gradativa.

Alguns especialistas costumam associar a inovação incremental à filosofia japonesa de melhoria contínua – Kaizen – que propõe um método de execução estratégica sistêmica, que envolve um alto grau de colaboração entre os diferentes agentes de um projeto.

Diferentes formas de inovar

Conforme mencionado anteriormente, não existe apenas um tipo de inovação e cada uma delas possui diferentes abordagens e atendem a objetivos diversos. 

Entender as estratégias de inovação é importante para saber em que momento a empresa se encontra e qual é o caminho mais indicado para atingir os objetivos e suprir as necessidades do negócio, para isso entender a diferença entre elas é fundamental. 

Inovação incremental versus inovação radical

Diferente da inovação incremental, que tem como objetivo realizar melhorias e atualizações em produtos já existentes, a inovação radical é focada em construir uma solução inédita do zero visando explorar novos mercados e expandir sua atuação.

A inovação radical, ao se tratar da construção de uma nova solução, exige maior investimento e recursos, e por consequência, o risco é equivalentemente maior. Da mesma forma, essa inovação, quando bem implementada, traz maior impacto tanto ao mercado – que ganha uma nova solução – e à empresa – que irá ganhar com os retornos desse novo produto. 

Por mais que a inovação incremental pareça mais segura, é importante que a empresa invista em pesquisa, recursos e capital em ambas soluções.  Melhorar e aperfeiçoar os carros-chefes da empresa é sim importante, mas empresas que oferecem novas soluções e se aventuram em novos mercados possuem chances de criar uma disrupção no mercado.

Inovação incremental versus inovação disruptiva

Muito confundida com a inovação radical, uma vez que ambas começam da mesma forma: criando uma solução totalmente nova que soluciona alguma dor do mercado e expande a atuação da empresa, porém a inovação disruptiva vai além. 

Para ser considerada disruptiva, a solução precisa trazer uma opção mais acessível, prática e inclusiva, atendendo públicos deixados de lado por outros produtos/soluções. Essa inovação tem potencial para mudar completamente um setor, transformando os hábitos dos consumidores, podendo até mesmo desbancar antigos players – até então já bem posicionados – e criar novos mercados. 

Da mesma forma que a inovação radical demanda altos investimentos, a inovação disruptiva também.

Inovação incremental versus inovação aberta

Por definição, a inovação aberta é um modelo no qual os processos de inovação podem ser compartilhados entre funcionários, clientes, fornecedores e até mesmo empresas e outros setores. A ideia é acabar com o medo de que o conhecimento “vaze” e ao invés disso, aprender junto com o mercado e a partir do compartilhamento de ideias e experiências. 

Essa estratégia de inovação pode trazer diversos benefícios à corporação, como por exemplo: 

  • Iniciar um processo de inovação interno;
  • Reduzir o tempo entre desenvolvimento e comercialização;
  • Reduzir custos em diversas etapas do processo;
  • Criar novos mercados;
  • Trazer inovação para produtos já existentes;
  • Promover Networking;
  • entre outros.

Na prática, ao praticar inovação aberta, todos os outros processos de inovação são beneficiados, inclusive a inovação incremental. Uma vez que, ao ter a possibilidade de aprender sobre o mercado e os processos de inovações de outras empresas, é possível identificar acertos e erros e, assim, realizar melhorias mais assertivas de forma mais eficiente. 

3 exemplos de inovação incremental

Ao analisarmos os milhares de produtos e serviços existentes no mercado é possível identificar que grandes empresas apostam fortemente na estratégia de inovação incremental. 

A seguir veremos alguns exemplos de soluções que muitos utilizam no dia-a-dia e que já apostaram – e continuam apostando – na melhoria contínua de seus principais produtos. 

Celulares

Hoje em dia grande parte da população possui um telefone celular, um objeto que já virou praticamente uma extensão de quem nós somos. Esses aparelhos passam por dezenas de atualizações a todo momento. 

O próprio sistema do celular oferece atualizações recorrentes a seus usuários, muitas vezes as mudanças não são tão visíveis – solucionam algum bug, melhoram alguma funcionalidade, entre outras pequenas mudanças. 

Além disso, todo ano novas versões de aparelhos são lançados – mudanças como novo design, maior qualidade de câmera, diferentes funcionalidades e melhorias no processador são exemplos de atualizações. Aqueles consumidores mais entusiastas costumam fazer a troca de aparelho sempre que uma nova versão surge. 

Grandes marcas como a Apple, Motorola e Samsung apostam fortemente nessa estratégia. Não é à toa que estão presentes há tanto tempo no mercado, e continuam oferecendo produtos modernos e relevantes aos seus consumidores. 

Gmail 

Outro serviço que muitos utilizam diariamente é o email, e a solução da empresa Google vem, com o passar do tempo, adicionando outras funcionalidades ao seu serviço. 

Ao obter um endereço de email gmail, o usuário recebe todo um ecossistema na nuvem, no qual é possível salvar arquivos, escrever, criar planilhas, realizar reuniões, criar formulários, e essa lista só aumenta. 

O sistema gmail tem oferecido tantas possibilidades aos seus usuários que muitas empresas adotaram a ferramenta no dia-a-dia para uso interno, pois oferece funções cada vez mais integradas e modernas, que facilitam o trabalho. 

Coca-cola

Até mesmo produtos de consumo podem inovar, como é o caso do refrigerante mais famoso do mundo, a Coca-cola. 

Quando pensamos em Coca-cola automaticamente vem em nossa mente a tradicional bebida que é encontrada em todos os lugares do mundo todo, desde as grandes redes de fast food até a mesa de milhares de famílias. 

Porém a marca, com certa frequência, oferece novas opções de sabores – como é o caso das versões da bebida com aroma de café, baunilha, entre outros – como uma forma de sempre oferecer uma experiência diferenciada e surpreendente aos seus clientes. 

Quando a inovação incremental é a melhor opção

Antes de tudo, é muito importante entender em qual momento encontra-se sua empresa, bem como em que fase de desenvolvimento e maturação a sua solução está. 

Para que um produto necessite melhorias e aprimoramentos, ele precisa primeiramente já ter sido validado e aceito pelo mercado. Com produtos e serviços em fase de ideação, a realização de pesquisas com amostras do público alvo poderá ajudar a compreender quais são os pontos altos da sua oferta e o que pode ser melhorado. 

Portanto, se a sua solução já tiver sido validada, é o momento de investir em inovação incremental para  garantir que o produto continue em pleno desenvolvimento e atualizado com as demandas do mercado. O Kit de inovação do Distrito pode ajudar você com este diagnóstico.

Segundo Eric Schmidt, ex-CEO do Google, é importante que a empresa distribua seus recursos, pesquisas e investimentos entre aprimorar os carros-chefe e criar novas soluções explorando novos mercados. 

Conforme o ex-CEO compartilhou, a empresa utiliza 70% de seus esforços – capital, tempo e pesquisa – aprimorando seu carro chefe, 20% e outros serviços secundários e 10% para buscar novas possibilidades de soluções. 

Claro que essa não é a única estratégia existente, diferentes empresas possuem diferentes visões e, consequentemente, diferentes critérios para distribuir seus recursos. Porém, a ideia é conseguir distribuir investimentos entre as diferentes abordagens de inovação.

Referências para se aprofundar no assunto

Para finalizar, indicamos um livro praticamente obrigatório para qualquer empreendedor ou interessado sobre o assunto inovação, o qual aborda sobre os diferentes tipos de inovação e a importância de estar sempre investindo em rupturas e incrementos. 

O livro se chama o Dilema da Inovação, e foi escrito por Clayton M. Christensen, um economista e professor de Administração de empresas em Harvard. 

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