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Tendências para o setor da saúde

Tendências do setor da saúde para 2022

A transformação digital e as tecnologias emergentes vieram para transformar de vez o mundo em que vivemos e com o setor da saúde, não foi diferente. Inteligência Artificial, Internet das Coisas, clientes com um nível de exigência mais alto, novas necessidades para os profissionais. Essas são apenas algumas das novidades que têm invadido o mercado […]

9 de fevereiro de 2022 7 min de leitura
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Artigo atualizado 9 de fevereiro de 2022

A transformação digital e as tecnologias emergentes vieram para transformar de vez o mundo em que vivemos e com o setor da saúde, não foi diferente. Inteligência Artificial, Internet das Coisas, clientes com um nível de exigência mais alto, novas necessidades para os profissionais. Essas são apenas algumas das novidades que têm invadido o mercado como um todo e influenciado as tendências do setor da saúde para este e os próximos anos. 

Já estamos experimentando o impacto de algumas dessas mudanças, muitas delas impulsionadas pela pandemia da Covid-19, como comenta Ivisen Lourenço, Gerente de Inovação e Ecossistema no Inova HC: “A percepção geral é de que o setor se desenvolveu mais do que nos últimos 10 ou 20 anos. Pelo ecossistema, as iniciativas de apoio e fomento evoluíram bastante, com abertura de novas fontes de financiamento público com foco em hard Science e deep tech, inauguração de novos HUBs de inovação na saúde e a aprovação do Marco Legal das Startups. A saúde digital tomou de vez o seu lugar ao sol”, conta Ivisen. 

Saiba quais foram os impactos da pandemia da COVID-19 no setor e quais são as tendências para este ano.

Impactos da pandemia no setor de saúde no Brasil e no mundo

A pandemia da Covid-19 expôs em todo o mundo as desigualdades do setor da saúde, além de acelerar mudanças no ecossistema e forçar os sistemas de saúde público e privado a se adaptarem e inovarem em um período curto. Podemos dizer que a transformação digital chegou de vez ao setor, seja pela implementação da telemedicina, seja pelo uso de tecnologias e dados exigidos no período. Confira alguns desses impactos no Brasil e no mundo. 

Impactos no  Brasil

O Brasil vem se tornando um verdadeiro polo gerador de conhecimento. Mapeamos em nossa base de dados proprietária que o Brasil passou de 248 empresas desse tipo em 2018 para 1002 no ano passado. Além disso, de janeiro até dezembro de 2021, as startups receberam mais de US$ 530 milhões em investimentos, enquanto que em 2020 o volume total de investimentos do ano foi de US$ 127, 8 milhões.

A transformação digital chegou de vez ao setor, impactando tanto a esfera pública, como a privada. A liberação da telemedicina e o uso de IA e apps pela saúde pública, como o app Conecte SUS, estão aí para provar.

Outro acontecimento de grande impacto em nosso ecossistema, foi a aprovação no ano passado de um projeto no Senado que visa a  implementação do Open Health. O objetivo desta estratégia é  o compartilhamento dos registros eletrônicos de saúde, tanto dos atendimentos do sistema único de saúde, o SUS, quanto os privados e de operadoras de planos de saúde, onde a informação é propriedade do paciente e só tem acesso quem ele autoriza. Isso permitirá uma série de inovações no setor e o passo fundamental para implementar em grande escala uma saúde digital.

Impactos no mundo

Em circunstâncias normais, a inovação em saúde costuma ser mais custosa e demorada que outros setores, afinal, estamos lidando com vidas.  No entanto, a pandemia da COVID-19 provocou uma grande e veloz  inovação na  saúde em todo o mundo, com a colaboração em várias disciplinas, todas trabalhando para o mesmo objetivo de salvar vidas. Basta ver o quão rápido aconteceu o desenvolvimento da vacina. 

A emergência do COVID-19 provocou um encurtamento dos prazos de pesquisa e desenvolvimento, contornando as barreiras administrativas, normativas  e concentrando-se na saúde em primeiro lugar e no lucro em segundo lugar. Como exemplo, podemos citar a invenção de um médico taiwanês que criou uma “caixa de aerossol” , uma espécie de cubo de plástico transparente projetado para cobrir a cabeça dos pacientes, com duas aberturas nos braços para os médicos realizarem intubações enquanto estão protegidos da disseminação do coronavírus.  O design deste objeto foi de código aberto e rapidamente, foi  implementado na prática clínica em todo o mundo, em poucos dias, o que em um cenário comum demoraria anos.

Pacientes mais informados e mais exigentes

Cada vez mais, o público está desejando ter autonomia sobre a própria saúde. A partir desse desejo, foram criadas diferentes soluções, como aplicativos e dispositivos relacionados à saúde.

Somado a isso, existe a onda de produtos e serviços de saúde em domicílio, seja para cuidados primários, gerenciamento de doenças crônicas ou cuidados paliativos e de longo prazo, e ainda na crescente das comunidades online e sites de comparação (de médicos, hospitais e produtos farmacêuticos).

O desejo de acesso em tempo real aos serviços de healthcare levou a uma rápida consumerização do setor, em que o paciente tem voz ativa e participa das decisões relacionadas à sua própria saúde. Isso forçou todos os elos da cadeia a se concentrarem ativamente na experiência do cliente (CX), a qual tem se tornado prioridade.

Os profissionais de saúde terão que aceitar que vão passar a atuar como colaboradores. Uma comunicação mais direta com o paciente, como por WhatsApp, atendimento em domicílio ou em horários mais de acordo com a correria do dia a dia, são tópicos que precisarão estar no radar dos profissionais do setor.

Não à toa, as startups de Engajamento do Paciente, tiveram uma grande evolução do investimento e atividade de M&A: em 2021, US$ 11 milhões foram investidos no setor apenas no Brasil, segundo nossa base de dados proprietária, enquanto que em 2020 foram  US$ 2,5 milhões.

O uso de nuvem no setor da saúde

Houve uma grande mudança na geração, consumo, armazenamento e compartilhamento de dados no setor da saúde. As plataformas em nuvem aumentam a colaboração entre médicos e pacientes e tornam o processo de consulta mais eficiente. Essa característica por si só já demonstra o porquê o uso de dados na nuvem é considerado uma das principais tendências da saúde. E segundo pesquisa A importância da Nuvem para a Saúde, da Accenture, 47%  dos CIOs da área da saúde classificam os serviços em nuvem como uma das três principais prioridades de investimento.

Um dos maiores benefícios da armazenagem na nuvem é a interoperabilidade, que visa estabelecer integrações de dados em todo o sistema de saúde, independentemente do ponto de origem ou armazenamento. O que facilita a aplicação da análise de Big Data e dos algoritmos de inteligência artificial nos dados, impulsionando a pesquisa médica. Ainda, a computação em nuvem democratiza os dados e dá aos pacientes o controle sobre sua própria saúde, agindo como uma ferramenta para a educação e o envolvimento do paciente.

Data Science e Predictive Analytics

Trabalhar com um paciente com uma doença crônica pode gerar uma grande quantidade de informações. No entanto, descobrir e compactar todos os dados disponíveis em algo acionável pode ser um desafio.

Melhorias na ciência de dados e análise preditiva, contudo, tornaram possível para os profissionais buscarem insights mais profundos.

Um médico pode, por exemplo, alimentar informações coletadas dos históricos de ascendência e família em sistemas baseados em IA. Dessa forma, é possível criar um perfil estatisticamente fundamentado e diagnosticar problemas mais rapidamente.

Dados ricos podem ser obtidos de fontes sobre o ambiente circundante, permitindo que os médicos identifiquem e resolvam problemas endêmicos de regiões, famílias, negócios e outros grupos populacionais.

Mais parcerias e novos players

Organizações de saúde têm buscado aquisições ou até mesmo unificações com outras instituições para melhorarem o próprio desempenho e, até mesmo, a situação financeira em que se encontram.

Nos Estados Unidos, por exemplo, estão ocorrendo fusões entre companhias de seguro de saúde no mundo e cadeias de farmácias. Da França à Singapura, diferentes grupos do setor também estão realizando investimentos para ampliarem os negócios.

Além disso, grandes empresas que antes não estavam de olho no setor da saúde começaram a perceber que a área está cheia de boas oportunidades. Um exemplo disso é a Philips, que desenvolveu uma solução inteligente que recolhe dados relacionados a doenças. A partir disso, entrega monitoramento 24 horas para hospitais. Outras novidades devem surgir em breve no mercado.

Robótica

Os engenheiros de robótica desenvolvem assistentes médicos, roupas de reabilitação e até unidades cirúrgicas que podem realizar procedimentos que salvam vidas. Essas máquinas podem executar procedimentos minimamente invasivos, que diminuem a dor e o tempo de recuperação de pacientes. A Johnson & Johnson em colaboração com a Alphabet, também deve entrar no mercado este ano com seu próprio robô cirúrgico que pode realizar biópsias pulmonares, um dos maiores avanços no meio.

Os robôs também são projetados para serem capazes de realizar tarefas repetitivas e monótonas, para que a equipe humana tenha mais energia para lidar com questões que exigem habilidades de tomada de decisão, criatividade e, acima de tudo, cuidado e empatia. Um dia, os robôs que tiram sangue podem aliviar os enfermeiros desse exercício pesado, e podem até realizar testes de laboratório sem a intervenção de humanos.

Nova fase da telemedicina

A telemedicina teve grande destaque no primeiro ano de pandemia e também em 2021. Médicos e pacientes aprenderam a lidar com essa facilidade que só cresceu nesse período turbulento.  Segundo a pesquisa Panorama das Clínicas e Hospitais, realizada pela Doctoralia em parceria com TuoTempo, 63% dos centros médicos estão oferecendo atendimento por telemedicina.

 A tendência é que a utilização de teleconsultas, principalmente, se estabilize como atividade cotidiana em um caráter complementar, assim como já é aplicada na AACD e no Hospital Israelita Albert Einstein. Com isso, os níveis de serviços prestados pelas empresas de telemedicina vão ficar mais robustos e complexos e seus mercados vão continuar crescendo, mas não de uma forma agressiva como em 2020 e 2021.

Inteligência Artificial

A IA é uma coleção de tecnologias avançadas que permite às máquinas descobrirem,  compreenderem, raciocinarem, agirem e aprenderem. A tech pode processar vários tipos de dados: não estruturados, imagens, voz etc. Além disso, usa uma variedade de algoritmos e ferramentas para realizar, por exemplo, machine learning (ou ‘aprendizado de máquina’). 

Só em 2021, já foram investidos mais de US$ 41 milhões em startups de inteligência artificial no Brasil. Para se ter uma ideia da evolução dos aportes, em 2020, foram apenas US$ 1,5 milhão investido na categoria. O desenvolvimento de novas tecnologias, aliado à necessidade de melhorar a precisão dos diagnósticos e tratamentos, está contribuindo para a evolução desse mercado no mundo todo.

Além disso, a pressão para cortar gastos na saúde aumenta conforme os custos da assistência médica crescem mais rápido do que as economias.

Realidade Aumentada e Realidade Virtual na saúde brasileira

As aplicações de AR e VR vão muito além do reino do entretenimento. No setor de saúde, essas tecnologias têm sido utilizadas para tratar doenças físicas e psicológicas. Já vemos ferramentas de reabilitação desenvolvidas para ajudar pacientes a se recuperar de um derrame e deficiências corporais com o uso óculos de realidade virtual.

Tech e mercado tradicional

Planos de saúde digitais, softwares de gestão e prontuário, além de IA & Big data foram os segmentos que mais receberam aporte de capital de risco no ano de 2021. Com o caixa cheio, essas startups começam a ganhar cada vez mais tração e espaço no mercado. Algumas dessas healthtechs que já estão em estágio Séries B e C, por exemplo, vão provocar reações mais agressivas no mercado. Atenção primária, serviços para corporações e modelos value-based são alguns dos focos inovadores dessas startups. Esse cenário já foi iniciado em 2021, mas tende a ganhar mais força em 2022, seja por meio de parcerias, M&A ou reação estratégica dos gigantes de saúde.

LGPD e segurança de dados

A partir de agosto de 2021, a LGPD passou a valer mais vigorosamente para aqueles que não estivessem enquadrados no novo regimento, o que implicou em adaptações das empresas em diversos setores. Na saúde não foi diferente. Por conta disso, os sistemas de informação de saúde estão implementando as modificações necessárias para o enquadramento, as quais devem ganhar força em 2022. Para os hospitais e clínicas essa tendência passa a ser uma das mais importantes prioridades para o ano que se inicia, assim como aponta estudo Panorama das Clínicas e Hospitais, feito pela Doctoralia. Além da adequação dos sistemas à LGPD, outra importante prioridade é a sofisticação da segurança dos dados com a aplicação de tecnologias de ponta.



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