Atualmente é comum escutarmos, no meio do empreendedorismo e das startups, a seguinte afirmação: “é preciso pensar como um hacker”. A partir de comentários como esse é que termos e metodologias como o Business Hacking ganharam força.

Antes de você compreender exatamente o que significa a expressão ou o que um Business Hacker faz, é preciso entender esse tal de “pensamento hacker”.

Mentalidade Hacker

A palavra hacker ganhou conotação negativa por estar associada a alguém que invade computadores, contas bancárias, por meio digitais, entre outras atividades. Mas, etimologicamente, o termo hacker, em inglês, traz o conceito de encontrar brechas no sistema, seja online ou não. É uma maneira de buscar soluções de forma criativa, rápida e ágil.

Portanto, o “pensamento hacker” tem relação com a busca pela disrupção do status quo.

Você pode começar a praticar essa visão e tentar sair do tradicional. Não seguir a lógica, deixar de lado tudo que você conhece para ir atrás de soluções do zero para algum problema. Ter esse tipo de mentalidade é essencial para executar um processo de inovação empresarial efetivo.

Business Hacking: o que é?

“É a capacidade de resolver um problema de maneira não tradicional. Ou seja, tirando qualquer tipo de limitação de recursos. São utilizadas diversas ferramentas, como tecnologia, cultura, mindset e pessoas, cruzando oportunidades onde a maneira tradicional não enxerga”, afirma Gustavo Araújo, sócio e fundador do Distrito.

A ideia por trás do Business Hacking é criar a solução do zero. Ou seja, esqueça o que você conhece de benchmarking, que é quando uma empresa se baseia na prática de outras companhias para criar uma nova solução ou produto. A ideia aqui é deixar de lado essa “visão poluída” do benchmarking para focar em algo totalmente novo.

Para Araújo, a filosofia hacker preza pela desconstrução de um problema, deixando de olhar o que já  foi criado. “Cria-se uma solução do zero. Este é o principal pensamento. Por exemplo, preciso criar um produto que tenha tenha integração com algum código pronto, sem levar em consideração o que já foi criado. É aí que entra o Business Hacking”, comenta o empresário.

Como explica o Business Hacker do Distrito, Pedro Oliveira, “primeiro, entendemos sobre modelo e as regras daquele negócio, depois qual o problema que o cliente quer e precisa resolver, para então pensar no produto e serviço que será criado”.

O que um Business Hacker do Distrito faz

No Distrito uma das funções estratégicas é a do Business Hacker, que são profissionais responsáveis por formular soluções para empresas que buscam inovar ou desenvolver algum projeto novo.

Na LEAP, em parceria com a KPMG, os Business Hackers têm a missão de ajudar grandes empresas a se desvincularem dos modelos tradicionais de elaboração de um produto ou serviço para, por meio do Business Hacking, desenvolver uma visão clara e escalável com as melhores soluções e tecnologias do ecossistema global de startups.

De acordo com Cacau Lima, Business Hacker do Distrito, esse tipo de profissional é aquele que consegue transitar e ter tanto uma visão analítica quanto criativa. Normalmente é um executivo que entende bem da parte estrutural de design, tecnologia e negócios.

“Compreendemos o problema e fazemos uma pesquisa para entender a fundo toda a empresa. Depois, caçamos no ecossistema soluções que respondam os problemas da etapa de pesquisa. Por último, cruzamos soluções de techs e startups para criar as propostas que, por si só, já são pensadas para serem escaláveis e executamos isso”, comenta Lima.

Desconstruindo o business hacking: entenda etapa por etapa

Agora é o momento de entender na prática como é feito todo o processo de Business Hacking de uma empresa e como funciona cada etapa. Com base no que é feito no Distrito, você confere como funciona todo o processo de Business Hacking e a relação com a grande empresa que busca e fomenta a inovação.

Compreendendo o negócio do cliente e o problema

Nesta etapa, o objetivo é conhecer tudo do negócio do cliente, mas com uma visão desapegada. É importante aqui que o Business Hacker não fique preso a um conceito. Ele tem que ir sem preconceitos, aberto a tudo.

A equipe irá conversar com diversos colaboradores, pesquisas serão feitas. Perguntas que devem ser respondidas, numa segunda etapa, serão elaboradas.

Por exemplo, se o time de Busines Hacking for atender uma empresa da área da saúde, eles irão se colocar no lugar do cliente. Irão avaliar todo inventário de documentação disponível. Vão entender como é a relação da empresa com os fornecedores.

Dessa forma, irão, literalmente, respirar e viver toda a realidade daquele negócio. É um estudo profundo. É provável que o Business Hacker comece o projeto entendendo muito pouco do negócio e, posteriormente, após a fase de pesquisa compreenda perfeitamente e a fundo todas as nuances daquela empresa.

Portanto, entende-se todo o core business para, assim, seguir para a próxima etapa.

Curadoria e cocriação

Após entender o negócio e levantar diversas perguntas é o momento de, em conjunto com o cliente, entender qual pode ser o caminho a ser seguido.

Esta etapa é cheia de reuniões, apresentações e desenhos do modelo de negócio daquela empresa.

O intuito é saber se a equipe de Business Hacking está indo na direção certa e alinhar em conjunto com a empresa que está sendo atendida qual é a trajetória que deve ser tomada.

Portanto, é uma etapa de cocriação em que as duas frentes irão se unir para pensar juntas o que fazer e refletir sobre a problemática, como nas possíveis respostas para o problema que está sendo abordado.

Apresentação da solução

Neste momento é a hora de apresentar ao cliente o que foi pensado como solução. Esta etapa é a conclusão do que foi feito até então.

Primeiro, estuda-se todo o negócio daquela empresa. Depois, em conjunto com a empresa, é pensado num caminho a ser seguido e validada qual direção deve ser tomada. E, por fim, é apresentada a solução que foi elaborada para aquela problemática.

Assim, após de validar a proposta de solução com o cliente, é o momento de partir para a execução.

Execução da solução

É o momento de começar a construir as plataformas de tecnologia para viabilizar aquela solução

Mas, além disso, é a hora de fechar a parceria com startups e big techs que podem agregar e fazer parte de todo o processo.

Começa, então, uma busca por startups que já possuem uma solução semelhante a que está sendo proposta. Nesse caso, não precisa ser, necessariamente, apenas um tipo de startup. Mais de uma pode entrar no processo.

Portanto, a etapa de execução é o momento de conectar startups para, em conjunto, criar uma solução viável para o problema da grande empresa.

É importante ressaltar a volatilidade de um processo de Business Hacking. Acima definimos, no geral, como pode ser executado esse tipo de procedimento. Mas nem sempre é assim e depende muito do contexto da empresa que está sendo atendida.

“Hoje executamos em três etapas o Business Hacking. Pode ser que amanhã a gente faça duas ou façamos vinte. E essa é a graça do Business Hacking como princípio: a gente vai lá para resolver o problema, dependendo muito menos de uma metodologia que entregue esta resposta, e mais de um mindset que nos leve para essa disrupção”, finaliza Lima.