Não é uma prática incomum de grandes empresas investir diretamente em startups inovadoras. Essa prática é conhecida como Corporate Venture Capital, ou capital de risco corporativo, e é feita por meio de acordos de joint venture, aquisição de participações acionárias, aquisição de softwares e licenças, aquisição de propriedade intelectual, entre outros.

Mas não é só isso, a empresa investidora também pode fornecer à startup conhecimentos especializados em gestão, finanças, marketing, direcionamento estratégico e até uma linha de crédito.

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Os primeiros investidores de corporate venture capital eram empresas em rápido crescimento que queriam diversificar e encontrar novos mercados (isso já existe há muito tempo), conglomerados industriais americanos que estavam cheios de dinheiro e queriam usá-lo de forma produtiva. Também foi quando o capital de risco estava tendo seus primeiros sucessos com a nascente indústria de tecnologia, fornecendo um modelo para as empresas seguirem.

Mas, isso foi há bastante tempo, no início dos anos 60, quando o capital de risco não era totalmente ligado à tecnologia. Afinal, os computadores ainda ocupavam um cômodo inteiro.

A evolução do Corporate Venture Capital

O primeiros computadores pessoais, no final de 1970, mudaram para sempre o mundo e também o investimento de corporate venture capital. Foi o marco que conduziu a segunda onda de investimentos.

A tecnologia foi se tornando uma indústria voltada para o consumidor e para o Vale do Silício. Entre 1977 e 1982, os valores dedicados ao capital de risco cresceram de US$ 2.5B para US$ 6.7B.

E se o computador pessoal foi o grande avanço tecnológico que levou à segunda onda do CVC, a internet foi, sem dúvida, a propulsora da terceira onda. Só em 2000, mais de 20 novos grupos de CVC fizeram seu primeiro investimento, de acordo com dados CB Insights, e os valores chegaram a cerca de US$ 17B.

Apesar do corporate venture capital cair consideravelmente após o estouro da bolha, ele não desapareceu, muito pelo contrário. Em 2012 o financiamento total de negócios envolvendo CVC foi de US$ 8.4B, um aumento significativo desde 2009, mas ainda menos da metade do investimento total durante os anos de pico.

Ele permaneceu nessa média no ano seguinte, antes de dobrar em 2014, e depois saltar quase 70% em 2015 para inéditos US$ 28.4 bilhões.

Por que o Corporate Venture Capital continua crescendo tão rápido?

O negócio global de CVC atingiu altas históricas em 2017: totalizando US$ 9,3 bilhões em financiamento, o maior desde o terceiro trimestre de 2015. Também houve um aumento de 66% dos investidores, foram 186 novos ao longo de 2017.

A era do unicórnio, que teve início em 2002 e segue até hoje, não parece ter previsão de fim. O desenvolvimento de novas tecnologias impulsionam mais um boom. Internet e mobile, por exemplo, responderam por 63% dos valores de investimento de CVC do último trimestre de 2016.

Smartphones, sensores, softwares e computação em nuvem permitiram uma série de novos serviços que entraram em setores que, até então, eram distantes da tecnologia.

Os investidores perceberam ali uma grande oportunidade (e continuam de olho). Enquanto os bancos possuem muito dinheiro e pouca inovação, a situação nas startups é o inverso.

Tecnologia: culpada

Com tantas opções de consumo no mercado, fica claro que os consumidores querem mais inovação. Se as empresas não podem entregar, elas correm o risco de ficar para trás.

O Global CVC Report de 2017 mostra que o financiamento de CVC’s para empresas de Inteligência Artificial quase duplicou. O crescimento em 2017 foi de 81% e aumentou 32% em relação a 2016.

O maior deal de IA do ano foi a fabricante de veículos autônomos NIO, tendo como investidores Baidu Capital e Lenovo Ventures Group. O financiamento total divulgado foi de $2.2 bilhões.

O setor autotech passou de 21 ofertas em 2016 para 45 ofertas em 2017, tendo um crescimento de 114% e o financiamento de CVC subiu mais de 350% ano sobre ano.

“Nós seremos um sucesso se realmente trouxermos para a empresa a nova tecnologia do carro do futuro que vai muito longe e também é muito caro para desenvolver dentro de nossa P&D. O principal é ser rápido.”

Acredita Francois Dossa, Head da Alliance Venture, um fundo de capital de risco operado pela Renault-Nissan-Mitsubishi, a principal aliança automotiva do mundo.

Muito caro para desenvolver dentro da própria empresa: esse é um dos grandes motivos pelos quais os grandes apoiam e decidem comprar startups.

Desenvolver novos produtos e inovar não é mais restrito ao setor de pesquisa e desenvolvimento e essa é uma grande vantagem, pois realizar internamente é mais caro e demora mais tempo.

E as grandes empresas estão bem cientes disso: quase 150 CVC’s globais apoiaram startups de IA em 2017. A Intel Capital foi a mais ativa, apoiando mais de 15 startups durante o ano.

Outros que aparecem no ranking de maior atividade são a NVidia GPU Ventures, GV, Microsoft Venture e SalesForce Ventures.

Mobile e Internet

O Investimento de CVC em empresas mobile aumentou de 239 ofertas em 2016 para 300 ofertas em 2017, ficando em 26%. A participação também cresceu, indo de US$ 4.6B em 2016 para US$ 5,6 bilhões.

A Internet alcançou uma alta desde 2013. Os negócios com a participação de CVC aumentaram 10%. Foram de 699 negócios em 2016 para 767 negócios em 2017.

Já o financiamento caiu 9%, indo de US$ 11,2 bilhões em 2016 para US$ 10,2 bilhões em 2017, 18% desde a alta de US$ 12,5 bilhões em 2015.

Bens de consumo com propósito

Mas não é só o setor de tecnologia que cresce, recebe investimento e deals. O setor de CPG (bens de consumo) cresceu 67% em 2017, de 15 ofertas em 2016 para 25 ofertas em 2017. O financiamento de CVC do setor foi mais de 97% ano a ano.

Desde a revolução do marketing 3.0, Kotler já alertava as empresas que o consumo estava se voltando para os valores. As preocupações do consumidor mudaram, e irão continuar mudando.

As pessoas não consomem mais apenas por prazer, buscam propósito. Cuidam mais de si mesmas e do planeta. A tecnologia, novamente, entra em cena para auxiliar na criação de alimentos mais saudáveis e produtos ecofriendly, ajudando empresas investidoras a expandirem seu portfólio e oferecer mais opções ao consumidor.

Isso fica evidente se observarmos as maiores investidas de 2017: A Farmhouse Culture, que produz alimentos e bebidas ricos em probióticos, ficou no topo com um financiamento total divulgado de $17.2M da 301 INC.

A 301 INC. é o braço de corporate ventures da General Mills, o CVC mais ativo em 2017, em número de investimentos exclusivos. Entre as investidas estão No Cow (barras de cereais veganas), Rythm Superfoods (lanches nutritivos), Good Culture (laticínios orgânicos) e Purely Elizabeth (alimentos naturais).

Enquanto o McDonald’s vende o mesmo Big Mac desde 1967, investidores e muitos consumidores migraram para a Shakeshack, uma empresa que em menos de dez anos bateu os US$ 2 bilhões. Uma de suas premissas é a carne bovina Angus totalmente natural, que recebe alimentação vegetariana humanamente cultivada, sem hormônios ou antibióticos.

Quem também se destacou muito nessa área é a Unilever Ventures e seu laboratório de inovação, o Unilever Foundry. A organização fez mais de 60 investimentos únicos ou aquisições de startups em 2017. Entre elas a Beauty Bakerie Cosmetics Brand, de maquiagens veganas.

E, se os investidores e as pessoas estão de olho no consumo mais inteligente, a saúde não fica para trás, é claro. As ofertas de CVC no setor de Healthcare aumentaram 17% em 2017, em relação a 2016, indo de 187 para 218.

O impacto de uma Startup em uma grande empresa

Ao contrário dos investimentos de fundos convencionais, que respondem apenas a uma lógica financeira, o retorno sobre o investimento desses fundos também é estratégico. E seu forte crescimento mostra que isso funciona.

Permite investir em um modelo de negócios adjacente, preservar o espírito empreendedor e o modelo operacional ágil para depois ter a possibilidade de mesclá-lo com a organização matriz, numa aquisição de startup.

O relacionamento entre startups e CVC’s é valioso e com benefícios para ambos os lados. A maioria dos investimentos em CVC é feita por razões estratégicas como:

  • Identificar startups que podem trazer inovação para o campo de atuação da empresa, para aproveitar melhor as oportunidades e ganhar vantagens competitivas;
  • Permitir que a grande empresa inove mais rápido, pois um investimento permitirá que as startups façam os investimentos necessários para acelerar projetos conjuntos;
  • Apoiar o ecossistema e permitir que seus pequenos negócios se movimentem mais rapidamente. O caso da Salesforce: a Salesforce Venture faz dezenas de investimentos por ano em empresas que distribuem complementos de seus produtos, com grande sucesso. Qualcomm, Intel, Microsoft Venture ou Amazon Alexa venture também são ótimos exemplos;
  • Um forte fator de aceleração na mudança da empresa, tanto em inovação, transformação digital e transformação cultural que impacta positivamente.

A motivação por trás das ações dos CVC’s pode variar, mas muitas vezes é concentrada no retorno sobre investimento (ROI), sendo um deles o fato de que financiar e comprar uma startup (ou sua tecnologia) é mais barato do que construir em casa.

Investir e adquirir

Os investidores valorizam e escolhem as startups com base em seu valor financeiro ou em seu valor estratégico.

O valor financeiro de uma depende de seus lucros e do modelo de seus fluxos de caixa futuros. É muito mais provável que a startup seja avaliada com base em onde elas se encaixa na estratégia de curto ou longo prazo da empresa.

Algumas das razões mais comuns que as startups têm valor estratégico para uma possível compra são:

  • Os negócios têm algumas sinergias e combiná-las vai agregar valor;
  • Um concorrente está trabalhando em algo e a startup pode ajudar a empresa a superá-lo;
  • O CEO da adquirente quer manter a startup longe de outra grande empresa concorrente;
  • A empresa não tem, não pode ou não quer reter talentos na área;
  • O adquirente está executando um negócio semelhante, mas a startup está executando muito melhor;
  • A startup é uma ameaça.

Na maioria das vezes, grandes empresas possuem estrutura física, negócios e marca consolidadas, mas, do outro lado, as startups saem na frente quando o assunto é inovação e tecnologia. Unir os dois pontos pode ser o match perfeito.

Além de qualquer benefício financeiro para a empresa, estão as novas idéias que uma startup oferece, bem como o impacto positivo de uma nova cultura.

O potencial de longo prazo da inovação nem sempre pode ser medido em termos de crescimento monetário. É preciso que a empresa pense fora do core business para investir ou comprar uma startup.

Apesar de, em média, 90% das startups falharem nos 4 primeiros, investir na certa pode ser altamente vantajoso para empresas que buscam ganhar vantagem no mercado, almejam alto crescimento e a expansão do portfólio de produtos.

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