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O que o design tem a ver com o PIX? Tudo!

O que o design tem a ver com o PIX? Tudo!

Atualmente os designers ganharam o glamour e o mercado de trabalho merecido. Na minha época, a pessoa que desejasse enveredar por esta trilha seguia o caminho do desenho industrial, e as possibilidades de melhorar um produto eram infinitas. Mas poucos estavam dispostos a se graduar neste ramo. Fico imaginando os motivos deste desinteresse, e incluo […]

12 de outubro de 2020 3 min de leitura
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Artigo atualizado 12 de outubro de 2020

Atualmente os designers ganharam o glamour e o mercado de trabalho merecido. Na minha época, a pessoa que desejasse enveredar por esta trilha seguia o caminho do desenho industrial, e as possibilidades de melhorar um produto eram infinitas. Mas poucos estavam dispostos a se graduar neste ramo.

Fico imaginando os motivos deste desinteresse, e incluo aqui os argumentos que me fizeram desistir desta formação. O primeiro deles é que décadas atrás este trabalho não era valorizado e, via de regra, as pessoas que entravam neste mercado raramente evoluíam financeiramente. O segundo e, na minha opinião, o mais importante, é que para exercer esta profissão, o(a) fulano(a) tem que ter nascido para isso. 

Quando penso em um design matador, um dos pontos que levo mais em consideração é a capacidade do criador de unir a beleza e funcionalidade. Questionar o conceito de beleza é um dos desafios mais complicados que conheço. Ainda não soube de alguém que conseguisse esclarecer as bases que fundamentam o assunto. Talvez porque se trate de uma questão idiossincrática, que dependa de variáveis como classe social, referências de infância, cultura, educação, círculo de convivência e muito mais… Porém, quando falamos de funcionalidade, a questão fica muito mais fácil de ser resolvida.


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Levando-se em conta que a funcionalidade é algo importante no desenvolvimento de novos produtos, vale dizer que “criatividade” faz toda a diferença no assunto. Entretanto, criatividade é o que se perde com muita facilidade ao longo da vida. Certa vez, conversando com o head de um Laboratório de inovação, soube que quando criança somos, na grande maioria, bem criativos.

Mas, ao passo que crescemos, perdemos esta capacidade de inovar. Os números são assustadores. Estudos mostram que aproximadamente 95% das crianças nos primeiros anos de vida são criativas, e que apenas entre 3% e 5% destas mesmas crianças permanecem criativas após ingressarem no mercado de trabalho. 

Tudo isto contextualiza bem a dificuldade dos bancos e instituições financeiras de serem criativos. A máxima de que o melhor é copiar o que já foi feito, e deu certo, é muito verdadeira. E o papel de desafiar os padrões normais de desenho de soluções neste segmento está ficando cada vez mais para os novos entrantes que valorizam a questão do design com foco nas funcionalidades, e as empresas especializadas no assunto. 

Toda esta introdução é para fazer uma pequena provocação. O Banco Central, de forma brilhante, lançará em novembro a primeira onda do PIX. O PIX é um sistema de pagamento instantâneo do qual podemos destacar inúmeros benefícios para os clientes das instituições financeiras.

O principal deles é a facilidade do usuário em realizar um pagamento ou uma transferência de forma muito simples e rápida. Para se adaptar a este cenário, 980 instituições se cadastraram para esta primeira fase. Pergunto aqui: o que fará uma instituição atrair e fidelizar mais clientes do que a outra na prestação deste serviço que impactará a quase totalidade dos clientes do sistema financeiro? 

O céu é o limite para a criação destas soluções. Colocar um link dentro do app do cliente é a forma mais esperada, mas será que a criatividade não poderia melhorar e muito a experiência destes clientes, que sacarão o telefone várias vezes ao dia para pagar e transferir dinheiro para alguém?  

Estou curioso para ver as soluções que serão criadas — e espero que a nossa possa estar entre as preferidas.

Este texto foi escrito por Guilherme Aguiar, Head do Omnilab - OMNI. Com mais de 15 anos de experiência profissional em grandes empresas que atuam no mercado financeiro, Guilherme Aguiar já passou por companhias como Banco Safra, Itaú e Banco Ibi.

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