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Mulheres empreendedoras: os avanços no caminho ainda longo

Por Mariana Dias, CEO da Gupy O empreendedorismo é uma plataforma com um alto impacto social. É um motor que gera empregos e movimenta a economia do país impactando diretamente a vida de bilhões de pessoas. Mas, será que o empreendedorismo é para todos — e todas? Onde estão as mulheres empreendedoras?  O avanço das […]

9 de março de 2021 3 min de leitura
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Artigo atualizado 9 de março de 2021

Por Mariana Dias, CEO da Gupy

O empreendedorismo é uma plataforma com um alto impacto social. É um motor que gera empregos e movimenta a economia do país impactando diretamente a vida de bilhões de pessoas. Mas, será que o empreendedorismo é para todos — e todas?

Onde estão as mulheres empreendedoras? 

O avanço das mulheres empreendedoras é, além de promissor, algo muito inspirador. Para termos uma noção, startups criadas por mulheres, nos últimos 10 anos, tiveram 8 vezes mais investimentos, segundo o Crunchbase. De 2009 a 2019, o número de startups fundadas por mulheres aumentou em 10%. 

Ao mesmo tempo, negócios fundados por mulheres são vistos com bons olhos. Tudo porque, com base em um estudo desenvolvido pela Boston Consulting Group, startups de mulheres são mais rentáveis a longo prazo.

Mas como nem tudo são flores, em contrapartida, os negócios criados por mulheres ainda levantam menos investimentos — algumas pesquisas apontam que o número gira em torno de 2 a 3%.

O caminho é longo e árduo, mas não impossível

Mulheres CEOs ainda são minoria, mas o número aumenta ano após ano; mulheres nas lideranças corporativas têm crescido igualmente, mas a passos mais largos.

Como CEO mulher, vivi momentos em que era minoria em uma sala cheia de executivos, ou até preconceitos que não experiencia na pele, mas sei que existem aos montes. A estrutura em que fomos criados e criadas é, na maioria das vezes, limitada e preconceituosa.

E, claro, isso dificulta muito o nosso trabalho.

Mas a mensagem que quero deixar aqui é outra. Nenhum desbravador teve uma tarefa fácil: só busca mudar o status quo quem acredita que a inovação é para todas e todos, e essa pessoa precisa estar disposta a enfrentar vários desafios diários. A recompensa é maior e valiosa.

Ao mesmo tempo, quero reforçar que a luta por igualdade e diversidade deve sair das palestras on-line e artigos de blog.

Dê oportunidade para pessoas pretas, para mulheres, para pessoas LGBTQIA +, para pessoas com deficiência. Crie uma cultura organizacional que abrace as diferenças e que estimule a diversidade. Não é raro encontrarmos pesquisas que mostram os ganhos, parte das vezes financeiros, de adotar uma cultura diversa e plural na empresa.

A mudança deve ser ativa. Só dessa maneira conseguiremos reverter o cenário onde 74% das startups brasileiras têm equipe majoritariamente masculina (ABStartups).

Mudança gradual e constante é a chave

A Gupy, startup onde sou CEO, foi fundada por 4 profissionais: duas mulheres e dois homens — um deles LGBTQIA +. Desde o início, a diversidade foi pauta muito debatida. Conforme o negócio cresce, conseguimos acrescentar novas ações e estratégias que fomentem a pluralidade da equipe.

Boa parte das lideranças são mulheres, temos grupos de diversidade dedicados à pessoas pretas e LGBTQIA + (aliás, iniciativa criada pelos próprios colaboradores, os Gupiers) e possuímos novas ações no forno e já sendo executadas. Fortalecemos constantemente o ambiente seguro que criamos na empresa: todas as ideias são bem-vindas e serão levadas em consideração.

Ainda assim, acredito e reconheço que existe muito trabalho pela frente. Conto com a ajuda de todos os diretores, líderes e também de todo o time da Gupy para construirmos uma cultura inclusiva, com novas ideias, projetos e ações em prol da diversidade.

Por fim, recomendo que conheçam o trabalho de três empresas: primeiro, a B2Mamy, empresa que, ao capacitar mães sobre o ecossistema de inovação e tecnologia, busca proporcionar a elas independência financeira.

Em segundo, a Transcendemos, consultoria de diversidade que ajuda empresas em projetos de inclusão, tornando a empresa mais diversa ao mesmo tempo que contribuem para uma sociedade mais justa e igualitária.

Por último, a Safespace, fundada por três mulheres incríveis (e que conheço de perto), é uma startup que busca tornar o ambiente de trabalho em um lugar seguro, inclusivo e sem assédios por meio de um canal de escuta 100% anônimo.

Espero que este artigo tenha despertado em você uma vontade de mudança e que, mesmo sabendo do caminho longo, não nos falte forças para lutarmos pela diversidade.

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