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Tendências em recursos humanos: transformações no RH brasileiro

Tendências em recursos humanos: transformações no RH brasileiro

Saiba quais são as tendências em recursos humanos que estão transformando o RH no Brasil e no mundo. As startups de recursos humanos, as chamadas HRTechs, são principalmente aquelas que desenvolvem infraestruturas tecnológicas para a gestão de times e contratação de novos empregados. No entanto, também podem ser incluídas nessa categoria empresas com soluções inovadoras […]

21 de junho de 2022 4 min de leitura
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Artigo atualizado 21 de junho de 2022

Saiba quais são as tendências em recursos humanos que estão transformando o RH no Brasil e no mundo.

As startups de recursos humanos, as chamadas HRTechs, são principalmente aquelas que desenvolvem infraestruturas tecnológicas para a gestão de times e contratação de novos empregados.

No entanto, também podem ser incluídas nessa categoria empresas com soluções inovadoras para a capacitação de profissionais ou que forneçam serviços de saúde e bem-estar (academia, psicoterapia) como benefício corporativo.

Neste texto, você irá descobrir quais são as tendências do ecossistema de startups de recursos humanos e o estado desse mercado no Brasil em termos de investimentos.

Investimentos em HRTechs no Brasil

Até 2019, as startups de recursos humanos atraíam pouquíssima atenção dos investidores no Brasil. No entanto, foi na metade desse ano que o Gympass, aplicativo de academias por assinatura, confirmou um aporte de US$ 300 milhões liderado pelo SoftBank, companhia japonesa dona do maior fundo de capital de risco do mundo.

Em 2020, a crise da covid-19 e a imposição do distanciamento social mudaram radicalmente a relação entre empresas e colaboradores.

Muitas companhias, por exemplo, foram obrigadas a conduzir processos de recrutamento através de meios exclusivamente digitais. Outras tantas passaram a investir no bem-estar emocional dos funcionários, atentas às apreensões provocadas pelo período de pandemia.

Assim, em 2021, mais uma vez, as atenções se voltaram para a área de recursos humanos, e o número de aportes únicos em startups de RH brasileiras chegou ao marco histórico de 31, o maior da categoria em um único ano.

Em 2022, esse mercado começou pra lá de aquecido, e até o mês de maio foram aplicados US$ 219 milhões nas nossas techs de RH.

RH 5.0

A Gupy, pioneira no uso de inteligência artificial para recrutamento e seleção, levantou R$ 500 milhões logo em janeiro. O aporte foi liderado pelo SoftBank e pela Riverwood Capital. No mês seguinte, a Sólides, plataforma de gestão de recursos humanos para PMEs, captou R$ 530 milhões com a gestora Warburg Pincus. Foi o maior investimento feito em um programa de RH em toda a América Latina.

Evolução dos investimentos em startups de recursos humanos no Brasil.

(Fonte: Distrito)

Tendências em recursos humanos hoje

De softwares high tech a estratégias de gestão de pessoas, o que não falta na área do RH são tendências.

Abaixo, estão listadas algumas das principais delas.

Automação dos processos de contratação

De acordo com André Barrence, diretor do Google for Startups para a América Latina, a missão das startups de RH no Brasil é “tornar as contratações mais ágeis e justas por meio da tecnologia, melhorando a experiência das empresas que estão contratando e a dos candidatos às vagas de emprego”.

A utilização de ferramentas que automatizam o processo de recrutamento e seleção das empresas talvez seja a principal tendência do setor de recursos humanos atualmente.

O software da Recrutei, startup de Minas Gerais, inclusive permite que as companhias mantenham programas de seleção contínuos e com o RH operando remotamente. O programa faz a gestão do recrutamento de ponta a ponta, desde a divulgação das vagas até a triagem dos currículos e agendamento das entrevistas.

Desenvolvimento de skills

Em um estudo realizado pelo Distrito com 223 fundadores de startups no ano passado, 59,6% deles responderam que profissionais de TI eram os mais difíceis de contratar.

De fato, o recrutamento de pessoas qualificadas em tecnologia continua sendo um enorme empecilho para as empresas em geral.

Em um artigo da Forbes, Sarah Franklin, presidente e CMO da companhia americana de software Salesforce, aponta que a adesão ao trabalho remoto e a rápida transformação digital decorrentes da pandemia aprofundaram a lacuna de profissionais da tecnologia que já existia no mercado de trabalho.

Segundo ela, o papel de capacitar o pessoal que deverá preencher esse gap é da própria indústria da tecnologia, na medida em que as instituições de ensino tradicionais já não estão conseguindo acompanhar o ritmo de desenvolvimento acelerado do universo digital.

Por isso as startups de educação que oferecem programas de qualificação em habilidades específicas deverão crescer e entrar no radar das companhias em busca de profissionais da área tech.

As empresas como escolas

Na esteira desse movimento de qualificação de profissionais conduzido pelas startups de educação, as próprias companhias também deverão se tornar parceiras de carreira dos seus funcionários.

Seja financiando cursos de especialização ou promovendo treinamentos in company, a tendência é que as empresas tomem para si o papel de atualizar o know-how dos colaboradores de acordo com o surgimento de novas tecnologias.

Employee experience

Na última década, as pessoas começaram a cobrar das empresas um posicionamento quanto a questões como preservação do meio ambiente e igualdade de oportunidades para minorias sociais.

As empresas, por sua vez, passaram a executar estratégias para estimular os clientes a promoverem os seus produtos voluntariamente, por se identificarem com os valores da marca.

Eis que os esforços das companhias para encantar o consumidor também precisam ser aplicados para conquistar os seus próprios funcionários.

O employee experience (“experiência do colaborador”), como ficou conhecido, é um conjunto de iniciativas destinadas a fazer com que os colaboradores se identifiquem com o lugar onde eles trabalham e se tornem embaixadores da empresa mesmo fora do horário de expediente.

Entre as dezenas de iniciativas que as empresas adotam para proporcionar uma boa experiência para os funcionários, está o onboarding, definido assim pela Gupy, uma das maiores startups de RH do Brasil:  

“O onboarding é um processo para integrar o novo colaborador à equipe, cultura e forma de operação da organização, com o objetivo de assegurar a adaptação e a retenção desse profissional.”

Em um mercado extremamente carente de especialistas em tecnologia, o employee experience também se tornou uma estratégia fundamental para impedir a alta rotatividade do quadro de profissionais da empresa.

Recursos humanos e inovação

Em um mundo que se transforma continuamente e o futuro chega cada vez mais rápido, é imprescindível que as organizações tenham criatividade e flexibilidade para inovar e permanecer firmes no mercado.

Tendo em vista que apenas pessoas detêm essas duas qualidades, também é imprescindível que as empresas saibam selecionar, cultivar e aprimorar o capital humano. Nenhuma máquina é capaz de se reinventar por conta própria para encontrar soluções que combinem lucro, respeito ao meio ambiente e inclusão social.

Portanto, de modo algum as revoluções digitais excluirão os seres humanos do processo produtivo. Ao contrário, os recursos humanos e tecnológicos deverão caminhar juntos na busca pelo progresso e pela inovação, que é um jogo infinito.


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