arrow Voltar

Software as a Service: por que o modelo atrai cada vez mais investimentos de risco?

Software as a service (SaaS) é a disponibilização de programas e recursos de computação (armazenamento, poder de processamento, bancos de dados) sob demanda através de uma rede de servidores remota, a famosa “nuvem”.  Também conhecido como subscription-based online software, o modelo SaaS é comercializado por assinatura na internet e oposto ao tradicional on-premises, em que […]

11 de fevereiro de 2022 4 min de leitura
time

Artigo atualizado 11 de fevereiro de 2022

Software as a service (SaaS) é a disponibilização de programas e recursos de computação (armazenamento, poder de processamento, bancos de dados) sob demanda através de uma rede de servidores remota, a famosa “nuvem”. 

Também conhecido como subscription-based online software, o modelo SaaS é comercializado por assinatura na internet e oposto ao tradicional on-premises, em que o usuário compra um programa com licença de uso vitalícia e o instala em uma única máquina, com o servidor localizado dentro das próprias instalações da empresa.

Na última década, a distribuição de softwares as a service começou a ganhar cada vez mais espaço dentro do mercado. De acordo com a casa de análises Forrester Research, o market size das companhias SaaS foi de US$ 60 bilhões em 2014 para US$ 130 bilhões em 2020 (valores aproximados).

No Brasil, o volume de capital de risco investido em startups com modelo de negócios SaaS correspondeu a aproximadamente 48% do volume total de investimentos aplicado no nosso ecossistema de inovação e tecnologia em 2021. Em 2017, quatro anos antes, essa porcentagem foi de 38%. Nesse mesmo período, de 2017 a 2021, o número de aportes únicos em startups SaaS em relação a empresas com outros modelos de negócio cresceu 109,4%.

A imagem mostra o volume de investimentos em startups de SaaS no Brasil de 2017 a 2021, em milhões de dólares

Isso posto, por que os softwares sob demanda estão se tornando cada vez mais atraentes para os fundos de venture capital?

Vantagens do modelo software como serviço

Em primeiro lugar, os rendimentos de uma empresa provedora de softwares como serviço são previsíveis e recorrentes. A assinatura mensal de uma plataforma de vídeos como a Netflix, por exemplo, é uma fonte de receita mais segura se comparada a um pagamento único para baixar um filme no YouTube.

Startups SaaS também conseguem aumentar o seu número de clientes de modo indefinido apenas vendendo mais assinaturas, e basicamente mantendo os mesmos custos operacionais. Como o produto dessas empresas é tão-somente um programa online, a única coisa que elas precisam para expandir o negócio é que seus novos clientes tenham acesso à internet.

De acordo com Sarah Nöckel, vice-presidente da firma de investimentos Northzone, o software as a service é extremamente lucrativo justamente por causa da escalabilidade, já que é possível construir uma companhia com esse modelo de negócios com menos de US$ 10 milhões de financiamento.

Para as empresas que assinam um serviço de software, uma das vantagens são as constantes atualizações do programa. No modelo on-premises, em que os aplicativos são instalados localmente, os updates ocorrem entre seis e doze meses. O problema é que a maioria das empresas não pode esperar tanto tempo caso o sistema apresente algum mau funcionamento. Por outro lado, startups de SaaS chegam a realizar diversas mudanças no seu software diariamente, sem qualquer inconveniente para os usuários.

Nesses tempos de ataques cibernéticos e vazamento de dados, essas atualizações também servem para manter os protocolos de segurança dos softwares em dia e evitar quaisquer falhas que possam comprometer as informações armazenadas das corporações.

Por fim, o modelo de negócios SaaS ainda vai ao encontro do comportamento dos consumidores modernos, tanto pessoas físicas quanto jurídicas. Hoje, em vez de gastar dinheiro com uma compra só, o cliente prefere serviços flexíveis, com preço baixo, que possam ser acessados instantaneamente e cancelados a qualquer momento.

Aquisições e IPOs de SaaS

O crescente interesse dos investidores de venture capital por companhias provedoras de SaaS tem encorajado empreendedores a desenvolver programas para os mais diversos setores da indústria. As grandes empresas, por sua vez, estão mais do que dispostas a adquirir plataformas que contribuam com os seus projetos de transformação digital, acelerados por causa da pandemia. 

Com exceção de 2018, as startups de softwares baseados na Web foram as mais adquiridas no Brasil entre 2017 e 2021. Para ficar em apenas um exemplo, em março do ano passado, a Totvs anunciou a aquisição de 92% do capital da plataforma de marketing RD Station por R$ 1,86 bilhão.

A imagem mostra a porcentagem de startups de software as a service adquiridas em relação a outros modelos de negócio no Brasil de 2017 a 2021

Nos Estados Unidos, as ofertas públicas iniciais das companhias de SaaS batem recorde atrás de recorde. Em 2020, um total de dezesseis startups abriram o capital para o público nas bolsas americanas; em 2021, esse número subiu para 27. Uma delas foi a UiPath, empresa de origem romena que ajuda corporações e instituições governamentais a automatizar tarefas repetitivas nas áreas da saúde, varejo, finanças, recursos humanos, entre outras.

Em 2020, após um aporte de US$ 225 milhões liderado pela Alkeon Capital Management, a avaliação privada da UiPath subiu para US$ 10,2 bilhões, tornando-a a companhia de SaaS mais valiosa de toda a Europa. Seu IPO no ano seguinte movimentou cerca de US$ 1,34 bilhão e elevou o valor de mercado da empresa para US$ 34 bilhões.

Um dos investidores da UiPath era a Accel, cujo sócio Philippe Botteri acredita que o mercado mundial de software irá valer US$ 1 trilhão até 2025.



Posts recomendados

Acesse o blog arrow