Desde a primeira revolução industrial, com a mecanização através de água e vapor,  até a produção em massa e linhas de montagem usando eletricidade na segunda, a quarta revolução industrial, ou indústria 4.0, otimiza o que foi iniciado na terceira.

Baixe aqui o relatório sobre a Indústria 4.0
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A indústria 3.0 deu um grande salto quando o computador e a automação dominaram o cenário industrial. Foi durante esse período de transformação que os robôs entraram na linha de montagem para realizar as tarefas executadas pelos humanos.

Agora, e no futuro, conforme a Indústria 4.0 se desdobra, os computadores estão conectados e se comunicam entre si de forma independente, para, finalmente, tomar decisões sem envolvimento humano.

É uma combinação de Cyber ​​Physical Systems (CPS), Internet das Coisas (IoT) e Internet dos Serviços, tornando os processos de produção mais eficientes, autônomos, customizáveis e a fábrica inteligente uma realidade.

Compreender as principais tecnologias e características da Indústria 4.0 e acompanhar as tendências do setor no Brasil e no mundo é essencial para empresários, investidores e startups.

Inovação na indústria brasileira

A indústria nacional ainda demonstra relutância em inserir novas tecnologias, esbarrando em barreiras burocráticas, falta de informação e receio de mudanças.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirma que menos da metade da indústria (apenas 48%) utiliza alguma tecnologia digital, tendo maior adesão nas empresas de grande porte e nas que possuem uma intensidade tecnológica maior em suas atividades. O foco da implementação dessas tecnologias é o ganho em eficiência e produtividade.

Porém, a percepção dos empresários sobre a importância para o desenvolvimento de novos produtos e modelos de negócios vem crescendo.

Com o fortalecimento do ecossistema de inovação e surgimento de empreendimentos resilientes às crises macroeconômicas, o Brasil mostra-se disposto a embarcar numa jornada de disruptura.

Fatores complementares como o crescimento da linha de crédito, a recuperação econômica pós-crise, o aumento da confiabilidade de empresários, assim como o crescimento nos investimentos em inovação no setor industrial, as perspectivas para a nova linha de produção com tecnologias 4.0 são otimistas.

Reconhecendo a importância da transformação digital na indústria brasileira, o governo federal lançou a Agenda brasileira para a Indústria 4.0, um plano de 10 passos para facilitar e fomentar a inovação no setor fabril do país.

Algumas das metas do plano são:

  • Implementar um programa de cooperação entre startups e grandes empresas;
  • Zerar impostos de importação sobre equipamentos relevantes;
  • Apoiar 1,5 mil empresas no programa Brasil Mais Produtivo;
  • Investir R$30 milhões em testbeds de tecnologia entre 2018-2019;

Big Data na Indústria 4.0

Alguns chegam a dizer que Big Data é a Industria 4.0. Outros olham para isso como uma equação em que a Inteligência Artificial somada ao big data é igual à quarta revolução industrial.

Mas, sob um olhar mais amplo, o uso e a interpretação de Big Data é o que a IA e a IoT têm em comum. Empresas que investem nas três áreas têm uma boa chance de se tornarem líderes na quarta revolução industrial.

Por um lado, nesse cenário todo, podemos ver a possibilidade de perdas de emprego à medida que máquinas autônomas assumem tarefas que os humanos executaram durante anos. Por outro, pode haver uma série de novos empregos criados para usar o poder dos dados e usá-los de maneira significativa.

“A intenção não é substituir pessoas, mas sim ajudá-las nas tarefas.” Afirma o VP de operações internacionais da Amazon, Dave Clark.

Veja abaixo alguns exemplos de como o Big Data pode contribuir para a Indústria 4.0:

Inteligência artificial (IA)

A grande quantidade de dados provenientes de dispositivos interconectados possibilita o amplo uso de IA para solucionar problemas como otimização logística e manutenção preditiva. As máquinas conseguem perceber, entender os dados processados e auxiliar na tomada de decisões. Ex.: Carros inteligentes.

Machine Learning (aprendizado de máquinas)

Esta tecnologia é capaz de identificar padrões, encontrar soluções e fazer previsões com base em grande quantidade de dados, sem ajuda humana. Ex.: Apps de trânsito que indicam a melhor rota e sites de filmes que fazem sugestões com base no que você já viu.

Redes Neurais

As redes neurais artificiais têm como objetivo imitar os neurônios humanos. Os neurônios artificiais são capazes de processar grande volume de dados e analisá-los, aprendendo com base em experiências anteriores. Ex.: Reconhecimento por voz em celulares e assistentes virtuais.

Modelagem estatística

É um algoritmo que processa diversas variáveis e gera estimativas. Está ligada a previsões e identificação de padrões, permitindo que os dados sejam melhor interpretados.

“As mudanças nunca aconteceram em ritmo tão acelerado como nesta quarta revolução e a tendência é o aumento em velocidade e complexidade. O novo desafio das empresas é adaptar-se rapidamente buscando as melhores práticas para utilizar dados com segurança,” observa Jaime de Paula, CEO da Neoway, a maior empresa de Inteligência de Mercado da América Latina que desembarcou em Nova York e se prepara para abrir escritórios em Portugal, Índia, México e Colômbia.

Aplicações hoje

Enquanto algumas organizações ainda negam a possibilidade do impacto da Indústria 4.0 em seus negócios, outras já estão implementando e se preparando para as mudanças hoje mesmo. Veja algumas aplicações possíveis:

Identificar oportunidades

As máquinas conectadas coletam um enorme volume de dados, em um tempo que seria impossível para um humano. Elas analisam esses dados para identificar padrões e fornecer insights de manutenção, desempenho e outros problemas.

Usando os dados dos sensores em seus equipamentos, uma mina de ouro africana identificou um problema com os níveis de oxigênio durante a lixiviação. Identificando e resolvendo o problema, eles conseguiram aumentar seu rendimento em 3,7%, o que economizou US $ 20 milhões por ano.

Otimizar a logística e as cadeias de suprimentos

Uma cadeia de suprimentos conectada pode ajustar-se automaticamente quando novas informações são apresentadas.

Se ocorrer um atraso vinculado a uma remessa, um sistema conectado poderá se ajustar proativamente e modificar as prioridades de fabricação.

Maior autonomia de processos

Existem estaleiros que estão utilizando guindastes e caminhões autônomos para agilizar as operações de contêineres nos navios.

Soluções digitalmente multidisciplinares

É possível digitalizar processos físicos e lógicos resultando, muitas vezes, em modelos inéditos para a cadeia de suprimentos, planejamento, produção, manutenção, comercialização, logística e gestão.

O Centro de Excelência (CoE) em Tecnologias e Operações da Votorantim tem a missão de apoiar as empresas de seu portfólio em suas rotas tecnológicas específicas.

Alguns dos direcionadores que norteiam a estratégia da empresa são: Simulações para previsibilidade de cenários complexos, maior velocidade nas tomadas de decisões por meio de algoritmos inteligentes, flexibilização dos processos para atender mudanças táticas e estratégicas em tempo hábil, maximizar a matriz energética nas plantas industriais, e otimizar a gestão de ativos integrando a cadeia produtiva.

Também é possível potencializar a força de trabalho por meio da digitalização seja: acelerando o desenvolvimento de pessoas, ampliando a segurança no dia a dia do empregado ou, ainda, suprindo escassez de mão de obra em rotinas específicas através da automação.

Maior rapidez e agilidade

Desde a escolha de produtos em um depósito até o preparo para o envio, os robôs autônomos podem oferecer suporte rápido e seguro.

Na Amazon, os robôs movimentam as mercadorias nos armazéns, reduzindo custos e permitindo uma melhor utilização do espaço para o varejista.

Startups da Indústria 4.0

No Brasil, vemos empresas jovens mergulhando de cabeça em trazer essa realidade para cá.

Recentemente fizemos um levantamento de mais de 200 startups da Indústria 4.0. Além disso, trazemos informações sobre todo o ecossistema, como programas de aceleração, funding, e entidades.

As startups elencadas deveriam encaixar-se nos seguintes critérios:

  • Atuar de forma aplicável ao ramo da Indústria 4.0;
  • Ter listagem de clientes e parceiros;
  • Estar em estágio operacional e ter clientes ativos;
  • Desenvolver tecnologia proprietária;
  • Ter nacionalidade brasileira.

No estudo também abordamos cases de sucesso e startups que se destacaram em seu setor. Alguns destes nomes são:

Logpyx – Logística

De Belo Horizonte, fornecem dispositivos que são instalados nos caminhões e nos diferentes espaços e equipamentos (balanças, cancelas, silos de armazenamento etc) para monitorar em tempo real a logística, para ganho em eficiência e redução de custo e de riscos.

Assim, é possível acompanhar em tempo real o que ocorre e permitir que a inteligência artificial tome decisões econômicas e eficientes nas operações logísticas.

Intelie – Big Data & Analytics

Trabalha com a captação de dados, de sensores em plataformas de petróleo ao funcionamento de motores de navios, da interações de usuários com seus sistemas a vendas, estoque e logística.

Com um motor de análise de dados em tempo real, é capaz de analisar e processar centenas de milhares de eventos por segundo usando poucos recursos computacionais. É uma das mais avançadas tecnologias de tempo real disponíveis no mundo.

Nasceu em 2009, no Rio de Janeiro e em 2018, foi vendida à gigante americana de tecnologia RigNet por uma quantia estimada em US$ 27,8 milhões. Hoje possui sede também em São Paulo e Houston.

Techplus – Automação

Com duas sedes, em Campinas e Natal, seu foco é a manutenção preditiva online através do I-Machine. Através de Inteligência Artificial, o sistema gera probabilidade de falhas das máquinas monitoradas e gera alertas em tempo real para os gestores.

A plataforma permite aumentar o índice de disponibilidade dos equipamentos e diminuir o custo com manutenção.

VR Monkey – Realidade Virtual, Aumentada e Mista

De São Paulo, desenvolvem soluções personalizadas para que seus clientes se destaquem frente aos seus concorrentes. Contam com uma equipe altamente especializada e com projetos de destaque internacional.

Eles permitem transportar pessoas para realidades fotorrealistas geradas por computador e fazê-las interagirem com o ambiente dinâmico ao seu redor.

Tiveram um aumento de 500% no tamanho da equipe entre 2015 e 2018, uma expansão internacional em 2018, com intercâmbio na Coreia do Sul e participação no programa Intel Ultimate Coder for VR Challenge. Também realizaram a exposição de Realidade Virtual Dinos do Brasil, instalada no Catavento Cultural em São Paulo, com o apoio da Intel e Ambev.

As grandes empresas devem estudar as soluções apresentadas por startups para se adaptarem às novas tendências, garantindo assim sua sobrevivência neste cenário de grandes mudanças.

Ao mesmo tempo, as startups da Indústria 4.0 devem estar sempre atualizadas para entender como aperfeiçoar a tecnologia de meu produto ou serviço e, assim, atrair investimento.

Quer conferir nosso estudo completo sobre o assunto? Acesse nosso Indústria 4.0 Minning Report e saiba quais são as startups e as principais tecnologias que estão revolucionando o setor industrial no Brasil.

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